Inflacionando o Orçamento , umas vezes o PIB, outras o IPC

​No Orçamento de Estado 2017, o cenário macroeconómico que determina as grandezas nominais , ie, a forma como certas receitas são calculadas ou derivadas do PIB, contém uma previsão de que a taxa de inflação vai ser de 1,5% em 2017. Isto tem um grande impacto no resultado final do déficit e de todas as variações nominais (Euros que previsionalmente serão pagos  e recebidos pelo Estado). 

A taxa de inflação dos últimos anos em Portugal esteve sistematicamente abaixo de 1%. A taxa de inflação média da UE é de 0.4% e a prevista para 2016 em Portugal de 0.8%. Em 2016 a previsão inicial de 1.6% teve que ser sistematicamente revista em baixa por parte do BdP e de todas as outras organizações económicas.  

A não ser pela via dos preços administrados ou quase administrados (por exemplo a electricidade deverá aumentar 1.2%) não há razões sustentadas de cariz económico  para esta aceleração da inflação no próximo ano. Aliás a variação do IVA da restauração em 10 pp deveria ter um efeito negativo ainda sobre os primeiros 6 meses de 2017.

Se isto não é martelanço macroeconómico da geringonça e se isto é um cenário macroeconómico plausível  (vide declarações de Teodora Cardoso da UTAO) então vivemos num país que vai divergir profundamente dos restantes nesta matéria e vamos todos perder poder de compra…porque os escalões de IRS foram apenas atualizados em 0.8% usando-se de uma coerência confrangedora. 

E não se entende como é que as exportações aceleram nas previsoes deste Orçamento num contexto de evolução de preços relativos desfavoráveis vis a vis com a UE , já para não falar com o Reino Unido com a libra fortemente desvalorizada. 

De acordo com este cenário económico os portugueses vão perder poder de compra porque se o cenário de inflação se concretizar, as taxas de IRS do rendimento auferido em 2017 serão mais elevadas: é assim que se honra a palavra dada de que o IRS não iria ser aumentado. Há a hipótese de o salário não aumentar os tais 1.5%, mas então a perda real de poder de compra será pior (com inflacao de 1.5%) do que o aumento de escalão de IRS. 

Bravo Pr.Dr. Mário Centeno, o Phd de Harvard afinal tem utilidade para ludibriar com números o Zé Povinho . Se não podemos usar uns números de crescimento de PIB irrealistas como fizemos em 2016, usemos um número de inflação que permita fazer as mesmas contas…

#BoaSortePortugal

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11 pensamentos sobre “Inflacionando o Orçamento , umas vezes o PIB, outras o IPC

  1. tina

    1) Numa obra de engenharia, são previstas sempre as situações mais pessimistas. Numa obra socialista, são sempre previstas as situações mais otimistas. Isso mostra o respeito que os socialistas têm pela vida dos portugueses.

    2) O aldrabão do Centeno julga que consegue aumentar a inflação de uma assentada quando Mário Draghi anda a tentar fazer isso há anos!…

    3) É extraordinário o facto de Teodora não ter visto esta falcatrua tão grande.

  2. Com uma “economia” como a nossa e com a actual situação do mercado global, os orçamentos nunca serão mais do que formas de obter receitas e votos de boas festas. Seja o governo qual for, nada irá para além disto. O Dr. Centeno não passa do actual executante dessa estratégia, o mais recente duma longa lista. Mas cuidado: com aquele ar humilde e atrapalhado, ele beneficia (aos olhos povo) do contraste com o ar de vendedora de banha- da- cobra da Maria Luís que também nada resolveu. Depois, se ele conseguir a aprovação de Bruxelas com um orçamento que compromete o PC e o BE… tiro-lhe o chapéu.

  3. GIL : “Maria Luís que também nada resolveu”

    “Nada resolveu” mas no tempo dela o crescimento da economia era o dobro e o financiamento longo custava metade !…

  4. Este orçamento é totalmente irrealista e o seu único propósito é enganar Bruxelas e os portugueses. Os portugueses são fáceis de enganar, como se tem visto (basta ver a ilusão de acabar com a sobretaxa que afinal não acaba). Bruxelas, vamos ver se engole as patranhas.

  5. André Miguel

    É mau demais para ser verdade. Até doeu ouvir o chorrilho de mentiras de Centeno da conferência de imprensa após a apresentação do OE. É que nem disfarçou o incomodo!

  6. “Com uma “economia” como a nossa e com a actual situação do mercado global, os orçamentos nunca serão mais do que formas de obter receitas e votos de boas festas. Seja o governo qual for, nada irá para além disto.”

    AHAHAHAHAHAHAHAHA, até os próprios defensores do governo já perderam a esperança nele.

    Você não percebe que se o Balofo não tivesse invertido as medidas todas, a economia continuaria a crescer como no tempo de Pedro Passos Coelho e Maria Luís?

  7. Este Orçamento é quase como as medidas que Sócrates tomou para ser reeleito em 2009.

    Era gastar dinheiro, o que havia e o que não havia, como quem não tem os cinco bem medidos; como quem queimou os fusíveis; como quem passou da rosca.

    Em 2010 já o dito engenheiro técnico Sócrates estava, coitado, a ter de cortar salários à Função Pública.

    Vejam a forma hábil como Sócrates responde à pergunta (que não se ouve neste vídeo, mas ouve-se num que afixo em baixo) da jornalista:

    (Sócrates) «O que eu intendi [sic] da sua pergunta é se em 2012 se fariam outras reduções. Não. A resposta é não.»

    Ah, ah, ah, qual seria o jornalista a fazer uma putativa pergunta tão idiota? Nenhum! Nenhum, nenhum, nenhum!
    E efectivamente a pergunta foi sobre quanto tempo duraria o corte: se era um corte definitivo, se temporário. E a resposta correcta: era para manter definitivamente.
    Mas Sócrates, que se acha um génio da assertividade, não querendo dizer que o corte é definitivo, diz… que em 2012 não serão feitas reduções… adicionais… porque foi isso que… percebeu da pergunta da jornalista. Um caso de pantominice sem cura. (Vide 3º vídeo, aos 10:00, pergunta da jornalista Madalena Salema, da Antena 1)

    Na íntegra (tanto quanto sei estes 3 vídeos totalizam a conferência de impressa; não encontrei nenhum que a tivesse de seguida), a conferência de imprensa da austeridade do OE 2011:

    Guardem no vosso pc ou na cloud ou onde quiserem, mas guardem! (Keepvid, ou Chris PC free video tube downloader)

    Além disto, e ainda em 2010, vide
    w w w .pub lico . p t/economia/noticia/iva-a-23-eleva-a-conta-anual-do-supermercado-em-38-euros-1463768

    Já agora, procurem o que Vital Moreira escreveu há 3 dias sobre o aumento de pensões previsto no OE para 2017 «Se este é um preço a pagar pela “geringonça” (…) então é um preço demasiado elevado»

    O 4º resgate está mais do que certo. A desculpa vai ser a bolha imobiliária chinesa ou quiçá a marciana.

  8. Tina:
    Essa dos “defensores do governo” não sei se se refere a si própria, porque a mim não é. O que lhe posso adiantar, é que também não apoiei o anterior, porque essa treta do clubismo nem no futebol me diz grande coisa.

    Quanto ao famoso “crescimento económico” do governo anterior, só prova que por aqui anda pouca gente que tenha ordenados a pagar no fim do mês. Tretas de zero vírgula não sei quanto, ou um ponto qualquer coisa, que apenas se deveu a situações pontuais e nada alterou de estrutural, pode servir para os que adoram brincar às estatísticas (e pensam que isso é política), mas não serve para mais nada.

  9. “Tretas de zero vírgula não sei quanto, ou um ponto qualquer coisa, que apenas se deveu a situações pontuais e nada alterou de estrutural, pode servir para os que adoram brincar às estatísticas (e pensam que isso é política), mas não serve para mais nada.”

    ahahahaha, ontem estava a falar com um funcionário público que apresentava o mesmo tipo de argumentação tonta.

    Foi graças ao crescimento com Maria Luís e PPC que pudemos começar a pagar a dívida e esta estava a diminuir. Agora não há dinheiro nem para cartões do metro, quanto mais pagar a dívida!… Com um crescimento tão baixo não nos resta mais nada senão pedir dinheiro emprestado. É POR ISSO QUE A DÍVIDA e OS JUROS DA DÍVIDA NÃO PARAM DE SUBIR. Portanto, agora fica a saber a diferença entre um crescimento de 1,6% e um crescimento de quase zero com acontece com a geringonça.

  10. tina

    “Este Orçamento é quase como as medidas que Sócrates tomou para ser reeleito em 2009.”

    Também tive a mesma sensação de dejá vú!…

  11. GIL : “Quanto ao famoso “crescimento económico” do governo anterior … tretas de zero vírgula não sei quanto, ou um ponto qualquer coisa, que apenas se deveu a situações pontuais e nada alterou de estrutural,”

    O crescimento economico durante o governo anterior passou a positivo a partir de meados de 2013 e foi progressivamente aumentando de ritmo.
    Em 2014 e 2015 estava já acima da média europeia.
    Se não tivesse chegado a “geringonça” e se a politica que estava a ser seguida não tivesse sido interrompida e até invertida em certos aspectos (mas não se voltou a página da austeridade !…), e tendo em conta que não aconteceu entretanto nenhuma degradação no essencial das condições externas, o mais provável teria sido o ritmo crescimento da economia portuguesa ter continuado a progredir podendo já estar hoje bem acima dos 2% ao ano.
    Não estamos a falar de “tretas de zero e virgula” !…
    Esta tendência positiva ao longo de vários anos não pode ser apenas nem principalmente explicada por “situações pontuais” (quais ??!!…) : só foi possivel porque, para além de estar em curso uma consolidação das contas publicas, lenta mas sólida e duradoura, a economia portuguesa vinha operando uma mudança estrutural que favorecia um crescimento mais forte do investimento privado produtivo e das exportações do que o crescimento do consumo interno.
    Claro que ainda a procissão ia no adro e havia ainda muito por fazer, em particular no plano “estrutural”.
    Mas, tendo em conta os resultados já obtidos e sabendo-se que o governo actual, para além de estar a seguir uma politica orçamental imprudente e presa por arames, interrompeu e, pior ainda, reverteu aspectos de carácter estrutural, dizer que neste plano o governo anterior e o governo actual fazem a mesma coisa é que é uma enorme “treta” que objectivamente só serve para desculpabilizar o governo actual relativamente às criticas que lhe são aqui feitas !!

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