“Baby, Stop Crying “

e5b2b4d65f9dbe1ae510fe0cbab40a68Olá amigos, vamos falar do Nobel? A questão que me apoquenta é o facto de, das pessoas que conheço e em que reconheço um extraordinário bom gosto literário, nenhuma reconheça valor algum ao Nobel da Literatura.

Este é um prémio que ainda presta o serviço de impressionar aquele tipo de sujeito que tem o Eça como o melhor escritor português – quando nem o melhor escritor em língua portuguesa da sua época ele foi – que equipara Saramago aos russos, tem o Paulo Coelho em boa conta e jura a pés juntos que tentou ler o Lobo Antunes, sem sucesso. Ou que, por excesso de tempo livre para incorrer em originais fantasias, lamenta o Nobel que não foi dado a Pessoa, como se o senhor fosse conhecido em vida.

A criatura que assombra mesas de jantar de hamburguerias gourmet, com conversas literárias regadas a gin merdoso, pintando o facebook com citações mais reles que o gosto. Impinge livros a toda a gente, barafusta contra um país atrasado que lê pouco e pode apontar-se ao insucesso destas aventuras o grau de alfabetização ainda não ter baixado por cá.

Daí que me custe perder a disposição a debater as acções de uma instituição que não premiou Tolstoi, Nabokov, Proust, Céline, Borges ou até mesmo Lobo Antunes ou Agustina. No entanto, este ano, o debate é interessantíssimo. Devem os músicos ser premiados?

Se sim, Dylan e Cohen seriam óbvios candidatos, assim como Morissey, Eminem ou Chico Buarque – incluir Tupac ou Kurt Cobain na lista já colocaria o interlocutor ao nível dos apaixonados de Paulo Coelho. Se não, o que é legítimo e não me choca, é favor atribuírem o prémio a um génio português – coisa que nunca foi feita – se possível à Agustina, visto o Lobo Antunes ser demasiado casmurro para se deixar morrer sem o galão e, consequentemente, ser gajo para escrever umas pérolas só por vingança.

5 pensamentos sobre ““Baby, Stop Crying “

  1. mariofig

    Quando a Academia relutantemente aceitou adicionar o Prémio Nobel da Economia (leia-se, de bom grado aceitou o imenso dinheiro doado pelo Banco Nacional da Suécia para esse fim), eles também disseram que não iam aceitar acrescentar mais nenhum prémio no futuro. Portanto a ideia de criar um Nobel da Música, que seria o que eu defenderia para resolver o problema de forma mais simples, parece que não vai dar.

    Inteiramente de acordo com Lobo Antunes. Já tenho as minhas dúvidas em relação à Agustina Bessa-Luís. Acho que outros talvez lhe estivessem à frente, tipo Philip Roth (que tem sido falado muitas vezes) ou Haruki Murakami. Depois então se poderia pensar nisso.

    Mas não vale a pena pensar muito nisso. Como disse e bem, já pouca gente leva o Nobel da Literatura a sério. Pior mesmo só o Nobel da Paz. Portanto o Nobel foi bem entregue ao Dylan. Quando a coisa se torna num circo, é um circo que a coisa deve continuar a ser. Existem muitos outros prémios literários que hoje são mais reconhecidos e respeitados.

  2. mariofig

    Claro que sim.

    Tenho em grande estima em particular o Neustadt e o Booker. Não sou um dos críticos da decisão de este último ter mudado este ano de um prémio literário atribuído ao conjunto de uma obra para um prémio atribuído a apenas um livro ou obra individual. E ainda em relação ao Booker aprecio em particular o facto de o prémio ser dividido entre autor e tradutor para livros traduzidos para a língua Inglesa.

    Entre nós e os nossos vizinhos aprecio os prémios Camões e Miguel de Cervantes e o Nadal, pese embora não perdoar ao primeiro nunca ter atribuído um prémio ao José Cardoso Pires.

    Existem depois alguns prémios por género, como o Hugo ou Nebula para ficção cientifica e fantasia, ou os CWA Daggers para mistério, suspense e crime, e uns poucos mais por género que não me consigo lembrar.

    Existem grandes prémios literários para outros línguas. Mas não os sigo porque estou limitado às línguas Inglesa, Portuguesa e Espanhola (Castelhana). Existem outros prémios também prestigiantes, mas mais temáticos como o Hemingway/PEN para autores americanos incumbente no mundo da literatura, ou outro para escritores independentes que não me consigo lembrar o nome. Mas todos reconhecidos como prestigiantes, um titulo que a Academia Nobel tem vindo a perder.

    Só tenho pena que não haja um grande prémio literário para o Leste Europeu e Rússia, onde se concentram alguns dos meus autores de ficção favoritos. Existe o Botev, mas é algo errático na atribuição. Mas não foi isso que perguntou…

  3. André Miguel

    Concordo com o Mario, só acrescentaria o Prémio das Letras Príncipe das Astúrias, que a meu ver é bem mais interessante que o Nobel.

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