Compreender o putinismo XLIII

mh17

MH17 foi abatido com ajuda da Rússia

 Separatistas apoiados pela Rússia pediram e receberam o sistema de misseis terra-ar utilizado para abater o avião que voava de Amesterdão para o Kuala Lumpur em julho de 2014. Morreram 298 pessoas.

A equipa de investigadores liderada pela Holanda concluiu que o sistema de mísseis terra-ar usado para abater um avião da Malaysia Airlines que viajava de Amesterdão para o Kuala Lumpur há dois anos, matando 298 pessoas, era russo, estava localizado na Rússia e foi enviado para a Ucrânia a pedido de rebeldes separatistas ucranianos apoiados pelo Governo russo, tendo regressado à Rússia na mesma noite, avança o New York Times. (…)

Que enorme cabala. A investigação não culpa a Rússia. Apenas revela que um sistema de mísseis terra-ar, conhecido como “Buk” veio, foi usado para abater o avião e regressou a casa, à Santa Mãe Rússia. Se dúvidas existissem, é sabido que nenhum militar e equipamento bélico russo pisou o solo da Crimeia, Nunca existiram militares e armas russas em Donetsk. O Kremlin é incapaz de fornecer e financiar terroristas.

De regresso ao avião abatido, o então comandante militar rebelde  Igor Strelkov, da proclamada “República Popular de Donestsk”, afirmou nas redes sociais: “acabamos de abater um An-26 perto de Torez. Caíu perto da mina Progress. Avisámos (as forças armadas ucranianas) para não voarem no nosso espaço aéreo. Há um vídeo que confirma que o pássaro caíu.” O crédito do rebelde passou a glória quando o AN-26 passou a ser o avião de passageiros MH17. As redes sociais pro-russas celebraram o feito e difundiram o vídeo do avião abatido a arder. Alguns minutos após a divulgação, surgiram as primeiras notícias que confirmavam que o avião abatido pertencia à companhia aérea Malaysia Airlines, voo MH17 com  quase três centenas de pessoas a bordo. A partir deste ponto, a propaganda ao serviço dos pro-russos começaram a “cortar” as notícias sobre os mísseis terra-ar, o abate do avião de carga ucraniano e a apagar os vídeos. 

Claro como o vodka: com Vladimir Putin, os velhos usos e tiques soviéticos estão para lavar e durar. Para acompanhar as notícias, aconselho o trabalho do The Telegraph.

7 pensamentos sobre “Compreender o putinismo XLIII

  1. Luís Lavoura

    De acordo com os radares russos, naquele preciso momento, além do avião abatido, havia mais dois aviões comerciais nas imediações. Qualquer deles poderia também ter sido abatido.
    O problema é que as autoridades aéreas ucranianas estavam alegremente a ordenar aos aviões comerciais que continuassem a passar por sobre a zona em guerra, a qual também era utilizada pelos aviões militares ucranianos. O que se passa é que as autoridades ucranianas estavam a usar os aviões comerciais como “escudos humanos” contra os mísseis dos rebeldes.
    O putinismo é uma coisa muito feia. Os regimes amigos do Ocidente são tão feios como o putinismo.

  2. ruicarmo

    De acordo com o meu post, “que enorme cabala. A investigação não culpa a Rússia. Apenas revela que um sistema de mísseis terra-ar, conhecido como “Buk” veio, foi usado para abater o avião e regressou a casa, à Santa Mãe Rússia.”

  3. JP-A

    Teorema de Lavourier:

    Se nós dispararmos um tiro nos cornos de um gajo de direita a culpa é dele, porque se fosse de esquerda estaria do outro lado como nós bem avisámos e nunca poderia ser apanhado na trajetória, ceteris paribus.

  4. Apesar de tudo, parece mais grave o caso do Vincennes, pelas seguintes razões:
    Não há duvidas sobre o autor responsável.
    Não estava em teatro de guerra.
    O vaso de guerra tinha meios de deteção e identificação do tipo de alvo superiores.

  5. Rick

    Foi rápido o inquérito.
    Ninguém tem o endereço dessa comissão? Há por aqui um célebre caso de um Cessna…

  6. JP-A

    Rick,

    O caso do Cessna também foi rápido: partículas microscópicas [e sem peso] espetadas em profundidade nos pés do piloto só é possível com velocidades de projeção compatíveis com explosão. Isto para não falar na confissão que já é pública mas que teve impacto zero, o que não admira, porque com tantos casos de violência doméstica para “noticiar” não há tempo para passar notícias de terrorismo que meta generais ou qualquer tipo de ministros.

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