a decadência do Estado português

Acaba de ser publicada a mais recente edição do “The Global Competitiveness Report 2016-2017” do World Economic Forum, que coloca Portugal na 46ª posição num conjunto de 138 países.

Várias coisas saltam à vista neste relatório. Primeiro, o facto de Portugal ter perdido oito lugares no ranking mundial face à edição do ano passado. Segundo, o facto de a fiscalidade (elevada e complexa) ser percepcionada como o maior obstáculo à actividade económica. Em particular, a dos impostos que afectam o investimento das empresas e a do imposto em sede de IRS (ver “7th pillar: labour market efficiency”) nos quais Portugal classifica em 113º e 128º lugar, respectivamente. E, por fim, terceiro ponto a sublinhar, que o verdadeiro atraso de Portugal reside na ineficiência e ineficácia institucional e administrativa do Estado, cujos efeitos, segundo se deduz do estudo, se fazem sentir sobretudo numa complexa burocracia pública (109º), na incompetência geral da Justiça (126º) e na desregulação de determinados sectores regulados como a banca (129º). Ao invés, a classificação de Portugal na educação, na inovação e, sim (!), também nas infraestruturas, é bastante boa.

Em suma, sem subestimar a influência que o nosso perfil de especialização tem sobre a nossa competitividade global no comércio internacional, eu diria que o nosso verdadeiro problema, o nosso principal atraso, está na decadência institucional e administrativa do Estado, causada por uma administração pública virada para dentro, frequentemente impotente para tratar dos verdadeiros problemas das populações, altamente politizada e, pior ainda, altamente partidarizada. Isto sim, diria eu, constitui um drama e representa o diabo.

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8 pensamentos sobre “a decadência do Estado português

  1. Revoltado

    Engraçado que este ranking mundial não abre telejornais nem é causa de debates no parlamento. Se fosse o ranking da fifa …

  2. Está à vista de todos que somos um país onde imperam práticas anti-investimento, repressoras e burocratas . Isto deve-se à nossa Constituição e ao poder dos sindicatos. Os políticos de esquerda tudo fazem para manter isso. Depois o Balofo e o Semtino fazem conferências de imprensa a pedir aos estrangeiros para investir em Portugal. Os estrangeiros olham para eles como se fossem palhaços.

  3. André Miguel

    O funcionalismo público tuga nao existe para servir a população, serve para lhe mostrar quem manda, quem tem o poder. É o sector privado que serve o público e não inverso, como devia ser num país dito desenvolvido. Está escrito na CRP, logo não vale a pena ter ilusões ou esperanças de melhoras: estamos condenados à indigência, à miséria e ao servilismo a sua santidade o Estado.
    Temos um povo ignorante, analfabeto funcional e domesticado por uma elite oportunista e criminosa e com uns media cúmplices. Quem pensa diferente faz as malas em busca de melhor sorte. Este país não é para os mais capazes, inteligentes, para os inovadores e empreendedores.
    Um dia quando não houver mais quem sangrar em impostos, quando não houver mais jovens sem nada dispostos a pagar reformas a quem tem tudo, quando ninguém lá fora nos emprestar para comer, nesse dia talvez os portugueses aprendam a lição que o socialismo só distribui escravatura e miséria.

  4. Se calhar o facto de termos empresários que esgotam toda a criatividade que têm a conseguir salários baixos em vez de tentarem acrescentar valor ao que querem produzir também não ajuda.

  5. Não JO, nós sabemos que o teu nível de inteligência não te permite interpretar textos que tenham palavras com mais que duas sílabas, mas o relatório diz lá preto no branco que os principais culpados não são os empresários, mas sim os parasitas públicos como tu e o enorme roubo que é necessário para os sustentar.

  6. Vasco Jesus

    JO
    acabas de encontrar uma excelente oportunidade de também tu contribuires para a prosperidade do ‘país’.
    Ou também exploras os trabalhadores com ‘salários baixos’ ou dedicas toda a tua ‘criatividade a acrescentar valor ao que produzes’.

    Mostra quão fácil é, e aproveita para te diferenciares no mercado.

  7. “Se calhar o facto de termos empresários que esgotam toda a criatividade que têm a conseguir salários baixos em vez de tentarem acrescentar valor ao que querem produzir também não ajuda.”

    O JO representa a maioria dos portugueses, de esquerda, que prefere mandar palpites e ignora os factos, sente-se falhado e por isso aqueles com sucesso são alvos a abater. A nossa única esperança é que os filhos do JO não sejam tão burros e falhados, que consigam abrir os horizontes e deixem de votar na esquerda.

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