Portugal, um país socialista

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Sai uma notícia a informar que as reservas no Airbnb para a cidade de Lisboa aumentaram 76% neste Verão, tornando Lisboa a 4ª cidade europeia mais procurada na plataforma de alojamento local.

Em qualquer outro local do mundo, com excepção, talvez, da Venezuela, de Portugal e de mais um ou dois portentos económicos, isto seria motivo de regozijo. Afinal, o turismo cresce, através do turismo os centros das cidades estão a ser dinamizados, e esta é uma fonte de receita importante. Recordo, aliás, o que escrevi a propósito do turismo para o Observador.

E como reagimos em Portugal? A secretária de Estado do Turismo desdobra-se em explicações, como se de uma calamidade se tratasse. Antecipa regulamentações para o sector — i.e., estragar —, incluindo seguros de responsabilidade civil, não vá um hóspede derrubar o muro da casa ao lado à cabeçada. O fórum TSF, pois claro, reserva o seu programa diário para falar das enfermidades do turismo. O tom de Manuel Acácio é de pânico — iremos sobreviver ao aumento do turismo?

Enfim, tudo isto revela a nossa postura para com qualquer actividade económica que seja que ainda não esteja pelas ruas da amargura. Quando o turismo perder a pujança, então dedicaremos Prós e Contras e demais colunas de opinião a relatar como o poderemos resgatar. Não aprendemos.

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62 pensamentos sobre “Portugal, um país socialista

  1. Entre pessoas de bom-senso, um crescimento de 76% num ano numa actividade que já não começa (longe disso) da base zero é motivo para satisfação, claro, mas também para preocupação. O crescimento explosivo de qualquer actividade económica, produz inevitavelmente uma bolha (pois toda a gente quer apanhar o comboio), que, em regra, rebenta, e produz tensão sobre a realidade em que essa actividade se desenvolve, seja nos recursos que explora, seja nos resíduos que produz (desde a construção de Moais na Ilha da Páscoa e menires na Armórica – continuo a recomendar aos posters do Insurgente o “Obelix & C.ª” – a prédios na Costa Brava ou Dublin). Assumindo que o que os turistas procuram em Lisboa não é passar o dia a ver outros turistas (e posso estar a assumir mal) evitar a conversão do centro histórico de Lisboa num enorme hostel parece-me uma medida de tão elementar bom-senso como evitar que os pescadores pesquem a sardinha que lhes apetece.

  2. Caro JPT, temos então de confiar em pessoas de exímio bom senso e clarividência, que são os nossos políticos, para resfriarem os ímpetos dessas pessoas de pouco bom senso. Aliás, esta estratégia de delegar nos políticos a nossa salvação tem sido um sucesso. Isto, claro, se o objectivo for transformar Portugal na Venezuela.

  3. A lógica socialista é engraçada: há alguns anos falava-se do abandono dos centros históricos das cidades e do degradação dos edifícios. Era necessário reabilitar e muitos consideravam que tal só era possível com um forte apoio de investimento público, porque os centros tinham pouca capacidade de atracção.

    Agora que com grande contributo do sector do turismo (e investimento privado) estamos num ponto que antes seria difícil de imaginar, querem resolver os “constrangimentos” colocados por um sector sem o qual pouco haveria a “constrangir”…

    Note to self: se vires um socialista a falar de externalidades, desliga.

  4. LPA

    Penso que basta fazer cumprir a lei e o regulamento urbanístico.
    Os turistas que não quiserem ver turistas têm o resto do país para visitar: Alentejo, Beira Interior, Minho, Douro, Trás-os-Montes, Açores, Madeira.
    São imensamente bem-vindos!

  5. JP-A

    A nata da imensa manada de atrasados mentais da classe dos infantiloides que Portugal andou a produzir nas suas escolinhas do pós 25 de Abril parece ter-se concentrado na política, vá-se lá saber porquê. Cada vez me lembro mais dos discursos do João Jardim.

  6. Luís Lavoura

    A secretária de Estado do Turismo desdobra-se em explicações, como se de uma calamidade se tratasse.

    Segui o linque feito nesta frase e não li explicações absolutamente nenhumas nem mênção a qualquer calamidade. Apenas li que a secretária de Estado repara modificações, que considera normais, na lei.

  7. Luís Lavoura, as explicações referem-se às alterações a serem introduzidas. Explicando de outra forma: sai uma notícia boa; media contactam SE do Turismo, que poderia responder que são excelentes notícias, end of story; em vez disso, diz que é preciso introduzir alterações na lei, coisa que geralmente acontece quando as notícias são más.

    Bom, se calhar a notícia é mesmo má, e eu é que não percebi…

  8. Luís Lavoura

    Antecipa regulamentações para o sector — i.e., estragar —, incluindo seguros

    Para o MAL, a regulamentação e a exigência de um seguro correspondem a “estragar”?!

    Se assim é, MAL, comece por protestar contra o seguro que qualquer automóvel tem que ter.

    As regulamentações e a exigência de seguros correspondem, em geral, à diferença entre uma sociedade civilizada, tipo EUA, e uma incivilizada, tipo Burkina Faso.

  9. Luís Lavoura

    O fórum TSF reserva o seu programa diário para falar das enfermidades do turismo. O tom de Manuel Acácio é de pânico

    Os jornalistas gostam sempre de se focar naquilo que, supostamente ou alegadamente, corre mal. Se houver alguém a dizer que algo está mal, terá sempre um jornalista para lhe colocar um microfone à frente. Se muitas outras pessoas pensarem que tudo está bem, nenhum jornalista lhes ligará.

    Em qualquer fórum radifónico podemos sempre esperar pessoas a dizer disparates. Não devemos pensar que a sua opinião corresponde à da maioria. Haverá sempre num Fórum TSF um qualquer Manuel Acácio em pânico.

  10. Caro Luís Lavoura, esse raciocínio é lapidar. Repare, podemos aplicá-lo a tudo. Veja esta: a existência da pena capital corresponde, em geral, à diferença entre uma sociedade civilizada, tipo Japão, e uma incivilizada, tipo Congo. Sendo que o Japão tem pena de morte e o Congo não.

    Recordo-lhe, também, que um automóvel circula na via pública e pode destruir propriedade alheia, pelo que o seu exemplo é algo parvo, para ser simpático.

  11. Eu gosto particularmente desta parte das declarações:

    “garante que não tem qualquer problema com o fenómeno e entende que Lisboa “está a anos-luz” de Barcelona e outras cidades europeias no que diz respeito a constrangimentos provocados pelo turismo.”

    Por outras palavras, tem um problema que não quer admitir com o turismo, até porque considera que para cidades como Barcelona o turismo é um problema porque cria “constrangimentos”.

    Sinceramente, gostaria que tivéssemos alguns problemas semelhantes aos de Barcelona…

  12. Luís Lavoura

    MAL, registo com agrado que para si, pelo menos no setor automóvel, a regulamentação estatal e a exigência de um seguro não corresponde a “estragar”.
    Sugiro-lhe então que, da próxima vez que alguém falar da necessidade de regulação estatal e de seguros para uma qualquer atividade, você não dispare logo com a palavra “estragar”, sem ter indagado primeiro exatamente qual a regulamentação concreta e os seguros concretos que se propõe.

  13. Luís Lavoura

    temos de confiar em pessoas de exímio bom senso e clarividência para resfriarem os ímpetos dessas pessoas de pouco bom senso

    Isto faz recordar Cavaco Silva que, nos anos 80 quando a bolha na Bolsa de Lisboa estava prestes a explodir, alertou que muita gente andava a comprar “gato por lebre” nessa Bolsa.

    Cavaco Silva foi muitíssimo criticado por ter dito isso e ter por isso ajudado a precipitar o rebentamento da Bolha. Eu sempre tive para mim que Cavaco Silva fez bem em ter dito o que disse. As bolhas devem ser rebentadas o mais cedo possível, para que esse rebentamento cause menos estragos.

  14. Portanto, se percebi bem, está tudo bem com o turismo, por isso o governo tem de tomar medidas para corrigir a situação. É isso?

  15. lucklucky

    É o ódio da Esquerda ao que não controla, por isso temos os jornalistas em pânico.

    Se for preciso destroí para ninguém poder dizer que se pode prosperar sem a Esquerda.

  16. André Miguel

    “MAL, registo com agrado que para si, pelo menos no setor automóvel, a regulamentação estatal e a exigência de um seguro não corresponde a “estragar”

    É ignorância ou má fé? Desde quando um liberal é um anarquista?

  17. Caro Luís Lavoura, sim, para além de concordar com a existência de seguros obrigatórios para a circulação automóvel, também concordo com existência de passeios públicos. Espero que isso também o deixe agradado e feliz.

  18. Sim, enquanto não tivermos outro regime “temos então de confiar em pessoas de exímio bom senso e clarividência, que são os nossos políticos, para resfriarem os ímpetos dessas pessoas de pouco bom senso”. É um facto que os nosso políticos são um nojo, mas a culpa é nossa, não do regime. O abandono dos centros históricos das cidades só cessou quando rebentou a bolha imobiliária assente na urbanização de terrenos rústicos em redor das grandes cidades – em que convergiam as “forças do mercado”, construtores civis, banqueiros e consumidores (que, para nenhum se ficar a rir, rebentaram todos), e os autarcas e demais políticos corruptos. Se tivéssemos decisores políticos com coragem (que, por exemplo, tivessem acabado há vinte anos com o congelamento das rendas ), essa situação, que gerou uma calamidade de ordenamento territorial, que nunca será resolvida, teria sido evitada. Como vê, ninguém é “bom” neste filme, nem os políticos, nem o mercado especulativo.

  19. JPT, pegou num excelente exemplo. Foram precisamente os decisores políticos, em particular os da 1ª República, que criaram a terrível lei das rendas, que Salazar nunca expurgou, que originou «o abandono dos centros históricos das cidades». Excelente exemplo. Só não prova o seu ponto.

  20. Só não preocupa o Insurgente e demais escritos de direita pois estes nem sabem o que significa Gentrificação, o problema real do excesso de turismo nas cidades portuguesas e do AirBnB. Para evitar isso, lugares como Berlim já regularam esta actividade de modo que se possa voltar a encontrar casa de aluguel para moradores.

  21. Caro Carlos Pedro Sant’Ana, o problema do centro de Lisboa e do Porto pré-turismo não era o da gentrificação, era o da desertificação. Agora, na era do turismo, conheço finalmente pessoas que vivem no centro. Recordo-lhe também que, em cidades como Paris, não deve haver um único francês a viver na praça Concorde, e convenhamos que Paris não é uma cidade gentrificada.

  22. Baaahhh…
    Nada de novo… trata-se apenas de criar mais um encargo obrigatório para encher os cofres das seguradoras, em que, certamente, ninguém do governo tem interesses, amigos ou familiares, e também por consequência “sacar” mais algum em impostos, taxas e taxinhas…

  23. Mario

    O kim il kosta nao quer ca turistas por enquanto…. So depois da “reeducaçao” geral de quem nao for esquerdalho…. Agora qualquer turista podia ver e ouvir a merda que por aqui vai… Por exemplo, na coreia do norte, nao ha ninguem que diga aos(poucos) turistas que vive mal… Tem de andar calados, senao nao vivem, nem mal nem bem… Mas como diz um conhecido meu que conseguiu visitar pyongyang, nota se nos olhos uma “raiva resignada”… Embora povos sob o jugo comunista sejam levados a acreditar que vivem plenamente bem, de fora percebe-se que quem vive bem sao 1% das elites…. O capitalismo tambem tem esse defeito, mas se fossemos todos comunistas desde sempre, agora ainda so se acendia uma fogueira quando trovejasse, e com sorte….

  24. Numa cidade que faz parte de um país que faz parte de uma região onde existe livre circulação de pessoas, tudo o que seja restringir a circulação das pessoas, em princípio, é ilegal. Uma solução, apesar de não concordar com a mesma, poderia simplesmente colocar o IVA da hotelaria a 23% em vez de 6%. Convenhamos que ter uma dormida no Ritzt (aquele de 5 estrelas onde dorme o José Eduardo dos Santos quando vem a Lisboa) a pagar 6% de IVA, a taxa reduzida, não é propriamente social e fiscalmente justo. Mas entendo o motivo, trazer mais turistas e com isso aumentar a receita da restauração, a mesma a quem o Costa entregou há pouco 300 milhões de euros com a descida do IVA. Mas concordo com o autor, os socialistas têm uma patologia crónica para “regular, regulamentar, controlar e imiscuir”.

  25. Em relação ao seguro. Os seguros existem nos automóveis porque os automóveis podem deixar alguém gravemente ferido a precisar de apoios para uma vida inteira. Como há muito indigente e favelado com carro, porque tê-lo em Portugal é direito social, o que seria das vítimas se o seguro contra terceiros não fosse obrigatório? Podemos facilmente prever a desgraça que não seria ver o tuga da favela a ter que pagar 150 mil euros de indemnização a alguém! Um carro é uma máquina de morte. Agora desde quando um hóspede de hotel causa danos de maior para que seja necessário seguro? Vai o hóspede colocar o edifício a arder? Um peão, também circula na via pública e não tem seguro. E porquê? Porque os danos que provoca são por norma muito menos onerosos para terceiros.

  26. O que o Mário também se esqueceu de mencionar, é que Lisboa está cada vez mais “na moda”, com mais turistas, porque o Costa quando lá esteve, em parte, devolveu a cidade, mais particularmente a beira-rio, às pessoas.

    Questione-se se Lisboa teria tantos turistas como está a ter se a praça emblemática da cidade estivesse neste estado, como gostaria o PSD/CDS Lisboa:

    Vê Mário, retirar a praga automóvel da cidade, aquilo a que o CDS Lisboa tem aversão, faz haver mais turistas, que trazem mais dinheiro e receita fiscal. E isso, veja bem concordo consigo, é excelente!

    Moro na Holanda, e Amesterdão com um tempo ruim, tem ainda mais turistas que Lisboa; e não, não é para irem ao bairro das meninas nem para fumar ganzas, é porque é uma cidade cujo espaço público acolhe bem as pessoas.

  27. hustler

    O turismo em Portugal não se deve às enormes qualidades de Portugal e dos portugueses (sempre que vejo alguém num telejornal a perguntar se acha Portugal lovely dá-me uma volta ao estômago, como se o turista fosse dizer o que lhe vai na alma e descarregasse cá para fora:- aeh,é tal e qual os outros destinos por onde a gente já passou!), mas sim porque é um destino barato para os estrangeiros. E vai ser cada vez mais, com Portugal a empobrecer e os outros a enriquecerem, daqui a uns tempos Portugal passa a ser o destino refugo dos pés descalços!

  28. Caro João Pimentel Ferreira, o Costa não foi presidente da CMP e o número de turistas no Porto cresceu exponencialmente nos últimos anos. Não me parece que essa explicação seja apropriada.

  29. O preço é um fator, mas está longe de ser o mais relevante, e escreve alguém que já viajou muito. Somos simpáticos, temos uma excelente meteorologia, temos uma gastronomia e doçaria inigualáveis, temos praias e paisagens bonitas, e Portugal ainda é dos países mais seguros da Europa, se analisados os índices de criminalidade. E com o espaço público das cidades de Lisboa e Porto devolvido às pessoas (sobre isto a direita nem bufa), com a remoção da praga automóvel dos centros urbanos (ruído, poluição, espaço para estacionamento, carros nos passeios, etc.), o espaço fica mais aprazível, mais humano, mais acolhedor e isso traz mais turistas. Por isso caro Hustler, a questão do preço está mesmo muito longe de ser a mais relevante, porque se assim fosse iam todos para Marrocos que é bem perto e muito mais barato.

  30. Já com o que nacionais e turistas fazem no Bairro Alto – tirando toda a qualidade de vida às pessoas que lá moram – ninguém se preocupa.

    Urinam na via pública, vomitam, deixam aquilo tudo sujo e, pior ainda é tirarem a possibilidade de dormir às pessoas.

    Mas como a classe política também frequenta o Bairro Alto (nas poucas vezes em que lá fui vi dois secretários de Estado; já na centena e meia de vezes que fui ao grande auditório da Gulbenkian vi apenas Mário Lino duas vezes e Vasco Graça Moura duas vezes também), estão-se nas tintas para fazer observar horários de estabelecimentos de diversão que respeitem o direito à saúde e ao descanso, direitos estes constitucionalmente consagrados.
    (Pelo contrário, não existe nenhum “direito ao divertimento”, no sentido de direito subjectivo ou direito fundamental. Existe sim a liberdade geral de agir, incluindo a prática do que quer que seja que divirta as pessoas, mas desde que não colida com direito subjectivos ou direitos fundamentais.)

  31. Caro Mário, mas Costa foi presidente da CML, e em Lisboa o número de turistas também cresceu bastante. Mas o ponto essencial, costas à parte, é que o que fez também trazer mais turistas, algo sobre o qual a direita nem pia, foi o facto de o espaço público das cidades de Lisboa e Porto ter sido devolvido às pessoas, aos seres humanos, e não ficar sob o monopólio (julgo que os economistas conhecem este termo) das latas poluidoras motorizadas que o mediano português idolatra e deifica.

  32. Caro Gabriel, o problema do Bairro Alto, não veio com o turismo. Não misture as coisas, o português mediano tem pouca capacidade para ser analítico. Lembra-se do bairro do Intendente ou do Casal Ventoso, que tinham enormes problemas de ruído e insalubridade? Pois bem, não havia turistas!

  33. Caro João Pimentel Ferreira, não me parece que essa explicação colha. Há muitas cidades no mundo atulhadas de turistas com muitos carros a passar. Os factores foram outros, e não têm nada a ver com qualquer decisão política interna.

  34. Não disse que o problema tinha vindo com o turismo. Não fiz essa análise. Não era esse o ponto.

    O que se passou no Casal Ventoso ou no Intendente não pode, pela natureza das coisas, dizer-nos o que se passa no Bairro Alto.

    O que acontece no Bairro Alto há anos é feito por PORTUGUESES e por TURISTAS, independentemente de ser feito noutros sítios só por uns ou só por outros.

    É ir ver in loco – no Bairro Alto, naturalmente.

    Essa visão pretensamente analítica é que é o contrário do que diz: mistura o que não pode ser misturado (invoca outros bairros para extrapolar o que não pode ser extrapolado, como em: ‘se no Intendente os problemas não são causados pelo turismo, então não podemos dizer que no Bairro Alto são’. What?!).

    Essa de trazer à colação o português mediano e a sua capacidade para ser analítico cai-lhe mal. O seu comentário denota precisamente falta de análise, com todo o respeito.

  35. Caro Gabriel, e eu não disse que o Bairro Alto não tinha problemas de ruído ou higiene; tem-nos; o que disse é que isso é algo que ultrapassa a questão do turismo, e está mais relacionado com a forma com que a autarquia lida e regula os estabelecimentos noturnos da zona. Lá está, um caso tipificado onde o Estado tem de regular, caso contrário ditam as regras do lucro, que o estabelecimento pode ficar aberto 24 horas por dia, independentemente do ruído. A isto chama-se externalidades, o termo que certa direita anárquica repudia.

  36. Caro Mário, diz que “há muitas cidades no mundo atulhadas de turistas com muitos carros a passar”! Há? Quais? Belgrado? Bucareste? Bangecoque? E mesmo nas cidades onde há turistas, como em Lisboa, eles visitam o ex-libris da Av. da República, que mais parece um IC urbano, ou visitam o Terreiro do Paço e a Rua Garret, que são pedonais?

  37. João, NYC, por exemplo. SF. Paris tem bastantes carros. Já passou pelos Champs Elysee à noite? Madrid está atolada de carros também. Londres. Enfim, eu diria que cidades sem carros são a excepção, excepto no norte da Europa, e não a regra.

  38. Quem vai a NYC não vai apenas por causa de Times Square ou por causa do Central Park. Aliás, um dos símbolos míticos da big apple são os taxis amarelos por todo o lado. Se a grande motivação do turista médio (falo do médio, já sabemos que existem nichos para tudo) fosse o trânsito, ou a sua ausência, o seria o Ouagadougou no Burkina Faso seria campeão de visitas. Enfim, não discordando que é bom ter um centro com poucos carros, não concordo que isso seja o grande motivo pelo qual o número de turistas aumentou em Lisboa.

  39. Está a ser falacioso. Há naturalmente condições mínimas para uma cidade acolher turismo, como hotelaria, ligações aeroportuárias ou segurança, o que o Burkina Faso ou Aleppo (para ser mais ridículo no exemplo, que não tem sequer carros civis em circulação) não têm. A questão é descobrir se para a mesma cidade de um qualquer país minimamente desenvolvido, o excesso de automóveis ou o bom usufruto do espaço público, têm alguma influência na afluência de turistas. Eu acho que têm, e muito.

  40. Eu não digo que não têm, o que disse, e está muito claro no meu comentário, é que isso não explica o aumento do turismo no caso particular de Lisboa e de Portugal. O Porto teve um aumento exponencial de turistas e não houve qualquer medida de controlo da circulação automóvel na cidade.

  41. André Miguel

    A melhoria do espaço público é consequência do turismo e não a sua causa. Caso contrário desde há duas decadas que todo o país estaria pejado de turistas, tais os milhões que foram gastos em obras públicas e requalificações.

  42. A melhoria do espaço público não significa gastar milhões em obras, pois que eu saiba não há esplanadas e jardins no alcatrão da CRIL, o último elefante branco dos cofres da capital. Significa tão-somente – leia com calma e devagar – devolver o espaço público às pessoas e não deixá-lo ao monopólio das máquinas velozes, pesadas, poluidoras e ruidosas. Fazer essa transição traz segurança, conforto e bem-estar a quem caminha e usufrui da envolvente, e por norma quem o faz são os turistas. Por essa mesma razão é que Atenas, que também tem bom tempo, boa gastronomia e muita cultura, é – consta – horrível para muitos turistas. O excesso de poluição provocado por um tráfego infernal são o motivo.

  43. Mário, essa dos táxis amarelos e Nova Iorque só pode ser anedota. O facto de ser um ícone não implica que seja fator de atração. Qualquer dia vai dizer-me que os turistas vão para Banguecoque apenas para ver tuktuks.

  44. hustler

    Não, os estrangeiros não vêm para cá porque é barato, vêm para cá por causa dos lindos olhos dos portugueses!!!!!! Os portugueses ou têm falta de auto estima ou um complexo de narcisimo! Quem viaja regularmente sabe que Praga, Viena, Copenhaga, Estocolmo, Sevilla, etc, metem Lisboa num chinelo! E quem já passou pelas praias das Baleares, Bulgária ou Grécia sabe que são bem melhores que o Algarve!
    Caiam na real, os turistas vêm cá porque somos baratuchos, como se costuma dizer “best bang for the buck!”

    “Its latest holiday money report, published on Friday, shows that a typical tourist basket of goods – including suncream, drinks and meal for two – will set you back under £30 in the Algarve compared with the £150 the same items would cost in Dubai, the most expensive destination surveyed.”

    https://www.theguardian.com/money/2016/jan/15/cheapest-holiday-spending-algarve-bulgaria-cape-town

    Portugal is part of Western Europe and uses the euro, so it’s never going to be dirt cheap, but compared to any country to the north of it, this destination is a real bargain for travelers. It makes a great value alternative to Spain, France, or Italy.

    http://www.cheapestdestinationsblog.com/2013/05/21/travel-prices-in-portugal/

  45. André Miguel

    “Olhe que eu viajo muito”

    Argumento ridículo.
    Não vão para Marrocos porque os vizinhos tiveram uma Primavera qualquer que desestabilizou toda a região. Esta é também uma das grandes causas para o aumento do Turismo em Portugal. Se viaja muito devia saber.

    “devolver o espaço público às pessoas e não deixá-lo ao monopólio das máquinas velozes, pesadas, poluidoras e ruidosas”
    Demagogia. Essa é uma decisão das pessoas, não sua ou de um qualquer burocrata com o dinheiro dos nossos impostos.

  46. André Miguel

    E onde eu escrevi que em Marrocos houve Primaveras?
    À porta da minha casa é permitido estacionar, portanto se conseguir meter lá os 3 TIR esteja à vontade.

  47. André Miguel

    Por julgar que tem a certeza do que eu gosto ou não, sendo permitido ou não, e daí querer impor a sua vontade, é que v. exa não passa de mais um perigoso e dispensável socialista. Está mais do que apresentado.

  48. Usei do princípio que o caro não é masoquista! Perdão se me enganei.

    João Pimentel Ferreira

    2016-09-29 20:04 GMT+02:00 O Insurgente :

    > André Miguel commented: “Por julgar que tem a certeza do que eu gosto ou > não, sendo permitido ou não, e daí querer impor a sua vontade, é que v. exa > não passa de mais um perigoso e dispensável socialista. Está mais do que > apresentado.” >

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