O plano B é meter na gaveta o plano A!

“A execução orçamental até Agosto de 2016 das Administrações Públicas (AP) registou um défice de 3.989,5 milhões de euros , inferior em 80,8 milhões de euros ao registado em igual período de 2015.”, na execução orçamental hoje (26/09) publicada pela DGO.

Como tenho vindo a apontar, a razão da descida do défice público, registada até agora, está (cada vez mais) na compressão da despesa de capital das administrações públicas (onde se inclui o investimento público), que até Agosto contraiu -8,7%, contrariamente à previsão de crescimento de +18,1% estabelecida no Orçamento do Estado para 2016. Esta compressão do investimento (observado em todos os domínios da administração pública, é de notar), a par de alguma contenção dos consumos intermédios (uma contenção que, no entanto, tem vindo a atenuar-se) e dos subsídios na despesa corrente, têm permitido até ao momento a redução do défice público. Mas o caminho está a estreitar-se. Por um lado, a despesa com pessoal e com juros mantém-se acima do esperado. E, por outro, a receita do Estado está muito, mas muito mesmo, abaixo da estimativa implícita ao OE2016. Assim, neste momento os dados conhecidos até ao final de Agosto indicariam (tudo o resto constante) um défice em contabilidade pública de aproximadamente 6.000 milhões de euros no final do ano, ou em contabilidade nacional (o que vale para Bruxelas) um défice de 4.700 milhões (2,7% do PIB).

Ora, como escrevi antes, a receita efectiva do (sub-sector) Estado não está a crescer nem de perto os 5,5% que o OE2016 antecipava. Na realidade, à data de Agosto, a receita efectiva está…a decrescer 0,1%! Ainda que a cobrança de IRS possa estar penalizada por notas de cobrança que derraparam nos prazos e que apenas se traduzirão em acréscimo de receita em Setembro, a verdade é que o IVA não descola (+0,3% vs previsão de +3,2%) e até mesmo o ISP está abaixo do esperado (+43,6% vs +62,2%) não obstante o aumento extraordinário de que este imposto foi alvo este ano (o que também não é surpresa tendo em conta que o consumo de gasolina continua a diminuir). Os dados parecem confirmar que até mesmo a mais conservadora estimativa oficial de crescimento económico para Portugal (a do FMI, que é de 1,0% em 2016) pode ter de ser revista em baixa. Eu continuo a trabalhar com um cenário de 0,8% a 1,0%, mas não há como fugir-lhe: a evolução das receitas do Estado está a surpreender pela negativa, e não é por falta de apetite das Finanças!

Agora, sabe-se que há no OE2016 despesa corrente no valor de 0,2% do PIB que pode ser cativada. A pergunta que eu faço é se as Finanças não o estão já a fazer? Se de facto já o estão a fazer, e portanto sem cativações adicionais para fazer sobre a despesa corrente, não se chegará à meta de 2,5% do PIB estipulada pela Comissão Europeia (nem muito menos aos 2,2% previstos no OE2016). E assim, com as pressões que se vão sentindo do lado da receita, restará apenas a compressão adicional do investimento público para dar a pancada final rumo às exigências da CE em 2016. Porém, e porque estas habilidades têm sempre vida curta, o seu adiamento não fará com que deixe de contar para as regras às quais Portugal aderiu no contexto da zona euro, em particular quanto ao défice estrutural em 2017 (como, aliás, o Conselho de Finanças Públicas e a própria CE vão alertando). De resto, não deixa de ser sintomático que, de acordo com o Expresso do último fim de semana, o défice nominal que o Governo pretende propor para 2017 seja de 1,8% a 2,2% do PIB, quando ainda há poucos meses se comprometeu (no Programa de Estabilidade 2016-2020) com 1,4%. A diferença (de 0,4% a 0,8% do PIB) provavelmente reside na despesa de capital que este ano poderá acabar por ser adiada. E daqui se poderá extrapolar qual teria sido o verdadeiro défice (nominal) em 2016.

8 pensamentos sobre “O plano B é meter na gaveta o plano A!

  1. Acho melhor um plano “C” = Meter este “B” na mesma gaveta em que é sugerido meter o “A”.

    Mas, em última análise, estes “meter na gaveta” – se possível fosse -, para os seus defensores, pressupunha a (tão desejada e ambicionada) queda da geringonça. Ou seja, a queda deste governo e, de preferência, novas eleições.

    Acontece que, desafortunados (88 anos não Vos chegaram?!?!?) quer os pafistas, queiram ou não, só mesmo pelo voto, com base na CR que está no vértice de todo o luso Corpo Normativo, ainda que burguês e de fachada social-democrata, dado que nos acorrentaram ao capitalismo financeiro.

    Entretanto, um tal desiderato, por muito desejado que seja pelos anti-geringonça, pressupunha a constatação do “não funcionamento regular das instituições”. O que não se verifica, ouso supor, antes pelo contrário, pois a geringonça funciona e, quanto a resultados, por mais desdobramentos que se façam nas rúbricas, o resultado final e agregado é o que conta para Bruxelas, onde navegam os tecnocratas lacaios do capitalismo financeiro, não eleitos, que, imagine-se, são mais pafistas que os pafistas domésticos, mas que terão que se render aos já anunciados prováveis 2,5 % ou até 2,2%.

    Acresce, por outro lado, que para novas eleições, de Belém não sopram ventos favoráveis, antes pelo contrário. E se o PR, legitimado que está directamente pelo voto, acumulando ainda a seu favor a sua invejável popularidade (ou não viesse ele da esquerda da Direita lusa), não tem, sequer, vontade, como poderia querer fazer a vontade aos seus correligionários pafistas que são da direita da lusa Direita?

    Mas tudo isto não passa de blá, blá, que visa adormecer o Zépovinho portuga, recorrendo os seus autores, enquanto escribas da corte, a estas doutas masturbações intelectualoides (na terra dos cegos, quem tem….), assim como se constituem (as ditas cujas) como que autênticas e gostosas massagens no ego dos pafistas comentadeiros anti-geringonça, os quais atingem os orgasmos manipulando os seus inúmeros “gosto”, quando, afinal, o(s) problema(s) é(são) outro(s), bem mais real(ais), com consequências incomensuráveis e desastrosas para o Zépovinho (pelo menos numa primeira fase).

    Ou seja, o problema grave, ou até já mesmo gravíssimo, está no CAPITALISMO:

    Desde há anos globalizado. Em crise profunda desde 2007. Sem fim à vista. Sem teoria económica nova que lhe valha, não obstante terem passado nove anos (ao contrário do que sucedeu em 1929 em que, 3 anos depois, já Keynes escrevera o cardápio das soluções para salvar o sistema e este as aplicava). Já com todas as munições disponíveis utilizadas – como tem sido o injectar nas veias da economia dos países mais avançados trilhões de dólares, libras e euros, o chamado “dinheiro helicóptero”.

    Mas sem resultados positivos assinaláveis visto que os motores da economia globalizada arrefeceram. Em alguns casos, até pararam. Fazendo lembrar o famoso, luxuoso, gigante inafundável britânico Titanic.

    Só que, este enorme monstro que representa o capitalismo globalizado e financeirizado, “fez-se ao mar” sem rumo definido. Sem bússola. Sem cartas de navegação devidamente testadas. Sem tripulação adequada e suficientemente experimentada (os juristas substituíram os economistas, ainda que os países se reclamem de Estados de Direito, os seus Povos já não decidem o rumo a dar às suas vontades expressas pelo voto).

    Mas, o mais grave, é que, ao contrário do enorme barco que em 1912 começou a afundar (ENQUANTO A ORQUESTRA CONTINUAVA A TOCAR PARA A FELICIDADE DE ALGUNS DOS PASSAGEIROS), este MONSTRO, de tão ávido pelo lucro fácil, nem os botes de salvamento se lembrou de colocar para a viagem, pelo que, estando em agonia desde 2007, parece agora já um completo moribundo, com alguns espasmos dispersos por uns quantos tecidos que existem ao longo do corpo, tais são os débeis crescimentos de algumas economias, mesmo as mais fortes, ao ponto de se admitir, e já como muito provável, uma nova recessão mundial. E isto, antes mesmo de se saber quem vai ser o novo chefe dos yankees, porque se for o Trump, os referidos espasmos chegarão mais rapidamente ao fim.
    Assim me parecem estes ambientes aqui vivenciados tendo por base certos artigos de escribas quase sempre pafistas, que originam depois comentários anti-geringonça, também quase sempre pafiosos, dos e das que, continuam a dançar e a divertir-se ao som da sempre harmoniosa e bem falada música que sai das trombetas do moribundo capitalismo, muitos e muitas nem se apercebendo de que a temática musicada é aquele fado canção, celebrizado pelo António Mourāo, do OH TEMPO, VOLTA PARA TRÁS!…

    Por isso, relembrando o querido e saudoso Zeca, agora, mais do que nunca,

    “O QUE FAZ FALTA É ANIMAR A MALTA” – Que poderia ser adaptado também aos pafistas pafiosos!

    ou, para os restantes portugas, explorados, reformados, desempregados, na miséria e na pobreza:

    “O QUE FAZ FALTA É ALERTAR A MALTA”
    “O QUE FAZ FALTA É AVISAR A MALTA”
    “O QUE FAZ FALTA É DAR PODER À MALTA”

    PARA QUE VENÇAM: A LIBERDADE E O PORTUGAL DE ABRIL!!!!… com o fim do capitalismo!…e, em última análise, FASCISMO NUNCA MAIS!!!….

  2. Ricciardi

    A pergunta um milhão de dólares é perceber se executassem um plano B para teoricamente corrigir o défice, qual o desvio que esse dito plano não causaria na economia e, concomitantemente, que plano c seria necessário para corrigir o desvio causado pelo plano B.
    .
    Tenho para mim que se o défice estimado ficar até 2,9%, acima portanto do numero estabelecido do ditakte de défice de 2,5% (número mágico) , o governo fará muito bem em não implementar qualquer plano corritivo.
    .
    Nada mudará de substancial nas contas públicas enquanto não se retirar da responsabilidade do estado o pagamento de pensoes e reformas. Já devia ter começado ontem, mas amanhã ainda vamos a tempo.
    .
    De gestão Pública ou privada as pensões futuras devem ser de capitalização individual, retirando do estado a responsabilidade de as pagar. As que correm actualmente e que vigorarão por muitos anos devem ser financiadas com receitas de privatizacoes, venda de reservas de ouro e, para completar as necessidades, por emissao de dívida pública interna com maturidades a 20 ou 30 anos de vista.
    .
    Rb

  3. O ANTICAPITALISTA INCORRIGÍVEL usa produtos do capitalismo (computador, internet, facebook) para exprimir o seu ódio ao capitalismo. Um profundo imbecil.

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