Num “faz-de-conta”

“O secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Ricardo Mourinho Félix, sublinhou, esta quarta-feira, no Parlamento que o limite da remuneração previsto no estatuto de gestor público ‘era de faz-de-conta’ na Caixa Geral de Depósito (…) o estatuto de gestor público impedia que os salários fossem superiores ao do primeiro-ministro, podendo, no caso da CGD, os gestores optar por um regime que considerava a média de vencimentos dos últimos três anos do lugar de origem. (…) De acordo com o secretário de Estado, ‘a despesa com remunerações será inferior do que com o regime de excepção’ que estava previsto.”, no Negócios de hoje 22/09/2016 (p.21).

Li hoje esta transcrição e fiquei a coçar a cabeça…! Afinal, não era o fim das limitações salariais impostas à administração uma das exigências irredutíveis de António Domingues para assumir a nova liderança? (Presumindo-se que para praticar salários mais altos entre os administradores.) Ora, o senhor secretário de Estado falou concretamente de quê? Da despesa global com pessoal ou da despesa com órgãos sociais? Dos salários dos gestores intermédios ou dos salários dos administradores? Convinha esclarecer estes pontos sob o risco de sairmos desta discussão sem perceber o que quer que seja (incluindo, não esqueçamos, a quantificação dos custos associados às rescisões por mútuo acordo, que continuam por concretizar). E ainda, a propósito de desinformação e da falta de respostas específicas, gostaria, pela enésima vez, de perguntar o seguinte: os administradores executivos que transitaram do BPI para a CGD sempre transitaram com licenças sem vencimento? (Ou não?) O senhor secretário de Estado terá certamente uma resposta firme (afirmativa ou negativa) quanto a esta singela questão, certo? Certamente não quererá fazer parecer que está num “faz-de-conta”, pois não?

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4 pensamentos sobre “Num “faz-de-conta”

  1. Os despedimentos colectivos são para os insensíveis do empresariado selvagem.
    Quando somos do público ou da banca e podemos esganar o contribuinte ou o empresariado, negociamos como cavalheiros sensíveis e nem pensar que se diga que somos uns fdp a brincar com o dinheiro dos outros.

  2. mariofig

    Numa altura em que o Sr. Secretário de Estado devia estar a explicar muito bem explicadinho os custos para os Portugueses de mais uma ajuda à Grande Experiência da Banca Pública e a nos mostrar como é que vai conseguir convencer o Eurostat a não incluir um cêntimo nas despesas do Estado, ele decide a via populista do costume; vem falar de salários de administradores.

    Sabe o que realmente me coça, Ricardo? É que depois de tantos anos ainda estamos nesta aventura cega do banco público. Um dos grandes causadores do mal que este país atravessa anda aí bem feliz da vida, continuando a ser levantado trambolhão atrás de trambolhão, exatamente pelas suas maiores vítimas. Seria quase cómico a fé neste modelo se ele não nos fosse ao bolso da maneira violenta como muitas vezes vai. Portugal sofre de um Complexo de Estocolmo crónico em relação à banca pública.

    Mas, continue-se a falar de salários dos administradores…

  3. ecozeus

    Se um banco privado derrapa pagam os contribuintes
    Se um banco público derrapa pagam os contribuintes
    Afinal onde está a diferença?
    Seria bem melhor para o Estado desobrigar-se definitivamente das responsabilidades de administração/gestão da CGD

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