Notícias do PREC

10032051. Mariana Mortágua veio-se defender ontem, insistindo na justiça de uma taxa sobre grandes patrimónios. Ela ainda não percebeu que o seu problema não está no imposto. O imposto será inócuo porque, como adiantou Mariana Mortágua ontem na TVI, só há cerca de 8 mil pessoas com património acima de 1 milhão de euros. Destes provavelmente 2-3 mil livrar-se-ão desse património, ou dividi-lo-ão, assim que o imposto for lançado, restando 5-6 mil a pagá-lo. O problema é que mesmo que esses 5-6 mil paguem 20 mil euros de impostos adicionais todos os anos, não dará para mais do que 3% das despesas com a segurança social: uma gota no oceano. É ilusório pensar que o estado social português se pode alimentar da contribuição de milionários. Há poucos, e com este imposto haverá ainda menos. Mas entretanto já aceitamos a ideia de que “é preciso ir buscar dinheiro a quem o está a acumular”. O limite baixará para 500 mil, depois para 200 mil e por aí abaixo à medida que os de cima se forem livrando do património, os preços baixando e o governo apercebendo-se de que é preciso baixar o limite porque as receitas do imposto são demasiado baixas. O problema não é o imposto no seu formato actual: o problema é que o princípio de “ir buscar dinheiro a quem o está a acumular” não conhece limites mínimos.

2. O PCP apresentou uma proposta no parlamento para indexar salários do sector privado ao salário do primeiro-ministro. Mais uma medida populista que pode privar empresas portuguesas de quadros qualificados que bem necessita para o desenvolvimento em áreas relevantes à economia. Mas aqui eu proponho o seguinte: que tal testarmos essa medida no futebol? Testamos durante dois anos e vemos o efeito nos clubes. Se as previsões do PCP se concretizarem, os clubes não terão nenhum problema de competitividade internacional e o dinheiro que se poupará no salário de jogadores dará para aumentar o salário de roupeiros e apanha-bolas. O leitor consegue vislumbrar o que pode correr mal? O PCP não consegue. Antes de implodirmos a economia toda, testemos a ideia no futebol então. Pode ser?

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10 pensamentos sobre “Notícias do PREC

  1. mariofig

    Mas porque é que ela se veio defender? Mas já não tinha ficado definido claramente que quem fala sobre impostos é o governo e não os deputados dos partidos no governo, pelo menos até esta medida ficar claramente definida e ser apresentada pelo ministro que tutela a política fiscal deste país?

    Quais 8.000! Se realmente é verdade que nada ainda está decidido, ela não sabe se são 8.000 ou 10.000 ou 1. Nem tão pouco sabe qual a receita. Não pode defender coisa nenhuma se coisa alguma está definida.

    Quando um primeiro-ministro neste país vem tentar colocar alguma ordem nos grupos parlamentares que o representam e é ignorado logo no dia a seguir, tudo isto começa a deixar de parecer excesso de protagonismo de Mortágua e do BE. Começa, isso sim, a cheirar à mais básica falta de controlo do PM e a uma tentativa de golpe de estado por dentro. O BE quer tomar conta do governo.

  2. JP-A

    Por que será que a já confidenciada orquestração mediática PS/BE não toca:

    -Na corrupção no Estado (nomeadamente autárquica) (que existe, certo?)
    -Na delação premiada
    -Na “defesa e proteção” do denunciante de corrupção (ao contrário do que estava na lei do PS, que era para defesa e proteção titulares de cargos políticos, ou seja, precisamente o contrário)

    PORQUÊ?
    PORQUÊ?
    PORQUÊ?
    PORQUÊ?
    PORQUÊ?
    PORQUÊ?
    PORQUÊ?
    PORQUÊ?

  3. Carlos Guimarães Pinto:

    “O problema é que mesmo que esses 5-6 mil paguem 20 mil euros de impostos adicionais todos os anos, não dará para mais do que 3% das despesas com a segurança social: uma gota no oceano”.

    Por mero acaso ouvi a entrevista da senhora deputada (que, também por acaso, não me pareceu nada que se estivesse a “defender”) e ela disse exactamente o que o Carlos diz: isso não chega! O que não quer dizer que se pactue alegremente com o facto de não pagarem. Aliás, o princípio fundamental de quem defende a economia de mercado, é a existência de condições iguais. Algo de completamente diferente, é defendermos a redução da carga fiscal e, sobretudo, um rigoroso controlo do modo como são gastos os nossos impostos- esse sim, é o debate que interessa e que nenhum dos partidos de poder está interessado em fazer.

  4. O problema que encontram na indexação do salários do privado (?) ao do primeiro-ministro, é para rir. Desde logo porque se foi mesmo ao privado que os comunistas se referiram, a medida é incontrolável. Se é ao público, onde andam esses crânios que o Carlos Guimarães Pinto tem medo de ver de malas feitas?

  5. Com o futebol ninguém se mete, nem a Mortágua.
    Ela não viveu o PREC, e lamenta. Não precisa lamentar, sendo de Alvito e com o pai que tem, via o PREC do lado dos opressores sem se dar conta disso. Não seriam para ela os racionamentos de gasolina, gás, sabão e leite – que os houve. Nem as prateleiras vazias nos supermercados – que as houve. Ou o medo de agressões físicas por ter opinião diferente da do PCP.
    Para ela seria a outra face do PREC. Quando a “cintura industrial de Lisboa” se deslocava ao Alentejo para participar nas ocupações, um primo meu confessou-me que teve de comprar mais uma arca frigorífica para pôr a carne que levava daqui. Nós por cá tínhamos latinhas de carne da ONU e desinfectante grátis para pôr na água da torneira para a tornar potável. Gostei tanto desse tempo como gosto dela.

  6. A esquerda sempre oculta a sua incompetência e a malícia das suas doutrinas hasteando a bandeira da luta contra os privilegiados.
    Gente que poupa em vez de se endividar para ir a férias em Cancun é candidata a subir a esse status que a esquerda estigmatiza de rentistas, que receia por não dependentes do Estado, contra quem acirra as invejas dos coitadinhos que sempre são as suas clientelas,

    Subiram ao poder a prometer riqueza – afinal vieram a saquear|

  7. Luís Lavoura

    Não é por nada, mas o meu filho leu hoje no jornal que um certo jogador muito celebrado do Sporting, Gelson Martins, ganha de salário 1200 euros brutos. Se a maioria dos outros ganhar quantias similares, não haverá problemas com a lei que o Carlos sugere.

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