Virtue Signalling

Chama-se virtue signalling a expressão de pontos de vista com o propósito de demonstrar uma suposta superioridade moral. Porventura esta prática fará parte da natureza humana, e terá uma função social importante, mas – como em tudo – basta meter o Estado à mistura para evidenciar tudo que tem de mau.

O virtue signalling político de primeira ordem é aquilo que foi bem descrito por Bastiat. O socialismo propõe-se alcançar resultados maravilhosos –, ora através de cuidadosas engenharias económicas e sociais, ora com medidas “meia-bola e força”–, políticas que necessitam de medidas iliberais. Quem quer que proteste contra essas políticas é acusado de nem querer que outros gozem da prosperidade prometida. Quem se opõe a boas intenções só pode ser um desviante social. Se quisermos ser caridosos, o erro aqui é de facto julgar as políticas pelas intenções, e não pelos seus resultados.

Em contraste, é louvado quem defenda publicamente tais promessas de amanhãs que cantam. Sobretudo se o fizer vociferadamente, e sobretudo se desprezar olimpicamente todas as más consequências, visíveis e invisíveis, das políticas associadas. A política do salário mínimo, e desemprego resultante, é um exemplo.

O virtue signalling político de segunda ordem vai para além das intenções, defende em primeiro lugar o que tem de ser feito. Há que meter o Estado a vigiar, inspeccionar, espiolhar, dirigir, regular, endoutrinar, controlar, censurar, proibir, corrigir, punir, extorquir, roubar, etc etc? Ora, é sabido que tudo isto é legítimo. Nem vale a pena falar de intenções, objectivos, resultados. Quem não se alinha com o poder salvítico do Estado só pode ser um desviante político, um anarca que quer que a sociedade colapse. É o misticismo da força, o culto do músculo do Estado.

Em contraste, quem alinha é considerado um estadista.

Aos desviantes há que os desumanizar. Por exemplo, o industrialista é mau, o capitalista é mau, o patrão é mau, o rico é mau, o burguês é mau. Quem teve “sucesso” na vida – por nascimento, educação, atitude, sorte, ou trabalho duro – é mau. Os piores são “neoliberais”. Há toda uma taxonomia de “maus”, em classes já preparadinhas para o two-minutes-hate progressista. E quem os defende faz parte da corja. Judeus, todos. Cães, todos. Caladinhos, todos.

Isto pode ser feito muito intelectualmente. Como pode ser feito pela turba — na rua, nas caixas de comentários. Recentemente, a propósito do “debate” sobre os impostos sobre o património, não faltou quem defendesse uma variação sobre “eu quero é carregar o meu empregador com impostos”. Mesmo que estivesse a falar do empregador/senhorio/fornecedor/cliente/etc do outro. Para não falar de óbvias demonstrações de ódio. É o credo da miséria partilhada.

Curiosamente, a maior parte das pessoas que se entretém com o primeiro tipo de virtue signalling é pródiga em likes e petições, mas não levanta uma palha, dos seus próprios meios, para corrigir os males sociais que tanto abomina.

Curiosamente, a maior parte das pessoas que se entretém com o segundo tipo de virtue signalling é pródiga a exaltar todo o tipo de fascismos virtuosos, em nome da eterna luta de classes, mas (vá lá) seria incapaz, na prática, de roubar terceiros.

Curiosamente, ambos os grupos votam vigorosamente para que o Estado vá ao bolso dos outros, e aplaudem desbragadamente todos os chávismos paridos pela nossa intelligentsia colectivista. Isto é o que passa por civilização. Esta é a suposta superioridade moral do virtue signalling socialista.

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Um pensamento sobre “Virtue Signalling

  1. antónio

    O diagnóstico está feito, de um mal do mesmo género sofrem os economistas negacionistas heterodoxos. Qual a melhor ferramenta para nos vermos livres dessa gente ??

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