A rádio “de todos nós” (2)

Foi interessante ver algumas das reacções a este post sobre João Quadros. Eu gosto de algum humor feito pelo João Quadros. Ouvia os podcasts do Tubo de Ensaio principalmente quando o Mixórdia de Temáticas do RAP deixava de transmitir material novo. João Quadros não é nenhum génio como gosta de pensar, mas entretém quanto baste com aquele humor que não exige pensar demasiado, excelente para quem não se quer distrair muito enquanto conduz. Uma espécie de Fernando Rocha com agenda política. Para Portugal chega. O Bruno Nogueira está mais próximo da genialidade, com a vantagem adicional de ser capaz de representar bem esse humor. O podcast Nêspera no Cu foi de uma genialidade ímpar, aliás confirmada pelo número de coliseus que o conceito já encheu.

O João Quadros orgulha-se de incomodar muita gente e de pisar os limites do humor. “Incomodar muita gente” é de facto típico de quem faz o seu trabalho com qualidade e independência, mas não é um exclusivo destes. O senhor que passeia o seu pastor alemão e não limpa os seus dejectos também incomoda muita gente e não podemos dizer que essa é uma atitude inteligente ou “de qualidade”. Mas onde o João Quadros se engana é na parte do “pisar os limites do humor”. Não pisa. Está muito longe de pisar. Mesmo dentro do estilo de humor mais básico, chamar “bicha bêbeda” a Pires de Lima ou “puta” a Maria Luis Albuquerque não pisa limite social nenhum. Porque tudo isso é aceitável na sociedade portuguesa. Pisar os limites do aceitável em Portugal é chamar “esganiçada” a uma representante do Bloco de Esquerda (um limite que, honestamente, também se ganha pouco em ultrapassar). Foi esse o objectivo do meu texto inicial. Esse e o de demonstrar a falta de sentido de termos uma televisão e rádio públicas, principalmente uma rádio com o conceito da Antena 3 (uma rádio de que até gosto, mas que não faz sentido ser pública).

7 pensamentos sobre “A rádio “de todos nós” (2)

  1. Rui Martins

    Mas esse rapaz faz humor? Não, não faz. Ele diz-se humorista mas usa piadas, insultos, etc… para atacar quem não gosta.
    Claro que há muita gente que adora esses ataques. Claro que há muita gente que pensa que ataques e insultos pessoais são humor.
    Mas isso só faz deles coisinhas tristes como esse quadros.
    Eu não tenho problemas que os meus impostos paguem a teta dele. Na verdade estamos num “estado social” e é bom que o meu dinheiro sirva para sustentar pessoas com sérias limitações cerebrais.

  2. JP Ribeiro

    Claro que faz sentido a antena 3 ser pública. Se não fosse quem daria então emprego aos boys da coltura do regime?

  3. Vamos lá ver. Eu também gosto de algum humor feito pelo João Quadros (ou melhor, gostei, porque há muito não o ouço, e vê-lo sempre foi penoso) – pessoa que, pelo vistos, é “perfeitamente normal” que seja contratado pela RTP. Tal como gosto de algum humor do Rui Sinel de Cordes (que também já teve mais piada) – pessoa que (tenho a certeza) seria um escândalo nacional se fosse contratado pela RTP. Mas uma coisa é humor, outra é propaganda política, pura e dura, usando o “humor” (fim que, por isso passa para segundo plano ou, nas mais das vezes, desaparece de todo), coisa que o Quadros, o Nogueira e a Rueff fazem – e que, como é evidente, têm todo o direito a fazer, desde que não seja a ocupar tempo de antena na rádio pública, e pagos pelo o dinheiro dos meus impostos.

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