Socialismo é chic

Tiveram oportunidade de, há cerca de um mês atrás, ver a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro? Eu não. Mas já tinha lido que a farda oficial da equipa cubana seria desenhada e patrocinada pelo designer de sapatos Christian Louboutin.

Inicialmente, a decisão de patrocinar esta equipa surpreendeu-me. Trata-se, afinal, de um país em que existem muito poucos consumidores com suficientes rendimentos para comprar os famosos sapatos de sola vermelha. São artigos de luxo só acessíveis a mulheres com elevado estatuto dentro do partido comunista cubano (governantes ou, alternativamente, esposas, amantes e familiares de importantes membros masculinos daquele partido) ou cônjuges de motoristas de táxi (que, em Cuba, recebem bem mais do que um médico – video).

Como pode um regime que lutou e, para quase toda a população, conseguiu implementar uma sociedade igualitária na pobreza ser um atrativo investimento? Como podem consumidores desta marca no resto do mundo não ficar chocados? A resposta está no título em epígrafe: socialismo é chic. Do ponto de vista de marketing, Cuba continua no imaginário de milhões de socialistas por todo o mundo (e o que não faltam são socialistas!!!). Apesar de muitos que lá vivem, preferirem fugir dessa ilha… “paradisíaca”.

Louboutin_Cuba

Até mesmo nos dias de hoje, em que cada vez há mais indivíduos instruídos, é ainda habitual ver alguém a usar t-shirt com a célebre estampa da face de Che Guevara (ou uma com variantes da imagem da foice e martelo). Há aqui curiosa dicotomia que escapa a muitos socialistas: símbolos comunistas são sucessos comerciais, apesar de representarem catástrofes económicas que transformam uma sociedade consumidora de sapatos Louboutin numa “economia pé descalço”.

Em recente entrevista à revista Visão, Christian Louboutin disse: “Faz parte do charme de Portugal os portugueses não saberem vender-se.” Hmm, não é bem assim. Uns sabem vender-se melhor que outros. Hoje começa a Festa do Avante

3 pensamentos sobre “Socialismo é chic

  1. A.R

    A miséria é uma conquista socialista: há que celebrar com qualquer apetrecho. Afinal os cubanos que morrem na travessia são menos gente que os maometanos e nem merecem fotografias fabricadas que exploram a dignidade de uma criança morta por incúria grosseira do respectivo pai e do erdogan

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