Nos nossos Trumps

Apresento-vos Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. O meu artigo no Económico.

Os nossos Trumps

Anda meio mundo pasmado com a candidatura de Donald Trump à presidência dos EUA e poucos reparam na estupefacção política que é viver sob os auspícios de Catarina Martins e de Jerónimo de Sousa. E não, não é só a negligência para com erário público. Nesse domínio o PS bate qualquer um aos pontos, já que enquanto os socialistas só querem governar sem que se prestem contas, tanto o BE como o PCP vêem no desequilíbrio das contas do Estado, não apenas uma forma de financiarem a sua base eleitoral, mas um modo de minarem a União Europeia contra a qual sempre se insurgiram.

Perceber Catarina Martins e Jerónimo de Sousa obriga-nos a tomar atenção ao que verdadeiramente dizem. Vejamos bem: relativamente ao Orçamento de Estado para 2017, Catarina Martins disse em Santa Maria da Feira, na passada sexta-feira 26 de Agosto, que “O nosso compromisso é com o fim do empobrecimento”, acrescentando que as “prioridades orçamentais do BE deverão ser o aumento do salário mínimo nacional, a actualização das pensões e das prestações sociais, a justiça fiscal e o combate ao abuso laboral e à precariedade.”

Nesta parte do discurso tomamos contacto com um Bloco do lado dos mais pobres; o BE solidário, o Bloco que combate as injustiças e os interesses. A ovação na sala é imensa. Todos deliram, num daqueles delírios massificados que permite a Catarina Martins, poucos segundos mais tarde, durante a leitura do mesmo discurso, dizer que “a recapitalização pública da Caixa é respeito pela democracia, é respeito pela soberania do nosso país.” Um delírio contagiante invade novamente a sala porque neste momento já não interessam os interesses que os políticos e os empresários dependentes do poder estatal têm na CGD. Já é indiferente que os interesses que alguns portugueses têm na Caixa sejam confundidos com o país e com a democracia. Para Catarina Martins tudo e o seu contrário é possível.

A Catarina Martins que defende os cidadãos, que pugna para que se lhes pague melhor, é mesma que defende que o dinheiro desses mesmos cidadãos seja entregue a um banco utilizado pelo poder político para favorecer empresários que beneficiam com as directivas políticas do modelo de desenvolvimento socialista que Catarina Martins aprova. E se para o PS a Caixa Geral de Depósitos deve ser pública, porque dela precisa para financiar os seus projectos, para a líder do BE, tal como para Jerónimo de Sousa, a razão de ser das suas posições está no objectivo ideológico de, através do banco público, ter os empresários no bolso e ditarem, tal qual sucedia nos regimes comunistas, tal qual sucede na Venezuela, as regras por eles impostas, a que todo o país, sem excepção, se deve submeter.

Donald Trump quer expulsar os imigrantes ilegais criminosos sem que nos diga previamente o que entende por ilegal e criminoso. É atroz. Como é atroz o que defendem Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, sob a capa do discurso do político profissional. O líder do PCP está à frente de um partido que domina sindicatos, cujo poder sobre os trabalhadores o PCP não quer prescindir. A capacidade de mesmo assim apresentar um discurso limpo, solidário, desinteressado e responsável impressiona o mais cínico dos homens. Estamos perante um partido que nunca pediu desculpa por ter defendido regimes hediondos como os comunistas. Porque seria diferente agora? Não foi, não é, nunca será.

A facilidade com que esta esquerda discursa e aplaude, julga e celebra, sem contraditório nem consideração pelas suas incongruências, a displicência pela exactidão dos factos, a submissão dos que, num país livre, possam refrear os impulsos das suas vontades, é em tudo igual à verborreia de Donald Trump. O milionário norte-americano preocupa-nos, mas tudo leva a crer que será remetido ao seu lugar no início de Novembro. Já por cá, continuamos a ouvir Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e outros que tais, os nossos Trumps, a pregar solidariedade com a mão direita ao mesmo tempo que, com a esquerda, alimentam os interesses que há décadas tomam conta deste país.

7 pensamentos sobre “Nos nossos Trumps

  1. Jeronimo de Sousa e Catarina Martins representam algo que é muito pior e nefasto para qualquer pais do que o populismo direitista de um Donald Trump : uma ideologia totalitária comunizante !!

  2. Esquerdopatas são isso mesmo.
    Move-os o poder de conduzir massas humanas.
    Inspira-os experimentalismos sobre humanos tomados não como seres mas como ‘deverem ser’ segundo os arquétipos de que se vêm como autores, vigilantes e repressores.
    Exalta-os mais que tudo destruir as vidas de quem por esforço próprio ou de quem os antecedeu acumulou bens e deles usufrui.
    É ordem primeira o boicote ao capitalismo, pois é da miséria que esperam a submissão.

  3. Rafael Ortega

    “Donald Trump quer expulsar os imigrantes ilegais criminosos sem que nos diga previamente o que entende por ilegal e criminoso. É atroz.”

    Imigrante ilegal é o que imigra sem cumprir com a legislação que regula a imigração.

    Criminoso é quem comete um crime. Os crimes estão tipificados na lei do país.

    Segundo o autor deste post, atroz é que um político pretenda que se cumpra a lei.

    O nível deste espaço já foi melhorzinho…

  4. Anticapitalista

    Vês, ó buchechas anafado, vês, ó finado Melo Antunes, vês, o Grupo dos 9, vês, ó Ramalho Eanes, vês, ó, …ó …ó, como o PCP e os de esquerda em geral que não vendem gato por lebre como a mafiosa e pafista direita vende e como os do “socialismo em liberdade” venderam, só atrapalham a democracia que temos depois do golpe do 25.11.1975????…
    Quão melhor não teria sido, ó Presidente Ramallho Eanes, que V. Exa. tivesse ordenado, para os partidos políticos existentes em 1975, o mesmo que ordenou nas Forças Armadas onde foram liminarmente “limpos” centenas de militares só porque se identificavam com os ideais do SOCIALISMO, sistema este que viria a ser plasmado na CR de 1976, apenas contra os votos do CDS????…
    Lamentava, V, Exa. ainda não há muito tempo, em público, redobrada preocupação com o futuro dos seus netos, tendo em conta as políticas postas em prática pela governança dos pafistas chefiados pelo recente auto-proclamando Vidente de Massamá”, não obstante, com é do domínio público, os filhos de V. Exa. não estarem a ganhar o SMN!….
    Imagine então, para onde parece caminhar o Portugal que fez ABRIL, a julgar por textos como este, bem como a cobertura e divulgação que lhes são dadas, os apoiantes que aqui se manifestam com o “gosto”, a avidez pelo poder perdido nas urnas que o referido Vidente continua a evidenciar, os seguidores que ainda tem, enfim, quando Trumps são melhores que a “esquerdalha geringoncista” que, desbocadamente, dizem os pafistas, nos governam, imagine então para onde poderemos caminhar, quando o próprio CAPITALISMO (afinal o AVATAR de toda esta gente sem escrúpulos que, durante 40 anos. parece ter hibernado com as “gostosas” politicas dos “do ARCO” finalmente quebrado em Outubro último, mas que acordaram e atacam em força tudo e todos que lhe não cheire a paf e pafismo) parece estar, como qualquer outro moribundo, em lenta agonia, depois de ter já gasto praticamente todas as munições de que dispunha para sair desta crise iniciada em 2007/2008. E, mais grave ainda, um sistema que há mais de 4 séculos explora vampiristicamente os povos do planeta, encontra-se sem teóricos capazes de inventar, como em 1929 Keynes inventou, teoria económica que, ao menos, pudesse constituir como que um pequeno lenitivo para a situação, agora globalizada (também com imensos “gosto” desta direita ressabiada e sem escrupulos) da grave crise em que o planeta vive, e com as práticas extremistas que, também já globalizadas, ato do o momento e em todo o lugar amedrontam, designadamente os mais vulneráveis e inocentes!…
    Enfim, afinal para onde caminha Portugal, este Portugal que V. Ex as. os democratas e não totalitários, permitiram, colaboraram e incentivaram a seguir as políticas que aqui nos conduziram??..

    Vós, que lá do alto Império,
    prometeis um mundo novo,
    cuidado, não vá o Povo,
    um dia levar-Vos a sério!…

  5. O carinho que os esquerdopatas têm por Keynes só compara em incompreensão com tudo o que não seja a mais desbragada baderna económica.

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