Manifesto: Pela elevação do estatuto legal do embrião humano ao de animal de estimação

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Nos últimos dois anos o país progrediu imenso na defesa dos direitos dos animais de estimação. Seres indefesos e totalmente dependentes da vontade humana para sobreviverem, muitos destes animais são maltratados, violentados e até mortos quando os donos decidem que não desejam mais submeter-se ao esforço de os manter. O combate a esta imoralidade ganhou contornos legais nos últimos anos, passando a existir legislação que protege estes seres indefesos, apesar de não terem o mesmo estatuto legal dos seres humanos. Não mais o dono de um animal doméstico poderá argumentar que o animal é seu e a casa é sua e que, portanto, pode fazer o que quiser com ele. Não mais se poderá desculpar com o argumento de que não lhe dá jeito agora ter um animal ou de que não tem condições para cuidar dele. O direito ao bem-estar e à vida de seres indefesos passou a ser defendido pela nossa legislação.

Fora desta protecção legal ficou uma outra categoria de seres vivos indefesos: os embriões humanos. Um em cada seis embriões humanos com menos de 10 semanas é abandonado à sua morte nos hospitais portugueses. Muitos argumentarão que os embriões humanos são seres vivos inferiores a, por exemplo, uma tartaruga ou um gato, e por isso merecedores de uma menor protecção legal. Mas outros aceitarão que é uma injustiça que estes seres vivos não sejam protegidos tão bem como um periquito.

É em nome da igualdade de tratamento legal entre animais domésticos e embriões humanos que surge este manifesto. Se acredita que os embriões humanos são tão importantes e merecedores da mesma protecção legal que o seu hamster de estimação, pode assinar este manifesto na caixa de comentários. Junte-se a mais esta causa progressista, na defesa dos direitos dos mais fracos.

12 pensamentos sobre “Manifesto: Pela elevação do estatuto legal do embrião humano ao de animal de estimação

  1. Meu caro,
    Compreendendo e simpatizando com o propósito deste texto, creio que só faltou uma coisa: deixar claro o seu sentido irónico. Tudo porque, por um lado, sempre há maluquinhos que poderão levá-lo a sério e adoptá-lo como “manifesto de luta”; por outro, porque os “pro-choice” poderão (num exercício em que são extremamente hábeis: a canalhice da inversão do sentido dos textos) usá-lo como “prova” do valor que os “pro-life” dão ao embrião: o equivalente ao de um animal doméstico.

    Abraço e parabéns,
    JTittaM

  2. Carlos Guimarães Pinto

    João, se um dos efeitos colaterais deste texto for o de também servir para despistagem de pessoas com problemas cognitivos, ficamos todos a ganhar.

  3. Um animal tem interesses. Pelo menos não sentir dor ou passar fome. Um embrião sem sistema nervoso desenvolvido não tem interesses nenhuns. Pode ser humano, pessoa não é de certeza.

  4. A.R

    Blasfémia … um ser humano não vale nada. “temos que acabar com essa ideia papista que a vida humana é sagrada” Trotsky!

  5. Herança para as gerações futuras : o SNS que na sua génese teve como missão salvaguardar todas as vidas humanas ( nascidos e por nascer ), transformou-se numa fábrica industrial com a missão de assassinar milhares de bébés por ano, apenas porque sim. Admirável país moderno, que deixas tão bárbara herança às gerações futuras. Quando ouvirem um politico ( ou um progressista) preocupado com o declínio demográfico e falta de sustentabilidade da segurança social, lembrem-lhe a estratégia adotada em vigor no SNS.

  6. Tratar desses assuntos sérios com a ralé esquerdalha no poder é caminho de promoção da bandalheira, que ainda é mais abjecta no enunciado do que na consequência.

  7. Luís Lavoura

    Tudo tem a ver com os sentimentos e as empatias das pessoas. As pessoas hoje em dia têm muita estima pelos animais, têm empatia com eles. Pelos embriões ninguém tem empatia nem sentimentos.
    A democracia é isto: respeitar os sentimentos, desejos e empatias da maioria. A democracia não é lógica.

  8. Pois é, nos anos 30 quase ninguém, dos Pirenéus ao Don, tinha empatia com os judeus. E já nesse tempo havia que respeitar os sentimentos, desejos e empatias da maioria, que, no caso, era correr e/ou acabar com os judeus. Azar o deles, portanto.

  9. Luís Lavoura

    JPT, pois, há uma tensão entre a democracia e o liberalismo. O liberalismo postula que certos valores estão acima do escrutínio democrático, ou seja, que certos valores não podem ser postos em causa por uma maioria da população. Isso é um facto. Há que ter, porém, bastante cuidado em delimitar estritamente esses valores.

  10. Luís Lavoura, embora saiba que o senhor não o disse, parece-me que um liberal tentar impor os seus valores liberais sobre uma vontade democrática é uma atitude muito pouco liberal.

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