O erro da proibição do burqini

3984240-thumb-300xauto-3475730No século VII, com o Islão a expandir-se em zonas maioriatiramente judaicas, cristãs e pagãs, o poeta cristão árabe Al-Akhtal fez questão de reagir recusando comer carne Halal e apelando a que outros fizessem o mesmo. O próprio Islão proibiu o álcool para se proteger dos hábitos pagãos. Nos EUA durante a segunda guerra, restaurantes japoneses eram fechados por representarem culturalmente o inimigo. A coca-cola e outras referências capitalistas eram fortemente restringidas na URSS. A história está cheia de civilizações que tentam proibir ou afastar do público símbolos do inimigo cultural e religioso.

É assim que deve ser interpretado a proibição do burqini. Por isso fazem pouco sentido os paralelos com fatos de surfistas ou com a forma como as freiras se banham na praia.Não se conhece na história recente nenhum grupo de surfistas que tenha chacinado pessoas num concerto ou nenhum grupo de freiras que tenha conduzido um camião na direcção de esplanadas cheias tentando matar e decepar o maior número de pessoas. Mas alguém já o fez em nome do Islão radical. E a associação do Burqini a esses eventos, ao inimigo, é inevitável. O burqini e o fato de surfista podem ser semelhantes no que tapam mas não no que representam. E é no que representam e na forma como os outros o vêem e sentem que está o problema. Com as devidas distâncias ir de burqini a uma praia de Nice causará o mesmo impacto nos presentes (tendo em conta as devidas proporções) que entrar numa sinagoga com uma suástica tatuada. É apenas por aqui que deveremos entender esta proibição.

Entendendo-a mesmo assim é um erro fazê-lo. A proibição faz muito pouco para combater o terrorismo islâmico e até será contra-produtiva, servindo para alimentar a ideia de que a Europa iniciou uma guerra cultural contra todo o Islão. Mesmo os mais radicais que defendem que essa guerra deveria existir, dificilmente defenderão que se deveria iniciar despindo mulheres na praia. Em segundo lugar, porque viola os mesmos princípios ocidentais que deveríamos estar a defender e coloca o Ocidente mais próximo daquilo que dizemos combater. A própria imagética de ter agentes da autoridade a despir mulheres na praia é um enxovalho à cultura ocidental e os paralelos com o que se faz noutros países com culturas diametralmente opostas à nossa é inevitável.

A proibição do Burkini é um erro porque demonstra a incapacidade do Ocidente lidar com o Islão radical de uma forma mais efectiva
. É um erro porque dá uma mais uma excelente arma de propaganda para o recrutamento de terroristas. É um erro porque, inadvertidamente e sem efeitos prácticos, se deu um ascendente moral (relativo, temporário e ligeiro, convém sublinhar) ao Islão radical.

27 pensamentos sobre “O erro da proibição do burqini

  1. Pato

    Se o caro articulista conseguir indicar um período da nossa história comum em que o chamado ocidente cristão não esteve em choque cultural e bélico com o islão… Típica mentalidade apologista “se matares o inimigo ele ganha”.

    O caro articulista na Roma antiga também articularia que a sociedade romana também deveria acolher e tolerar os cristãos… Ou que os nativos americanos deveriam acolher e tolerar os europeus que desembarcavam no seu continente… Veja o que a
    História tem para nos contar.

  2. Ricciardi

    Muito bem dito.

    Acrescento a similitude da imagem dos policias a ‘ despir’ a mulher francesa acomoanhada de ululantes vaias à vitima, com aquela outra, da altura dos progroms, onde mulheres judias eram despidas das suas vestes tradicionais e postas em fila perante uma ululante assistencia.
    .
    Rb

  3. lucklucky

    ” É um erro porque dá uma mais uma excelente arma de propaganda para o recrutamento de terroristas. É um erro porque, inadvertidamente e sem efeitos prácticos, se deu um ascendente moral (relativo, temporário e ligeiro, convém sublinhar) ao Islão radical.”

    Patético. Não há realmente outra palavra para este chorilho de asneiras narcisistas de quem parece se ter esquecido que a intimidação e violência funcionam.

    A proibição e intimidação e violência a que usa Cruxifixos em boa parte do Mundo Árabe e no Norte de África tem dado muito bons resultados ao Islamismo.

    A única razão válida para justificar o burkini é liberdade de uma pessoa usar o que quiser. Também é válido para andar nú na rua.

  4. A.R

    Erro é não admitir que o islão é uma ideologia sucedânea do nazismo/comunismo e tolerar todos os desmandos a nome de uma pretensa liberdade e democracia que eles não respeitam: nem aqui nas terras que colonizam nem das terras de onde partem.

  5. Bom texto: muito bonito para emoldurar.

    Mas a realidade é que os islamitas estão a testar os limites a que podem aceder na cultura ocidental. Quanto mais cedo impuserem limites… menores serão os perigos no futuro. Este tipo de gente está a tentar a comer o Ocidente pelas beiradas.

  6. A.R

    “mulheres judias eram despidas das suas vestes tradicionais e postas em fila perante uma ululante assistencia” Isto foi e é é praticado pelos muçulmanos (aliás grandes aliados dos nazis: 100 000 soldados muçulmanos combateram por Hitler) sobre todas as “mulheres impuras” as quais vendem em praça pública nuas e são violados em grupo como grande diversão.

  7. Caro CGP,

    Proibir a burqa é errado ? Normalmente eu concordaria consigo, até porque certamente existirão mulheres que a usam de livre vontade por motivos meramente religiosos. A proibição da burqa é um atentado ás liberdades individuais.

    Mas a liberdade individual não é um absoluto, vivemos em sociedade. Temos também que respeitar os outros.

    Repare que não existe diferença visível ou comportamental entre um muçulmano devoto e um muçulmano fanático pronto a matar centenas.

    A senhora de burqa tanto pode estar inspirada pela fé como carregar um cinto de explosivos. O tipo barbudo depois da reza tanto pode ir trabalhar como camionista como ir atropelar centenas de pessoas para a marginal.

    Os muçulmanos que conscientemente escolhem usar símbolos associados ao terrorismo, francamente estão há espera de quê ? Ou dito de outra forma, será que não é possível ser-se um muçulmano piedoso sem se partilhar os mesmos símbolos do terrorismo ?

    É valido contra-argumentar que a sociedade europeia não pode ditar a vivência religiosa dos muçulmanos. Mas a sociedade europeia está a ser atacada por gente, que a olho nú, é indistinguível dos “bons/pacíficos” muçulmanos. Convinha que os últimos se demarcassem publicamente dos primeiros.

    Ou será que temos todos que fazer um crash course sobre o Islão para percebermos as diferenças ? As vítimas é que têm que pedir perdão por não conhecerem de cor o Corão ?

  8. “A tolerância e a apatia são as últimas virtudes duma sociedade moribunda.” Aristóteles

    O episódio do burkini tratou-se de um elemento de propaganda premeditada pura e dura: o fotógrafo (profissional) estrategicamente colocado, a mulher sem nenhuma espécie de pertencentes, apenas à espera da polícia, etc.

    É muito curioso que os islamitas moderados. os patetas alegres e os idiotas inúteis venham rasgar as vestes pela “liberdade de expressão corporal” e não tenham feito nada, sequer parecido, em intensidade e quantidade, quando, por exemplo, aquelas dezenas de inocentes em Nice foram chacinadas.

    O Islão é um cancro que tem de ser extirpado: uma civilização que contribuiu zero, nos últimos 1400 anos, para o nosso actual estado de bem-estar; uma civilização fundada por um guerreiro pedófilo; uma civilização que ainda acredita na literalidade dos escritos sagrados; uma civilização que rejeita liminarmente a diferença e os costumes alheios; etc.

    Infelizmente, julgo que posições como:

    http://www.geertwilders.nl/index.php/94-english/2007-preliminary-election-program-pvv-2017-2021

    terão tendência a ser, cada vez mais, de aceitação generalizada. E, nessa altura, Deus tenha piedade de nós…

  9. Obrigar uma mulher a despir-se na praia faz tanto sentido como obriga-la a comer carne de porco. As justificações apresentadas, relacionadas ao terrorismo, deviam envergonhar qualquer liberal. Note-se, sou contra a aceitação de emigrantes com estes costumes, mas, uma vez aceites, os costumes que o Estado deve controlar não são certamente deste tipo..

  10. A.R

    “Obrigar uma mulher a despir-se na praia faz tanto sentido”. Ninguém obrigou a mulher a despir-se na praia: apenas tirava a gabardina, saía ou pagava a multa. Ir lavar a roupa, provavelmente suja e cheia de germes, para a água que todos partilham poderá ser preceito dos sarracenos mas eles que o façam na terra de onde vieram.
    Recordo que há terras onde envergar uniformes de serial killers, como Hitler, Estaline ou Che é proibido. Tudo o que lembre o islão e o associado tratamento como gado das mulheres, com uma contabilidade de 250 milhões de mortos e sempre a subir, é já de si uma boa razão

  11. André Miguel

    A proibição do burqini faz todo o sentido por aquilo que representa. Permitir tal provocação (tudo se resume a isto e nao a balelas sobre liberdade!) é abrir mais uma porta para a islamização do ocidente.

  12. “Ninguém obrigou …Se não pagava multa”. Também era melhor as autoridades tirassem a roupa á força !
    O tribunal decidiu bem. E as consequências são boas, porque há muita gente que parece criança, e tem de ver á frente dos olhos o resultado de permitir esta imigração.

  13. um erro é continuar a tratar os fundamentalistas muçulmanos como iguais aos não fundamentalistas. Se forem a países islâmicos não fundamentalistas, as mulheres vestem-se como as europeias e só uma minoria muito pequena usa a .burka. E só essas usam o burkini mas na sua maioria, mesmo na praia, usam a burka e limitam-se a tratar dos filhos. As miudinhas vestem, essas sim, uma espécie de burkini e os homens uma camisa sem alças mesmo para tomar banho. Esses são a minoria radical que, com a estupidez do costume, muitos ocidentais apoiam no seu fundamentalismo Medieval. O aceitar o burkini é um apoio a esse fundamentalismo radical.

  14. CP

    É um tema muito complexo e há argumentos válidos dos dois lados.
    Em nome da liberdade individual também podemos admitir pessoas nuas nas cidades?
    A verdade é que as civilizações têm códigos de conduta.
    À partida sou a favor da proibição.

  15. Nunca é referido como alguns homens forçam as mulheres a usar burquas na Europa, como mulheres muçulmanas e cristãs são vaiadas e enxuvalhadas em publico se não estiverem “tapadas”. Sim um problema de educação tambem, mas como se consegue para a opressão as mulheres quando elas são obrigadas a se taparem?

  16. “A tolerância e a apatia são as últimas virtudes duma sociedade moribunda.” Aristóteles

    O episódio do burkini tratou-se de um elemento de propaganda premeditada pura e dura: o fotógrafo (profissional) estrategicamente colocado, a mulher sem nenhuma espécie de pertencentes, apenas à espera da polícia, etc.

    É muito curioso que os islamitas moderados. os patetas alegres e os idiotas inúteis venham rasgar as vestes pela “liberdade de expressão corporal” e não tenham feito nada, sequer parecido, em intensidade e quantidade, quando, por exemplo, aquelas dezenas de inocentes em Nice foram chacinadas.

    (continua)

  17. lucklucky

    Aliás uma notícia que os jornalistas vão censurar é como o consumo do Mein Kampf aumentou com a imigração Islamica.
    Sempre com boas tiragens quer na Siria – partido Baath formado por nacional-socialistas- quer na Turquia.

  18. “É um erro porque dá uma mais uma excelente arma de propaganda para o recrutamento de terroristas”. Como se os terroristas islâmicos precisassem de armas de propaganda quando tem a mais poderosa de todas, o divino Corão que os comanda a imporem pela força o seu Deus e a sua religião. Esse é o dever sagrado de todo e qualquer muçulmano. Por ele estão dispostos a morrer e a matar há seculos. Tudo o resto é conversa de café para entreter infiéis.

  19. Mas Q caraxx tem o Assad a ver com o Guna (lucklucky??) é o mesmo Q ligar o KKK a Trump (as tantas defendes a Crookhilary)

    A modestia é castigada, prohibida pelo estado laicista ( a bichara esquerdalha atira a bola e … bobos alinham) & ninguem se da conta??

    Banhistas Francesas

  20. O (auto-denominado) “liberal” tuga não resiste ao mais leve teste de esforço: a uma coisa tão básica como “deve o Estado ditar que roupa se usa na praia?”, a amostra acima seleccionada responde “sim, se for roupa de que nós não gostamos”. Liberais destes, não obrigado, já me chegam os do Bloco e do PCP. PS (no pun intended): se o número dos polícias a mandar uma mulher tirar a roupa na praia foi “ensaiado”, então foi muito bem feito, porque a colossal imbecilidade de certas abstracções só se torna (para alguns) evidente quando estas se concretizam (e são filmadas ou fotografadas). Por exemplo, certos discursos de Goebbels faziam imenso sentido para os alemães esmagados por Versalhes e pela Grande Depressão, até se verem certas fotografias e filmes.

  21. Dervich

    O que é exactamente um “burkini”?!…Qual a diferença entre um “burkini” e uma túnica da Decathlon?!…

    Para poder proibir o “burkini” tinha de se regulamentar tal coisa, algo que o liberalismo detesta. Não é por aí.

    Já o niqab é outra história, dado que, ao não permitir a identificação do interlocutor, está a quebrar (quanto a mim) um princípio básico da vida em sociedade (tal como eu a entendo).

  22. Para colher a minha simpatia o artigo falhou numa coisinha… Sim ao burkini, ou o raio que parta que alguém queira vestir ou despir, MAS não, um rotundo não ao Islão.
    Já vai sendo tempo de perceber que se trata dum culto contrário a todos os valores que nos orientam e constituem a modernidade. O Islão é opressivo, totalitário e contra os direitos humanos. Felizmente que os muçulmanos (i.e. os “submissos”), são maus praticantes da religião-política professam. Os mais fiéis seguidores dos ensinamentos “corânicos” são os que dedicam a vida à “evangelização” islâmica pelo método de sempre: o terrorismo.
    O Islão é a forma de fascismo mais truculento e resiliente da História, constituindo a maior ameaça ao nosso modo de vida. Portanto, já chega de “brincadeiras” e conversa fiada. Lembram-se do que foi feito após a segunda guerra mundial para “limpar” a Alemanha? Campanhas de desnazificação…
    By the way, descobri sabem que a estrela de amarela que identificava os judeus no 3.º Reich, e a prática de a utilizar, não foi inventada por um zeloso funcionário do partido nazi. Tinha sido inventada anteriormente pelo Califa Omar II no século oitavo…
    Mais tarde ou mais cedo, vai chegar a hora de ou nós, ou eles… E os factos são preocupantes… Após as tentativas que falharam em Poitiers, Lepanto e Viena, o imperialismo islâmico está a tentar comer a Europa por dentro… Vamos deixar?

  23. Pingback: O Poder da Roupa – Kafka In Amadora

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