10 Erros sobre o turismo em Lisboa

Corre por aí a teoria de que o turismo em Lisboa, por muitos efeitos positivos que tenha, está a dar cabo do melhor da cidade. Sim, o turismo é bom e tal, mas os coitados dos lisboetas estão a ser expulsos, a cidade está a ficar dominada por habitantes de curta duração e se não fizermos nada ainda acordamos com uma Lisboa sem lisboetas. Desengane-se quem pensa que esta teoria é apenas defendida por quem manda umas bocas em caixas de comentários ou nas redes sociais. Há quem, do alto de uma cátedra, e procurando credibilizá-la, ande a espalhar a tese.

É o caso de João Seixas (PhD), geógrafo, professor auxiliar da Universidade Nova de Lisboa, coordenador da equipa para a Reforma Administrativa da Cidade de Lisboa, painelista, etc. que escreveu um extenso artigo de opinião no Público intitulado “Dez teses sobre Lisboa“. A tese subjacente a essas dez teses é qualquer coisa como: a cidade de Lisboa estava a recuperar população e vitalidade até que em 2013 chegou o boom do turismo e do investimento estrangeiro e lá se foi essa recuperação e lá se foi a população e lá se foi a vitalidade. É a quinta “tese” desse artigo, sobre o “Acesso à Habitação”, que melhor resume o ponto de João Seixas:

“Desde 2008 que o centro histórico de Lisboa estava finalmente a recuperar da absurda doença a que havia sido sujeito durante décadas. Em população e em empresas. Registava-se mesmo uma recuperação do número de crianças e de jovens em idade escolar – confirmando que muitas famílias (das mais variadas classes sociais) se encontravam a ocupar, de novo, o centro urbano. Era uma recuperação lenta mas cada vez mais segura; e onde as expectativas detinham um papel essencial.

Mas instala-se, entretanto, uma mudança de forças que está a tornar a habitação muito mais cara e pressionada, e muito rapidamente. Desde 2013 que a cidade estará de novo a perder população estável e densidade residencial; a uma média de mais de 3500 eleitores/ano. A população escolar, após subir de 2008 a 2012, tem estado a diminuir de novo, sobretudo no pré-escolar e no primeiro ciclo.”

Uma pessoa lê isto, com números e tudo, e assusta-se. Até porque, como diz João Seixas no texto, “o que se passa é demasiado sério para superficialidades” e “as políticas de cidade devem ser construídas com base em conhecimento”. Querem ver que o turismo tem mesmo este efeito destruidor? Querem ver que havia uma tendência de povoamento de Lisboa desde 2008, no centro/centro histórico/centro urbano, e o turismo deu cabo da coisa?

Uma pessoa assusta-se e adere à tese e vai para as redes sociais bramir contra o turismo e os estrangeiros ricos. Ou então, vai tentar confirmar os números. É aí que se apercebe que nenhum dos factos e certezas e números apresentados por João Seixas é verdadeiro.

Acham que estou a exagerar? Venham comigo, olhar para os números de João Seixas um a um. Demora algum tempo mas ficamos com uma ideia bem precisa sobre a “seriedade” de quem constrói políticas de cidade com base no “conhecimento”.   

Comecemos a nossa aventura pela evolução geral da população de Lisboa (dados do INE):

População LX
Como se pode ver pelo gráfico, desde 1991 que Lisboa perde população todos os anos, sem excepção. Ou seja, ao contrário do que João Seixas diz, não é verdade que Lisboa tivesse recuperado população entre 2008 e 2012. Primeiro tiro na água.

E o “número de crianças e jovens em idade escolar”, assumindo que são representados pela população com idades entre os 0 e os 19 anos, o tal que estaria a crescer entre 2008 e 2013? Cresceu (linha cor de laranja no gráfico) mas, vejam só, desde 2012/2013, precisamente os anos em que João Seixas diz que começou o actual descalabro. Segundo tiro na água.

Mas talvez se olharmos para os alunos matriculados nas escolas do concelho (fonte), para a “população escolar” que João Seixas refere e não para a população residente, cheguemos onde João Seixas nos quer levar.

Alunos Matriculados
Não, ainda não foi desta. Pelos vistos, pelo menos desde 2005 que o número de alunos crescia e foi precisamente em 2008 que esse crescimento parou, contrariando por completo João Seixas. Terceiro tiro na água.

E o aumento expressivo em 2008, perguntam vocês? Vejamos com mais detalhe o que aconteceu entre 2004 e 2014.

Alunos Matriculados Por Ciclo
Como é bem visível, tanto o 3º ciclo como o ensino secundário têm comportamentos algo erráticos, com uma subida abrupta em 2008 seguida de uma queda desde essa altura, em linha com o comportamento do número total de alunos.

Porquê? Porque foi em 2008 que começaram em força as inscrições (de adultos) nos processos de RVCC – Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e nos cursos CFA – Cursos de Educação e Formação para Adultos, as Novas Oportunidades dos governos José Sócrates. Ou seja, até esta subida abrupta de 2008, ao contrário do que diz João Seixas, não tem origem numa “recuperação do número de crianças e jovens em idade escolar” (que não existiu) mas sim nos mais de 19.000 adultos que se matricularam no 3º ciclo e ensino secundário das escolas de Lisboa. Quarto tiro na água.

E o que aconteceu à densidade populacional que, segundo João Seixas, também teria começado a descer desde 2013? Imaginem: também não se confirma (fonte: INE).

Densidade
Como seria normal, Lisboa perdeu densidade populacional todos os anos desde 2000. Entre 2012 e 2013 a queda foi particularmente acentuada devido ao aumento de área do concelho de Lisboa (de 85 km2 para 100 km2) decorrente da reforma administrativa de 2012 (ver os dados da Carta Administrativa Oficial de Portugal de 2013). Quinto tiro na água.

Terá João Seixas acertado na evolução do número de empresas? Pois, também não.

Empresas
O número de empresas em Lisboa (fonte: INE) crescia até 2008, caiu entre 2008 e 2013, e (até ver) começou a subir desde 2013. O pessoal ao serviço teve evolução idêntica. Mais uma vez João Seixas viu tudo ao contrário. Sexto tiro na água.

Então e se olharmos para o número de eleitores, como nos recomenda João Seixas? A evolução do número de eleitores em Lisboa, segundo os dados do recenseamento eleitoral (fonte) foi esta:

Eleitores
É óbvio que, entre 2001 e 2016, a única tendência existente é uma tendência de queda. Mais um “facto” de João Seixas que não se confirma. Sétimo tiro na água.

Mas há realmente uma subida em 2008. Talvez seja a esta subida anual que João Seixas se refere quando fala num centro histórico/centro urbano que recuperava população “desde 2008”. Mas é espantoso, para não variar, que face a esta evolução, em vez de falar em inversões de tendência inexistentes, João Seixas não se dê ao trabalho de investigar (ou, pelo menos, de explicar aos seus leitores) o que se terá passado em 2008 de tão atípico.

Se o tivesse feito teria descoberto que em 2008 houve um crescimento do número de eleitores em 51 das 53 freguesias de Lisboa enquanto nos anos anteriores isso tinha acontecido, em média, em apenas 3 das 53 freguesias.

Freguesias
Se tivesse continuado a sua investigação teria descoberto que a Lei do Recenseamento Eleitoral foi alterada precisamente em 2008, tendo sido introduzidas “diversas medidas de simplificação, com destaque para a inscrição automática de eleitores no recenseamento”.

Ou seja, entre 2007 e 2008 Lisboa ganhou 18.000 eleitores graças ao recenseamento automático. Em 2011, em pleno período de “repovoamento”, Lisboa já tinha perdido perdido 19.000. Oitavo tiro na água.

Mas bolas, será que ao menos os dados do recenseamento eleitoral mostram que houve um aumento do população nas freguesias do “centro histórico”/centro urbano a partir de 2008? Querem saber que mais? Isso. Adivinharam. Também não.

As freguesias do centro histórico, que ganharam 2.200 eleitores em 2008, perderam 3.500 logo em 2009, anulando o efeito do recenseamento automático. As freguesias que deram o maior contributo para o aumento (automático) do número de eleitores em 2008, simultaneamente em percentagem e em valor absoluto, foram Charneca, Lumiar, Ameixoeira, Marvila, Carnide, Alto do Pina, São Domingos de Benfica. Desde essa altura, apesar da tendência geral de queda do número de eleitores (que se tem vindo a atenuar), são precisamente as freguesias da zona Norte e Oriental de Lisboa que contrariaram minimamente essa tendência. Estão todas fora do centro histórico. Nono tiro na água.

Ainda em relação ao centro histórico, usando estes mesmos dados do recenseamento eleitoral, podemos ver o que se passou com a evolução do número de eleitores tentando comparar o que é comparável (entre 2001 e 2007, sem o recenseamento automático, entre 2008 e 2012, com “repovoamento”, e 2013-2016, com vistos gold e residentes não habituais e nova lei do arrendamento e alojamento local e a morte dos primogénitos dos lisboetas).

Freguesias CH

Aparentemente estes dados dizem-nos que o ritmo médio de perda de eleitores no centro histórico foi sensivelmente idêntico entre 2001-2007 e 2008-2012 e que, a partir de 2013, esse ritmo reduziu-se para metade. Ou seja, não só não houve qualquer melhoria entre 2008 e 2012, como pelos vistos há de facto uma melhoria quando o centro histórico, aos olhos de alguns, começa a ser “destruído”. Mais uma vez, o contrário do que afirma João Seixas. Décimo tiro na água? Pois, parece que sim.

Recapitulando:

  • A tendência de despovoamento de Lisboa nunca foi interrompida.
  • Não havendo uma interrupção da tendência de despovoamento, o turismo (e o investimento) não é uma explicação para esse despovoamento. As suas causas são muito mais profundas e longínquas e, pelos vistos, pouco ou nada foi feito para as anular.
  • Quanto muito, a confirmar-se uma inversão de tendência, esta dá-se a partir de 2012/2013 (ver, por exemplo, esta reportagem da Fernanda Câncio), altura em que a revitalização do centro urbano começa a ser evidente e a atrair residentes e investidores, tanto estrangeiros como portugueses.

Voltando ao texto de João Seixas, podíamos reescrevê-lo da seguinte forma:

“Desde 2008 que o centro histórico de Lisboa estava finalmente a recuperar da absurda doença a que havia sido sujeito durante décadas. Em população e em empresas. Registava-se mesmo uma recuperação do número de crianças e de jovens em idade escolar – confirmando que muitas famílias (das mais variadas classes sociais) se encontravam a ocupar, de novo, o centro urbano. Era uma recuperação lenta mas cada vez mais segura; e onde as expectativas detinham um papel essencial.

Mas instala-se, entretanto, uma mudança de forças que está a tornar a habitação muito mais cara e pressionada, e muito rapidamente. Desde 2013 que a cidade estará de novo a perder população estável e densidade residencial; a uma média de mais de 3500 eleitores/ano. A população escolar, após subir de 2008 a 2012, tem estado a diminuir de novo, sobretudo no pré-escolar e no primeiro ciclo já passaram oito anos.”

Mais uma vez chegamos à conclusão que quem quer encontrar no turismo e no investimento estrangeiro um bode expiatório para os males da cidade apenas tem uma solução à procura de um problema. Seria bom que se começasse a ser mais exigente com quem se propõe, com grande humildade e abnegação, dar-nos “uma ideia de futuro”, especialmente uma “ideia de futuro” que fede a um passado que Lisboa anda a tentar corrigir há décadas.

Leitura complementar: Como conciliar turismo e habitação

 

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29 pensamentos sobre “10 Erros sobre o turismo em Lisboa

  1. JP-A

    Se esse tal jornal fosse um daqueles decentes que se encontram naquele país indecente chamado Alemanha, a direção da publicação falava já com o autor e pedia desculpa aos leitores, sob pena de não daqui a muito tempo estar a afundar. É assim que as coisas funcionam em países de referência, que não é manifestamente o caso.

  2. A taxa que todos os tugas têm de pagar para ir dormir à Capital não é um problema, é antes uma provocação à Nacionalidade, os tais portugueses de primeira e segunda…(bem, se calhar um lisboeta que tenha a casa em obras se calhar também a mesma taxa….).
    Estúpidos são os autarcas do resto do país, principalmente os do Porto e do Algarve não cobrarem a mesma taxa aos alfacinhas.
    Mas melhor ainda; acho que a Câmara de Lisboa devia fazer fronteiras e exigir vistos e quanto àquela velha conversa da “Grande Lisboa” só digo uma coisa. Mate-se sr. presidente!!!!!!!!!!

  3. Vou estar atento aos títulos de 1ª página do PÚBLICO. É que o jornal deve publicar este post dentro de dias, com chamada à 1ª página, como se impõe. Ou, então, desmente estes números todos.
    Fico na expectativa.

  4. André Miguel

    Deve ter sido escrito por mais um labrego que acha que orgulhosamente sós, fechados, atrasados e arcaicos é que é bom. Mas que à primeira oportunidade lá vai ele visitar um destino da moda, daqueles chiquérrimos e que as revistas do coração adoram para ver se aparece numa reportagem sobre o “spot” do momento, o rooftop mais porreiro ou o raio que parta esta pseudo-elite lisboeta saloia e retrograda que infesta tudo o que é espaço de opinião.

  5. O politicamente correcto de esquerda nasce das mais variadas fontes: desde as ganzas às simples azias, tudo são oportunidades criativas!
    Nos casos de conteúdo suportado em ‘trabalho científico de fundo’, trata-se normalmente de pura desinformação,

  6. Euro2cent

    > A mistura de culturas

    A maioria dos turistas pagantes até toma banho, pelo que não têm cultura transmissível em quantidades significativas. A não ser que tragam iogurtes.

    Foram isso, as ETAR resolvem as restantes emissões de cultura.

  7. lucklucky

    Ser Turisfóbico (não é assim que o Publico faz?) é parte do ódio Marxista ao sucesso dos outros.

  8. A afirmação que citou refere (cito-o, salvo nas maiúsculas) que “Desde 2008 que o CENTRO HISTÓRICO de Lisboa estava finalmente a recuperar […] registava-se mesmo uma recuperação do número de crianças e de jovens em idade escolar – confirmando que muitas famílias (das mais variadas classes sociais) se encontravam a ocupar, de novo, o CENTRO URBANO”. Porém, os números que utiliza para refutar esta afirmação reportam-se à TOTALIDADE da cidade de Lisboa (tabelas 1 a 7) da qual o centro histórico constitui, em termos demográficos, uma pequeníssima parte. Tenho noção que sabe isto, pois na parte final, tentou escrever algo sobre aquilo que o outro cidadão efectivamente afirmou – é a parte do “post” em que não se percebe nada do seu raciocínio, nem sequer o que entende ser o “centro histórico” (mas enfim, para quem nem sequer percebeu que o aumento brusco de população de Lisboa em 2008 resultou da “anexação” da Expo Norte que pertencia a Loures…). No entanto, pelos comentários acima, presumo que atingiu o seu objectivo, obter “likes” entusiásticos de pessoas para quem o seu “post” e o artigo a que “responde” são manifestamente demasiado extensos para ler.

  9. Luís Lavoura

    Lendo este post com cuidado, concluímos que a cidade de Lisboa tem estado continuamente a perder habitantes.
    Mas isso ainda deveria ser maior razão para preocupação com o turismo. Pois isso quer dizer que o turismo é um fator que reforça uma tendência já anteriormente exisente de perda de população.
    Ou seja, a tese central de João Seixas fica confirmada: o turismo é preocupante, na medida em que ele vem reforçar ainda mais a tendência para que Lisboa se desertifique de habitantes permanentes.

  10. JPT, quem é que “nem sequer percebeu que o aumento brusco de população de Lisboa em 2008 resultou da “anexação” da Expo Norte que pertencia a Loures”?
    O autor do artigo do PÚBLICO ou o autor do post?
    Uma coisa percebe-se: o JPT está com dor de barriga.

  11. JPT:

    O autor é que fala em “centro histórico”, “centro urbano” e “cidade” sem explicar o que quer dizer com cada um deles. Se o JPT souber, por favor informe-me. Eu limitei-me a olhar para dados disponíveis (que o autor também usa) sobre o centro histórico e sobre a cidade. O centro urbano não sei o que quer dizer e talvez seja esse o objectivo. Tanto pode querer dizer o centro da cidade como a cidade em si. Mas limitei-me seguir a dança semântica do autor. Se não a aprecia, não é a mim que tem de se queixar.

    A anexação da Expo que pertencia a Loures deu-se em 2012 e está bem indicada, na referência ao aumento de área da cidade de Lisboa.

    Em 2008 o aumento da população medido pelo número de eleitores, como também está bem indicado no texto, deu-se em 51 das 53 freguesias de Lisboa. Não foi na Expo. A população de Lisboa, como também é fácil de ver no texto (vá ao INE se preferir), não aumenta em ano nenhum pelo menos desde 1991. Se calhar é o JPT que precisa de ler o que escrevi com mais cuidado.

    Se quiser conhecer melhor as zonas da cidade e as freguesias que as compõem pode começar por aqui: http://www.cm-lisboa.pt/zonas. De nada.

  12. Inez Ponce Dentinho

    Como se escreveu na 1ª geração de Arquitectos Paisagistas, «O turismo é a prostituição do espaço». Os discípulos de Caldeira Cabral, Edgar Fontes, António Barreto, Gonçalo Ribeiro Telles e Alvaro Ponce Dentinho sabiam que as salas de visitas não podem ser a casa toda.

  13. Luis Sena

    É fácil colocar em questao a seriedade de outros com deturpações, como muito bem expôs JPT. Portanto, mais um post de manipulação politica de dados para delicia dos cãezinhos de Pavlov . Nada de novo, infelizmente. No jogo da política baixa vale tudo. Siga a Marinha

  14. João Sá

    Só quem vive no centro histórico sabe p bem que os turistas trouxeram, ruas com vida, mais segurança a noite pois tens mais gente na rua e o risco de assaltos menor, se os turistas fazem barulho queixem-se a polícia que eles mandam parar. Ninguém refere os inúmeros postos de trabalho que foram criados com hotéis e lojas que surgiram, os mais de 300 funcionários que trabalham no mercado da ribeira que se sustenta de turistas. É sempre tudo mau pra os portugueses de facto ditos de segunda os que não dormem nos hotéis nem visitam a cidade, porque os de primeira vão aproveitar esta “nova” Lisboa que tanto têm pra dar. Vão aos museus e ver a baixa que isso passa

  15. Relativamente à baixa de densidade populacional lisboeta com a alteração aos limites do concelho ocorrida em 2012, convém dizer que a diminuição foi mais acentuada devido a uma mudança de critérios da Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP). Lisboa aumentou o seu território, ao anexar a parte do Parque das Nações que antes pertencia a Loures, no entanto, o aumento de 85 km2 para 100 km2 não resulta da transferência de 15 km2 de território de Loures para Lisboa. A transferência territorial foi muito menor. A maior parte do “aumento” de Lisboa deveu-se a, na nova CAOP, o território das freguesias ribeirinhas ser considerado até ao talvegue (canal mais profundo) do Tejo, enquanto antes apenas se considerava até ao limite do nível médio das águas do rio. Quer isso dizer que todas as freguesias ribeirinhas de Lisboa (e, consequentemente, o concelho no seu todo) “aumentaram” de área sem ganharam população com isso, pois, como se compreende, as áreas submersas são algo inóspitas para a fixação populacional…

  16. Quanto aos erros do meu comentário, reconheço-os e peço desculpa pelos mesmos. Era, no entanto, um comentário, feito em cima do joelho, não era um post. Não analisei o artigo do Público. Analisei o post e a deliberada mistificação a que este procedia, sob a deliberada aparência de uma análise objectiva. Cada um tem a sua experiência empírica. A minha é a de trabalhar no centro histórico de Lisboa desde 2006 e de ter habitado, de 2006 a 2012, no centro histórico de Lisboa. Posso dizer o que “experimentei”, posso dizer o que “acho” (acho péssimo, acho que não se está a recuperar nada, mas a demolir de forma encapotada e a promover uma “monocultura do menir” – vd. Obelix & C.ª – e a criar mais uma óbvia bolha especulativa, que, tirando mamar do Estado, parece ser a única maneira em Portugal de se fazer dinheiro), mas só posso (ou devo) criticar alguém que se deu ao trabalho de analisar números se tiver outros números, sobre a mesma realidade, que os contrariem. Não foi o caso do post.

  17. Fernando Pessoa, eu fiz referência a esse aumento de área de acordo com a CAOP e ao seu impacto nos cálculos da densidade populacional no post mas também tinha reparado na divergência entre a área transferida de Loures (cerca de 5 km2, se não me engano) e o aumento total de área. Obrigado pelo esclarecimento.

  18. JPT, portanto enganou-se e fez comentários em cima do joelho mas o meu post continua a ser uma “deliberada mistificação” apenas porque tem uma opinião (como o próprio JPT reconhece) diferente sobre a realidade que os números que usei retratam. Ou seja, a chamada defesa “estudos há para todos os gostos por isso vou borrifar-me neles”. O facto do próprio JPT não ter lido o artigo do Público como acusa as “pessoas que fazem likes no meu post” de fazerem também não o incomoda. Ainda bem que esclarecemos isto.

  19. Não escrevi que não li o artigo do Público. Por acaso, li-o. Li-o e segui em frente. Escrevi, sim, que “não analisei o artigo do Público”. Analisei, isso sim, o “post” e o uso deliberado de tabelas e de estatísticas que não tinham nada a ver com as conclusões que pretendiam suportar (extraídas de um cidade de 550 mil habitantes para concluir sobre um centro urbano que representa uns 15% desse valor). Mas deixe lá, já percebi que isto não é um caso de defeito, mas de feitio.

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