Como sempre, será uma grande surpresa que ninguém tinha previsto

Havia uma altura em que eu mantinha um acervo de avisos à navegação que iam sendo feitos a este governo e a esta governação. Desde bancos, agências de rating, UTAO, CFP, Comissão Europeia, Banco Central Europeu, etc. Até que desisti, dada a quantidade infindável de notícias que vão surgindo. Recentemente saiu mais uma. Até à próxima, que não deve tardar.

DBRS: ÚLTIMA CHAMADA (Paulo Gorjão)

É a terceira vez, no espaço de pouco mais de um mês, que a DBRS — a única agência de notação que atribui a Portugal a categoria de investimento não especulativo, o que segundo alguns observadores permite ao BCE englobar Portugal no seu programa de quantitative easing — se pronuncia sobre Portugal.

A primeira foi a 6 de Julho. Adriana Alvarado, a analista responsável por acompanhar Portugal, destacou que a DBRS centraria a sua atenção na forma como “o Governo [iria] responde[r] à Comissão, se lhe fo[sse] exigida a apresentação de medidas adicionais”. Enfim, como sabemos, António Costa e Mário Centeno continuam a resistir, ainda que a Comissão o tenha exigido explicitamente.

A segunda vez que se pronunciou foi a 27 de Julho. Adriana Alvarado, uma vez mais, veio avisar que se houvesse desvios na execução orçamental, o Governo deveria “reagir rapidamente”. Segundo os dados oficiais da Direcção-Geral do Orçamento tudo está sob controlo, mas a verdade é que quase ninguém acredita nisso, interna e externamente.

Sensivelmente a dois meses da próxima avaliação do rating de Portugal pela DBRS, agendado para 21 de Outubro, a agência de notação pronunciou-se pela terceira vez. Esqueçam a Adriana Alvarado. Num claro upgrade, desta vez é o próprio responsável pela análise de ratings soberanos da DBRS, Fergus McCormick, quem se pronuncia publicamente sobre Portugal. Uma simples entrevista, aliás, foi o suficiente para de imediato subirem os juros de Portugal. Calculem como seria catastrófica a perda da categoria de investimento não especulativo. Adiante. O que disse McCormick?

O responsável da DBRS alertou para o facto de o baixo crescimento económico estar a dificultar o problema relacionado com os elevados níveis de dívida pública e privada, o que por sua vez está a reforçar a pressão sobre o rating de Portugal. Acresce que McCormick não se esqueceu igualmente de frisar a resistência de António Costa em cortar na despesa, tal como exigido por Bruxelas.

Enfim, como não concordar inteiramente com Pedro Passos Coelho quando destacou no Pontal o óbvio ululante: “esta solução de Governo está esgotada, e não tem nada para oferecer do ponto de vista económico, a não ser estagnação e conflito com os credores”. Repito, estagnação e conflito com os credores. É isso que o futuro nos reserva.

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