ALA, ALA! Arriba!

BrasaoRE3Tenho andado aqui calado com a cagada dos incêndios porque não percebo nada do assunto nem tenho opinião que valha a pena. Mas há merdas que, chegados a este ponto de imbecilidade, já me tiram do sério.
Anda por aí muito ignorante indignado por causa da (não) participação dos militares no combate aos incêndios. Meus queridos, vocês ou são ignorantes, ou não sabem do que falam, ou são umas bestas.
No meu tempo no Regimento de Engenharia 3 enquanto Oficial de Dia, recebi várias vezes de madrugada equipas de militares desfeitos, negros de cinza, esfomeados, sedentos e com fardas queimadas por andarem 36, 48, 72 horas a abrir corta fogos no meio de incêndios com máquinas de engenharia sem pregar olho. Os Regimentos de Engenharia devem ser das poucas instituições que fazem prevenção de incêndios o ano todo, limpam estradas florestais e abrem corta-fogos, por exemplo. Quando são solicitados pelas Câmaras Municipais respondem sempre com os meios que têm e no âmbito da missão que lhes foi destinada de apoio ao bem-estar das populações, não porque lhes tenha sido atribuída uma missão específica para incêndios, mas porque se preocupam e colaboram a tempo e horas. Quando ainda ninguém pensa em incêndios já eles andam a preveni-los como podem. E para os políticos, tanto nacionais como autárquicos, é muito conveniente, mostram obra quase de borla (só pagam combustíveis, manutenção das viaturas e máquinas, alimentação e dormida aos militares, mais nada) e ganham votos à custa dos militares. O RE3 de Espinho trabalha, sem alarido nem mediatismo, 365 dias por ano em frentes de trabalho por todo o Norte. Perguntem às pessoas de Castanheira de Pêra, Arouca, Vagos, Cabeceiras de Basto, etc. só que como não fazem publicidade, os betos bem pensantes urbanos e os ardinas dos merdia acusam-nos de não fazerem nada e aos Governos de não os utilizarem. E se esses merdia se lembrassem de dar um salto a Espinho e falar com o CMDT do Regimento? Como nos podem informar se eles próprios não se informam? Já tentaram integrar uma equipa da Engenharia Militar neste combate?

Em 1966 na Serra de Sintra morreram 25 soldados de Artilharia (hão-de explicar-me a utilidade da Artilharia no combate aos incêndios), nos anos 90 mais uns quantos de Infantaria na mesma Serra. Com a excepção da Engenharia e do Serviço de Material (logística) os outros só servem para atrapalhar no terreno. Querer que Infantaria ou Cavalaria tenham um papel activo no combate aos incêndios no terreno é condenar pessoas à morte e aumentar o número de vítimas e de problemas. Os que não têm competências na área já fazem transportes de água (camiões cisterna por exemplo) e pessoas, recebem desalojados nos Regimentos, alimentam-nos e tratam-nos. A malta das redes sociais e comentadores na TV deve querer que a Marinha leve duas fragatas até Arouca para ajudar a combater os incêndios. Ou que se mandem fuzileiros ou paraquedistas. Ou melhor, marinheiros.

Bem sei que numa sociedade hiper-mediatizada o que não aparece nos media não existe. E também que poucos percebem o que é a Instituição militar que hoje é quase um anacronismo no seu funcionamento.Os militares são dos poucos que ainda sabem o que é disciplina, honra, discrição e pudor e quaisquer outros fariam uma alarido insuportável se fizessem metade do que eles fazem no apoio a populações necessitadas.
Quanto à Força Aérea não conheço nada mas pelo que vejo os Governos preferiram retirar-lhes meios para os entregarem a operadores privados (e isto devia ser investigado).
Mas enfim, é normal e é dos livros que ao poder político não interesse que os militares sejam bem vistos e acarinhados pela população. São a última reserva das Nações contra a arbitrariedade dos idiotas e ignorantes que episodicamente as governam e por isso são perigosos para a vara de imbecis.

Nota: no meu tempo de militar era a Arma de Engenharia que formava os Sapadores Bombeiros e tanto quanto sei, ainda hoje os mesmos no Porto, Coimbra e Lisboa são comandados por Oficiais de Engenharia. E sei de vários Oficias do Quadro Permanente desta Arma que saíram do Exército e ou foram contratados ou fundaram empresas na área da segurança contra incêndios. São muito bons no que fazem. E recordo que a Engenharia Militar é o curso de engenharia mais antigo em Portugal. Ninguém faz pontes como eles.

4 pensamentos sobre “ALA, ALA! Arriba!

  1. Em relação à falta de respeito e falta de admiração que os governos têm pelos militares, e por tabela os políticos e mais ainda o povo, as mesmas têm fundamento e origem na “categoria” dos que fizeram o 25 de Abril! “Meteram-se” na politica o que nunca devia ter acontecido. Não satisfeitos colaram-se (e ainda hoje fazem o mesmo) às esquerdas radicais e elegeram os comunas como os grandes amigos.
    Ainda hoje o povo não respeita ( e quanto mais esquerdalhalho é esse povo pior!) os cerca de um milhão, que partiu para a África. Esses (e eu incluído) apenas fomos para lá para explorar os pretos e defender os interesses dos grandes senhores, e por isso mesmo não passamos de uns filhos da puta à espera de morrer (mentira, muitos já se foram…) sem qualquer tipo de honra prestada pela puta da nação.
    Nem escapam os que, em serviço da nação andaram pelos Balcãs e Afeganistão….. são apelidados de mercenários…
    Por isso meu caro bem que poderá o Regimento. de Engenharia 3 andar a “explorar” os seus militares. O povo marimba-se…. por alguma razão Sua Excelência o Senhor Presidente da República andará muito mais preocupado em louvar militares da estirpe do senhor Alegre

  2. Caro Joaquim Brito, talvez o povo das tvs e a betaria lisboeta tenha essa opinião, o povo humilde, o que vive no interior e que lida com os militares sabe com quem lida e aprecia-os

  3. Helder Ferreira, curiosamente gostei dos seus termos: o povo das tvs e a betaria lisboeta…. embora não tenha compreendido nepia do que quis dizer… e muito menos sei quem é ou o que é o povo humilde do interior. Aliás acho que isso era uma grande realidade no intigamente. Mais meu caro, tenho acompanhado a Liga dos Combatentes na sua enorme batalha junto de autarcas para a construção de monumentos aos nossos mortos, guerra que estão a ganhar com muita porfia, mas…depois… no dia da inauguração lá está meia dúzia de gatos pingados, pertencentes à Companhia das Brigadas do Reumático da Ibéria….

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