Leitura dominical

Uma falsa ameaça, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

É absurdo atribuir à extrema-direita xenófoba e racista os recentes atentados na Europa. Embora os autores dos atentados alegadamente exibam um passado de militância na extrema-direita xenófoba e racista, e movimentos da extrema-direita xenófoba e racista os reivindiquem, é preciso não confundir estes elementos radicalizados com a extrema-direita xenófoba e racista em geral. Felizmente, a vasta maioria da extrema-direita xenófoba e racista é constituída por gente pacífica que não se revê em acções violentas. Uma ocasião, aliás, até vi um líder da extrema-direita xenófoba e racista condenar estes excessos.

A maior ameaça que o continente hoje enfrenta não advém da extrema-direita xenófoba e racista, mas justamente dos populistas que, aqui e ali, apelam à respectiva discriminação e, quiçá, erradicação. É fundamental que o discurso do ódio não prevaleça sobre a concórdia entre indivíduos de todas as crenças e convicções. Uma civilização tolerante não pode tolerar uma existência subordinada à desconfiança e à mentira. Falemos da mentira.

Há um factor que desmonta imediatamente a “narrativa” (desculpem) que responsabiliza a extrema-direita xenófoba e racista pelas matanças em curso. De acordo com as informações reveladas pelas autoridades, é notório que os protagonistas de esfaqueamentos, degolações, explosões e atropelamentos em série pertencem a um de dois grupos: a) sujeitos com problemas psiquiátricos, leia-se doentes carenciados da atenção que, evidentemente, a medicina não lhes prestou; b) sujeitos com problemas de integração, leia-se vítimas de governos incapazes de responder com políticas de apoio aos anseios dos filhos da extrema-direita xenófoba e racista. Vamos acusar a extrema-direita xenófoba e racista pelas proezas de pobres malucos e marginais que nós, enquanto sociedade, não soubemos tratar e acolher? Não faz sentido.

O que faz sentido? Antes de mais, importa conciliar discursos. Se defendemos que as chacinas não estão relacionadas com a extrema-direita xenófoba e racista, é chato, principalmente para a coerência argumentativa, defender em simultâneo que a extrema-direita xenófoba e racista se limita a reagir a intervenções abusivas dos poderes ocidentais.

Depois, para não publicitar os ideais de organizações autodenominadas de extrema–direita xenófoba e racista – e que, escusado acrescentar, não representam a extrema-direita xenófoba e racista – é necessário proibir a divulgação de notícias de novos atentados. Sempre que um infeliz, convencido de que é membro da extrema-direita xenófoba e racista, aviar meia dúzia de transeuntes a golpes de catana, os media terão de guardar segredo do caso sob pena de pesada multa. Mesmo as testemunhas sobreviventes estarão obrigadas ao silêncio, o que, dado que à cautela o melhor é nem chamar os paramédicos, não será difícil. Por fim, o Estado enviará às famílias dos falecidos uma cartinha a informá-las de que os ditos emigraram sem bilhete de regresso.

Se a coisa correr bem, os assassinos/ doentes/estigmatizados em causa continuarão a dizimar quem lhes surgir pela frente, numa sucessão de incidentes inexplicáveis que, em prol da convivência sadia, serão ignorados sem piedade. Em vez de perder tempo com irrelevâncias, o jornalismo passará exclusivamente a cobrir a engraçada caça aos Pokémons, a pré-época da bola e, mediante reportagens na praia, a curiosa circunstância de o Verão ser uma época quente. É verdade que, pelo meio, haverá centenas ou milhares de inocentes mortos, e um pavor sem remédio. Porém, é um pequeníssimo preço a pagar pelos valores multiculturais, multi-ideológicos e multiusos que nos definem. A extrema-direita xenófoba e racista merece o nosso respeito. E um abraço amigo. (…)

13 pensamentos sobre “Leitura dominical

  1. Experimente substituir extrema direita por direita neoliberal. O texto faz logo sentido. É falso mas faz sentido.
    Misturar coisas que são diferentes é uma característica dos xenófobos racistas.

  2. É evidente que a europa tem um problema de integração com os muçulmanos nascidos ou recém-chegados. No entanto os lideres europeus e os media esforçam-se por desmentir tal facto. A europa está em negação. Mesmo quando uma autoridade religiosa como o reitor da mesquita de Paris afirma publicamente que o islão deve ser reformado e os lideres religiosos escrutinados, a sua voz é abafada pelos media / lideres europeus. Este estado de negação impede uma reacção dos governos. Se estes assumissem que o terrorismo é de motivação religiosa, que os terroristas são recrutados nas comunidades muçulmanas, que grande numero de imãs radicais usam as mesquitas para recrutar e promover a jihad, então teriam que passar à acção. Ao negar a realidade, podem continuar a assobiar para o ar ao mesmo tempo que enganam as populações e as mantém na ignorância. Como a acusação de xenofobia e racismo já não colhe, o próximo passo será impedirem os media de informar de cada vez que acontece um atentado terrorista islâmico.

  3. lucklucky

    Quanto ao resto do texto do Alberto Gonçalves nota-se o problema de alguém que é informado principalmente pelo jornalismo português

    Sobre Trump “O homem desfila a dose bastante de anti-semitismo.”
    Um tipo que tem uma filha judia…

  4. As democracias ocidentais ( governadas por corruptos políticos profissionais) acolhem piedosamente e incentivam a imigração muçulmana cujos valores são exactamente os contrários dos daquelas ,esperando o milagre da integração. Será isto ingenuidade ou haverá agenda escondida , com tantas evidencias do desastre que se avizinha ?

  5. Ó Castanheira, incentivam sim senhor a imigração de muçulmanos porque isso os ajuda a fazer bons negócios. Quando deixar de ajudar, dão-lhes o xarope que deram ao Cadafi…
    Não são parvos, sabem muito bem que essa integração nunca chegará, mas empurram prá frente com a barriga.

  6. Manuel Ribeiro

    O A. Gonçalves tem razão. Os radicais islâmicos e os radicais xenófobos de direita devem continuar a ser perseguidos pelos crimes que cometem e planeiam, mas a ninguém passa pela cabeça que a direita que argumenta a favor da preservação dos valores ocidentais dentro das suas fronteiras (?) e contra a social-democracia seja punida e banida pelas atrocidades do psicopata Brevinik, movido exactamente pelos mesmos ódios, tal como os muçulmanos que acham que a sua religião é bestial não devem ser punidos e banidos pelas atrocidades dos bombistas de París, que também achavam a sua religião bestial.

  7. Renato Souza

    Manuel Ribeiro

    Não se pede aqui que se puna quem quer que seja, desde que pacífico. Ocorre que o supremacismo islâmico não é uma alucinação de meia de muçulmanos. Veja todas as estatísticas de apoio a atentados e à imposição de lei sharia sobre os ocidentais entre imigrantes muçulmanos e seus filhos.. Pode não chegar a ser maioria (ainda) mas chega a trinta a mais de quarenta porcento, dependendo do país. Vá fazer uma pesquisa entre conservadores e liberais, em qualquer pais da Europa Ocidental ou das Américas, a respeito do que se deve fazer com Brevinik. Com certeza, mais de noventa porcento recomendarão algumas décadas de prisão e alguns dirão perna de morte.

    Quanto ao que se classifica como “punição”, chega a ser absurdo. Esquerdistas geralmente consideram qualquer conceito sobre controle de imigração como uma punição. Mas a simples existência de passaportes e vistos é um controle, e se você acredita que governos devem existir, então terá de concordar que governos devem controlar suas fronteiras. Para que haja punição, no seu sentido verdadeiro, deve haver um direito que foi suprimido. Você tem o diveito de ir e vir. Mas excepcionalmente, se você cometer um crime,um tribunal poderá suprimir por um tempo, ou pela vida toda, esse direito, e você será trancado numa prisão. Você tem o direito sobre o seu próprio dinheiro, se o ganhou de forma honesta. Mas se você cometeu uma falta, um tribunal poderá lhe tirar algum dinheiro (multa). Ora, a imigração não é um direito. Eu poderia proclamar o meu direito de viver no Canadá, mas o povo canadense, através de seu governo, poderá discordar disso, e negar-me um visto permanente. Se você acredita que é legítimo existirem governos, você não pode concordar que exista tal coisa como “direito à imiigração”. Só os anarcocapitalistas podem declarar coerentemente que existe tal coisa como direito à imigração, porque eles negam a legitimidade de qualquer forma de governo. Mas num território anacorcapitalista, você não teria o direito de ir aonde você quisesse, porque toda ou quase toda área habitada teria dono, e o dono teria o direito de impedir a entrada de quem quisesse. Mas isso é outro assunto.

    Se governos são, pelo menos em princípio, legítimos, então o controle de imigração é legítimo. Qualquer forma de governo, não precisa ser nem chegar a ser um estado. Vá a uma tribo de índios que se auto-governem, e eles se atribuirão o direito de não permitir sua permanência ali, se assim o desejarem. Logo, nem os índios concordarão com esse tal “direito à imigração”.

    Se não é um direito, é um acordo livre entre as partes. Se for do meu interesse e do interesse do povo do Canadá (representado por seu governo) eu posso viver permanentemente no Canadá, o que me dará mais direitos ali do que os de um mero turista. Eu não posso obrigar o governo do Canadá a aceitar minha permanência ali, da mesma forma que o governo do Canadá não tem o direito de me sequestrar e obrigar-me a viver ali.

    Se é uma questão de interesse de ambas as partes, deve-se perguntar se esse critério tem sido bem atendido.Uma parcela muito grande dos imigrantes muçulmanos (e seus filhos) que vivem na França apoiam atentados terroristas e estão desempregados. Ora, tanto do ponto de vista social como do ponto de vista econômico, isso é contra o interesse da maioria do povo francês.Por Por equívoco ou má fé, os representantes do estado francês agiram no passado contra o interesse de seu próprio, ao admitir no seu território pessoas que ficariam desempregadas permanentemente ou apoiariam o terrorismo. Todo o imigrante que foi admitido no passado, que agora está permanentemente desempregado ou apoia o terrorismo (ou apenas o supremacismo islâmico) foi um erro (na melhor das hipóteses) dos governantes franceses. Um grupo de pessoas que errou gravemente no passado (os governantes franceses) e não admite sequer reconhecer seus erros e procurar evita-los no futuro, é um grupo muito perigoso.

  8. Manuel Ribeiro

    Renato Souza

    1- Quando referiu erros de antigos governantes, fiquei na expectativa de estar a pensar na ocupação pela França, durante mais de um século, de um considerável número de países norte africanos e em alguma atrocidades cometidas durante essa ocupação.

    2- Sobre o ” supremacismo islâmico”, está a referir-se à conversão da mesquita de Argel, durante a mesma ocupação, em catedral?

    3- Não sei se uma considerável percentagem da comunidade islâmica em França pode realmente ser considerada imigrante, uma vez que são descendentes de populações que se deslocaram do norte de África para França durante o período de colonização.

    4- Eu acredito que é legítimo existirem governos que ponderem sobre restrições à imigração nos seus países; mas também acredito que a “liberdade” de patrocinar guerras em países alheios por motivos tudo menos humanitários traz custos que se vão prolongar por muitos e bons anos.

    5- O “erro zero” da história não foi certamente a abertura a imigrantes muçulmanos, nem adianta muito estar a tentar encontrar esse “erro zero”.

    6- Perante a actual constituição das sociedades ocidentais, gostava (muito sinceramente) de perceber qual é o caminho sugerido por sujeitos como o A.G. para a pacificação que seja radicalmente distinto daquele que é agora seguido e que criticam. Essa das restrições à imigração já não adianta muito. Além disso, essas restrições já devem existir (não conheço as leis). Por exemplo, os argelinos do aeroporto de Lisboa estavam proibidos de entrar em França.

    7- O meu comentário anterior era uma brincadeira. A comparação entre os conservadores e liberais-económicos de direita, por um lado, e os muçulmanos, por outro, é tão ridícula como a comparação entre radicais xenófobos de direita e muçulmanos que o cronista demagogo sugere.

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