Sanções? Vêm tarde.

9159818005_54ea602f1b_b 1. Os números do défice para efeitos de sanções não são uma ciência exacta. A margem de manobra é escassa, mas podem subir ou descer umas décimas de acordo com o que as equipas dos governos nacionais e entidades europeias negociarem incluir no valor final.

2. Um outro governo teria provavelmente conseguido colocar o défice de 2015 abaixo dos 3% nessas negociações (lembremo-nos que o défice foi de 2,8% sem ajudas a bancos, o que poderia facilmente ter sido negociado). Mas não era esse o interesse de António Costa, a quem importava empolar o défice de 2015 para que os valores de 2016 não pareçam tão maus. E se um país se decide atirar para a espada das sanções, não é a comissão europeia o irá impedir.

3. Mal ou bem, Portugal está no Euro e, pelas mesmas razões pelas quais provavelmente não deveria ter entrado, também não deve sair agora.

4. Foi a leveza com que as regras do euro foram tratadas antes de 2009 que levaram à crise que quase acabou com o euro nos últimos anos. Sem regras, o euro acabará numa próxima crise que até nem precisa de ser tão severa como a anterior.

5. Regras sem sanções não serão nunca levadas a sério.

6. Se Portugal tivesse sofrido sanções no período de 2004-09, provavelmente teria invertido o caminho e estado melhor preparado para a crise financeira. O ajustamento posterior teria sido menor e teríamos, por isso, evitado algum sofrimento pós-crise. Não teria sido patriótico rejeitar as sanções nessa altura e continua a não sê-lo agora.

7. Portugal ajustou seriamente o défice nos últimos anos, pelo que qualquer sanção que não passe por uma “pena suspensa” seria de uma profunda idiotice das entidades europeias, principalmente para um país que foi em grande parte governado pelas instituições europeias desde a crise.

2 pensamentos sobre “Sanções? Vêm tarde.

  1. António Costa devia assumir-se de que é um falhado e deveria apresentar, de imediato a sua demissão a Sua Excelência o Presidente da República, outro nabo!

  2. O hino nacional “A Portuguesa”, criado em 1890 por Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça, que num arrombo de patriotismo o dirigiram conta a Grã-Bretanha, por causa do mapa cor-de-rosa, no original tinha o verso “contra os bretões, marchar, marchar!”. Para ser adaptado como hino nacional, esse verso passou a ser, porque dava mais jeito, embora não faça grande sentido, “contra os canhões, marchar, marchar!”. Neste momento, talvez não fosse má ideia, mudar o verso para “contra as sanções, marchar, marchar!” Os sábios de serviço que pensem nisso.

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