Querem ver que afinal depende mesmo deste governo Portugal escapar a sanções?

Tarados

The European Commission on Tuesday will give Spain and Portugal three more weeks to take steps to correct their excessive deficits and avoid fiscal sanctions, an official familiar with the EU deliberations told Reuters.

Não me parece que esta notícia seja possível, pois caso contrário estaríamos perante a campanha de mistificação mais hipócrita e perigosa a que um governo português se entregou, das que me lembro, e já são muitas.

Ora, António Costa não é capaz disso. Além de que António Costa é conhecido por ser um político muito arguto. Um génio da táctica e dos golpes. Não ia cometer semelhante blow contra si próprio.

29 pensamentos sobre “Querem ver que afinal depende mesmo deste governo Portugal escapar a sanções?

  1. Fernand Personne

    “António Costa é conhecido por ser um político muito arguto. Um génio da táctica e dos golpes. Não ia cometer semelhante blow contra si próprio.”

    Já que não tem coluna vertebral, o verme vai é fazer um blowjob a si próprio!

  2. JP-A

    Boa piada! 🙂 Olhe bem para as declarações caliméricas que esse tal de PM produz já quase todos os dias e diga-me se o vê empenhado trabalhar afincadamente ou se ele parece completamente passivo à espera de uma desculpa para ser ele o grande obreiro do défice abaixo dos 3% para a seguir ir a eleições. O que eu vejo é um tipo que parece não mexer uma palha, senão para se desculpar do que aí vem, como o querido líder sócrates fez.

  3. É a tenebrosa e iníqua conspiração do capitalismo ultra-neo-liberal contra um país que não abdica de ter a economia a crescer com base em sucessivos endividamentos a esses terríveis detentores do capital, país que ao mesmo tempo diz mal de quem lhe empresta dinheiro. Insistindo porém sempre em que lhe deve ser emprestado dinheiro e sem fiscalização sancionatória.

    Confuso?

    Bem-vindos ao manicómio em que Portugal se tornou!!!

    Gostas dos agiotas ao mesmo tempo que os detestas?
    Queres dinheiro dos alemães e dizes ao Schäuble “Não prestas”?
    Não deixes que digam que és doido varrido!
    Vota Geringonça e arranja um cartão do partido.

  4. JP-A

    Um tipo que tenta captar votos anunciando calamidades em campanha eleitoral, deixando o país e a Europa na expectativa por causa da vacuidade da insinuação, não tem o mínimo para ser sequer candidato a PM. Resume-se num habilidoso.

  5. tina

    As célebres últimas mentiras do Gordo:
    “As instituições europeias que executaram o programa de ajustamento com o Governo português, que passaram o tempo a dizer que o Governo português tinha cumprido todos os problemas, que eram mesmo os alunos exemplares da execução, quando finalmente chegam ao fim do programa e constatam que, afinal, em 2015, esse excecional governo excedeu em 0,2% os limites do défice então agora é que vêm aplicar sanções”

  6. Fernand Personne

    No “(a) final, em 2015, esse excepcional governo – ou seja, o do PS – excedeu em 0,2% os limites do défice, porque decidi gastar um dinheirão no BANIF quando podia ter resolvido isso em 2016, então agora é que vêm aplicar sanções”?

    Claro, estúpido: as regras são para cumprir!

  7. Fernand Personne

    Nem génio, nem arguto, nem habilidoso mas doente mental, completamente louco. Todo o seu comportamento e linguagem corporal o indica. O episódio da “vaca voadora” limpou todas as dúvidas!

  8. André Miguel

    JP-A, não o vê mexer uma palha, nem vamos ver, aquilo tá recheado de ignorância, anda completamente aos bonés. Tal como o antecessor Sócrates, que ainda não percebeu o que fez nem o que aconteceu. Vamos pagar demasiado cara esta tolerância para com a ignorância, a fraqueza, a incompetência e a desfaçatez: condenados, mais uma vez, à indigência e caridade internacional.

  9. Ainda estão a meio do ano e já andam a dizer que cumpriram com os 3% de défice e que vão ser o primeiro governo a consegui-lo. A ver vamos. Uma coisa é certa, o político muito hábil a negociar que ia bater o pé Bruxelas nem se consegue impedir umas sanções.

  10. oscar maximo

    Não batam mais no ceguinho. É evidente que o nª 2 do governo que pôs Portugal de joelhos e braço estendido, nunca devia ser premiado com qualquer papelinho nas urnas. Mas se os portugueses insistem no suicídio, pouco há a fazer, por enquanto.

  11. tina

    Para o Gordo 3% = 2,2%. Já Centeno também falava num “défice compatível” com os padrões europeus, ficando em cerca de 3%. É assim que eles querem convencer o público, que tanto faz 3% como 2,2%. A Comissão lembrou-lhes que há uma pequena diferença. Só com rigor é que as coisas avançam. Com desleixo, caminha-se para trás. Centeno e o Gordo revelam o que são: manhosos desleixados.

  12. Ricciardi

    O défice para 2016 ficará abaixo dos 3%. Não há analista ou instituições que prevejam o contrário.
    .
    Sendo assim, cabe ao actual governo continuar a execução orçamental em curso para atingir o número magico requerido. Medidas adicionais serão tomadas, se necessário, para corrigir desvios. Medidas essas que devem perseguir objectivos económicos e menos metas orçamentais.
    .
    Para melhorar as contas públicas só há uma maneira: melhorar a economia privada. E isso faz-se com medidas orcsmebtais não restritivas, como diminuição do irc, aumento do iva e diminuição do irs para fomentar a poupança e investimento.
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    As contas públicas melhoram por osmose.
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    Rb

  13. tina

    “O défice para 2016 ficará abaixo dos 3%. Não há analista ou instituições que prevejam o contrário.”

    Caem todos na mesma tanga. Não é abaixo de 3% que interessa, foi 2,2% o acordado com Bruxelas. Se foi registado um défice de 3,3% no 1º trimestre, que por um lado inclui atrasos deliberados em pagamentos, e por outro não inclui devolução de salários, quebra de receitas IVA, aumento de despesa devido a 35 horas, etc, etc, será impossível o défice descer para 2,2% sem medidas adicionais..

  14. RICCIARDI :
    (A) “Medidas adicionais serão tomadas, se necessário, para corrigir desvios.
    (B) Medidas essas que devem perseguir objectivos económicos e menos metas orçamentais.”

    Estas duas frases são contrditórias.
    “Corrigir desvios” é “perseguir … metas orçamentais”.
    “Medidas … que devem perseguir objectivos económicos” não têm normalmente um efeito imediato em termos de “metas orçamentais” (mesmo admitindo que o efeito é aquele que se pretende e não o contrario).
    É este tipo de ambiguidade, em linha com a postura do governo actual, que preocupa e suscita a desconfiança de interlocutores e investidores !

  15. Ricciardi

    Não é tanga alga tina. O objectivo é 2,2% mas só é aberto processo por défice excessivo acima de 3%.
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    Fernando s, não é contraditório. Uma coisa é corrigir o objectivo para o défice com medidas pontuais e que não colocam em causa o andamento da economia, outra coisa é perseguir o objectivo tomando medidas que colocam em causa a economia e, provavelmente, abrem a porta a mais medidas para ajustar a coisa numa never ending story.
    .
    Pode argumentar que não se trata de tomar medidas economicas racionalmente, mas que se trata de obedecer a quem nos empresta dinheiro. É um argumento de peso mas onde a racionalidade fica relegada em favor da vontade de terceiros.
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    A perspectiva dum banco ou dum credor é estritamente financeira. Querem ver medidas que lhes garantam que vão receber a massa empreitada, no mattet what. A perspectiva económica é distinta. Não é aquilo que os credores querem que é a melhor opção económica. É apenas a melhor opção financeira.
    .
    Sr vxa puser o seu banco onde tem o seu crédito a decidir como gasta o seu salário, provavelmente o técnico vai obrigar a q vc corte na educação dos seus filhos ou na saúde. No entanto vc sabe que aquele filho específico precisa de educação mais cuidada e aquele outro não pode prescindir de fisioterapia.
    .
    Portanto, a perspectiva do seu banco é abrir uma folga no seu salário qur acomode o serviço a dívida. A perspectiva real da sua ffamíli é formar e cuidar dos seus filhos.
    .
    É claro, a opinião dos credores é importante. Mas não é a bíblia, muito menos a Verdade. Se eles defenderem que vc deve se sujeitar a vender um órgão estão a cuidar dos interesses deles. Não dos seus.
    .
    Portanto é preciso perceber sr as medidas que eles defendem são boas ou más. Se prejudicam ou não.
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    Eu acho que são economicamente más. Não em si mesmas, claro está, mas no tempo.
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    Como diria eclisiastes: há um mês tempo certo para tudo. Este não é claramebte o tempo para cortar salários. Já temos incumprimento que chegue, muito obrigado.
    .
    Rb

  16. A oposição (que é mais do que uma distinção) que o Ricciardi faz entre a finança e a economia (em sentido restrito) representa bem o erro de fundo de uma visão do funcionamento das economias (em sentido lato) modernas que é hoje claramente dominante no governo português.

    A economia (em sentido restrito) não é viável e sustentável se, para além da racionalidade das decisões; não forem igualmente asseguradas condições adequadas para o seu financiamento.
    A perspectiva que o Ricciardi defende, que é grosso modo a do actual governo, tende a subestimar a questão do financiamento pelo que acaba por comprometer qualquer hipótese de viabilidade e sustentabilidade de iniciativas no plano estritamente economico.

    Acresce a tudo isto, que já é muito, a circunstâncias de muitas das ditas “medidas económicas” que vêm sendo tomadas pelo governo actual serem também elas erradas em si e, por isso, não poderem nunca levar, nem sequer a a prazo, a ganhos económicos (em sentido restrito) que tenham impacto favorável ao nivel financeiro, das contas do Estado, do sector bancário, das empresas, das familias.

    Noto ainda de passagem que o governo actual, que o Ricciardi defende, está a fazer o oposto relativamente a duas das medidas orçamentais que o Ricciardi considera como sendo “não restritivas” e recomendadas : a diminuição do IRC e o aumento (ou não diminuição) do IVA.

  17. Ricciardi

    Pois está. Não só na questão do irc mas também na questão do aumento do salário mínimo. São dois erros económicos deste governo. O irc tem de ser baixado, mesmo que isso implique que o défice não seja de 2,2%. O salário mínimo português não deve ser aumentado para o próximo ano porque já está acima dos 60% do salário medio.
    .
    Não defendo governo algum. Nem partidos. Deixei de apoiar o meu depois da decepção com ppc.
    .
    Defendo a racionalidade. Não tem racionalidade tomar medidas que sabemos prejudicar a economia do país. Cortar salários agora é mesmo que passar um certidão de óbito ao nosso sistema financeiro. Os problemas do estado não podem ser resolvidos fazendo mal aos privados. Se os credores não querem saber disso e colocam um país em risco por um incumprimento insignificante, é um problema de sanidade mental. Deles.
    .
    Hoje um tipo da comissão disse isto:

    “Temos de os punir pelos pecados do passado, mas com o olhar na redenção futura”.
    .
    Calvinismo na sua expressão natural. Ainda subsistem dúvidas?
    .
    Punir pelos pecados do passado (governo pafiano) e olhar pela redenção futura (condicionar o actual programa geringoncino).
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    Não se pode fazer um manguito a esta gente. É pessoal com um espírito de vingança acentuado e só serviria para nós prejudicar. Por outro lado não somos a Inglaterra para nós darmos ao luxo de mandar a ‘oropa’ dar uma volta ao bilhar grande.
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    Penso por isso que a estratégia de Costa é a mais acertada quando diz: se a ue confirma que o défice para 2016 vai ficar nos 2,7%, não são precisas mais medidas.
    .
    Rb

  18. tina

    “O objectivo é 2,2% mas só é aberto processo por défice excessivo acima de 3%.”

    Isso quer dizer que um Estado-Membro pode registar um défice de 3% eternamente sem quaisquer consequências? E que a dívida pode também subir e Bruxelas não pode fazer nada? Que em última análise só o BCE pode parar o endividamento de Portugal ao deixar de comprar dívida?

  19. André Miguel

    Tina, os 3% não vêm do nada, se houver crescimento económico um défice de 3% gere-se facilmente, o problema é que Portugal não cresce vai para meia década! E com a reversão da geringonça e o aumento do peso Estatal e economia vai definhar e divida aumentar novamente. É este o alerta da UE! Mas cai em saco roto pois o Costa Segundo anda aos bones, isto é Chinês para ele e demais geringonços.

  20. tina

    André, o que me preocupa é que desta maneira a UE só está a contribuir para enterrar Portugal em dívida cada vez mais.

    Acho que era a nossa vez de escrever um manifesto que fosse publicado a nível internacional a lembrar que a compra de dívida pelo BCE e a indiferença da Comissão Europeia são os grandes responsáveis pela nossa situação desastrosa.

    Temos de ter uma atitude pró-ativa senão eles pensam “se nós não nos preocupamos, porque hão de eles preocupar-se”?

    Os ingleses fizeram muito bem em sair, a UE é um navio a afundar-se, ninguém se rala com nada.

  21. Fernand Personne

    “ninguém se rala com nada”

    A começar pelo PR e pelo PM: o Titanic a afundar e a banda a tocar…
    com esta música

  22. Ricciardi,

    disse que não era tempo para cortar salários porque já há muito incumprimento.

    Gostava de saber quantas pessoas a quem foram cortados salários não conseguiram pagar a casa ao banco por causa desse corte…

    Por acaso já fez uma pesquisa sobre quantos automóveis foram comprados no primeiro trimestre deste ano? Isso mostra bem como os tugas (não, eles nunca serão Portgueses!) pensam: amortizar a dívida ao banco? Nem pensar! O que eu quero é um carro novo. Se for Mercedes, BMW, Audi, tanto melhor. Depois o País está em dificuldades e de quem é a culpa? Da Merkel e do Schäuble, dizem.
    Mas alguma vez um País com a dívida como a nossa pode pagar estes salários?
    Alguma vez?

    Este ano vamos ter défice.
    Para o outro idem.
    Para o outro idem.
    Se souber fazer contas verá que mais tarde ou mais cedo estaremos na situação de 2011: não há dinheiro para pagar aos funcionários públicos.
    Não sei como é um Primeiro-Ministro consegue dormir sabendo que os juros da dívida são o que são, e que o montante da dívida é o que é.

    Não tenho palavras para adjectivar a imbecilidade de Costa: então não é que o homem promete uma reversão dos cortes feitos à FP e aos pensionistas ao mesmo tempo que anuncia um aumento do imposto automóvel para dali a 3 ou 4 meses? Isto é imbecil ao quadrado! Isto só poderia levar ao que levou: a um primeiro trimestre com compra de automóveis como não se via há não sei quantos anos. Só falta dizer que isto é bom para o País… Primeiro deveria ter aumentado o imposto, e só mais tarde começar a reposição dos salários, e só na medida em que o crescimento da economia o permitisse.

    Portugal não pode pagar salários em montantes desfasados do que a economia produz. Eu não quero, para mim e para os meus filhos, se os vier a ter, uma dívida brutal. Eu não quero um Primeiro-Ministro cuja primeira preocupação é que os nossos credores recebam cada vez mais todos os dias.

  23. Lembro ao Ricciardi que que atingiu a Bancarrota não foi o sector privado, mas sim o Estado. E, por isso, o corte nos salários dos funcionários públicos que este governo se apressou a devolver, embora só estivessem prejudicados os trabalhadores com salários acima de 1.500 euros.
    Como sabe, os salários do sector privado não podem ser “cortados” pelo governo, a não ser por via do aumento de impostos.

  24. Tiro ao alvo,

    queria deixar expressa a minha opinião sobre os cortes aos privados.

    Na minha opinião a Assembleia da República também pode fazer tais cortes, e certamente fa-los-á se caminharmos para o precipício.

    Não vejo como inconstitucional uma norma que venha a dizer (e repito: se não atacarmos o problema a tempo, um dia é por aqui que teremos de ir, para evitar males maiores):

    “As entidades patronais podem, unilateralmente, decidir baixar a remuneração paga aos seus trabalhadores em x%, no escalão de remuneração que vai de y a z.”

    (Eu sei que haverá por aí muita gente a dizer que isto é inconstitucional. E quando cada argumento por eles utilizado for desmontado, peça, por peça, socorrem-se da “tutela da confiança”, coisa hoje erigida a valor absoluto, numa ridicularia jurídica que desprestigia os Juristas e a Ciência do Direito. Claro que sempre teria de ser valorado, em sede constitucional, e à luz das expectativas DIGNAS de tutela constitucional – porque não é qualquer expectativa que tem dignidade constitucional para ser protegida – o valor do corte permitido por lei.)

    Ficaria ao critério da entidade patronal reduzir ou não reduzir a remuneração, tendo em conta o possível abandono dos seus trabalhadores para outras paragens… Caberia a cada entidade patronal decidir qual a melhor opção em vista da sobrevivência da sua empresa: a falta de cortes poderia ditar a impossibilidade de sobreviver; cortes a mais poderiam ditar a fuga dos trabalhadores. Algumas empresas não precisariam de fazer cortes nenhuns. Outras certamente só sobreviveriam fazendo-os.

    A razão por que sempre, mas sempre, defendi um certo empobrecimento é esta e só esta:

    para evitar males maiores! (Obviamente: o desemprego maciço de milhares e milhares de portugueses. Coisa que para a CGTP parece ser um mal menor; para eles o mal maior não é o desemprego – são os cortes, imagine-se!)

    Infelizmente o pensamento dominante é o de que qualquer corte no rendimento das pessoas é uma tragédia. Não vêem que isto é necessário se não quisermos cair numa miséria (o referido desemprego) de onde então será muito mais difícil sair.

    É a mesma mentalidade de quem acha que a subida do ordenado mínimo nacional foi uma coisa boa. Aqui em Lisboa, que é onde vivo há 20 anos, e que é a cidade do funcionalismo público (não é uma crítica: acontece isto em todas as capitais), esse aumento do ordenado mínimo nacional não teve nenhum reflexo no poder de compra das pessoas: a reversão dos cortes aos funcionários públicos já fez aumentar os preços de tudo, por pressão de uma procura mais endinheirada sobre a oferta.

    Estamos mais endinheirados, mas com o mesmo poder de compra, em média (no entanto, numa análise mais fina, os mais pobres têm agora, curiosamente, menos poder de compra; por outro lado, aqueles que tinham tido cortes mais elevados, em termos absolutos, têm agora mais poder de compra); e com maior dívida.

    Em suma: voltou-se ao status quo ante: mais desigualdade social, e mais dívída pública.

    Agradeçam aos génios da Geringonça, em particular António Costa e Centeno, dois casos de estudo de absoluta ignorância económica.

  25. Caro Gabriel, não tenho uma posição firme sobre a questão que levanta, ou seja, sobre a possibilidade de a AR decretar, no futuro, que ““as entidades patronais podem, unilateralmente, decidir baixar a remuneração paga aos seus trabalhadores em x%, no escalão de remuneração que vai de y a z.” Assusta-me aquela coisa do “unilateralmente”. Se fosse com o acordo da Comissão de Trabalhadores (se um órgão deste género tivesse sido constituído de forma correcta), ainda vá que não vá, agora “unilateralmente”, acho de mais. E a acontecer, deveria ser temporariamente e nunca por um período longo.
    Por outro lado, uma norma destas levantaria, também, problemas de concorrência desleal.
    Prometo, todavia, pensar no assunto e, se surgir uma oportunidade, dar-lhe conta da minha posição final.

  26. RICCIARDI : “Penso por isso que a estratégia de Costa é a mais acertada quando diz: se a ue confirma que o défice para 2016 vai ficar nos 2,7%, não são precisas mais medidas.”

    Portanto, mesmo admitindo que não é um apoiante incondicional, nomeadamente por discordar de algumas das medidas (abandono da descida progressiva do IRC, diminuição do IVA da restauração, aumento adicional do salário minimo, etc), o Ricciardi está de acordo com um aspecto central da politica do governo actual e que é o de aumentar os gastos do Estado e diminuir certas receitas, o que é o contrario do que vinha fazendo o governo anterior dando prioridade ao prosseguimento da consolidação das contas publicas.
    O nosso pais não está ainda em condições de deixar de ter esta prioridade porque as nossas contas publicas continuam a estar muito desequilibradas pelo que precisamos de continuar a reduzir o déficit orçamental, incluindo o estrutural, e a estabilizar e aliviar a nossa divida publica.
    Esta é em si uma necessidade objectiva e do interêsse nacional.
    Mas é ainda uma condição para dar confiança aos nossos credores e aos investidores em geral. Só assim poderemos continuar a ter financiamento com taxas de juro mais baixas (convém lembrar que, apesar de terem descido muito graças aos resultados internos obtidos até 2015 e à politica monetáriamente expansionista do BCE, as nossas taxas de juro ainda são mais elevadas do que as da generalidade dos outros paises europeus).
    Com o governo anterior e com o prosseguimento da politica que vinha sendo seguida tudo apontava para que o déficit orçamental nominal e estrutural continuasse a descer e mais em linha com as metas fixadas ao nivel da UE.
    Em vez disso, o governo actual, depois de ter inicialmente anunciado um objectivo de déficit nominal para 2016 de 2,2%, menos ambicioso do que tinha sido programado pelo governo anterior e mesmo assim irrealista tendo em conta as medidas orçamentais previstas e o abrandamento do crescimento economico, agora até já aceita um aumento do déficit nominal para 2,7%.
    Mas, pior ainda, mesmo este objectivo, revisto e ainda menos ambicioso, continua a ser irrealizável sem mais medidas orçamentais austeritárias, cortes de despesas e aumento de receitas.
    A “estratégia” seguida pelo governo de António Costa está portanto errada e condenada ao fracasso.
    Guardadas as devidas proporções e diferenças, o que se passou e passa na Grécia, com um Syriza que anunciava o fim da austeridade e mais crescimento e que acabou a aplicar uma austeridade ainda mais forte do que a anterior e com uma economia de novo em recessão, tudo indica que também em Portugal se está a cometer o mesmo erro e se vai ter o mesmo tipo de consequências.

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