Um pequeno pormenor a ter em atenção para o futuro

Quando anunciou que iria fazer campanha pela saída do Reino unido da União Europeia, Boris Johnson declarou que votar nesse sentido seria “a única forma” do Reino Unido ser “ouvido” nas suas pretensões de reforma da UE, e conseguir “um acordo melhor” para o país na sua relação com os outros estados-membros. Ou seja, se Johnson vier a substituir o demissionário David Cameron como líder do Partido Conservador e Primeiro-Ministro, é possível que em vez de uma saída imediata, ele se proponha renegociar os termos da pertença britânica na UE (usando o resultado do referendo como arma negocial), ou negociar os termos da saída e sujeitá-los a outro referendo.

25 pensamentos sobre “Um pequeno pormenor a ter em atenção para o futuro

  1. rui a.

    Isso seria excelente, se não houvesse 27 países do outro lado. A questão é que, numa negociação, nunca se deve esticar a corda para além do seu graus de resistência: pode rebentar e ficar-se com ela na mão. Não me parece que a Alemanha, a França e os países nórdicos tenham muito para negociar com o Sr. Johnson. Ou, sequer. que este venha a ser um plenipotenciário do Brexit.

  2. Concordo, Rui. Só estou a notar que as intenções do homem podem não ser bem as que parecem, e muita tinta ainda pode correr SE ele for PM (e se tivesse que apostar hoje, diria que não será)

  3. rui a.

    Por acaso, Bruno, até me parece que ele vai ser descartado antes de manifestar qualquer apetência seja pelo que for. O Cameron vai embora, mas a sua ala no Partido Conservador não perdoará ao Johnson este resultado. Se a Irlanda do Norte e a Escócia persistirem em abandonar o Reino Unido acredito que o Partido Conservador corre o risco de desaparecer do mapa.

  4. A Alemanha é um país ocupado. Não tem forças armadas nem tem autorização para as criar (o Hitler também não tinha). O UK tem as maiores forças-armadas da UE.

    Faz sentido ser a Alemanha a mandar, caro Watson?

    Não tarda assistiremos de novo a uma invasão do continente europeu pelas manas Commonwealth (EUA incluídos, claro está!), de braço dado, como em Dunquerque…

  5. Filipe

    Agora finalmente alguém diz algo válido, isto não foi o Brexit, isto foi muito mais fundo, lendo bem a perunta era:

    “Pretende desintegrar o Reino Unido”, Sim ou não?

    Como vou brevemente à Republica da Irlanda, vou tentar passar na Irlada do Norte, prefiro falar do que ler.

  6. “Por acaso, Bruno, até me parece que ele vai ser descartado antes de manifestar qualquer apetência seja pelo que for. O Cameron vai embora, mas a sua ala no Partido Conservador não perdoará ao Johnson este resultado.” Concordo. “Se a Irlanda do Norte e a Escócia persistirem em abandonar o Reino Unido acredito que o Partido Conservador corre o risco de desaparecer do mapa.” Discordo. O partido Conservador seria o eleitoralmente mais beneficiado com a separação da Inglaterra do resto do RU

  7. A Irlanda do Norte não abandonará o RU. Ponho as minhas mãos no fogo. Mais depressa se desintegra com as regiões de maioria católica (que por acaso votaram maciçamente Remain) a serem integradas na Irlanda. Estalaria a violência, as comunidades protestantes não aceitariam e aliás votaram Brexit.

    A Escócia também não abandonará tão cedo o RU. Um referendo só será levado a cabo quando as sondagens mostrarem consistentemente um apoio de 60% ou mais. Para isso uma geração terá de desaparecer pela lei da morte, ainda passarão muitos anos e muita coisa mudará.

    Agora o cenário mais provável parece-me um acordo à norueguesa, as pressões económicas e financeiras serão enormes para que esse cenário ocorra. O RU adere ao mercado comum em pleno e aceita a livre circulação. Resta saber se aceitarão com restrições ao acesso ao Estado Social britânico, mas duvido que a Polónia ou a França aceitem restrições deste tipo.

    Contudo não estou a ver Boris e Gove com condições de negociar o que quer que seja, há muitos anticorpos pela Europa fora contra eles. Theresa May terá melhores condições, mas para chegar ao poder será difícil, haverá uma guerra interna dentro do Partido e terá de limpar aquilo da ala eurocéptica se quiser estabilidade.

    Já o Labour terá também uma interessante guerra interna com a malta da ala Blair a pressionar a queda do Corbyn. Já perceberam que assim não vão chegar ao poder, se em algumas coisas não virarem um pouco à Direita.

    Pelo caminho haverá provavelmente uma recessão, mais austeridades, desilusão de quem votou Leave, ainda vai correr muita água por debaixo da ponte. O Labour se tivesse um bom líder teria aqui uma oportunidade para chegar ao poder mas não será com Corbyn que conseguirá.

    Entretanto na Europa Continental Junker e companhia fazem ameaças mas em breve moderarão o discurso. Meia Europa quer um bom acordo com o Reino Unido. A Portugal, por exemplo, interessa manter tudo como está em termos de mercado único e de livre circulação de pessoas.

  8. lucklucky

    Quanto ao texto do post o que o Johnson pensa ou não é irrelevante.

    Há uma pergunta específica feita num referendo legal e foi dada uma resposta.

  9. Acrescento que para aí 25% dos que votaram Brexit provavelmente votariam Remain com um novo acordo desde que houvesse novas condições, como a garantia firme que a Turquia não iria aderir, restrições ao acesso dos imigrantes ao Estado Social, fim da política de refugiados de Merkel, menos poder de Bruxelas em algumas áreas (os ingleses querem acordos com outros países e dizem que a França, por exemplo, é proteccionista e bloqueia).

    Penso que um novo acordo será mais fácil de alcançar com Rajoy no poder em Espanha, a Direita democrática em França, Merkel na Alemanha ou a Nova Democracia na Grécia. É uma hipótese que não pode ser descartada e também é notório que Cameron e Boris querem atrasar o processo de saída.

    Um novo referendo poderá até não ser necessário se a maioria dos MPs votarem a favor.

  10. «O partido Conservador seria o eleitoralmente mais beneficiado com a separação da Inglaterra do resto do RU»

    Concordo. O Labour perdeu a Escócia para o SNS, perdeu algumas áreas para o UKIP e até para o Partido Conservador. Sem a Escócia o Labour dificilmente voltará ao poder.

  11. O Sadik Khan poderia ser um bom candidato a PM se não fosse muçulmano. A Inglaterra fora de Londres nunca o irá eleger. As coisas são como são. O Labour está sem liderança e sem nenhuma cara carismática para assumir o poder. Tinha agora uma oportunidade única de chegar ao poder aproveitando a guerra dos Tories.

    O resultado final também dependerá de quem tomar a liderança do Part. Conservador.

    A May por exemplo aumentará muito as probabilidade de um acordo com acesso ao mercado único e mantendo a livre circulação. Pouco ou nada mudaria na prática.

    Com o Boris ou o Gove tudo é mais incerto.

  12. lucklucky

    Duas citações:

    “The day before the vote I was chatting with a group of congenial LEAVE campaigners in Dover, and they were evenly split between Labour and Tory supporters. And as we nattered, the nastiest things I heard said about Corbyn were from the self-described Labourites… and the cattiest remarks about Cameron came from the self-described Tories… and both groups laughed as they listened to the others trashing the leaders of their own parties, as if it was a competition who could heap more expletives on their own nominal leaders. I must confess I have never seen the like in all my years.”

    http://www.samizdata.net/

    David Cowling, the BBC’s head of political research, in an internal memo:

    “It seems to me that the London bubble has to burst if there is to be any prospect of addressing the issues that have brought us to our current situation. There are many millions of people in the UK who do not enthuse about diversity and do not embrace metropolitan values yet do not consider themselves lesser human beings for all that. Until their values and opinions are acknowledged and respected, rather than ignored and despised, our present discord will persist. Because these discontents run very wide and very deep and the metropolitan political class, confronted by them, seems completely bewildered and at a loss about how to respond (“who are these ghastly people and where do they come from?” doesn’t really hack it). The 2016 EU referendum has witnessed the cashing in of some very bitter bankable grudges but I believe that, throughout this 2016 campaign, Europe has been the shadow not the substance.”

    http://order-order.com/

  13. lucklucky

    Certo mas se não se quer politicos pendurados nos postes não há escapatória.

    “O Sadik Khan poderia ser um bom candidato a PM se não fosse muçulmano”

    Bom? só se for pela censura dos jornais ou Tv tugas ou do The Guardian.
    O Sadiq ou é um extremista Muçulmano escondido ou um tipo especialmente desonesto. Chama “uncle toms” aos muçulmanos moderados, alia-se aos adeptos da Sharia quando lhe convém.

  14. «Bom? só se for pela censura dos jornais ou Tv tugas ou do The Guardian.
    O Sadiq ou é um extremista Muçulmano escondido ou um tipo especialmente desonesto. Chama “uncle toms” aos muçulmanos moderados, alia-se aos adeptos da Sharia quando lhe convém.»

    Não tinha essa noção mas acredito em si.

  15. «Quanto ao texto do post o que o Johnson pensa ou não é irrelevante.

    Há uma pergunta específica feita num referendo legal e foi dada uma resposta.»

    Foi perguntado se queriam fazer parte desta UE.

    E votaram contra.

    A questão agora está nas condições da renegociação. Há uma caixa de Pandora que se abriu. A Europa de Leste não quer abdicar da livre circulação, estão 800 e tal mil polacos lá a mandar remessas. O Sul não vai querer visas pois prejudica o turismo, os expats e os emigrantes do Sul no Reino Unido. A ala conservadora dos Tories e o UKIP por sua vez querem fechar mesmo as fronteiras à imigração.

    Os ingleses precisam do mercado único especialmente para a indústria dos serviços. A França que é proteccionista pode ver nisto uma oportunidade para proteger algumas empresas suas ameaçadas pela concorrência inglesa e arrastar as negociações.

    Portanto os cenários são estes.

    1) Fazem um acordo idêntico ao norueguês, cenário que me parece o mais provável.

    2) Levam com uma recessão, o Governo cai, mudam as lideranças nos Tories e no Labour e o eleitorado vira, levando a um novo referendo e não saem. Cenário pouco provável mais possível.

    3) Saem na totalidade, perdem o acesso ao mercado único e acaba a livre circulação. Cenário pouco provável mas também possível. Dublin pode tornar-se assim um grande centro económico e financeiro no médio e longo prazo.

  16. “1) Fazem um acordo idêntico ao norueguês, cenário que me parece o mais provável.”,
    altamente improvável, para além de Schäuble já ter dito que não é possível ficarem só com a carne e deixarem o osso, também a PM norueguesa Erna Solberg já veio dizer que o acordo que a Noruega tem com a UE implica fazer muitas concessões.

    2) “Levam com uma recessão, o Governo cai, mudam as lideranças nos Tories e no Labour e o eleitorado vira, levando a um novo referendo e não saem. Cenário pouco provável mais possível.”,
    Este sim, é um cenário muito provável. É que para sair da EU o parlamento europeu tem que ratificar a decisão por maioria qualificada, bem como pelos outros 27 parlamentos. Isto significa que se houver algum estado(s) descontente(s) com as negociações de saída do RU, a coisa fica bloqueada e as negociações podem-se arrastar durante algum tempo até que toda a gente fique satisfeita (28 estados membros todos de acordo?, parece-me difícil). Depois disso o RU tem que negociar com mais 53 países com os quais a UE tem acordos. E com esta trapalhada toda as cores políticas no RU podem dar uma cambalhota.

    3) “Saem na totalidade, perdem o acesso ao mercado único e acaba a livre circulação. Cenário pouco provável mas também possível. Dublin pode tornar-se assim um grande centro económico e financeiro no médio e longo prazo.”,
    O centro financeiro desloca-se para Frankfurt, mas a Irlanda substituir-se ao RU, não me parece!

  17. Essas pressões do Juncker e companhia para accionarem já o artigo 50 são tretas. O referendo por si não é vinculativo. Quem decide a palavra final é o Parlamento Inglês. Não é por acaso que Cameron adiou tudo para Outubro. E em 3 meses muita coisa vai ainda acontecer. A malta do UKIP já está nervosa porque o artigo 50 não vai ser activado até Outubro…

  18. André Miguel

    Hustler, Dublin pode substituir Londres no médio / longo prazo e superar Frankfurt. Olhe para a valorização bolsista das tecnológicas e veja em que país elas apostam para o centro das suas operações europeias. Não será já amanhã, mas pode bem vir a ser uma realidade.

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