O Brexit e os jovens

Em Abril escrevi no ‘i’ que o referendo no Reino Unido revelava uma divisão geracional. Chamei ao artigo ‘egoísmo geracional’. Infelizmente, os jovens já não são suficientes para fazer a história.

Egoísmo geracional

As sondagens sobre o Brexit estão a causar surpresa, não tanto pelo resultado final em si, mas pelo que revelam. E o que mostram é que, se a maioria dos jovens entre os 18 e os 29 anos é favorável à continuação na União Europeia (UE), a maioria dos cidadãos com mais de 60 anos votará pela saída.

O Reino Unido (RU) anda a discutir o porquê desta divisão. E as razões vão desde a natural tendência para os mais velhos desconfiarem do que vem de fora e se tornarem nostálgicos do passado, preferindo um regresso ao país que conheceram outrora, até ao egoísmo dos que já viveram os benefícios da UE e agora nada têm a perder com a saída.
Abi Wilkinson é uma jovem colunista do “Telegraph” e sobre este assunto escreveu que ela e a sua geração já têm demasiadas dificuldades em encontrar trabalho para verem o cenário piorar ainda mais. Estes jovens não querem sofrer as consequências de uma decisão determinada meramente pelos receios vindos dos que já tiveram o proveito mas que, agora que saem do mundo do trabalho, já não querem saber.

Este assunto é muito importante porque revela, além de um egoísmo geracional latente, uma outra realidade: muitos dos mais idosos que querem o RU fora da UE com certeza que estão dispostos a ajudar os seus filhos e netos. Uma discrepância considerável que nos diz que, por muito que vejamos um país como um todo, a solidariedade, a reciprocidade existe mais entre os que são próximos. “There is no such thing as society”, já dizia aquela grande senhora.

4 pensamentos sobre “O Brexit e os jovens

  1. Os mais jovens não têm outro padrão que não seja a integração na UE. Os mais velhos conheceram outra realidade: anterior à integração, pelo que têm um padrão diferente.

    Quanto a egoísmos, não vejo que a geração mais nova não os tenha, nem estou certo que seja o egoísmo que conduz a rejeição dos mais velhos.

  2. Gil

    A fronteira geracional sempre existiu em várias opções políticas e nunca como agora foi bandeira de debate. Neste processo, ela manifestou-se, sobretudo, no medo quanto aos refugiados. Sobre a situação económica da GB e as decisões da UE, há outros indicadores em que, pelo contrário, os jovens são os mas críticos.

  3. Vasco

    Egoísmo??? Mas não têm todos os mesmos direitos? Ou eu quando chegar aos 60 (assim o espero) deixo de contar? Sugere o suicídio assistido???

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