A ilusão da esquerda com o Brexit (2)

O Reino Unido vai mesmo sair. Na sequência do meu último artigo sobre o assunto, e para quem tinha ilusões de que uma crise na União Europeia poderia resultar em mais dinheiro e mais tolerância para as contas públicas dos países do sul, fica a evolução do valor das dívidas públicas depois de anunciado o resultado:

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Países do norte com dívida a valorizar e do sul com dívida a desvalorizar. No fundo dos que mais perdem: Grécia, Chipre e Portugal.
Depois de uma fase inicial, a tolerância para com os países do sul vai diminuir drasticamente. Para a maioria dos países da UE, em especial aqueles com mais laços comerciais com o Reino Unido, a UE é demasiado suave com a Grécia e Portugal. Os países do norte ganharam poder negocial dentro da UE com este resultado. Os eleitorados alemão, dinamarquês, finlandês, sueco, etc querem mais dureza no tratamento e não menos. Será para esses eleitorados que a UE se irá virar, nem que isso signifique perder um país do sul. Convinha estarmos conscientes disso, para não sermos nós o cordeiro do sul a sacrificar.

12 pensamentos sobre “A ilusão da esquerda com o Brexit (2)

  1. antónio

    Hoje é São João no Porto, dia de sacrifício do Cordeiro. Temo que com este governo usurpador de Costa sejamos nós os sacrificados.

  2. tina

    De toda a maneira, não está tão caótico como alguns previam. É bom, a vida continua, cada um para seu lado e o Gordo já não tem desculpa para défices excessivos, etc.

  3. Gil

    “A União Europeia sobrevive bem sem Portugal ou Chipre ou Grécia”.

    Mas não sobrevive sem a Espanha ou a França…

  4. Nem mesmo assim António Costa vai perceber que o melhor que Portugal deveria ter já feito e continuado a fazer, seria liquidar o máximo possível da dívida, mas pelos vistos ainda a está a aumentar….imparável mente.

  5. Aqueles psicopatas da UE são tramados. São mesmo iguais à URSS. Viva o pensamento único! Se não está connosco, estás contra nós. Toca de lixar o Reino Unido. Lá vão os especuladores e os bancos matar mais pessoas.
    Só vão dar mais força ao movimento contra a UE. Rejeitam opiniões contrárias, recusam-se a perceber os erros. Vejam a história! Tantos que tentaram dominar este continente e nunca conseguiram, nem nunca vão conseguir. Não é por haver 70 anos de paz que apagam os últimos 1000 anos de conflitos.
    Hoje é um dia histórico, é o principio do fim dessa cambada de psicopatas da UE

  6. JP-A

    Os holandeses adoram-nos e pelo que sei alguns políticos lá da casa até já fizeram declarações amorosas sobre os países do sul no passado recente, tipo “não estamos para os amamentar”.

  7. “uma crise na União Europeia poderia resultar em mais dinheiro e mais tolerância para as contas públicas dos países do sul”

    Acho que seria conveniente distinguir entre “mais dinheiro” e “mais tolerância” – pelo menos a curto prazo são coisas diferentes: creio que tudo o que lance a confusão na Europa realmente diminui a possibilidade de vir mais dinheiro (pelo menos explicitamente sobre a forma da tal “união orçamental”*), mas em compensação acho que também diminui a possibilidade de haver sanções ou multas contra os países com deficits excessivos – basicamente, acho que o que o Brexit vai fazer vai ser paralisar (tanto para um lado como para outro) os órgãos dirigentes da UE, que vão tentar evitar arranjar ainda mais dores de cabeça.

    *No caso das transferência implicitas via QE do BCE, acho que a curto prazo até ficam mais seguras, já que enquanto a confusão do Brexit não acalmar, o BCE vai tentar não fazer nada que possa provocar ou aprofundar uma recessão

    Ou é a estes “curto prazo” que eu repito várias vezes no comentário que o CGP se refere com o “Depois de uma fase inicial”?

  8. Fernand Personne

    Do Blasfémias:
    por JoaoMiranda

    A saída do Reino Unido da União Europeia levará a:

    a) aparecimento de movimentos separatistas semelhantes noutros países
    b) aumento da concorrência fiscal entre estados europeus (dentro e fora da UE)
    c) incorporação das ideias dos eurocepticos na política oficial dos países do Norte da Europa
    d) redução do orçamento da UE e das ajudas aos estados mais pobres
    e) menor tolerância dos estados ricos para com free riders que não cumprem regras
    f) menor mutualização de risco entre os países
    g) menor confiança dos investidores na dívida dos países periféricos
    h) menor investimento externo em países que não se adaptam ao novo cenário

    Tudo isto joga contra a actual estratégia de Portugal que consiste em esticar a corda e ir vivendo da tolerância e das ajudas europeias negligenciando a competitividade da economia num cenário que será cada vez mais concorrencial.

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