Quando a extrema-esquerda é fascista

Nuit Dedout é um movimento de extrema-esquerda que, desde finais de Março, se instalou todas as noites na Praça da República, em Paris, para protestar. A ideia é que qualquer um possa discursar em liberdade.

Alain Finkielkraut é um filósofo francês que ultimamente tem inspirado uma corrente de opinião, oriunda de intelectuais mais jovens, de direita, não liberais mas que não nutrem especial simpatia pela concepção gaullista do Estado francês

Finkielkraut decidiu, em Abril, ir à Praça de República discursar. O que não lhe foi permitido. Em vez disso, expulsaram-no do local. Mas o mais interessante é quando no segundo 39 deste filme, Finkielkraut se vira para trás e chama fascistas aos extremistas de esquerda que não o deixaram falar.

Depois de dias a ler artigos oriundos da esquerda portuguesa que, durante anos, apelidaram de fascista quem usasse pensar diferentemente, mas quando José Rodrigues dos Santos lhes pagou na mesma moeda, se enredaram em preciosismos para se defenderem, a acusação de Finkielkraut é mais que um grito: é uma lufada de ar fresco numa praça que devia ser de liberdade.

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13 thoughts on “Quando a extrema-esquerda é fascista

  1. Não é a extrema-esquerda que é fascista: é a esquerda toda que é fascista.
    Não existe nenhuma razão para permitir à luz do artigo 46º da constituição a existência de partidos comunistas, mas não se permitir a existência de partidos fascistas. Isto porque a prática de qualquer regime comunista, em qualquer tempo, e em qualquer lugar do mundo, foi e é igual ou pior à de qualquer regime fascista que tenha existido.

  2. Não tive oportunidade de comentar esta questão nos inúmeros post colocados sobre o assunto da origem do fascismo.
    Mas algo que sempre me inquietou foi se a proibição de publicação/venda de mein kampf durante tanto tempo na europa em tantos sitio não se prendia exatamente com esse facto!
    E reparem que a questão do JRS se prende com fascismos e não propriamente com o Nazismo… mas acho incrível que alguém leio o mein kampf e não fique com a perfeita e lucida certeza que as origens do pensamento hitleriano, pese embora possa ter sofrido muitas alterações, estivesse no Comunismo.
    Ler o dito livro, confessadamente chega a ser seca. Então quando entra na parte do ele começar a ver aranhas (judeus) por tudo quanto é maquiavelismo. Chega a ser constrangedor. Mas mesmo assim devia ser lido e relido por muita gente. Porque ele não apareceu do nada e nos dias de hoje assiste-se de certa forma à repetição.

    Voltando á questão. É uma delícia ler a parte do livro em que ele lida com os comunistas. Porque comuna era ele com um ódio visceral à burguesia… até á parte em que percebeu que eles eram “internacional “ e não “nacional” socialistas. Aí é que lhe salta a carica. O problema do Hitler nunca foi com o Comunismo… foi com o internacional. E isso é patente no mein Kampf. Depois as análises que ele faz às incongruências e hipocrisia dos movimentos sindicalistas com quem interagia é de morrer a rir… Não fosse a consciência de onde aquilo tudo acabou.

  3. O “quando” talvez esteja a mais !… É sempre !!
    Em rigor, a extrema-esquerda (incluindo a que se infiltra nos partidos da esquerda moderada) não é “fascista” … é marxista, comunista …
    O que é verdade é que tanto uns como outros são totalitários, partilham muitos valores e métodos, que visam e levam a resultados finais que muito de assemelham.
    Talvez por isso, por serem fidagais e concorrentes na mesma área, se odeiem e se combatam tanto … excepto quando fazem alianças oportunistas pontuais para atacarem os inimigos comuns, todos aqueles que defendem a liberdade e a democracia !

  4. André Miguel

    Mas então o fascismo não é de esquerda?! Começo a ficar confuso.
    Aliás é ler Hannah Arendt que explica tudo muito bem num livrinho que é uma maravilha (mas dos tais que é difícil encontrar em Portugal).E aposto que muitos dos que andam a debitar bitaites sobre o tema nunca leram tal obra.

  5. lucklucky

    Título errado. A Extrema Esquerda é Marxista-Comunista não Marxista-Fascista.

    Fernando S
    Se o Fascismo fosse Totalitário teria morto o Rei e acabado com a Monarquia.
    Podemos agora discutir se tal iria acontecer a prazo. No entanto em 20 anos de Fascismo tal não aconteceu.

    Quer o Comunismo e o Nazismo eliminaram todos os outros poderes. ao contrário do Fascismo.

  6. tina

    A esquerda é inerentemente fascista pois precisa de iludir o povo e para isso tem de reprimir a verdade. A lavagem cerebral dos meios de comunicação em Portugal é um exemplo disso. Com a esquerda tudo se resume a uma questão de “quanto tempo consigo aguentar a farsa”.

  7. André Miguel

    Lucklucky explique lá melhor isso. A História de Itália não é isso que nos diz.

  8. lucklucky

    Qual História?
    Os Fascistas eliminaram a Monarquia?

    História de Itália demonstra que o Fascismo foi uma Ditadura Autoritária.
    Não Totalitária. No caso até há uma diferença entre Teoria e Prática, uma vez que a teoria Fascista tinha mais elementos totalitários.

    Os soldados Italianos juravam ao Rei só depois ao Duce.
    Na Marinha a mais monarquista das forças o grito de guerra nem incluia o Duce.

    Enquanto todos tinham medo de discordar de Estaline e Hitler abertamente, muitos Fascistas permitiam-se discordar de Mussolini sem nada lhes acontecer de violento.

    Estaline mandou Comunistas matar centenas de milhares de outros Comunistas, Hitler eliminou as SA, qual foi o equivalente de Mussolini?

  9. ecozeus

    Toda esta gente que se identifica política e ideologicamente com os conceitos tradicionais/actuais de esquerda/direita podem muito bem serem definidos como social-fascistas!

  10. lucklucky,
    O fascismo italiano tinha alguns elementos totalitários.
    Mais o “movimento” do que o “regime”, é verdade.
    As origens e as marcas socialistas do fascismo estão demonstradas (ver a obra monumental do historiador italiano Renzo De Felice sobre Mussolini e o fascismo).
    Também é indiscutivel que o fascismo italiano foi muito menos totalitário e violento do que o nazismo e o comunismo.

  11. Pingback: Revolução francesa – O Insurgente

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