O congresso do PS e os extremismos de que depende para mudar a Europa

António Costa já afirmou que Bruxelas deve fazer tudo para manter o Reino Unido na União Europeia, mas que há limites. No fundo, o Reino Unido é desejável, mas não sem muito espaço para a concepção britânica de uma Europa de mercados livres e menor centralização política. Porque a União que este PS defende é uma Europa politicamente centralizada, embora permissiva a nível orçamental. É como que uma troca: Bruxelas existe, envia dinheiro, garante a estabilidade possível, uma moeda forte, claro está, mas deixa que a classe política que o PS considera legítima possa gastar o dinheiro dos contribuintes como bem lhe aprouver. Foi assim desde 1986. Para quê mudar?

Leia-se este artigo de Porfírio Silva, defendendo uma geringonça para a Europa. Ou ouça-se Pacheco Pereira dizendo no Congresso do PS que é necessário rasgar o Tratado Orçamental sob pena de os partidos socialistas e sociais-democratas, bem como o projecto europeu desaparecerem. É óbvio que com o euro o socialismo devia ter mudado, mas não mudou. O socialismo devia ter deixado de encarar a governação como um mero meio de distribuição de dividendos, mas não o fez. Ora, para Pacheco Pereira, e para o PS, o que é que está mal? A Europa que criou uma moeda forte que dá estabilidade de preços e, se em aproveitada, empregos, ou o socialismo que não se adaptou aos novos tempos? Infelizmente já conhecíamos a reposta.

O problema do PS é que não está refém do extremismo político apenas em Portugal. Para mudar a União, o PS precisa de contar com um bom resultado do Podemos em Espanha. Precisa de contar com a colaboração do Syriza e da extrema-direita grega; conta com bom resultado do movimento 5 estrelas em Roma; necessita de uma vitória de Marine Le Pen, em França. O PS está refém do extremismo em toda a Europa, seja este de esquerda ou de direita.

Não se adaptando, o socialismo precisa de destruir. E para destruir, urge unir-se não apenas aos comunistas do PCP e do BE. Costa terá de fazer uma frente comum com outros extremismos europeus. O socialismo é uma corrente político-ideológica muito ampla; já deu para tudo. Assim, o que o governo de António Costa andar a defender na Europa nos tempos mais próximas até pode ser socialismo. Mas não será, de certeza, aquilo que foi, noutros tempos, o PS.

3 pensamentos sobre “O congresso do PS e os extremismos de que depende para mudar a Europa

  1. JP-A

    Depois de ficar órfão do honesto Guterres, do artista sócrates, do habilidoso Costa e de uma série de nulidades que por lá passaram, todos eles idolatrados por igual, pouco mais ficará do que um partido sem vergonha, desestruturado como já é e com uma cúpula cada vez mais próxima da política que se faz ao nível das freguesias, senão pior. Já só lhes falta inventar um ditador e um golpe de estado menos subtil. O resultado, esse é garantido, e só não desaparecerão porque a direita irá, novamente, querer executar o duríssimo programa que o PS negociará novamente para Portugal. O ego do Costa, esse continuará a navegar à mesma velocidade, entre manhas, mentiras e meias-verdades, como se nada se tivesse passado e a culpa fosse do mundo que não o identificou como uma oportunidade. É provavelmente, na Europa, das poucas pessoas que se lhe puserem o poder na mão, dá cabo da UE em meia dúzia de anos. Aliás, o desprezo que ao volante de um país na miséria mostra pela UE para além de tudo o que exceda a obrigação de nos amamentarem, é de um desplante absolutamente espantoso, não se apercebendo sequer das consequências desta guerra que está a querer começar para preparar as legislativas e a sua guerrinha com BE e PCP, caso dela necessite. Os portugueses pagarão caro este oportunismo que dá prioridade ao ego da criatura em detrimento do interesse comum. Nem disfarça, tal é o inchaço.

  2. antónio

    Que o socialismo está em metamorfose é evidente. No mundo globalizado actual ninguém saberá ao certo (nem os próprios socialistas) qual o resultado dessa metamorfose. Para eles, independentemente do resultado, a alternativa seria a extinção pelo que vale a pena tentar. A globalização e o capital acabarão seguramente por prevalecer e veremos que o socialismo será subalternizado.

  3. O projecto europeu, e não aprofundando o que é que significa exactamente o tal «projecto europeu», é incompatível com a legislação laboral francesa. Neste momento a França está, por isso mesmo, a mais na UE, não é o RU…

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