O enviesamento da SIC e os contratos de associação

De alguns anos para cá vejo muito pouca televisão. Limito o meu tempo em frente ao ecrã a algumas séries e aos 15 minutos de som de fundo quando tomo o café. Por isso até hoje nunca tinha prestado grande atenção ao que as televisões iam dizendo sobre o tema dos contratos de associação. Hoje ouvi a Sic Notícias a tratar precisamente desse assunto a propósito da manifestação à porta do congresso do PS. Num país decente, com comunicação social imparcial, estar-se-ia a discutir duas coisas:

1. Quanto custa ter alunos nas escolas privadas com contrato de associação e quanto custa tê-las na escola pública?
2. Quais as escolas que garantem a melhor educação para os alunos de cada zona?

Em vez disso, ouvi o Bernardo Ferrão dizer que os colégios viviam há muito tempo, e cito, “à mama do estado”. A repórter repetiu incessantemente que era uma manifestação dos colégios privados, como se estivessem ali professores do Colégio Alemão ou do Colégio Moderno, e não de escolas que prestam serviço público há anos, mas que são geridos por privados. Em tom irónico, a repórter ia repetindo que “por coincidência” os manifestantes só faziam barulho quando havia directos. Pelo meio acharam bem noticiar que um orgão do governo estava a investigar dois colégios por manipularem pais e alunos para irem a uma manifestação contra o próprio governo (uma atitude pidesca). Com tantos manifestantes à porta, foram ouvir a opinião de uma militante do Partido Socialista dentro do pavilhão. Uma militante que “por motivos pessoais” até tinha os filhos num colégio privado. Mas que tinha pago com o seu próprio dinheiro, como se a escola pública também não fosse paga com o próprio dinheiro dos contribuintes.

Com a ajuda da imprensa, o governo está a ganhar a batalha das ideias. Não importa que fique mais barato aos contribuintes e que o serviço até seja melhor, o que importa é que “o dinheiro dos contribuintes não é para ir para colégios privados”, mesmo os que andam a prestar serviço público de qualidade há décadas. Não importa que apenas uma ínfima parte do custo do serviço educativo esteja nos edifícios, o que importa é que há ali uma escola pública ao lado e não queremos “duplicação de serviços”. Com o enviesamento da imprensa, com a ajuda de comentadores e políticos com dinheiro para colocar os seus filhos em escolas privadas, o ensino público ficará mais pobre no próximo ano. A FENPROF ganhará mais uns súbditos, a elite política e comentadora continuará a colocar os filhos em escolas privadas e o filho da sopeira que andava no colégio de Lamas voltará ao lugar onde “pertence”: a escola pública.

34 pensamentos sobre “O enviesamento da SIC e os contratos de associação

  1. A esse facto não será alheia a situação económica do Grupo Impresa, dono da SIC, que só com a ajuda do Estado poderá sobreviver. As ações da Impresa estão no seu mínimo histórico.

  2. Porque não se limita a dizer que “O Estado tem o dever constitucional de dar subsídios a todos os cidadão que não concordam com as medidas que ele toma”?

    Quem não gosta do policiamento da sua área devia poder recorrer a uma empresa de segurança privada que atuasse no seu bairro, subsidiada pelo Estado. O mesmo para os bombeiros, o mesmo para os hospitais, o mesmo para as escolas. Temos um bom exemplo que prova que assim as coisas funcionam, e as pessoa estão contentes: A QUINTA DA MARINHA em Lisboa, e A QUINTA DO LAGO, no Algarve.

    Pronto, ficávamos a saber o que o senhor pensa, e escusava de ter passado por mais um frustrado sonhador que adorava poder viver numa casa na Quinta da Marinha e de ter outra casa mas essa de férias na Quinta do Lago.

  3. Contratos de associação é uma coisa, opção de escolha entre privado e público é outra completamente diferente. É outra conversa, é outra guerra, é outra moldura legal… Se querem discutir isso que o tragam para cima da mesa. Na verdade não o fazem porque (tudo faz parecer) que estão apenas arregimentados pelos “donos dos colégios” para espalhar a confusão… E aí a teoria da “mama” ganha legitimidade e sentido… Enquanto a direita não conseguir entender a diferença contratos de associação e um outro tipo de ensino que carece de cobertura constitucional (neste momento) vai andar a amargurar-se e a fazer tristes figuras. Um dos males da direita portuguesa é precisamente ser burra e quixotescamente gostar de investir contra inimigos imaginários… Esbarrou contra o tribunal constitucional em vez de fazer a “reforma”, espalhou insultos e alarme e deixou a banca no caos.

  4. ecozeus

    As generalidade das televisões estão cheias de “jornalistas” e “comentadores” que nada mais são do que manadas de vacas voadoras a despejarem d’alto bosta na cabeça dos cidadãos a mando da geringonça!
    Enquanto isto, os donos das vacas festejam em uníssono na FIL a merda em que o governo (PS) está a transformar o país.

  5. jo

    Faz duas perguntas interessantes, mas, para além de declarações de fé, ainda não vi ninguém da parte dos colégios apresentar estudos concretos.

    Para a nossa direita ser privado é a garantia de que é mais barato e melhor do que se for público. Se por acaso não for verdade, paga-se com os nosso impostos.

  6. Carlos Guimarães Pinto

    Luis FA,

    Se você tentasse entender as coisas para além da necessidade de insultar, talvez visse que o que está em questão aqui não é ter cheque-ensino (algo bastante melhor que os contratos de associação). O que está em causa é uma escola pública mais estatal, mais centralizadora e de pior qualidade, ou uma escola pública menos mal gerida e com ligeiramente mais liberdade de escolha. Se a luta fosse entre cheque-ensino e contratos de associação, ver-me-ia aqui a defender o cheque ensino e a liberdade total. Mas não é essa a luta hoje.

  7. Carlos Guimarães Pinto

    Manolo Herédia, eu prefiro que o estado nas suas decisões de gestão opte pelos serviços mais baratos e de maior qualidade, independentemente de quem os gere. Como contribuinte e beneficiário desses serviços, você também deveria.

  8. Carlos Guimarães Pinto, agradeço o comentário. Sentiu-se insultado?… Não foi minha intenção insultá-lo, nem tenho razões para isso… No entanto, persiste em repetir a mesma ambiguidade, não tendo entendido, ou pretendendo não entender, o cerne da questão: não fora o governo ter “mexido” nos contratos de associação e a “luta” pela “liberdade de escolha” (que é algo diferente) não teria sequer surgido… Por outro lado, ter o ensino “no Estado”, não choca ninguém no mundo ocidental e europeu a que pertencemos… – O Estado, tendo a “missão” de distribuir ensino a todos, tem os recursos para o fazer melhor e mais barato do que ninguém. Tem dimensão e massa crítica superior a qualquer conglomerado privado do setor. Se não faz melhor, é porque está mal gerido. E se está está mal gerido é obrigação dos eleitos (sejam de esquerda ou de direita) geri-lo bem. Uma força política que se resigne perante a fatídica “incapacidade de gestão” do estado, não serve… É evidente que o Estado nunca poderá competir com os segmentos de “elite” do privado. Quem quer ter meninos de gravatinha a aprender equitação tem de pagar…

  9. Carlos Guimarães Pinto

    Luis FA, nem vou tocar nas restantes questões, apenas no último ponto. E se ter “meninos de gravatinha a aprender equitação” custar tanto aos contribuintes como ter meninos sem a gravata e numa escola com menos qualidade? O que é que um bom gestor público deve fazer?

  10. tina

    Carlos, a sociedade portuguesa é muito atrasada porque têm sido estes anos todos lavados pela imprensa portuguesa. É incrível a ignorância que qualquer português demonstra sobre a realidade, ninguém sabe números porque a imprensa os esconde, dizem sempre “acho”, o nível de discussão é mesmo muito pobre.
    .
    Que grande diferença no nível de esclarecimento de um português comum para um inglês, por exemplo. Sem dúvida que os portugueses são os burros da Europa, com palas nos olhos, carregarão para sempre o seu pesado fardo.

  11. A incapacidade de boa gestão por parte do Estado é outro mito que muita gente teima em propalar!
    As empresas que foram nacionalizadas no 25/4, mais tarde foram quase todas reprivatizadas, e qual foi o resultado? Falências ou necessidade de vender ao desbarato, ao estrangeiro, para continuarem a laborar sob a gestão de entidades estrangeiras.
    Esta foi a excelência da nossa gestão privada.
    Desde Salazar que o empresários portugueses pensam as suas empresas em função dos subsídios que serão capazes de sacar do Estado…
    São incapazes de partilhar o poder das suas empresas em associação com outras empresas privadas (mesmo que nacionais). Apreciam o orgulho pelo Poder muito mais que o orgulho de criar riqueza…

  12. tina

    “Desde Salazar que o empresários portugueses pensam as suas empresas em função dos subsídios que serão capazes de sacar do Estado…”
    .
    É sobre isto que o meu comentário se referia, não sabe do que está a falar, nunca foi empresário, repete à toa a conversa dos invejosos de esquerda …uns falhados, sem nenhuma realização profissional, sempre a contar tostões…

  13. Diz o Luís FA que “o Estado, tendo a “missão” de distribuir ensino a todos, tem os recursos para o fazer melhor e mais barato do que ninguém. Tem dimensão e massa crítica superior a qualquer conglomerado privado do setor”, mas diz mal.
    O Estado tem obrigação de proporcionar a todos, por igual, um sistema de ensino de qualidade e o mais barato possível, mas não é assim que procede – o ensino estatal é bem pior do que o ensino privado ou cooperativo, e toda a gente sabe disso, a começar pela actual Secretária de Estado da Educação, que tem os seus filhos no Colégio Alemão. Ou seja, para bem ensinar não é necessário um “conglomerado”, seja isso o que for, basta uma escola bem gerida, sujeita se possível à concorrência das suas congéneres e um bom controlo estatal, ou seja, sujeitando os alunos a exames nacionais, avaliados por júris independentes, coisa que este governo decidiu acabar.
    Por outro lado, como é que o Estado tem “massa crítica superior” se nem consegue submeter os candidatos a professores das suas escolas a uma prova para seleccionar os melhores?
    Ser o FA é funcionário público, não queira fazer de todos os outros estúpidos…

  14. lucklucky

    Interessante como ao mesmo tempo que estão contra os contratos de associação com as escolas privadas estão a favor dos contratos de associação com milhares de privados a que depois chamam de funcionários públicos.

    A SIC é uma estação Marxista.tendência Fascista tem feito tudo para tornar Portugal numa Venezuela.

  15. Excelente analise do que devia ser dito e por vezes não é; pelo menos com esta clareza. Também me escapa porque, quem tem mais o dever de contestar e denunciar o lero lero da geringonça, não faz um simples quadro, com as colunas de publico e privado, e enumera com números correctos todos os dados disponíveis, desde os custos, os resultados e a satisfação dos alunos e pais.
    Não esquecer que no números que tenho visto, não se entra com a construção, manutenção e estrutura das escolas e circuitos administrativos, factores que no privado não temos que suportar(nós os cidadãos em geral claro). A propaganda sublime do dáo seabstião Costa e seus afins, também tem ajuda, por renuncia , de muita gente que devia ser mais eficiente, ou não ?

  16. tina

    “A SIC é uma estação Marxista.tendência Fascista tem feito tudo para tornar Portugal numa Venezuela.”

    Acertadíssimo. É Pinto Balsemão com a SIC e Belmiro de Azevedo com o Público. Dois magnates que lavam cerebralmente o povo à esquerda, condenando-o ao eterno atraso, a fim de protegerem os seus próprios interesses.

  17. A Escolas privada é obviamente mais barata a curto, a médio e sobretudo a longo prazo.
    E tende a ministrar melhor ensino mais não seja por uma questão de concorrência.
    O problema não é verbas. Os governos irresponsáveis, como este do PS, aumentam alegremente impostos.
    Nem é qualidade de ensino.
    O problema é poder e votos. E sobretudo um eleitorado politicamente inculto.

  18. antónio

    A perda da batalha das ideias significa o sucesso da implantação do Marxismo cultural educativo com o alto patrocínio do actual PS que infelizmente se tornou num partido tão facínora como as marionetas PCP e BE.

  19. Já que esta questão remete para a “dialética” esquerda, direita, é bom deixar dito que a direita defensora dos donos colégios de “meninos engravatados” espelha precisamente a direita que temos: presunçosamente liberal (direita liberal?), aberta de ideias, e “moderna”… Na prática, passa o tempo a defender a economia da “mama” como este caso vem mostrar. Ou seja, é uma direita socialista pró gabinetes de advogados, centros de interesse (e promiscuidade), e transferência de recursos do público para algures (eventualmente paraísos…).
    Pois bem, é conveniente lembrar que existe outra direita porventura mais legítima, mais nossa e mais séria. Remete para a tradição nacionalista, o papel do estado, os costumes e valores da família, o carácter e a nobreza da tradição. Esta direita jamais entraria na polémica dos “colégios”. Estão a ver o Salazar a entregar dinheiro a privados?… Ele, talvez por ter andado com as pasta das finanças (e ser “tio Patinhas”), entendeu que ficava mais “barato” construir uma rede de escolas. Se são mal geridas isso é outra “estória”…

  20. Em boa verdade o cheque-ensino resolveria a maior parte dos problemas da Educação.

    Nem sequer gosto da palavra…

    Se eu fosse PM mudaria o nome do Ministério para Ministério da Instrução, Ciência e Ensino Superior.

    Além disso separaria o acesso ao Superior da conclusão do Secundário. Esta separação tornaria o acesso mais justo; reduziria a pressão sobre professores para haver «sucesso» e aumentaria a exigência; daria margem às escolas para projectos educativos mais exigentes; poria termos à inflação de médias internas; e aumentaria a mobilidade social. A média interna serviria para desempate e os exames seriam feitos em colaboração com as universidades.

    Mas uma reforma assim implica despedir professores e funcionários. Assunção Cristas está certa. É necessário escolher. O Governo escolhe as escolas públicas, com piores resultados e mais caras. Eu escolheria os privados.

    O cheque-ensino não poderia ser aplicado a todo o território. Mas aumentar a rede permitiria grande poupanças em funcionalismo e burocracias diversas.

    Contudo a Constituição não permite uma Reforma deste calibre. Para já resta-nos sonhar…

  21. Eu quero e defendo que as crianças passem menos horas na escola.

    Que essas horas que estão numa sala de aula tenham mais produtividade.

    Que passem mais horas com a família.

    Que não sejam doutrinadas.

    A Esquerda quer escola das 8h às 19h, quer que seja a escola a dar as refeições às crianças, quer «educar» à maneira «laica, republicana e socialista», quer que a «Educação» seja seu monopólio gerido por um Ministério estalinista.

    A SIC tem coragem para pôr as coisas nestes termos? Não tem nem vai ter.

    O PSD e o CDS têm de mudar o discurso e dizer a verdade aos portugueses. O actual sistema só interessa aos sindicatos comunistas e aos maus professores.

  22. «A perda da batalha das ideias significa o sucesso da implantação do Marxismo cultural educativo com o alto patrocínio do actual PS que infelizmente se tornou num partido tão facínora como as marionetas PCP e BE.»

    A Direita no poder com o Durão e o Passos não tiveram Maquiavelismo suficiente para domar a Esquerda! É esta a verdade. Era necessária uma limpeza profunda das instituições, e cortar o financiamento às capelinhas socialistas e comunistas! Isto não vai lá com «diálogo» e palmadinhas nas costas! E o povo quando visse os impostos a descer.. as regulamentações a ter um fim… a vida a ficar mais simples e fácil…

  23. «Acertadíssimo. É Pinto Balsemão com a SIC e Belmiro de Azevedo com o Público. Dois magnates que lavam cerebralmente o povo à esquerda, condenando-o ao eterno atraso, a fim de protegerem os seus próprios interesses.»

    O Pinto Balsemão não gosta de liberais. Teme que se mexa na leis da comunicação e aumente a concorrência. Tem sido incapaz de se adaptar às novas tecnologias e ao online. Já não é um homem destes tempos, vive nos anos 90.

    O Belmiro de Azevedo… não sei como ainda financia o esterco em que se tornou o Público. Nem o The Guardian ou o El País são assim… tresanda a linguagem marxista cultural por todos os lados. Será que ele lê o jornal? Deve ser para aquela gente um terrível fascista que merecia ser expropriado dos seus bens e preso por crime contra a Humanidade. Não daria um cêntimo para uma porcaria assim.

  24. «As empresas que foram nacionalizadas no 25/4, mais tarde foram quase todas reprivatizadas, e qual foi o resultado? Falências ou necessidade de vender ao desbarato, ao estrangeiro, para continuarem a laborar sob a gestão de entidades estrangeiras.
    Esta foi a excelência da nossa gestão privada.»

    Foi o Estado que estoirou a PT.

    Foi o Estado que estoirou o país.

    Estado, Estado, Estado.

    Não percebe ou quer que lhe faça um desenho?

  25. «A esse facto não será alheia a situação económica do Grupo Impresa, dono da SIC, que só com a ajuda do Estado poderá sobreviver. As ações da Impresa estão no seu mínimo histórico.»

    O grupo Imprensa não se soube adaptar ao digital e à concorrência do Cabo e da TVI. A queda já é antiga, o Moniz há cerca de 16 com o Big Brother e as novelas portuguesas tirou a liderança das audiências à SIC. E a SIC nunca mais recuperou.

  26. O Correio da Manhã vende bem.

    A CMTV vai fazendo o seu caminho e passando a perna aos outros.

    O CM vai dando aos leitores notícias. Os outros vendem opiniões. É esta a diferença. O povo não quer saber de feministas, refugiados, racismos, gays, xenofobias e opiniões políticas distorcidas.

  27. À atenção de liberais, contra-liberais, e não-liberais:

    “Recuso-me a contribuir para a mama”, dizem.

    Também eu! Também eu!

    A Sra. Sec. de Estado da Educação, se quer ter os filhos no Colégio Alemão (partindo do pressuposto de que isto é verdade), que tenha. É lá com ela. Acho que faz bem. Conheço bem quem lá tem os netos e acho que faz muito bem. Será um óptimo colégio, com toda a certeza.

    Mas por que razão pode ela, no IRS, deduzir a despesa que tem com tal entidade privada à colecta? (Julgo que num outro comentário referi, por lapso, a dedução como sendo feita ao rendimento colectável.)

    Por que permite o Estado que a despesa com educação numa escola privada seja deduzida como despesa de educação, para efeitos fiscais?

    Isto não é um subsídio indirecto ao Colégio Alemão? (E a todos os colégios privados, contra os quais nada tenho contra: leccionei uma disciplina extra-curricular num dos melhores colégios de Lisboa – o Colégio Moderno – durante 5 anos, com o maior gosto! (Infelizmente, no último ano, com pouca saúde, entretanto só parcialmente restabelecida.))
    Acham que se não fosse permitida tal dedução aos pais, os colégios teriam propinas tão elevadas? Não: é uma questão de oferta e de procura a determinar o preço: os pais só pagam propinas tão elevadas porque no todo ou em parte (nalguns escalões, se não em todos, há tectos para a dedução, creio) podem deduzir tal gasto como despesa de educação, pagando assim menos imposto, o que se traduz em maior rendimento disponível…. para pagar as propinas… que por isso são mais altas do que não esta dedução não fosse possível. Com ou sem dedução o bolso dos pais ficaria mais ou menos na mesma (é que se a dedução desaparecesse, as propinas necessariamente cairiam – em que proporção, bem, eu sei que é discutível; por isso escrevi “mais ou menos”). O dos colégios privados é que não!

    Contra isto ninguém se insurge. Porquê?

    Estas minhas questões não devem permitir inferir qual a minha posição sobre a bondade da solução legal que permite a existência destas deduções – que, como se sabe, só podem ser feitas por quem não é exactamente pobrezinho. Trata-se apenas de uma sugestão para que se reflicta na coerência do sistema – ou na falta dela…

    (Parto do princípio, talvez errado, de que o escalão de IRS em que a Sra. Sec. Estado da Educação se encontra lhe permite as deduções referidas. Agradeço me corrijam caso alguma questão fiscal não esteja correcta. Não sou fiscalista. Não tenho filhos e não estou familiarizado com as alterações ocorridas quase todos os anos nestas matérias no âmbito do Direito Fiscal durante as quase duas décadas que já decorreram sobre o meu exame de Dto. Fiscal na FDL.)

    Só mais uma: as despesas com colégios privados (privados mesmo, e não os privados mas com contrato de associação que prestam, por isso, serviço público!) são dedutíveis à colecta, até certo valor.
    Já um simples caderno escolar, que tanto é comprado pelo muito rico como pelo muito pobre para o seu filho, não pode entrar como despesa de educação. Porquê? Porque paga… 23% IVA!

    http://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/afinal_nem_todas_as_despesas_de_educacao_entram_no_irs.html

    Entretanto o bife no restaurante vai passar a pagar 13%. E uma revista de mexericos intragáveis como a Caras, a Lux, a Flash, a VIP, paga… 6% IVA.

    “Portugal é um manicómio a céu aberto.” (Nacionalizei esta a um comentador deste sítio.) Bem-vindos!

  28. tina

    “O Pinto Balsemão não gosta de liberais. Teme que se mexa na leis da comunicação e aumente a concorrência. Tem sido incapaz de se adaptar às novas tecnologias e ao online. Já não é um homem destes tempos, vive nos anos 90.”

    E como ele não se adaptou, contribuiu muito para o atraso em Portugal, ao ponto de hoje termos um governo de extrema-esquerda!… Mais do que nunca, sente-se como estamos a ficar atrasados, este governo está a fazer Portugal regredir tão depressa, a todos os níveis, de ideias, de economia..

  29. Maurício Brito

    A explicação para o silêncio abrupto do PSD e CDS sobre a matéria:

    http://www.cmjornal.xl.pt/multimedia/graficos/detalhe/portugueses_com_costa_nos_contratos_de_associacao.html

    Vou só ali procurar o post de um dos insurgentes que diz que a maior parte da população está a favor dos que criticam a posição do governo… e já venho.

    Antes de ir: vá lá que nesta manifestação não estiveram crianças presentes.

    Ou lá teríamos o economista Carlos a dizer que foi mais uma gigantesca manifestação contra este governo.

  30. Ao fim de um mês ainda existe quem não perceba que ao Estado compete providenciar um determinado nível de educação que está condicionado também pelas restrições financeiras do país. Quem quiser este nível é-lhe fornecido este nível de educação, quem entender que é pouco ou de baixa qualidade em nome da liberdade de escolha que existe em Portugal matricula o filho num colégio privado e paga essa educação. Os “pobres” não têm essa possibilidade, pois não. Mas quem não tem dinheiro para um Ferrari, não é por alguém ter um Ferrari que também pode ter um, anda de Fiat. Tudo o resto é retórica demagógica. Nunca pensei ver liberais a defender os “pobres”. Em nome da politiquice até a própria ideologia se renega.

  31. Maurício Brito,

    experimente pedir ao Correio da Manhã que faça a seguinte sondagem aos portugueses:

    «Concorda com que a os pais que têm os filhos nos Colégios Privados possam deduzir à colecta, em sede de IRS, as propinas que pagam aos referidos Colégios Privados?»

    Com o partido socialista é assim: nem a mentir são bons! Bolas, que é demais!

    Dizem aos outros alguns socialistas (e não estou a dizer que a Sec. Estado Educação disse isto, atenção): querem particular, paguem.

    Nem se lembram de que o que é particular é indirectamente subsidiado pelo Estado, quando este permite a dedução das propinas à colecta para efeitos de IRS.

    Aliás, o mesmo sucede na medicina particular.

    Por isso mesmo ninguém até hoje se lembrava de dizer: “Querem privado, paguem do vosso bolso!”, gritando isto na cara das pessoas.

    E ninguém se lembrava de dizer porque até o Zé da Tasca sabia que se poupasse uns tostões e fosse ao médico particular em vez de ao SNS a factura com que de lá viesse podia ir para o IRS. E percebia que há uma lógica de apoio do Estado à economia privada. Para o bem e para o mal! Mas há. Sempre houve, desde que percebo alguma coisa disto.

    Nota: já que noutro post trouxe o assunto à colação, digo-lhe que não sou de direita nem de esquerda. Sou social-democrata, não militante. A minha social-democracia não é de esquerda nem de direita. Vá lendo, se quiser, o que vou escrevendo, e verá.

  32. Alberto Silva escreveu:

    «Quem quiser este nível é-lhe fornecido este nível de educação, quem entender que é pouco ou de baixa qualidade em nome da liberdade de escolha que existe em Portugal matricula o filho num colégio privado e paga essa educação. Os “pobres” não têm essa possibilidade, pois não. Mas quem não tem dinheiro para um Ferrari, não é por alguém ter um Ferrari que também pode ter um, anda de Fiat. Tudo o resto é retórica demagógica. Nunca pensei ver liberais a defender os “pobres”. Em nome da politiquice até a própria ideologia se renega.»

    “Paga essa educação”… e aproveita para deduzir à colecta do IRS. Que acha? É justo? E, independentemente de ser justo, é ou não um auxílio aos privados? Na medida em que, permitindo a dedução de uma despesa, quem presta o serviço obviamente pedirá mais do que pediria se a despesa não fosse dedutível.
    Da mesma maneira, se a despesa com um automóvel puder ser deduzida no IRS, o preço dos automóveis aumenta (pouco que seja), coeteris paribus. A menos que os comerciantes de automóveis sejam parvos. O mesmo com a medicina privada: acabassem amanhã as deduções ao IRS, e o preço das consultas baixava, por pouco que fosse. Sempre que uma coisa ou serviço é dedutível ou comparticipável o seu preço altera-se e isso reflecte-se no bolso de quem vende a coisa ou presta o serviço. Às vezes com efeitos positivos, às vezes negativos, às vezes com ambos.

    Falou no Fiat e no Ferrari. Se o Fiat é a escola pública e o Ferrari o Colégio Privado (não a escola com associação, isto caso algum leitor se equivoque), por que razão poderá o dono do Ferrari deduzir parte do custo de aquisição do bólide no IRS? Consegue explicar?

    Diz que nunca pensou liberais a defender os pobres. Ó meu caro, a seguir vai dizer que nunca viu os socialistas a tirar aos pobres para entregar aos ricos, não?

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