Os double standards do Público

Tanto a extrema-esquerda como a extrema-direita são péssimas opções para a Europa. Este é o meu entendimento, perfilhado também — julgo — por muitas outras pessoas. Não é, contudo, o entendimento do Público. Para o jornal Público a vitória da extrema-esquerda na Grécia é motivo de regozijo e celebração, mas uma eventual vitória da extrema-direita na Áustria seria motivo de consternação, agravo e preocupação. Se dúvidas havia quanto ao posicionamento ideológico do jornal Público, estão agora esclarecidas.

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15 pensamentos sobre “Os double standards do Público

  1. Jan

    Até que ponto estão a dar ao cliente o que ele pede? Infelizmente não esquecer que estamos num país com tiques de esquerda.

  2. Jan, não vejo mal nenhum em que exista um jornal de esquerda, tal como em França existe o Charlie Hebdo. Eu só pedia que o Público não se escondesse por detrás de uma capa de imparcialidade e isenção, que é manifestamente falsa.

  3. Infelizmente a preocupação com a ascenção política da extrema direita, sem correspondente preocupação com a mesma ascenção da extrema esquerda, é conversa corrente nos eventos sociais que frequento. E as pessoas desses eventos auto intitulam-se do centro, sociais democratas.
    Preocupante.

  4. Transcende-me a razão que leva pessoas a terem de dizer obrigatoriamente (!!!) mal da direita, cada vez que querem dizer mal da esquerda…
    Reconheço no entanto que este é um dos dois maiores sucessos do marketing esquerdóide do 25A (o outro foi convencer a maralha que todos somos suficientemente espertos para ser doutores ou engenheiros, embora aceitemos com naturalidade que nem todos têm o mesmo jeito para o futebol…).

  5. José7, eu não tenho qualquer afinidade com a extrema-direita nacionalista, proteccionista, estatista e xenófoba, pelo que até o faço [mal-dizer] com relativa satisfação.

  6. Gustavo Pacheco

    “Tanto a extrema-esquerda como a extrema-direita são péssimas opções para a Europa.”
    Acho que existe uma confusão sobre o que é extrema-direita. Segundo sei e leio, direita é um regime de liberdade económica e individual assente em princípios como um estado minimalista defendidos por Milton Friedman e Ayn Rand. Extremismo de direita seria defender estes ideais o que até parece uma ideia interessante. Outra coisa são partidos xenófobos, nacionalistas, elitistas, nazistas, etc… que não podem nem devem cair na infeliz relação com extrema direita… Digo eu..

  7. Caro MAL,
    «… nacionalista, proteccionista, estatista e xenófoba…» isto são características da esquerda e não têm nada a ver com «liberdade», «individualidade» e «responsabilidade» valores supremos de quem não chupa a esquerda e a sua base tosca para perspectivar o mundo, que matematicamente pode ser caracterizada por visão unidimensional da realidade.
    Porque é que uma pessoa por não ser de esquerda é automaticamente confundida com um nazi? Isto abstraindo do facto que nazis e gajos do PCP ou do BE (mais alguns do PS e do PPD e CDS-PP ) serem todos a mesma coisa.
    E voltando ao início: acima de tudo como é que pessoas aparentemente inteligentes (e tenho-o nessa conta), com o tipo de texto como o que escreveu, não se apercebem que ao fazerem-no apenas contribuem para manter este dogma? Para dizer mal do pateta que desgoverna a Grécia não é preciso em simultâneo dizer mal dum fulano de outra cor política para agradar à base de apoio do pateta. O Tsipras é um crápula vigarista, e o Varoufakis é outro igual. Ponto.

  8. MARIO AMORIM LOPES : “Eu só pedia que o Público não se escondesse por detrás de uma capa de imparcialidade e isenção, que é manifestamente falsa.”

    O Mário está a ser bastante generoso e condescendente para com o “Publico” …

    Eu nem acho que o jornal procure “esconder” …
    … que é “parcial” …
    … que é “de esquerda” e não é “de direita” …
    … que gosta da extrema-esquerda (não utilizar o termo para não anatemizar !…) e detesta a extrema-direita (em alternativa pode-se falar em “populistas” mas evitar falar em “nacionalistas” ou “soberanistas”, porque não são tão negativos e podem-se confundir com os “patriotas económicos” e “anti-globalização”, que são de esquerda e portanto bons !…) …
    … que acha normal e mesmo desejável que a extrema-esquerda possa ser governo e consiga eleger um Presidente …
    … que acha normal que a esquerda moderada se apoie na extrema-esquerda para governar …
    … mas que …
    … já acha alarmante e perigoso que a direita moderada possa sequer falar nos temas que seriam supostamente monopólio da extrema-direita (por exemplo, a segurança, a imigração, etc) …
    … quanto mais tolerar que alguma vez a direita moderada possa fazer algum tipo de concertação ou aliança politica com a extrema-direita para poder constituir uma maioria municipal ou de governo …
    … ou, cenário catastrófico, o regresso do “mal aboluto”, que a extrema-direita possa eventualmente ser governo ou ter algum Presidente…
    … etc, etc…

    Uma pessoa “de esquerda” não concebe que se possa ser “imparcial e isento”.
    Uma pessoa “de esquerda” é, por definição, ostensivamente e com orgulho, parcial, defende e compromete-se e indigna-se com causas forçosamente boas, sempre ao lado dos fracos, dos pobres, dos oprimidos do mundo inteiro (por sinal, mas é um detalhe sem importância, tanto mais quanto mais longe da vista e do alcance estão as supostas vitimas !…)

    Portanto, o Mário pode sempre “pedir” …
    Mas também pode esperar sentado porque já está a pedir muito … 🙂

  9. joão

    lolol extrema-esquerda, aqueles? lolol só um lunático acha q aqueles são de extrema esquerda. é o mesmo que dizer q em portugal, todos os politicos são honestos e q o observador e o correio da manhã são jornais sérios.

  10. Caro Gustavo Pacheco, a discussão ontológica sobre a dicotomia esquerda-direita é longa, e já foi feita variadas vezes. Historicamente, a direita está associada a movimentos mais tradicionalistas e conservadores. Os movimentos de extrema-direita, que degeneraram em nacional-socialismo ou fascismo, perfilhavam todas no controlo e planeamento da economia (Hitler obrigou a BMW e a Mercedes a produzir material de guerra), no nacionalismo, na xenofobia, no controlo de capitais, no proteccionismo económico, etc. «Tudo pela nação, nada contra a nação» — afirmava Mussolini. Hoje, por simplificação, diz-se que um liberal como Friedman ou Rand seriam de direita, mas apenas porque não são de esquerda. No entanto, não acho que sejam de direita, ou que o liberalismo seja um movimento de direita. A direita é que entretanto se redefiniu e abraçou a questão da liberdade económica. Aliás, é sintomático que os Tories de Disraeli, quando Gladstone estava à frente dos Whigs — esses sim, liberais — fossem o partido mais proteccionista e intervencionista do Reino Unido. Hoje, os Tories são, pelo menos economicamente, bastante liberais.

  11. lucklucky

    Só agora é que descobriu que o Publico é um jornal de Extrema Esquerda?

    O Publico é só o jornal mais pro-Chavez-Venezuelização em curso que existe.

    Até quando o João Soares prometeu um par de sopapos a dois dos seus colunistas o Publico ficou calado.
    Fosse um tipo de direita a prometer sopapos ao invés teria sido um sinal da extrema direita violenta.

    É o jornal que justifica o terrorismo, é um jornal que faz os possíveis por ignorar os maus tratos a mulheres quando são feitos por Islamistas.

    Pois é um jornal Marxista.

  12. Pedro Morgado, o Syriza não é de extrema-esquerda? Não é o BE da Grécia? Não é Trotskysta? Ou isso é só um comentário parvo ao estilo «a Venezuela não é socialista, é uma ditadura»?

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