Quem protege os cidadãos dos estúpidos?

Nós não compreenderíamos – nós não poderíamos admitir – que a Escola, divorciada da Nação, não estivesse ao serviço da Nação, e não compreendesse o altíssimo papel que lhe cabe nesta hora de ressurgimento, na investigação e no ensino, a educar os portugueses para bem compreenderem e bem saberem trabalhar. E é pouco ainda.

MOURA, Horacio de. Reflexões sobre os discursos de Salazar. 2ª ed. Coimbra: Coimbra Editora, v.1, 1968, p.48.

A Rita Carreira está muito preocupada em proteger os cidadãos que podem ser estúpidos, concluindo por essa razão que tal é fundamento suficiente para não haver liberdade na Educação. Num texto que parece saído de um panfleto salazarista, que levaria ao Céu qualquer déspota iluminado (como levou, aliás, alguns dos seus seguidores dilectos), o que fica por esclarecer é como é que os cidadãos se protegem, quando a estupidez ganha forma de governante. Quem protege os cidadãos dos governantes estúpidos?

Há boas escolas públicas/privadas? Há. E há más escolas privadas/públicas? Seguramente que as há. Agora, como se libertam os cidadãos quando têm o azar de ir parar à escola errada, ao professor errado? Se houver liberdade de escolha, não sendo inócuo, há uma saída à escala do cidadão: muda de Escola. E se a Escola for pública, no quadro do atual sistema? Vai fazer queixa à direção-regional-de-onde-calha? Liga para o Correio da Manhã? E a seguir? Mais vezes do que deveria, o cidadão lixa-se. É derrotado pela inércia do sistema.

Mal por mal, worst-case scenario, prefiro cidadãos estúpidos que fazem más escolhas, do que cidadãos sem liberdade, nas mãos de governantes estúpidos. Prefiro uma sociedade onde há liberdade e responsabilidade, do que um Estado que nos protege a todos, em especial os “pobrezinhos”, de nós/si próprios. Parece espanto! que é isto que distingue as sociedades tolerantes das ditaduras – essa coisa chamada liberdade: já agora, uma liberdade que possa efectivamente ser exercida. Há, em Portugal, muitas pessoas que não podem efectivamente escolher, que estão reféns da Escola Pública, seja ela boa, ou má. Quem protege essas crianças de governantes estúpidos?

Aos nossos leitores faço duas perguntas:

  1. Gostariam de poder escolher a Escola dos vossos filhos, ou preferem ter de os colocar na Escola que vos é imposta pelo Estado?
  2. Entre uma Escola a funcionar bem, seja ela pública ou privada, e uma Escola que está vazia, porque as famílias não a escolhem, qual fechariam?

18 pensamentos sobre “Quem protege os cidadãos dos estúpidos?

  1. Respondo com facilidade, porque, por necessidade dos meus pais, sempre estudei em colégios:

    1ª) A liberdade de escolha existe, apenas, se não houver qualquer limitação na selecção dos alunos em ambos os estabelecimentos. Caso isso não se verifique- o que até admito- o estabelecimento que optar pela selecção não deve ter qualquer apoiado Estado, embora eu deva ter a liberdade de o escolher desde que pague as mensalidades. Grande parte dos colégios de referência, com um historial de serviço que vem de muito antes de 1974, nunca precisaram dos contratos de associação.

    2º) Admitindo que as famílias não escolhem a escola da segunda pergunta por ter menos qualidade, claro que deve fechar. No entanto, também são conhecidos casos de cursos profissionais que ficaram às moscas (de áreas técnicas e de agricultura), enquanto outros, na mesma localidade, de design de moda e de cabeleireiro estavam cheios…

  2. “Saído de um panfleto salazarista”? o dr. Salazar, se sabia alguma coisa, era escrever. Não ao nível panfletário, mas de grande escritor que era. Não deixa de ser curiosa, de resto, a hostilidade da direitinha nacional a Salazar. Foi a senhora deputada do psd a falar no cheiro bafiento a salazarismo, é a ex-ministra a dizer que não aprecia citações de Salazar, são agora os panfletos salazaristas… têm de resolver esse complexo em relação a Salazar, ou continuarão a fazer o frete ao esquerdalho, sempre à espera da aprovação deste e do certificado de bom comportamento democrático e antifascista. Até porque as diferenças, de facto, não são muitas. Limitam-se a estes arrufos, como neste caso da escola pública vs escola dita privada e pouco mais. Quando são as grandes questões morais e civilizacionais que estão em causa, não vejo a direitinha com tanto empenho – onde estava esta energia quando se avançou na direcção do aborto subsidiado, do “casamento” gueizista, na adopção por pares de invertidos e em tantas outras aberrações levadas a cabo pelo esquerdalho na sua ofensiva contra a civilização?

  3. Gil, a sua primeira pergunta é de simples resposta. O Estado apoiaria o aluno com um determinado montante, o montante suficiente para colocá-lo numa escola. Se o aluno quisesse ir para um colégio caro, pagaria o resto do bolso dele (ou dos pais, claro).

  4. Gil, há inúmeros detalhes a resolver num sistema de liberdade de escolha. Desde logo, o problema da selecção de alunos é um deles. Outro, seguramente, é o do preço livre. Mas isso já são formas de ver a questão, para lá dos princípios políticos e morais de cada uma das opções.

  5. “…e uma Escola que está vazia, porque as famílias não a escolhem, qual fechariam?”.

    é óbvio que as famílias preferem as escolas com turmas subsidiadas`pelo Estado à razão de 80.000 euros por turma, às escolas do Estado que custam 60.000 por turma. Mas, sabendo o aumento de impostos que isso acarretará, passam logo a gostar mais da segunda.

    Quem não tem dinheiro para comprar um Porsche compra um dois cavalos…

  6. Pingback: Rita Carreira, uma mente singular – O Insurgente

  7. Rick

    “Educar os cidadãos para compreender e saber trabalhar” não cabe na cabeça de ninguém. É completamente reaccionário.
    Coisas salazarentas.
    Prontes. Agora que já paguei o pizzo à esquerda, já posso ir dormir descansado.

  8. tina

    “é óbvio que as famílias preferem as escolas com turmas subsidiadas`pelo Estado à razão de 80.000 euros por turma, às escolas do Estado que custam 60.000 por turma. Mas”

    É uma grande mentira isso, pois é mais do que sabido que em média o Estado gasta 500 euros por aluno/mês.

  9. tina

    Em 2012

    Uma auditoria do Tribunal de Contas revela que os alunos das escolas particulares e cooperativas custam menos ao Estado que os das escolas públicas. O ministério da Educação não comenta.

    Os alunos das escolas públicas custam em média mais 400 euros por ano ao Estado do que os que estudam em escolas privadas com contrato de associação com o Ministério da Educação.

    A TSF teve acesso a auditoria do Tribunal de Contas que contou o custo médio por aluno. O estudo foi pedido há ano e meio pelo Parlamento depois da polémica à volta dos cortes no dinheiro transferido pelo anterior Governo para as escolas do ensino particular e cooperativo.

  10. Luís Lavoura

    uma Escola que está vazia, porque as famílias não a escolhem

    Não há escolas públicas nessas condições. O que há é escolas com menor ocupação do que a que poderiam ter.

  11. Oh Tina, se Os empresários do ensino privado fossem obrigados a pagar salários dignos aos profs, e auxiliares, e fossem obrigados a não praticar por sistema o regime de recibos verdes não pagando férias nem folgas, e não pudesse rejeitar alunos problemáticos que lhes destroem as escolas, etc, etc. acredito que TODO o ensino pudesse ser privado. O Estado até agradecia.

    Os privados não têm condições para prestar serviços públicos de educação. Antes de mais porque não têm PREÇO. Os custos ocultos da universalidade do serviço são enormes.

  12. “O que há é escolas com menor ocupação do que a que poderiam ter.”

    No privado redimensiona-se a escola (menos pessoal, menos instalações, etc).
    Se, mesmo assim, os custos fixos forem demasiado elevados, inviabilizando a operação, fecha-se a escola.
    Não esquecer que na escola publica é necessário imputar aos custos fixos uma parcela dos custos gerais do Ministério da Educação.
    Não esquecer de levar em conta a relacção custo-qualidade.

  13. MANOLOHEREDIA : “rejeitar alunos problemáticos que lhes destroem as escolas”

    Se as escolas publicas “rejeitassem” os “alunos problemáticos que lhes destroem as escolas”, o mais certo era, ao fim de algum tempo, existirem muito menos “alunos problemáticos”, dentro e fora das escolas.
    O exemplo acabaria por estimular as familias e os proprios alunos a terem mais cuidado com os comportamentos.
    Esta é uma das razões que explicam porque é que as escolas privadas teem menos “alunos problemáticos”. Porque os que o eram à partida deixaram de o ser para não serem excluidos e terem de voltar para o ensino publico.

    De qualquer modo, se o Estado estivesse disponivel para pagar o preço, estou certo de que apareceriam logo escolas privadas disponiveis para aceitar “alunos problemáticos”.
    De resto, não é verdade que as escolas privadas não tenham quaisquer “alunos problemáticos”.
    Inclusivamente, há familias que os tiram das escolas publicas e os põem no privado precisamente por serem … “problemáticos”.

    Mas, se mesmo assim, existisse sempre uma percentagem de um tipo de “alunos [muito] problemáticos” que não podem ser aceites em escolas “normais”, então caberia ao Estado encontrar soluções especificas, eventualmente até através de estabelecimentos publicos especializados.
    Uma das funções do Estado é precisamente a de se ocupar das situações que o sector privado não está disponivel ou não é capaz de tratar.
    Não é certamente fazer o que o privado faz melhor e com menores custos para os contribuintes.

  14. “Gostariam de poder escolher a Escola dos vossos filhos”, claro que sim!

    Se eu puder escolher entre o Tavares e o McDonald também é ótimo, mas não acho que o Estado tenha de dar-me um voucher para ir ao Tavares. Nem tão pouco acho que tenha de apoiar dois restaurantes desse nível na minha cidade onde não existe nenhum.

    Este debate está muito inquinado por misturar muitas coisas que são completamente diferentes, desde a obrigatoriedade do ensino até à escolha da escola.

    A liberdade, no sentido de ser o estado a ter de disponibilizar-me alternativas, é um mito urbano que só faz sentido no Porto e em Lisboa, como explico neste post: http://marques-mendes.blogspot.pt/2016/05/mitos-urbanos-sobre-escolha-e.html

  15. Escreve o camarada Marques Mendes

    “Se eu puder escolher entre o Tavares e o McDonald também é ótimo, mas não acho que o Estado tenha de dar-me um voucher para ir ao Tavares.”

    Sabes o que têm em comum o Tavares e o McDonald? São privados e funcionam bem e como tal não temos que descontar impostos para cada um deles. Querem defender o exemplo do Tavares e do McDonald? Então defende a abolição do sistema de educação público.

  16. “Prefiro uma sociedade onde há liberdade e responsabilidade, do que um Estado que nos protege a todos, em especial os “pobrezinhos”, de nós/si próprios.”
    quanto mais nos protegem, mais nos escravizam.

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