Inimigo da Escola Pública

MarioNogueira

Alexandre Homem Cristo no Observador

O que melhorou na educação em Portugal não foi graças à Fenprof e a Mário Nogueira; foi apesar da Fenprof e apesar de Mário Nogueira.

É isto que não se pode perder de vista, num momento em que, pela primeira vez desde que há memória, um ministro da educação tem sido recebido com aplausos, em vez de com apupos, pelos representantes sindicais – e até aceita ser por eles avaliado trimestralmente. Aqui não há meio-termo: dar a mão à Fenprof equivale abraçar o seu projecto para o sistema educativo, isto é devolver-nos a 1976, a um sistema educativo fechado sobre si próprio, estatizante e centralizado, pouco exigente, construído por passagens administrativas, sem avaliação ou informação sobre os desempenhos dos alunos, das escolas, dos professores. Para lá caminhamos? Pelo menos, já não haverá prova de avaliação dos professores. Graças às provas de aferição a meio de ciclos de estudo (2º, 5º e 8º anos), também já não haverá informação estatística sobre alunos e escolas comparável com anos anteriores, dinamitando as bases de dados (cuja informação remete para os 4º e 6º anos). Já não haverá autonomia alguma para os directores contratarem professores. E cada vez menos haverá serviço público prestado por privados.

6 pensamentos sobre “Inimigo da Escola Pública

  1. Dois apontamentos face a dois assuntos que os liberais e afins frequentemente evocam quando falam de educação:

    a) uma é a vossa obsessão com o Mário Nogueira e a FENPROF, quando grande parte da agitação laboral entre os professores muitas vezes até vem de comités ad hoc largamente hostis à direção da Fenprof (no governo anterior não se notou muito, mas veja-se o que acontecia no governo do Sócrates, em que a Fenprof assinava acordos com o governo e meses depois era obrigada a voltar atrás nos acordos que tinha assinado, para não ser ultrapassada pela concorrência)

    b) outra é essa conversa de “devolver-nos a 1976, a um sistema educativo fechado sobre si próprio, estatizante e centralizado, pouco exigente, construído por passagens administrativas, sem avaliação ou informação sobre os desempenhos dos alunos, das escolas, dos professores”. Estatizante, pouco exigente, etc., provavelmente é verdade; mas “centralizado”? É verdade que a contratação dos professores era (e é) centralizada, e em teoria também as regras de admissão de alunos (na prática, dá-me a ideia que a admissão de alunos sempre foi muito “à vontade do freguês”), mas fora isso, a ideia que tenho é que nos anos (décadas?) a seguir ao 25 de abril cada escola era quase uma república independente, em que os professores (de cada escola, de cada disciplina, e largamente cada um na sua sala) largamente faziam o que queriam. Se dissessem que esse híbrido entre centralização e descentralização criava o pior de dois mundos, em que as escolas acabavam por não estar sujeitas a nenhuma forma de responsabilização (nem a responsabilização pelo mercado de um sistema descentralizado puro, nem a responsabilização perante os superiores hierárquicos de um sistema centralizado puro), era algo que se poderia discutir; mas dizer que o sistema era “centralizado” parece-me falta de noção da realidade

  2. jo

    Os sindicados ainda não se pronunciaram sobre os contratos de associação, porquê agitar espantalhos que não estão lá?
    Repare que do ponto de vista dos sindicatos não há diminuição de número de professores. Transitam da escola privada para a escola pública.

  3. JO : “Os sindicados ainda não se pronunciaram sobre os contratos de associação, porquê agitar espantalhos que não estão lá?”

    Sim, porque os sindicatos é que mandam na educação !!….

    JO : “Repare que do ponto de vista dos sindicatos não há diminuição de número de professores. Transitam da escola privada para a escola pública.”

    Deviam era “transitar” (não administrativamente mas contratados em função das competências demonstradas e das necessidades a responder) da escola pública a reduzir ou fechar para a escola privada em crescimento.

  4. O Miguel Madeira tem alguma razão ao lembrar que em 1976, no rescaldo do PREC, “cada escola era quase uma república independente, em que os professores (de cada escola, de cada disciplina, e largamente cada um na sua sala) largamente faziam o que queriam.”

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