Um arenque verdadeiramente vermelho

Esta discussão (no que toca à dicotomia ensino laico vs. ensino religioso) não é especialmente relevante porque ignora deliberadamente a realidade. Portugal não é um país anglo-saxónico onde a liberdade de ensino é total. As escolas privadas em Portugal não podem ensinar aos alunos apenas o que querem ou acham importante. O estado define o currículo, os horários desse currículo e define apertadamente as horas que restam para o ensino de matéria não curricular. Acresce que TODAS as escolas dependentes do Ministério da Educação, pública E privadas, são OBRIGADAS a oferecer a possibilidade FACULTATIVA dos alunos frequentarem a disciplina de educação moral e religiosa, actualmente nos termos do artigos 4º e 5º do Decreto-Lei nº 70/2013, mas desde a assinatura da Concordata em 1940.

Assim sendo, por favor ultrapassemos estas tretas e passemos às próximas: Os anjos públicos versus demónios privados e a entrega de lucro obsceno a estes últimos. Obrigado.

17 pensamentos sobre “Um arenque verdadeiramente vermelho

  1. Andou num colégio de freiras? Acha que o ideário católico só é transmitido na hora da religião e moral?

    Eu sou católico e recuso-me terminantemente a enfiar os meus filhos no excelentíssimo colégio de freiras local, precisamente pela moralização excessiva de tudo, desde a idumentária, horários de chegada, períodos de alimentação, festas escolares, e actividades extra-curriculares várias.

    Não sei como é a escola de Lamas, sei aliás que muitas destas coisas dependem da congregação específica (ou até da direcção da própria escola), mas não me venha com a conversa de que a religião não interessa porque o estado decide o que se passa dentro das salas de aulas.

    Nem o estado deve proíbir escolas deste tipo, nem deve obrigar pais a optarem por escolas deste tipo. Por muito que me incomode a ideologia Marxista propalada pelo ensino público, na minha zona, há muitos mais exemplos de colégios católicos onde não metia os meus filhos nem que me pagassem, que escolas públicas das quais fugiria.

  2. jo

    É curioso:
    Aqui há tempos houve pessoas que defenderam o encerramento de escolas na província, mesmo quando eram as únicas nas localidades, em nome da racionalidade económica. Essas mesmas pessoas não vêm nada de irracional em o Estado financiar várias escolas privadas, além da escola pública quando o número de alunos não o justifica.
    Parece que só é necessária a racionalidade económica do Estado quando não há rendas a serem distribuídas a privados.

  3. Baptista da Silva

    Tiago Brandão Rodrigues frequentou o ensino secundário na escola secundária de carlos Amarante, em Braga. Que só por acaso não é publica, ou é vingança ou falta de estaleca para ser ministro.

  4. Luís Lavoura

    a entrega de lucro obsceno a [demónios privados]

    Para mim, isso não está em causa.

    Mas está em causa o Estado financiar o lucro de uns, mas não de outros. Ainda por cima quando o Estado está à rasca de finanças como está.

    Eu tenho um filho numa escola privada. Pago as propinas. Não vejo por que raio de razão a escola na qual o meu filho está há de ser paga pelos pais enquanto que outras escolas totalmente similares são pagas pelo Estado. Por que raio de razão eu hei de ser discriminado relativamente a outros pais. Tenho um primo que teve os filhos numa escola com contrato de associação e não entendo por que é que ele não teve que pagar propinas mas eu tenho. Acho isso uma injustiça.

  5. Luís Lavoura

    JO
    Você tem toda a razão. O fim da mama dos contratos de associação estava no memorando da troica. O governo de Passos Coelho não cumpriu. (Tal como aliás não cumpriu muitas outras coisas que estavam nesse memorando.) A troica queria que o Estado poupasse o dinheiro que gasta a dar mama às escolas com contrato de associação. Mas para a direita só se deve poupar o dinheiro que se gasta com funcionários públicos.

  6. Luís Lavoura

    Nuno, as freiras são provavelmente piores que os padres.
    Eu andei (já há muitas dezenas de anos) numa escola de padres, e eles nunca me procuraram converter. Raramente falavam de catolicismo. Praticamente nunca tive problemas por ser ateu.
    Uma pessoa minha conhecida esteve internada numa clínica pertencente a freiras e queixou-se de que elas procuraram convencê-lo a rezar. Nunca na escola de padres onde estive me fizeram tal coisa.

  7. Fernand Personne

    Não atirem merda para as ventoinhas, com essa conversa de colégios católicos e laicos.

    A aventesma da filha do terrorista Mortágua twittou: “Racionalidade económica PSD/CDS é pagar a escolas privadas p/ terem alunos(*) qd há lugares vagos, já pagos, em escolas públicas da zona.”

    O que está em causa é a fantástica PPP que o ex-PM “inginheiro-filósofo” socialista (não é demais relembrar) inventou para as escolas: o Governo paga às escolas públicas e privadas por lugares teóricos que podem ser ou não ocupados pelos alunos, em vez de pagar pelos alunos que efectivamente frequentem a escola, seja ela pública ou privada, católica ou laica, islâmica ou marxista.

    (*) olha a puta a usar o termo sexista que não respeita a outra metade de género: alunos e alunas! Grande boizana (misto de vaca com boi)!

  8. Dádá

    “Uma pessoa minha conhecida esteve internada numa clínica pertencente a freiras e queixou-se de que elas procuraram convencê-lo a rezar.”

    Korror! Que bruxas, estas freiras!

    “Nunca na escola de padres onde estive me fizeram tal coisa.”

    Que escola de padres foi essa, ó Lavoura?

  9. Este Lavoura não sabe ler e inventa.
    Neste particular, no memorado da troica ficou assente que o Estado iria “apresentar um plano de acção para melhorar a qualidade dos serviços do ensino secundário”, nomeadamente através de “um quadro de financiamento simples, orientado para os resultados para as escolas profissionais e privadas com contratos de associação baseado em financiamento fixo por turma e incentivos associados aos critérios de desempenho”, coisa que foi feita, como quem acompanha estas coisas sabe.
    O que os Lavouras querem não é que o Estado financie o “ensino público” e que este seja eficiente, querem é que financie apenas as escolas públicas, mesmo que estas tenham custos de financiamento mais elevados e obtenham resultados muito mais fracos, indo mesmo contra a vontade dos pais desses alunos e das autoridades locais.
    Tudo isto por pura ideologia, que seguem de forma irracional, parece-me.

  10. “Tiago Brandão Rodrigues frequentou o ensino secundário na escola secundária de carlos Amarante, em Braga. Que só por acaso não é publica”

    Foi agora ver o site dessa escola (agora agrupamento) e tem todo o ar de escola pública (pelo menos a composição do conselho geral, e com a referência ao decreto-lei, tem todo o ar de escola pública) – não que isso seja muito relevante, na minha opinião, mas já que a questão foi levantada…

  11. Baptista da Silva

    Miguel Madeira,

    Eu também não sei, mas como tem órgão orçamentais e de contratação de professores, próprios, deduzí.

    Se me enganei peço desculpa.

  12. Nuno

    Lavoura, não é certamente padres vs. freiras que fazem a diferença.

    Há diferentes congregações e sobretudo diferentes pessoas. A escola a que me refiro é particularmente “regrada”, coisa que agrada certamente a muitos outros pais (se assim não fosse não seria popular). A mim, só ler o regulamento deixa-me com vontade de fugir, quanto mais lá deixar os meus pequenos.

    Outras há que não são assim.

  13. LUIS LAVOURA : “Eu tenho um filho numa escola privada. Pago as propinas. Não vejo por que raio de razão a escola na qual o meu filho está há de ser paga pelos pais enquanto que outras escolas totalmente similares são pagas pelo Estado.”

    Diferentes soluções possiveis :
    1- Mude o seu filho para uma escola publica.
    2- Mude o seu filho para uma escola privada paga pelo Estado.
    3- Defenda o alargamento do numero de escolas pagas pelo Estado de modo a ter mais hipoteses de ter o seu filho numa escola privada que seja paga pelo Estado.
    4- Defenda o “cheque ensino” e utilize-o para pagar a escola privada onde quer ter o seu filho.

    O que não faz sentido é defender que o Estado deixe de pagar a escolas privadas.
    Nesta eventualidade, o Estado teria de suportar os custos adicionais com os alunos que deixassem as escolas privadas o que tenderia a neutralizar a poupança inicial senão mesmo a ultrapassar.
    No pior dos casos os seus impostos ainda poderiam subir … e continuaria a pagar a escola privada do seu filho !…

  14. LUIS LAVOURA : “está em causa o Estado financiar o lucro de uns, mas não de outros. Ainda por cima quando o Estado está à rasca de finanças como está.”

    O Estado não “financia” coisa nenhuma.
    O Estado paga um serviço educativo que lhe é prestado.
    Por sinal com uma qualidade média que é superior à das suas próprias escolas.
    Por sinal a um preço que é inferior ao custo que suporta nas suas próprias escolas.
    Não sei se as escolas contratadas pelo Estado têm lucro.
    É bom que tenham porque se não tiverem não duram ou tendem a degradar o serviço prestado.
    Obrigando o Estado a substitui-las por outras escolas, privadas ou publicas.
    Se o preço pago pelo Estado não for suficiente para viabilizar o negócio das escolas privadas contratadas então o Estado tem mesmo de por todos os alunos em escolas públicas.
    O que representa um custo total para o Estado mais elevado.
    “Ainda por cima quando o Estado está à rasca de finanças como está.”
    Não sei se as escolas que não têm contrato com o Estado têm ou não lucro.
    Suponho que sim senão já teriam fechado.
    Se não fecharam é porque não precisaram do Estado para serem viáveis.
    Certamente porque oferecem um serviço educativo a uma clientela que, mesmo sem um “subsidio” do Estado, está disposta a pagar o preço que lhes permitem ter um lucro e serem viáveis.

  15. JO : “Aqui há tempos houve pessoas que defenderam o encerramento de escolas na província, mesmo quando eram as únicas nas localidades, em nome da racionalidade económica. Essas mesmas pessoas não vêm nada de irracional em o Estado financiar várias escolas privadas, além da escola pública quando o número de alunos não o justifica.”

    A racionalidade económica é a mesma para as duas situações : quando o numero de alunos não justifica devem ser fechadas as escolas que estão a mais e têm piores condições de custo e eficiência e concentrar os alunos nas que ficam porque têm melhores condições de custo e eficiência.
    Mas as duas situações não são idênticas pelo que, naturalmente, as soluções também não.

    Na primeira situação estavam apenas em questão escolas públicas espalhadas por diferentes localidades (1 localidade = 1 escola publica).
    Pelo menos na altura, não existiam escolas privadas nas localidades em que foram encerradas escolas publicas.
    Tratou-se simplesmente de fechar as escolas publicas que estavam a mais.
    Deste modo, o Estado utilizou melhor os recursos para garantir o mesmo resultado, a escolaridade da totalidade dos alunos, porventura até melhores resultados (melhor qualidade de ensino), poupando assim dinheiro dos contribuintes.
    Dinheiro este que, por outro lado, pôde ser destinado para outros fins mais úteis.

    Na segunda situação trata-se de uma localidade em que existem pelo menos uma escola pública e uma escola privada (o raciocinio é no essencial identico para varias escolas públicas e privadas).
    Neste caso, o Estado deve decidir se é racionalmente economico do ponto de vista da utilização dos dinheiros públicos manter tal e qual a escola pública existente ou se é preferivel contratualizar com a escola privada o ensino da totalidade ou de parte dos alunos até então na escola publica e redimensionar a escola publica em função da reafectação que for feita.
    Tudo depende da comparação entre os custos médios por aluno entre as diferentes configurações da escola pública e da escola privada.
    O interêsse do Estado, que deve ser o dos contribuintes e o das familias dos alunos, é de colocar um máximo de alunos na escola onde o custo médio é menor, pelo menos relativamente ao mesmo resultado, de preferência em absoluto e com melhores resultados.
    Se for a escola pública então o Estado pode legitimamente considerar que não se justifica, pelo menos termos de racionalidade económica, fazer qualquer contrato de prestação de serviço com a escola privada.
    Mas se, como é mais provável, for a escola privada, o Estado tem a obrigação de contratualizar com a escola privada e redimensionar a escola publica apenas para aqueles alunos que, por qualquer razão, não possam ser encaminhados para a escola privada.
    Também nesta situação, o Estado deve tomar a decisão que é económicamente mais racional, utilizando melhor os resursos escassos que tem à sua disposição, poupando dinheiro aos contribuintes que pode ser dirigido para outras utilizações mais uteis, e satisfazendo as aspirações das familias dos alunos para que os seus filhos tenham um ensino de qualidade.

  16. lucklucky

    “Portugal não é um país anglo-saxónico onde a liberdade de ensino é total. ”

    Onde foi buscar esta ideia?

    —–
    Como o JO demonstra o que está em discussão não é o melhor para as crianças, isso não interessa, o que interessa é o Lucro dos Sindicatos e o Lucro da Esquerda.

  17. Diz o JO que um seu primo “ teve os filhos numa escola com contrato de associação e não entendo por que é que ele não teve que pagar propinas mas eu tenho” e que acha isso uma “injustiça”.
    Ele não reparou na estupidez do seu argumento: ele, JO, não quer matricular os seus filhos no ensino público, quer ele seja prestado por um escola onde os professores são funcionários públicos, quer seja assegurado por colégios particulares, com custos menores, mas por conta do Estado.
    O Jo sabe que, nos colégios públicos, que não os que têm contrato de associação, os alunos têm mais possibilidades de obterem melhores resultados e, por isso mesmo, matriculou os filhos num colégio particular, mesmo suportando ele um enorme aumento nos custos com a sua educação. Até se compreende esta atitude do JO. O que não se entende é que o JO faça como a cadela da tia Antónia, que não comia nem deixava comer: o JO também sabe que nos colégios com contrato de associação os alunos têm, por regra, melhor aproveitamento do que os alunos das escola públicas semelhantes, mas o JO não quer que o primo beneficie dessa “vantagem”, ele o que quer é que os filhos do seu primo frequentem o ensino público numa escola pública, e que nunca aspirem a obter bom aproveitamento escolar, quedando-se pelo medíocre, quanto muito pelo satisfatório.
    Para os JOs, igualdade de oportunidades não é para todos, é só para os JOs. Uns finórios.

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