Pacheco Pereira

O que torna o Pacheco Pereira um traste não é as ideias que tem ou não tem. Passamos a semana inteira a ouvir coisas tão ou mais estúpidas do que aquelas que ele faz questão de repetir por todo lado em que lhe derem atenção, sem acharmos que quem as profere é, por isso, indigno. O que faz dele um traste moral é não ter a coragem de sair do PSD, e ir para Associação 25 de Abril, para o Bloco, para a Bloca, ou para onde lhe der na realíssima gana. Toda a gente tem o direito de mudar. O problema é que para sair civilizadamente do partido de que um dia fez parte teria de reconhecer que mudou (supondo que é disso que se trata e não de ressentimentos pessoais insusceptíveis de comentário), que já não faz parte daquilo, mas que nem por isso o grupo político a que pertenceu e as pessoas com quem partilhou posições deixam de ser respeitáveis, como eram antes, tal como é respeitável quem quer que jogue limpo no jogo da democracia, que é o jogo do pluralismo. Teria, enfim, de se resolver. Ele não. Prefere ficar à espera de ser empurrado, para se converter num caso heróico, transformando os outros, os que ficaram onde estavam, em pulhas. Obviamente que isso não acontecerá nunca, até porque Pacheco Pereira, ao fim do dia, é insignificante, o mundo não está inteiramente preenchido pelos trastes, e toda a sua relevância se reduz agora a este rosnar permanente que parece, bem vistas as coisas, ser a sua verdadeira vocação. Sem isso, e resolvendo-se civilizadamente, ficava o quê?

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18 pensamentos sobre “Pacheco Pereira

  1. joshua

    Pacheco é um caso perdido. Anda há anos a enfastiar o País com a sua retórica maniqueista e a inchar como a rã que queria ser boi, fábula.

  2. Charlie

    O ‘problema’ do Pacheco Pereira (tal como a Manela FL) é que o viu o PSD dele acabar quando o partido passou a ser liderado pelos actuais dirigentes. Isto significou a morte politica dele (e dela) num quadrante ideológico, coisa que não perdoam a PPC. No caso do Pacheco Pereira, achou que seria uma boa altura para regressar à casa ideológica, de onde saiu nos idos dos anos 70 por divergências com o Álvaro Cunhal.

  3. Chamar “insignificante” ao PP é duma petutância divertida, embora patética… Verdade que o Pacheco pode pode ter mudado um pouco, mas não será que quem mudou mais foi o próprio PSD? Uma mudança possivelmente transitória para mais tarde regressar à origem de gente séria e capaz… Talvez seja isso que anima o Pacheco Pereira, e muitos outros, para esperar… Ou talvez seja apenas uma forma de provocação… Não obstante, amesquinhar o homem de forma ofensiva (indo além do plano das ideias e do confronto político) apenas denota incompetência democrática e falta de educação… Esta última caraterística é infelizmente umas das marcas mais presentes no (pretenso) “liberalismo” de ideologia rococó que assaltou o PSD dos “fundadores”…

  4. Há muito que ando a tentar perceber a evolução recente do Pacheco Pereira – as minha teorias principais: é alguém que levou a sério a teoria das “gorduras do Estado”; e/ou é um eurocético que deixou o euroceticismo levar a melhor sobre o resto das ideias que defendia (o Ambrose Evans-Pritchard, o tory pró-Syriza, parece ser outro caso)

  5. Se voltar ao PCP reaprende a entrar mudo e sai calado. Ele sabe bem que á primeira palavra de qualquer reparo lhe cortavam logo o pio. Anda Pacheco.

  6. lucklucky

    Há qualquer coisa de Faustiano no comportamento de Pacheco. Só ele talvez saiba as razões.

  7. O que o Pacheco Pereira e os Luíses têm dificuldade em explicar é isto, há apenas 10 anos:

    “O orçamento devia ser recusado porque precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade económica, de mais espírito empresarial. Sem mais “crise” (das que falava Schumpeter) e sem mais “boa” insegurança, não somos capazes de mudar. O estado tudo faz para nos poupar a essa insegurança, e, como toda a Europa, afundamo-nos, pouco a pouco, na manutenção, geracionalmente egoísta, de um modelo social insustentável a prazo e que nos condena a definhar. É verdade que duvido que hoje alguém consiga ganhar uma eleição propondo o fim do conforto providencial, mas isso remete para a perda de margem de manobra democrática, face ao crescendo demagógico.”

    Pacheco Pereira, sobre o Orçamento Geral do Estado de 2005, publicado originalmente na Sábado e no blog do próprio, ainda disponível aqui:

    http://abrupto.blogspot.pt/2005/10/coisas-da-sbado-oramento-e-oposio-o-psd.html

    1. “Precisamos de mais liberalismo”;
    2. “Sem mais crise [..] e sem mais “boa” insegurança somos incapazes de mudar”;
    3. “[O] modelo social [é] insustentável a prazo” e “geracionalmente egoísta”;
    4. “Afundamo-nos na [sua] manutenção”;
    5. “[É preciso] o fim do conforto providencial”;
    6. Mas contra esse fim levanta-se um “crescendo demagógico”.

    Eu também usaria a palavra patético, mas noutro sentido…

    (Referência recolhida daqui – https://blasfemias.net/2016/04/30/pacheco-bem/)

  8. JP Ribeiro

    É óbvio que lhe falta o poleiro, aquele lugar que lhe confere a aura de gravitas que gosta de dar ao seu discurso. No PCP já não o querem porque o acham uma barata tonta, que é afinal tudo o que é. E disso sabe muito o PCP.

  9. tina

    “É óbvio que lhe falta o poleiro, aquele lugar que lhe confere a aura de gravitas que gosta de dar ao seu discurso”

    Bem visto. Nada deve fazer uma pessoa mais frustrada do que não lhe ser dada importância na prática. E de não se poder ocupar com coisas sérias, de não ter um obra para construir. Ele só fala, fala, fala,,,.

  10. tina

    E agora já não escreve no Abrupto, para não ter de dizer mal do governo. Enquanto dantes era um crítico de tudo e todos, agora está completamente mudo quando aos inúmeros disparates deste governo. É na verdade impossível encontrar alguém mais moralmente abjeto do que ele.

  11. antónio

    Pacheco Pereira apenas é reconhecido por uma parte do povo Português, aquela de menor sensibilidade intelectual que acha que uma pessoa incompreensível é sempre muito sábia.

  12. Carlos

    Oh Jorge, acalme-se. Eu sei que a rapaziada está toda lixado com o Pacheco… não é para menos, até porque a “geringonça” lá se tem safado e obviamente começa a ficar com os “rebuçados” que o regime fornece…, mas tenham calma!!
    O PSD como qualquer instituição irá sobreviver e adaptar-se (como referiu e bem o Santana no último congresso) à lógica institucional dominante (ex. Emídio Guerreiro ou Sousa Franco nos anos 70, que vieram depois a aproximar-se da esquerda, foram úteis ao partido), quem sabe se talvez o homem ainda possa vir a ser útil e se pensarmos bem, de momento, não causa dano até porque quem o ouve neste momento não vota nem é influenciado pelo partido, mas pode vir a votar… um partido democrata, sublinho democrata, não é uma instituição monolítica e admite a diversidade. O fundamental é que o partido garanta a representatividade dos interesses sociais e políticos que justificam a sua constituição e não o discurso e as pessoas que em cada conjuntura utiliza para essa defesa.

  13. Só uma coisa que vejo que tem criado alguma confusão aqui – o Pacheco Pereira nunca foi do PCP, foi do PCP(M-L) – são coisas diferentes, apesar do nome parecido

  14. Mas o PP alguma vez foi do PCP? Isto é anedótico. A canalha das jotas é muuuuuuuito ignorante. Nem todos juntos chegais a uma unha do pé do pacheco, que, diga-se, não é grande espingarda: escreve com os pés, é obtuso, pouco sabe da história de Portugal anterior a 1921. Enxergai-vos, rapazes.

  15. Nuno

    Mesmo que fosse o partido a ter mudado, essa mudança é legítima enquanto os militantes a quiserem, e os eleitores lhe derem votos e se sentirem representados por ela.

    Se o PP se sente mais próximo de outros partidos pode sair e juntar-se a outros.

    Os partidos não são clubes, são associações de pessoas com ideias minimamente semelhantes, e tanto pessoas como associações mudam. Nada de mais natural.

  16. IS

    Bom post de Jorge Costa! O sempre radical JPP só ainda não foi expulso do PSD porque os estatutos do partido consagram a pluralidade de opinião.

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