“E no fim o dinheiro vai para… a construção”

Luís Aguiar Conraria no Observador sobre a intenção do governo em usar o dinheiro das nossas reformas para financiar a “reabilitação urbana”

O governo argumenta que este “investimento” mais não é do que uma diversificação dos activos do FEFSS e que a Segurança Social não é prejudicada. Mas esse argumento não colhe: já nos foi explicado, pela voz do primeiro-ministro, que esta “aposta na reabilitação urbana terá de ter uma forte componente de promoção da oferta de habitação para arrendamento acessível” — um eufemismo para rendas abaixo do valor de mercado. Ou seja, insiste-se em investimentos que não aumentam o potencial produtivo de Portugal e assegura-se a sua baixa rendibilidade. Pior é difícil.(…)

Se isto não é um caso de gestão danosa da coisa pública não sei o que será. Num momento em que se arrumam na gaveta da retórica tantas apostas estratégicas, como conceber que não se recue num assunto desta gravidade? É tão difícil de entender que me vejo forçado a fazer minhas as dúvidas de Fernando Alexandre, a quem roubei o título deste artigo: “Porque acredito, apesar de tudo, na racionalidade dos agentes políticos, a questão que se coloca é: qual a origem do poder dos sectores da construção e do imobiliário? Sem que esta pergunta seja esclarecida, não vamos compreender a natureza da grave crise que se instalou na economia portuguesa desde o início do século XXI.”

7 pensamentos sobre ““E no fim o dinheiro vai para… a construção”

  1. Marco

    O problema é que qualquer que seja o político que está na AR … não tem a mínima noção das coisas … e depois ainda existem os “n” gabinetes de consultadoria, privados, que lhes dão “apoio” …

    É um esquema institucionalizado.

  2. Marco,

    O problema não é existirem gabinetes de consultadoria privados.
    São legitimos e ninguém é obrigado a utilizar os seus serviços e a seguir as suas recomendações.
    A responsabilidade final nunca é dos consultores mas de quem toma as decisões.

    O problema é mesmo que alguns decisores politicos tenham a “máxima noção” de que “o dinheiro é do PS” !!…
    (e, falando de dinheiro dos outros, agora até vamos ter uma supervisora que também é do PS !!)

  3. JP-A


    Se isto fosse com a direita as badaladas seriam de dia e de noite em todos os canais de televisão com o habitual género de declarações da esquerda, da extrema-esquerda e de alguns fantoches de direita com lugar cativo na área da tudologia conveniente. Convém memorizar os acontecimentos do “novo tempo” que é para na devida altura se esfregar com eles. Em condições normais isto representaria pontos para a direita, só que a direita está como está. Por mim, quando o próximo resgate vier e as ordens vierem mesmo todas de fora, governa o PS.

  4. Marco

    Fernando S,

    Concordo. No entanto para quê termos deputados se no fundo não fazem nenhum.

    Quanto a este desgoverno, eu não o desclassifico por ser PS, PSD, ou outro. Para mim são todos iguais a nível partidário. Eventualmente estes incompetentes do PS já lá estiveram e têm provas dadas da sua incompetência … mas no fundo … quem é que lá os mete … ?

  5. JP-A

    E disto, o Presidente da República também não pode falar? Também nesta causa está com o Governo? Não sabe? Anda distraído? Está tudo bem e afetuoso?

  6. MARCO : “para quê termos deputados se no fundo não fazem nenhum.”

    Eles até fazem … muitos deles fazem é mal !… Pelo menos estes, mais valia que não fizessem nenhum … 🙂
    De qualquer modo, é a democracia.
    Apesar de todos os defeitos, a democracia ainda é o menor dos males.

    MARCO : “no fundo … quem é que lá [na AR] os [deputados] mete … ?”

    Digamos que são os portugueses através de actos eleitorais.
    Por isso sempre disse que os responsáveis em última instância somos sempre nós, os portugueses no seu conjunto (porque individualmente cada um responde por si e pelas suas opções politicas).

    MARCO : “Para mim são todos iguais a nível partidário. Eventualmente estes incompetentes do PS já lá estiveram e têm provas dadas da sua incompetência …”

    Sim, no Parlamento o voto de cada deputado vale o mesmo independentemente do partido a que pertence.
    Mas, para mim, os partidos não são todos iguais em termos das responsabilidades que têm na situação do nosso pais e em termos das politicas que defendem.
    Por isso não os meto todos dentro do mesmo saco.
    Por exemplo, o que o Marco diz a propósito do PS parece-me bastante relevante.

  7. 1º) A construção civil não aumenta o “potencial produtivo” de país algum. Portugal é um bom exemplo do perigo de basear o crescimento em tal actividade, muito limitada à exploração do mercado interno, delapidando um recurso limitado (o território) e provocando elevados níveis de endividamento.

    2º) Isto não quer dizer que a reabilitação urbana não seja necessária e até fundamental para provocar um aumento dos índices de qualidade da oferta da nossa construção. Aliás, um país que diz ter pretensões na área do turismo, é bom que comece a encarar este assunto com seriedade.

    3º) A reabilitação nem sempre é apetecível para a iniciativa privada.(entendida individualmente), mas tem consequências na imagem final do produto que se oferece: a paisagem.

    4º) A alternativa às rendas condicionadas (logo, subsidiadas), é a construção de bairros sociais. O que fica mais caro?

    5º) De tudo isto resulta que, a única polémica que vale a pena, é em torno da origem do financiamento. Aí sim, há muito para explicar.

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