Mariana Mortágua

É possível que Mariana Mortágua tenha estudado economia. Ou mecânica automóvel. Ou a cultura intensiva de bonsais. Qualquer coisa que não se nota imediatamente no que diz e faz. Vejamos. Hoje postou isto no seu facebook:

«A Comissão Europeia acha que não podemos subir o salário mínimo nacional porque isso prejudicaria o desemprego de longo prazo. Esta análise parte de duas premissas: a) o SMN é muito elevado em Portugal e b) quanto maior o SMN maior será a percentagem de desempregados de longo prazo. Aqui fica um gráfico que relaciona o SMN com o desemprego de longo prazo para vários países da UE. Ambas as premissas são falsas: a) o SMN em Portugal está abaixo da generalidade dos países da zona euro e b) há uma tendência para países com SMN mais elevado terem níveis de desemprego de longo prazo mais reduzido. É pura ideologia o que move a Comissão Europeia. (Os dois pontos sem legenda são a Bélgica, ao pé da Irlanda, e o Luxemburgo)». 

E depois ilustra tudo isto, que já não é pouco, com isto:

Mariana Mortágua

Trata-se, muito provavelmente, do gráfico mais obtuso que alguma vez vi. Pretende negar uma tese que nunca vi ninguém defender, e que seria: quanto maior o salário mínimo num país, maior é a sua  percentagem de desempregados de longa duração* – não relativamente à totalidade da população activa, como costuma fazer-se e dá a muito comum taxa de desemprego de longa duração, mas em relação à totalidade dos desempregados, o que dá um rácio que por qualquer razão a Mariana usa, mas eu não percebo.

Por exemplo: se um país tiver 1 desempregado e ele for desempregado de longa duração fica numa área de tal modo a Norte do gráfico, que não se vê: o gráfico da Mariana só vai até 80,00%, mas esse país tem um rácio de 100,00%. Assim sendo, não me espanta que não veja qualquer correlação. Não é dos seus olhos, Mariana. É da coisa. Se eu espalhar numa folha de excel os indivíduos de uma população pelas suas alturas (abcissas) e a raiz quadrada do seu número de telemóvel (ordenadas), é possível que obtenha uma distribuição parecida com esta. Enfim, não tentei, mas admito.

Admitamos que a estrela do Bloco queria apenas afirmar que, dêem lá as voltas que quiserem dar, não pode haver qualquer relação entre o desemprego de longa duração (número de activos no desemprego há um ano ou mais, e mais umas quantas condições que agora não interessam, a dividir pela população activa total) e o nível do salário mínimo**.

Uma vez mais, é possível que ela esteja a contestar alguém, mas certamente não a cegueira ideológica (é supremamente divertido este jogo a que a Mariana se entrega com alguma frequência, acusando os seus fantasmas de cegueira ideológica) da Comissão Europeia. O que diz a Comissão? Diz isto:

Continued increases in the minimum wage can have a negative impact on employment, competitiveness and affect the returns on skills investment. Starting with an increase from EUR 505 to EUR 530 in January 2016, the government plans to progressively increase the minimum wage up to EUR 600 per month in 2019 (paid 14 times per year). The recent and planned increases do not appear aligned to macroeconomic developments in terms of inflation, unemployment and overall productivity growth. In 2014, almost 42% of employees had a monthly income below EUR 600. Although this share is expected to decrease by 2019 (due to wage increases across the distribution), its magnitude suggests that the share of workers covered by the minimum wage might increase substantially. Such developments would lead to a strong compression of the wage structure, reducing returns on skills. They would also place upward pressure on the overall wage structure and, if not matched by productivity increases, risk affecting employment and competitiveness perspectives for labour intensive industries. Moreover, such a measure is particularly detrimental for the employability of the low-skilled workers, whose labour market prospects are already dismal as the continuously negative quarterly employment growth rates (compared to medium- and high-skilled) show. In addition, the prospects for a reduction in the persistent share of long-term unemployed are not improving through further increases in the minimum wage. 

Isto é, a Comissão diz que:

– Aumentos sucessivos do salário mínimo podem ter um impacto negativo no emprego, na competitividade e afectar a remuneração do investimento em competência profissional (skills).

–  Os aumentos recentes e os aumentos planeados não parecem estar alinhados com os desenvolvimentos macroeconómicos em termos de inflação, desemprego e produtividade.

– Esses aumentos levarão a uma forte compressão na estrutura salarial (a Comissão estima que se chegarmos aos 600 euros, com está planeado, em 2019 teremos um pouco menos de 42% da população empregada abrangida pelo salário mínimo), o que reduzirá a remuneração da qualificação.

–  Além do que atrás ficou dito, estes aumentos são particularmente nocivos para a empregabilidade dos trabalhadores pouco qualificados, que já estão a ter dificuldades notórias em empregar-se.

– E há que notar ainda que estes aumentos não beneficiarão as perspectivas dos desempregados de longa duração.

Não há, como se vê, qualquer relação entre o que diz a Comissão e as fantasias da Mariana. A Comissão não fala em níveis de salário mínimo em abstracto, mas de aumentos, ou melhor, de aumentos sucessivos do salário mínimo desfasados em concreto da evolução da inflação e da produtividade – aqui trata-se de factos e das próprias projecções do governo da Mariana -, que podem afectar negativamente as perspectivas de emprego dos trabalhadores com poucas qualificações (um dos dramas do desemprego de longa duração, a que o relatório da Comissão alude secundariamente, é ser ele, por si só, um factor de deterioração das qualificações do desempregado), etc. Fala ainda do problema da compressão da estrutura salarial, isto é, do enorme aumento do número de pessoas a ganhar o salário mínimo, impedindo ou dificultando a evolução das  remunerações dos mais qualificados, reduzindo-se desse modo o incentivo à qualificação (por que carga de água vou eu passar anos a estudar se no fim me calha um salário mínimo ou algo muito parecido?) e de outros problemas gravíssimos de que a Mariana, lúcida e avessa à cegueira ideológica da Comissão Europeia, parece não se dar conta.

O problema é que estamos entregues a isto.

* Mariana: long-term unemployment diz-se desemprego de longa duração em português.

** Não sei o quer a Mariana sugerir com a tendência – que ela vê – entre salários mínimos elevados e um reduzido nível de desemprego de longa duração; não me parece possível que ela esteja a sugerir que salários mínimos elevados diminuem o desemprego de longa duração, embora eu já tenha visto demasiada bizarria para eliminar taxativamente a hipótese.

43 pensamentos sobre “Mariana Mortágua

  1. Joaquim Carreira Tapadinhas

    O autor do artigo, que critica a deputada Mariana Mortágua, devia ter de viver com o salário mínimo nacional. Talvez, se estivesse nessa situação, percebesse melhor o que é ter €471,70 mensais para para sustentar uma família. A insensatez está, desde há muito, a fazer carreira neste pobre país.

  2. Quem ganha o salário mínimo nacional é porque não tem competências para ganhar mais.

    O rumo certo para essas pessoas é fazerem por ganhar essas competências e arranjar outro trabalho que lhes proporcione um salário melhor.

    Aumentar artificialmente o salário mínimo não só não vai melhorar a vida dessas pessoas (porque a inflação daí resultante vai cobrir esses aumentos), como pode ter o efeito contrário ao diminuir a criação de emprego e tornar um trabalhador de salário mínimo num desempregado.

  3. André Miguel

    Pura má fé. Pode ser esganiçada, mas não é parva, caso contrário sugeria aumentar o SMN para 1000 Euros.

  4. maria

    Para o incauto cidadão, não faz mal nenhum haver alguém que dê umas abanadelas. Pelo menos vai alertando consciências, senão, não havia contraditório.
    Ela é novita e vai ganhando caulo.

  5. Prova indirecta

    Estranho , estranho mesmo na Mariana , foi tanta bondade para com as alegações do Centeno esta tarde na CPI , a propósito daquele email do BCE .
    Nem parecia ela .
    Se calhar são os poléns da Primavera .
    Ou então estava a ovular…

  6. Renato Souza

    A resposta à descabeçada (ou espertalhona, o que é mais provável) é simples: Se nenhum mal resulta do aumento do salário mínimo, porque propõem um aumento tão pequeno? Se é algo que só trás benefícios, muito maior deveria ser.

  7. Anticapitalista

    Bom, muito bom ou excepcional era (e é, porque ainda não morreu, nem vai morrer de fome por só ganhar o smn, claro) o professor doutor Vítor Gaspar, assim como o Cavaco, o Passos Coelho, a Maria Luís, o Relvas, o Macedo, o Duarte Lima, o Isaltino, o Portas, etc., etc.
    Estes sim!… agora a Mariana Mortágua que faz corar os salgados e os ensonsos (e que, por acaso, só está a defender um doutoramento em finanças), esta, coitada, nem saberá distinguir o que foi ter o smn congelado (o João Proença ainda estará à espera da estátua sugerida pelo Marques Mendes….), assim como não vê (como o escriba de odor salazarento e seus correligionários) os “aumentos sucessivos” que o smn tem experimentado em Portugal….
    Viva o capitalismo, se bem que disfarçado de “social-democracia sempre” dos pafistas ressabiados!!!!…

  8. Prova indirecta

    ( desde que a PAF saíu da ribalta , que a vida parlamentar corre num remanso . ‘inda se ao menos arranjassem um Lacerda ao Passos , mas nada , nada :, nem sequer um crimezito que se pudesse apontar à Maria Luis Albuquerque … O Tóni Xamuças esse não conta , o Centeno também não : esgotou-se o livre direito à indignação… )

    😦

  9. Prova indirecta

    O anticapitalista é cá dos meus , também gosta de histórias de faca e alguidar . Se não tivermos eleições em Outubro ou a pronúncia do Socras , mato-me de fastio , antes que acabe o ano .

  10. Paulo Martins

    Vi isto publicado algures. Ri-me, pela tentativa de demonstrar que, afinal, a terra não gira à volta do sol. Depois vi uns astrónomos geringonços a repetir a façanha. Isso já me irritou um bocado, confesso.

  11. Há não muito tempo o Mário Centeno (com outros autores) redigiu um paper a propósito dos efeitos nefastos do Salário Mínimo no desemprego em Portugal para o Banco de Portugal.
    Por que motivo é que a comunicação social não se lembra de trazer esse artigo à ribalta?

  12. Carlos Miguel Sousa

    Neste momento, e sem querer entrar aqui em grandes pormenores de produtividade, aumentar o salário mínimo é mais positivo que negativo.

    Nota: Não sou de esquerda, limito-me a olhar à minha volta e ver como sobrevivem as pessoas que o ganham.

  13. André Miguel

    Carlos e já se perguntou como sobrevivem as pessoas que o pagam? Não me refiro às grandes empresas, que essas pagam acima, refiro-me às micro, pequenas e aos trabalhadores por conta própria que utilizam mão de obra não especializada e em negócios de baixo valor?

  14. Fartou-se de escrever para achincalhar a pobre da Mariana. Mas o melhor mesmo é entender-se com ela em matéria “técnica”… Ou será que o “economês” não é também um território “interpretativo” em que cada um usa a ideologia que lhe convém?… É que fica feio acusar a miúda de “incompetente” quando a questão é divergência de opiniões… Confesso que me chateia o uso e abuso (por parte da direita sobretudo…) de que quem tem opinião diferente é “atrasado mental”. Essa argumentação é pobre e “lazy”…
    Relativamente ao “recado europeu” acho que deve ser arquivado na fossa séptica… Eles que vão mandar “postas de pescada” para a terra deles. Um país com 900 anos deveria dar-se mais ao respeito e não andar sempre em “bicos de pés” em relação ao que “euro-palermas” dizem… Até porque eles deveriam ocupar-se com outras coisas mais importantes. Debitam dislates em relação aos parceiros europeus e ao mesmo tempo vão deixando o imperialismo islamofascista andar à vontade e alastrar.

  15. Oliveira

    Podemos manter a lucidez económica sobre os efeitos nefastos do aumento do SMN e mesmo assim manter a nossa sensibilidade social. A narrativa do “pobre é pobre porque merece” cansa-me. Existem pessoas que ganham o SMN que vivem com imensas dificuldades. Existem pessoas que ganham o SMN que deveria porventura ganhar mais. A questão aqui é como se abordam esses mesmos problemas. O aumento por decreto do SMN é uma solução fácil mas pouco eficiente, devido aos efeitos negativos tanto para as empresas como para, no médio e longo prazo, para os próprios trabalhadores (incluindo aqueles que deixam de o ser). Sei que é mais difícil, mas seria muito mais interessante dar condições à economia para que as empresas possam pagar salários mais elevados sem entrar em risco de falência. E isso, como é óbvio, não é o caminho que está a ser escolhido.

  16. A partir do gráfico, considerando que representa a realidade, a única coisa que se pode concluir é que há ua tendência para os países mais ricos pagarem SMN mais elevados, o que é natural, “se tenho mais dinheiro posso pagar mais.”

    Para reforçar o meu argumento, acrescento que o salário mínimo na Alemanha só foi instituído recentemente (2015, decisão de 2014). Em Inglaterra julgo que foi em 1999 e também julgo que não prejudicou o emprego, exactamente por se tratarem de economias sólidas. Portanto, países numa situação completamente diferente da nossa.

    O bloco e a mortágua que em cada artigo que escreve sobre economia comete todo o tipo de atropelos (aldrabices) é que pensam que sem dinheiro se consegue pagar mais.

  17. JOAQUIM CARREIRA TAPAINHAS : “Talvez, se estivesse nessa situação, percebesse melhor o que é ter €471,70 mensais para para sustentar uma família”

    É altamente improvável que o Joaquim Carreira Tapadinhas “esteja nessa situação” que lhe permitiria “perceber melhor” …
    Mas está talvez na situação de saber que é técnicamente possivel viver com esse valor e até com menos.
    Até com muito menos….
    No mundo, cercas de 1 bilião de pessoas vive com menos de € 50 por mês.
    E como vivem em paises pobres não têm sequer a possibilidade beneficiar de alguma assistência social do Estado e dos privados, como acontece em paises como o nosso.
    Em Portugal, mais de 40% das pessoas com um rendimento mensal vivem com menos de € 600.
    Isto num pais que tem tido ao longo de décadas um aumento progressivo do rendimento médio das familias.
    Portanto, antes, há 20, 30, 40, 50, 60, 70, etc anos, havia ainda mais gente a viver com ainda menos.
    Portanto, possivel é !
    Vivem mal, pior do que se tivessem um pouco mais, mas melhor do que se tivessem ainda menos (como diria La Palisse !…).
    Mas possivel é !

    O problema não é portanto o da possibilidade ou não das pessoas viverem com rendimentos tão baixos.
    O problema é o da possibilidade da economia de um pais poder produzir riqueza suficiente para que haja mais pessoas a poderem ganhar mais do que um determinado montante.
    De que é que serve aumentar aquele montante para além do que a economia pode suportar, por exemplo acima do aumento de produtividade, se o resultado final for contra-producente, por exemplo um freio à criação de empregos (que, estes sim, é que permitem viver com um minimo aceitável) e à produção de mais riqueza (que, esta sim, é que poderia tornar viáveis aumentos salariais, a começar pelos minimos) ???….

  18. André Miguel

    Excelente comentário Fernando, mas a coisa resume-se a algo muito mais simples: porque são aqueles que não têm esse compromisso a decidir quanto é que alguém deve pagar a outrem? Isto é algo da esfera exclusiva de quem paga e de quem recebe. O Estado está a mais nesta equação.

  19. Sim, André Miguel, é verdade : o melhor seria mesmo as remunerações resultarem da livre negociação e acordo entre as partes, empregadores e empregados, sem interferências do Estado, sem salários minimos mem máximos.
    De resto é nos paises onde a negociação e a contratação laboral são mais livres que o desemprego é mais baixo e os salários em média mais elevados.
    Mas acontece que a realidade existente não é a ideal e, infelizmente, a fixação de salários minimos pelo Estado corresponde a uma prática bastante generalizada (mesmo os EUA os têm).
    Mas, mesmo sendo assim, pelo menos que este salário minimo seja suficientemente baixo para não desencorajar a contratação de trabalhadores pouco qualificados que querem trabalhar a esse preço e para não constituir uma pressão sobre a restante grelha de salários prejudicando a eficiência global das empresas.
    É o que se passa nos EUA e noutros paises com economias mais flexiveis e dinâmicas.

  20. De uma coisa eu tenho a certeza a Mariana percebe muito mais de economia do que licenciados em universidades privadas aos 37 anos de idade. Disso eu não tenho a mínima dúvida.

  21. André Miguel

    Alberto, a questão é que a Mariana nunca vergou a mola e quem licencia aos 37 anos saiu-lhe do lombo, trabalhou para isso. Consegue ver a diferença?

  22. André Miguel não sei se percebeu a quem eu me queria referir, não acho que ser jotinha e deputado seja vergar a mola nem sequer motivo impeditivo de concluir uma licenciatura mais cedo. Aliás o André Miguel acusa a Mariana Mortágua de ela não vergar a mola ou seja depreendo que considera também que ser deputado não é vergar a mola. Eu diria que para uns 80% não é, para uns 20% talvez seja. No caso a que me referia incluiria-o claramente nos 80%.

  23. “a Mariana percebe muito mais de economia…”

    A Mariana percebe tanto de economia que nem sequer percebe que não faz qualquer sentido comparar valores absolutos de salários minimos de paises que têm entre si importantes diferenças de produtividade e eficiência globais.

  24. joao

    Eu não percebo muito de economia mas quer me parecer que os países que têm menos desemprego a longo prazo, têm também salários mínimos mais elevados pela mesma razão: Terem economias mais sólidas. Depois temos os casos que tinham salário mínimo maior que o nosso mas ao que parece tinham economias que não o podiam suportar, tipo Grécia. Estas brincadeiras pagam-se. Com mais desemprego ou com falência do estado. A economia gera salários e não os salários que geram economia, ou pelo menos o tipo de economia que nos interessa e que permite progredir o país. Reconheço no entanto as minhas limitações e que esta linha de pensamento seja simplista. Mas pelo menos compreendo-o e compreende muita gente…

  25. Fernand Personne

    “Existem pessoas que ganham o SMN que vivem com imensas dificuldades. Existem pessoas que ganham o SMN que deveria porventura ganhar mais.”

    Existem pessoas que ganham o SMN x 3 ou x 4 que deveriam estar no olho da rua porque a sua produtividade é = 0 mas estão no “quadro” e não podem ser despedidas e como o salário é certinho, quer haja superavit quer haja deficit, e como não há objectivos mínimos a cumprir (é para se ir fazendo) nem há penalizações, o rendimento é de 0,00 %.

  26. JOAO : “Reconheço no entanto as minhas limitações e que esta linha de pensamento seja simplista. Mas pelo menos compreendo-o e compreende muita gente…”

    Não é nada “simplista” …
    Quando muito é a complexidade do real explicada de forma “simples” e compreensiva, o que é útil e salutar …
    É sobretudo bom senso e corresponde à percepção comum a toda a gente (incluindo os que defendem politicamente o contrario).
    A “economia” é o que é e não o mundo imaginário que alguns “economistas” constroem e no qual muitas pessoas desejam acreditar.
    O que é simplista e errado é pensar que se podem aumentar rendimentos por decreto sem que estejam garantidas as condições para que e a riqueza que deveria servir para pagar esses rendimentos seja efectivamente produzida.
    Por exemplo, imaginar que a generalidade das empresas vai investir, empregar e produzir mais quando o Estado aumenta o salário minimo, reduz o tempo de trabalho legal, dificulta a contratação a tempo determinado e os despedimentos, etc, etc é ver o mundo de pernas para o ar !!

  27. Oliveira

    Fernand Personne, diga-me onde disse o contrário disso. Diga-me onde no meu comentário encontra uma posição contrária às reformas estruturais necessárias neste país ou qualquer ideia contrária à meritocracia. Diga-me onde disse que as pessoas que não trabalham devem receber por nada. Provavelmente não me vai dizer nada, porque eu nada disso disse. E não o disse porque conhece a realidade do trabalho em Portugal e conheço gente pouco ou nada produtiva que ao fim de algum tempo se tornam fardos. Vejo isso no dia-a-dia. Como também vejo pessoas que trabalham muito e que não têm as melhores condições de vida.

    A mania de colocar empresários vs trabalhadores é um dos principais problemas da sociedade. Parece que é muito difícil perceber que ambos os lados da equação não funcionam um sem o outro. E, como já disse, não precisamos de ser economicamente ignorantes para ter sensibilidade social nem precisamos de ser socialmente insensíveis para perceber a base de uma economia.

  28. Isto é assustador.
    Tantos comentários baseados em premissas erradas, num blogue supostamente lido por cidadãos com uma sofisticação económico financeira acima da média, não augura nada de bom para Portugal.
    Vou tentar explicar os factos de uma forma simplista, perdoem-me a falta de sofisticação:
    – a imposição de um salário mínimo por decreto governamental foi uma invenção dos países anglo-saxónicos, aquando da existência de oligarquias corporativistas que dominavam os governos, com o objectivo de impedir a entrada nos seus mercados de novos concorrentes (novas empresas e novos trabalhadores).
    – foi uma invenção maligna, elaborada e criada pelos “Maus”, inclusive com intenções racistas (foi para excluir os negros americanos e aborígenes da Nova-Zelândia do acesso ao emprego industrial).
    – o objectivo de um salário mínimo nacional é criar desigualdade e injustiça social, pois quem ganha pouco passa a ganhar zero. Uma das consequência da sua criação foi o nascimento dos Guettos Norte Americanos, onde a população jovem, impedida de obter emprego, passou a dedicar-se ao tráfico de droga e prostituição.
    – os países mais justos do mundo (Sociais-Democracias nórdicas) não têm salário mínimo decretado pelo governo.

    Pergunta: qual o modelo de sociedade que preferem para Portugal?

  29. Par completar: se estão preocupados com o baixo nível de vida de quem ganha 400€ (eu tb estou), proponham antes um IRS negativo.
    O governo oferece RSI a quem trabalha por menos do que for considerado mínimo de sobrevivencia, até completar os pretendidos €600 (se for esse o valor).
    Depois quero ver o Centeno e o Costa a pagarem.

  30. Oliveira

    Obrigado Surprese pela lucidez económica, histórica e social apresentada com clareza e de forma simples nos comentários.

  31. Pingback: PLAN B FROM OUTER SPACE – a farpa

  32. Quando a Mariana Mortágua defender para

    – o papel higiénico

    – a pasta de dentes

    – o detergente para a roupa

    o mesmo IVA que o Costa promete a quem pode ir comer um bom bife a um restaurante…

    avisem-me!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    É tão lindo ter pena dos pobrezinhos com o salário mínimo ao mesmo tempo que, criminosamente, se faz aumentar o preço de tudo e de mais alguma coisa por via do aumento de rendimento das outras classes (para utilizar uma palavra cara à esquerda), aumento esse feito através não da economia real mas do endividamento perante credores estrangeiros! Ah!, a revolta que isto me causa!

    A Mariana Mortágua vive em Lisboa e sabe muito bem que isto é a cidade:
    – dos funcionários públicos de nível superior;
    – dos pensionistas da CGA mais abonados;
    – dos não funcionários públicos que trabalham em empresas encostadíssimas ao Estado, tendo-o por cliente nº1, como nº2 uma empresa pública, como nº3 um intituto público, etc. Ou então estão numa empresa que presta serviços a outra empresa que por sua vez está na situação descrita anteriormente. Tudo em Lisboa gira à volta de como o Estado distribui o dinheiro. E se o Estado distribui dinheiro! (que não tem) Ó-se-distribui!

    É por isso, Mariana Mortágua, que os pobrezinhos vivem mal: porque por via da lei da oferta e da procura, as classes (para utilizar linguagem que percebeis) ricas fazem aumentar de tal forma o preço das coisas que os pobres, com os seus parcos rendimentos relativos, a custo lhes conseguem chegar. Veja por exemplo o preço das casas em Lisboa. E veja que alguns ricos, essa corja horrível, até tem casas desocupadas que não põem para arrendar (com o que, fazendo aumentar a oferta de imóveis, diminuiriam, ainda que pouco, a renda média – lei da oferta e da procura, capice?) porque… o que têm lhes basta.
    E por que lhes basta? Porque recebem mais, às vezes muito mais do que aquilo que, pela natureza da economia pátria, teriam conseguido!
    Nós nunca teríamos a quantidade de ricos que temos (e, por comparação, os pobres não seriam tão pobres) se o Estado não distribuísse dinheiro – que não tem – a torto e a direito. A funcionários públicos e a empresas privadas, repito.
    Quando os pensionistas da CGA ganham 3 e 4 vezes mais do que aquilo a que teriam direito (mesmo contando com a parte que o Eugénio Rosa diz que o Estado devia ter lá posto), como é que quer que um Estado tenha dinheiro para pagar a TSU dos trabalhadores menos abonados, como faz em parte a Alemanha, aliviando-lhes a carga?

    Como, Mariana?!??

    Afinal a Mariana não é mais inteligente do que a Catarina Martins, sobre quem escrevi, aqui

    https://oinsurgente.org/2015/11/01/bom-dia-catarina-martins-promete-lhe-mais-impostos/

    isto:

    «Esta Catarina não vê que quando “descongela” pensões milionárias, por um lado, e dá, por outro, uns poucos euros aos mais pobres está a regressar ao “status quo ante”? Isto é, a uma situação em que os pensionistas ricos eram mais ricos e os pobres – relativamente aos ricos – mais pobres? (Com o acréscimo de endividar ainda mais o País, mas sem nenhum benefício real, muito provavelmente.)

    Esta Catarina não conhece a lei da oferta e da procura que, quando articulada com a tipologia do consumo de uma economia, nos diz que quando se atira dinheiro para cima de uma economia que produz pouco, o resultado é apenas o aumento dos preços, por efeito justamente da lei da oferta e da procura? E que assim os aumentos de rendimento não trazem nenhum acréscimo de poder de compra para os mais pobres, podendo mesmo – se se fizerem os célebres aumentos “à percentagem para todos, ricos e pobres” – os mais pobres PERDEREM PODER DE COMPRA, dado o aumento dos preços poder justamente “comer” o aumento das pensões?

    Catarina, onde é que a menina aprendeu Economia?!?!?!?

    Da esquerda eu esperava a defesa do aumento da exponencialidade do imposto automóvel, a defesa da criação, a nível comunitário, de taxas de IVA uniformes sobre produtos de luxo, ou voluptuários, se quiserem. Do aumento do IRS… enfim, também é de esperar da esquerda.

    Agora descongelar as pensões por igual? Para quê? Para os pensionistas ricos poderem comprar o BMW, o Mercedes, ou o Audi com mais 5 mil euros de extras inúteis enquanto berram que nem uns perdidos que a culpa da crise é da Alemanha?

    A menina Catarina, se quer ser burguesa, ao menos faça o favor de não pensar como os novos-ricos.
    Ou será que a Catarina segue aquela corrente comunista que defende a evolução da espécie através da selecção “natural” que é dar sempre muito boas reformas a quem trabalhou na função pública enquanto, ao mesmo tempo, se organiza nesta uma teia de cunhas que privilegia a entrada para a dita cuja de gente preferencialmente de esquerda?
    Até parece que não foi por causa disso que o comunismo começou a desabar…»

    Meninas Mariana Mortágua e Catarina Martins:

    É tão verdade as meninas serem de esquerda e estarem seriamente preocupadas com os pobres quanto eu ter ganho o euromilhões. Convosco e com mais o Costa não há distribuição de riqueza; só de dívidas.

    ——————————————-

    Aqui

    http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/obrigacoes/detalhe/portugal_emite_divida_com_juros_mais_altos.html

    deixei isto:

    «A economia estava a registar um fenómeno saudável que infelizmente esta geringonça interrompeu: é que finalmente os preços estavam a nivelar (ainda que lentamente) por aquilo que produzimos e pelo dinheiro de que dispomos, e não por uma oferta excitada pela “alavancagem socialista conluiada com a agiotagem internacional” com apoio em prognósticos de crescimento a 3% ao ano (quando nem isso crescemos numa década) e que deu na aberração de termos um Estado que paga a um médico reformado mais do que a um que trabalha; a um juiz reformado mais do que a um que trabalha; a uma professora reformada mais do que a uma que trabalha. Não sei se vai haver terceiro “resgate”. Mas que vai haver um segundo, isso vai. E vão voltar os sacrifícios, quem sabe mais intensos. Um desnorte, é o que isto é. Até lá quem vai lucrar com a nosso desnorte é quem nos empresta dinheiro. Agora pergunto: qual é o Primeiro-Ministro sensato que dá dinheiro a ganhar à agiotagem internacional? Nenhum!»

  33. tina

    “De uma coisa eu tenho a certeza a Mariana percebe muito mais de economia do que licenciados em universidades privadas aos 37 anos de idade.”

    Pelo contrário, é extraordinário como ela percebe tão pouco de economia ao ponto de publicar um gráfico destes. É assustador perceber que há pessoas assim a governarem-nos.

  34. Pingback: A Mariana Mortágua é uma fraude – O Insurgente

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