O momento playmobil de Rangel

playmobil-security-check-point-02Imaginem um casal de namorados no 7º aniversário da sua relação. Vestem as suas melhores roupas, têm um jantar romântico em que tudo corre bem. No final do jantar uns violinistas aproximam-se da mesa do casal. Ela, apesar de esperar aquele momento há uns meses, finge surpresa e não evita corar. O namorado faz um longo discurso sobre a forma como a relação tem evoluído. Ele tira uma pequena caixinha do bolso e ajoelha-se. No momento certo, abre a caixnha e… exibe o seu boneco preferido da playmobil, com que gostaria de presentear a namorada como prova do seu amor.

Paulo Rangel teve ontem o seu momento playmobil. Um discurso arrebatador (talvez o melhor do congresso) termina com um prometedor: “Porque hoje se cumprem 40 anos sobre a aprovação da Constituição da República, eu arrisco aqui fazer uma proposta socialmente fracturante, de ruptura e inovação social…”. Os congressistas animados pelo discurso anterior movem-se nas cadeiras, prontos a levantarem-se em aclamação. Estava a acontecer política. Rangel avança e…. propõe acabar com os títulos de doutor e engenheiro nos documentos oficiais. Ouve-se um aplauso tímido, quase incrédulo. Os congressistas olham uns para os outros. Alguns esperam que saia mais alguma coisa dali. Mas não saiu. Futuras enciclopédias ilustrarão a definição de anti-climax com o discurso de Rangel.

4 pensamentos sobre “O momento playmobil de Rangel

  1. No estrangeiro nunca vi nenhum escrito nestes termos: “O Dr. Obama fez…” “A Dra. Sicrana vai…”, mas cá em Portugal o que leio é: “O Xô Dr. vai…” e Xôra Dra. vêm-se…”. Enquanto bancário assisti várias vezes a doutores ameaçarem retirar a sua conta do banco (a sua conta de merda, diga-se de passagem) porque no livro de cheques não vir a indicação antes do nome do titular da conta de Dr.!!!! (coisa que só acontecia mesmo por grande lapso.
    Eles próprios, esquecem-ce do nome próprio, deixam de ser manéis e abreus para serem…. simplesmente drs. e na Assembleia da República? É a fartazana das vaidades quando hoje esse símbolo não atesta minimamente qualquer qualidade pessoal, principalmente nos politicos de pacotilha que este país, desgraçadamente tem (se calhar que porque só merece destes).
    O país é que é da Play Mobile….

  2. Joaquim Carreira Tapadinhas

    A amizade deve ser cultivada e apresentada publicamente. A intervenção do Rangel serve para provar que o Relvas, afinal, não precisava de uma licenciatura falsa, porque devemos deixar de nos referir a títulos académicos. Talvez não fosse má ideia, e nessa esteira, que nos tratássemos todos por TU. Tu, óh Presidente! Tu, óh general!

  3. Joaquim Carreira Tapadinhas

    A coisa dá votos, porque, muitos dos que não conseguiram ser doutores, acham, que os que são, não devem ser tratados pelos títulos. Tudo isso é conversa de chacha, porque tais decisões não trazem melhores condições de via a qualquer um. Imaginem no hospital a confusão entre porteiros e médicos ou nos tribunais entre juízes e escriturários. Propostas da treta para agradar a analfabetos e ressabiados por não terem cursos superiores. A pobreza de espírito, por vezes, também na cabeça dos políticos, o que explica a desgraça a que chegámos.

  4. Fernand Personne

    Acabar com os títulos de doutor e engenheiro nos documentos oficiais de POLÍTICOS e meter o título de filh@ da puta!

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