Previsões do Banco de Portugal

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Segundo as novas previsões do Banco de Portugal para 2016, cai o consumo privado, cai o investimento, cai a procura interna e caem as exportações face a 2015. O PIB manter-se-à inalterado. O contributo da procura interna para o crescimento do PIB é inferior ao de 2015, enquanto que o contributo das exportações (líquido de importações) é superior ao registado em 2015. A única componente do PIB que sobe é – não fosse este um Governo socialista – o consumo público.

Recordemos que o objectivo do OE2016 era apostar no mercado interno, num grande crescimento económico e em virar a página da austeridade. Carga fiscal mantém-se, o aumento da taxa de crescimento económico face a 2015 é zero e o mercado interno cresce menos do que em 2015.

17 pensamentos sobre “Previsões do Banco de Portugal

  1. JP-A

    Mais tarde ou mais cedo a manada do silêncio (mais os comentadores-explicadores do sistema, que explicam sozinhos, ou acompanhados por outros da mesma espécie) vai começar a falar. Primeiro, enquanto ainda no poder, das forças externas que nos aniquilam e dos erros 2011-2015 [não chumbados pelo eleitorado]. Depois, quando já divididos a pensar nas eleições, começarão a atirar uma pedras para o lado. Depois, já os berros e com as greves dos transportes agendadas em tandem com muitas outras organizadas a partir do mesmo comité, contra o próximo governo de direita. Entretanto “tásse bem”.

    Note-se que depois de criticarem o governo anterior porque existiam diferenças mínimas entre previsões e resultados finais da execução do orçamento, o deputado Galamba vem agora “explicar” ao país, em nome do partido, que todos os orçamentos têm riscos. A falta de vergonha, essa é que não corre nenhum risco de desaparecer ou sequer desvanecer.

  2. onde está escrito “enquanto que o contributo das exportações é superior ao registado em 2015” não deveria estar “enquanto que o contributo das exportações é INFERIOR ao registado em 2015” ?

  3. rrocha

    Alguem pode explicar a coluna de 2017?

    Em 2016 as export. e import. caem mas em 2017 disparam para valores de anteriores.

    O consumo público vai de 0.8 para 1.1 (+0.3) e cai para 0.4 em 2017 (-0.7)

  4. rrocha

    “O contributo da procura interna para o crescimento do PIB é inferior ao de 2015, enquanto que o contributo das exportações (líquido de importações) é superior ao registado em 2015.”

    Mas esta situação não e boa?

  5. Pingback: Indicadores de confiança do INE – O Insurgente

  6. RROCHA,

    Atenção, não confundir a % de variação anual – a parte superior do quadro (com a excepção de “Pesos”) e a última linha, do indice de preços – com a % relativamente ao Pib – a parte inferior do quadro com a excepção da última linha.
    As exportações e as importações não caem em 2016 relativamente a 2015, crescem é menos. Já em 2017 voltam a crescer a taxas próximas das de 2015.
    O consumo publico continua a crescer em 2016 e 2017 mas em 2017 a um ritmo inferior.

    Mas são apenas previsões do BdP, em boa medida baseadas nas previsões anteriores corrigidas e ajustadas também em função das intenções e expectativas do … governo.
    Eu não poria as mãos no fogo …
    Todos estes números vão ser ainda fortemente revistos à medida que a realidade se for impondo !!

  7. Lendo o gráfico constato que se verificou uma redução no crescimento das importações e sendo esta inferior em valor absoluto e ritmo de crescimento às exportações a balança comercial deve manter-se positiva. Nas projecções do ano passado isto não era nítido precisava de fazer uns cálculos mas à partida iríamos ter um défice da balança comercial fazendo assim as contas de cabeça. Parece que se está a registar uma melhoria nas relações com o exterior algo que era uma das áreas que sofreu mais críticas pela oposição que acusava este Governo de apostar demasiado na procura interna e descurar a procura externa. Pelos vistos e atendendo a estas projecções eram infundados esses receios.

  8. Alberto Silva,

    Não vejo onde é que vê um “déficit da balança comercial” em 2015 : o saldo foi positivo em 1,7% do Pib.
    Efectivamente, o quadro mostra que de 2015 para 2016 se verifica uma melhoria no saldo comercial, de 1,7% do Pib para 2,6%.
    Esta melhoria em 2016 resultaria sobretudo das importações crescerem menos do que as exportações (2,1% contra 2,2%).

    Mas, atenção : os valores de 2015 são o realizado enquanto que os de 2016 são apenas previsões faltando ainda muito tempo para o final do ano.
    Não acredito muito que estas previsões se realizem no final de 2016.
    Penso que o crescimento do Pib pode vir a ser ainda inferior ao que o BdP prevê (1,5%, que já é inferior aos 1,8% do orçamento do governo) e que as exportações vão crescer menos.
    Isto porque a acção deste governo, com uma politica orçamental arriscada e revertendo reformas, tende a desencorajar o investimento, nacional e externo.

    De resto, uma das previsões do BdP para 2016 mais inquiétantes, e que tem já em conta o que se vem passando na realidade desde a segunda parte do ano de 2015, é uma desacelaração forte do crescimento do investimento (formação bruta de capital fixo) : foi de 3,7% em 2015, acima do crescimento do Pib, e seria de apenas 0,7% em 2016, metade do crescimento do Pib.
    Esta prevista desacelaração do crescimento do investimento estaria em boa medida na base da desacelarção do crescimento das exportações e, sobretudo, das importações (por via da importação de bens e serviços de investimento).
    A ser assim seria uma má noticia para 2016 mas também, e sobretudo, para o futuro.

    Efectivamente, a oposição criticou o programa inicial deste governo por este anunciar que iria apostar no aumento da procura interna por via do aumento dos rendimentos em vez de concentrar esforços no aumento das exportações e da parte dos bens e serviços de investimento nas importações.
    Não foi uma invenção da oposição : foram os partidos que vieram a formar e apoiar o governo actual que o anunciaram ao som de fanfarras pretendendo que o aumento da procura interna ao mesmo tempo que se manteria o crescimento forte das exportações iria fazer com que o crescimento do Pib fosse superior ao que estava a ser.
    Acontece que a realidade da acção do governo e as previsões do BdP não mostram nem esse tal aumento significativo da procura interna, nem o aumento do investimento que ela deveria induzir, nem a manutenção do crescimento forte das exportações e, finalmente, nem sequer um maior crescimento do Pib.
    A montanha está a parir um rato !…
    É verdade que inicialmente o governo actual procurou ir mais longe na direcção anunciada apresentando uma proposta de orçamento para 2016 que aumentava mais despesa pública à custa de um défcit orçamental maior e de mais divida pública.
    Felizmente, a Comissão Europeia obrigou o governo a corrigir, pelo menos em parte, essa pretenção, que, a ser levada a cabo, em vez de gerar mais crescimento teria o efeito contrario e degradaria rápidamente as finanças públicas e a situação do sistema financeiro e bancário nacional.
    Percebe-se agora melhor aquilo que já antes se dizia : uma politica orçamental expansionista não apenas é errada mas nem sequer é possivel porque, pura e simplesmente, o pais não tem dinheiro para a fazer (se o governo não tivesse “ajoelhado” perante a UE as taxas de juro subiriam a pique e o pais ficaria sem financiamento).
    Mas, mesmo assim, uma parte do mal está feita.
    Desde logo porque, para corrigir, o governo, em vez de recuar relativamente a toda uma série de medidas de aumento da despesa e redução da receita, optou por aumentar impostos, o que, por sua vez, deu um sinal negativo aos agentes económicos e, sobretudo, anulou em boa medida o aumento esperado da procura interna.
    Ou seja, tendo anunciado ao som de trombetas que iria acabar com a austeridade, aumentar o crescimento e resolver verdadeiramente o desequilibrio das contas públicas, o governo actual acaba por estar a conseguir o exacto contrario !!

  9. Tal como foi explicado, este governo apostou na procura interna e isso parece que irá falhar. Quanto às exportações elas vão crescer menos, o que é mau. Globalmente, pode querer dizer que a economia até poderá recuperar um pouco, mas à custa da “atrofia” do consumo interno, ou seja de mais austeridade sentida pelos Portugueses. Conclusão, virar de página era uma mentira! Para os que criticaram a austeridade anterior, afinal ela era boa?

    Quanto ao futuro:
    – é de desconfiar que.o governo não cumpra o orçamento e portanto as previsões poderão piorar
    – o governo está a gastar mais (despesa pública), retirando dinheiro da economia e que adicionalmente acabará por ter um impacto ainda mais negativo

    Portanto, o futuro prevê-se mais sombrio.

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