O Casillas que se cuide

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Casillas ao saber que os deputados bloquistas estavam revoltados com o seu salário

Os deputados bloquistas Mariana Mortágua e Tiago Barbosa Ribeiro insurgiram-se contra o salário de António Mexia (600 mil euros fixos por ano mais até 1,9 milhões variável). Sendo coerentes, como de certeza que são, veremos em breve estes deputados a insurgirem-se contra o salário de Casillas (5 milhões de euros fixos por ano) ou de Maxi Pereira (4 milhões). Ficarei à espera. Sentado.

19 pensamentos sobre “O Casillas que se cuide

  1. Em Portugal chega a deputado quem não sabe a diferença entre as remuneracōes numa empresa privada e as benesses de um funcionário público.

  2. Esperar sentado é de facto boa ideia, porque não existe qualquer coerência para ser demonstrada:

    Presumo que esses srs deputados não queiram, nem precisem, de assistir a jogos de futebol, enquanto não só querem, como precisam, de consumir energia.

    Só que a EDP não se permite baixar tarifas para poder pagar esta massa salarial (esta e não outras), por isso, os seus concorrentes também não precisam de o fazer (até agradecem).

    E é por tudo isto que, tal como o futebol nunca foi nem deve ser nacionalizado, a distribuição de energia nunca devia ter sido privatizada.

    Nada me pode parecer mais elementar.

  3. ANT PED : “Só que a EDP não se permite baixar tarifas para poder pagar esta massa salarial (esta e não outras)…”

    Acha que 2,5 milhões por ano davam para baixar tarifas ?!…

    .
    ANT PED : “a distribuição [suponho que a produção também] de energia nunca devia ter sido privatizada.”

    Para não haver qualquer concorrência, para não haver qualquer razão para ganhar eficiência, para que a ineficiência seja paga pelos consumidores (uma empresa monopolista pode fixar as tarifas que quer) e/ou pelos contribuintes (os prejuizos de uma empresa pública são cobertos pelo orçamento) ??!!…

    É de longe preferivel ter empresas privadas em concorrência a pagarem o que entenderem aos seus CEOs !!

  4. Ant Ped

    Fernando S,

    Se quiser colocar a questão em termos quantitativos, eu tb lhe poderei dizer que 0,00001 € me fazem muita falta…

    Quanto ao mais, dispenso bem esta “eficiência” em troca da ineficiência de há 20 anos que me custava 1/5 do valor actual, em valores equiparados.

  5. ANT PED : “0,00001 € me fazem muita falta…”

    Imagino !!

    .
    AN PED : “dispenso bem esta “eficiência” em troca da ineficiência de há 20 anos que me custava 1/5 do valor actual, em valores equiparados.”

    Não sei se era 1/5 ou mais ou menos …
    O que sei é que a diferença e a ineficiência era paga pelos contribuintes.
    De qualquer modo, no quadro europeu, actualmente, o sector da energia funciona de modo muito diferente e já não é compativel com monopólios públicos.

  6. Ant Ped

    Pois eu cá só lhe digo que me saía muito mais barata a antiga ineficiência do que a atual eficiência que me leva 150€/mês para um apartamento onde vivem 3!…

    Também acredito que, no quadro europeu, o sector funcione de modo diferente, isto é, diferente dos modos em que funciona cá agora, pois eles não são parvos.

    E caso os 0,00001 tb não lhe façam muita falta, será que se importava de mos ceder para eu os reenviar ao Mexia?!…Assim todos ficávamos contentes.

  7. ANT PED,

    Compreendo que o seu instinto imediato o leve a preferir pagar a electricidade mais barata do que o seu preço de custo.
    Mas se pensar um pouco talvez perceba que não há almoços grátis e que a diferença é sempre paga por alguém, sobretudo pelos contribuintes.
    Provávelmente também por si, contribuinte.
    Certamente por todos aqueles, contribuintes ou não, que pagaram, pagam e vão continuar a pagar por muitos e muitos anos os encargos e as consequências económicas e sociais de um endividamento publico excessivo que também resultou do Estado ter durante muito tempo mantido empresas públicas monopolistas a funcionar de modo ineficiente, com tarifas baixas e custos elevados.
    Talvez perceba que o interêsse bem compreendido da generalidade dos portugueses, e o seu também, seja o de por tudo em pratos limpos :
    – que a produção e a distribuição de electricidade sejam actividades financiadas e geridas com critérios económicamente racionais por empresas privadas especializadas e em concorrência entre elas e não tuteladas por um Estado gigantesco que procura meter-se em tudo descurando outras funções muito mais importantes que tem para desempenhar ;
    – que as tarifas de um serviço devem ser tão baixas quanto possivel num contexto concorrencial mas também suficientemente altas para cobrirem os custos reais da sua produção, a amortização dos elevados investimentos exigidos, os encargos de um financiamento importante, e a normal e indspensável remuneração dos capitais necessários.
    Não é por acaso que, com o tempo e a evolução, com o aumento das necessidades de energia, com a cada vez maior sofisticação tecnológica na produção e distribuição, com as crescentes necessidades de investimento, com a cada vez maior abertura e internacionalização das economias e actividades, etc, etc, a tendencia geral, no mundo e em particular na UE, tenha sido para uma progressiva liberalizaço e privatização do sector energético.
    Portugal não foi excepção, embora tenha começado tarde e, até por isso, ainda precisa de mais tempo e mais mudanças para que a eficiência do sector seja ainda maior e para que o serviço seja de qualidade e as tarifas, embora realistas, sejam as mais baixas possivel.
    Tudo isto é bem mais importante do que a remuneração exacta de cada um dos CEOs das empresas privadas do sector e que, como deve ser em organizações privadas em mercados relativamente concorrenciais, é da responsabilidade dos respectivos accionistas.

  8. jo

    Sim, porque os gestores de topo têm provado à saciedade que ganham muito porque são competentes.

    Ele é a PT ele é o BCP, ele é o BES!

    Não se conhece nenhum caso de nomeação de administradores por motivos políticos (Catroga na EDP nunca existiu), e o facto de a maioria ter lugar em várias administrações é devido ao facto de terem uma capacidade de trabalho sobre-humana.

    Longe de nós pensar que existe uma classe de parasitas que, controlando várias administrações, consegue vencimentos generosos à custa de favores concedidos a parte dos acionistas.

  9. Jan

    Carlos,
    Uma empresa privada pode pagar o que quiser aos seus trabalhadores.

    Uma empresa:
    com impacto dos mais directo na economia,
    que pratica dos preços mais elevados da europa,
    que opera em monopólio,
    opera quase apenas nacionalmente,
    foi privatizada em nome da concorrência (??) para uma empresa incumbente chinesa (não meus senhores, o dinheiro não tem cor mas tem cheiro e essa questão é outro tema).

    Não pode sob ponto de vista ético/moral pagar ao seu administrador 200k mês.
    Estamos a falar de um gasoducto gigante com €’s a serem aspirados da economia PT para accionistas chineses.
    A gestão desta empresa é um excel simples “Cobranças – Custos – Salários” basta aumentar uns %’s de um lado para se chegar onde se quer e o cliente final NÂO TEM OPÇÃO! Paga e não pia. Depois existe uma área de “politiquices” onde o mexia se mexe e muito bem.

    O ponto é foi montado o palco para que isto possa acontecer. Agora é desmontá-lo com urgência.
    Finalmente não é a perseguir o salário do Mexia como a esquerdalha diz que se resolve isto. Como sempre indignam-se mas berram para o lado errado.

  10. JO : “Sim, porque os gestores de topo têm provado à saciedade que ganham muito porque são competentes.”

    Sim, porque os gestores de topo que são competentes são os da administração pública e das empresas públicas ?!!…

    Numa empresa privada num mercado livre, os donos da empresa decidem como é que a empresa deve ser gerida, a começar pela escolha do gestor de topo e a respectiva remuneração.
    Se as decisões forem boas têm resultados.
    Se as decisões forem más sofrem as consequências.
    O Estado não tem nada que se meter na gestão das empresas privadas.
    Este principio está na base da superioridade históricamente comprovada do capitalismo em mercados livres sobre sistemas económicos fortemente estatizados.

  11. “Compreendo que o seu instinto imediato o leve a preferir pagar a electricidade mais barata do que o seu preço de custo.”

    Não, está interpretar mal os meus instintos, eu não quero uma electricidade abaixo do preço de custo, eu quero uma electricidade EXACTAMENTE ao preço de custo

    http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/gas_e_electricidade_em_portugal_sao_dos_mais_caros_na_uniao_europeia.html

    E se é verdade que o custo de produção de electricidade propriamente dito é um valor absoluto e não pode ser ajustado em função do poder de compra dos diversos países, também é verdade que o custo final da prestação do serviço depende de outros factores que o Fernando S tão bem elencou (amortizações, encargos de financiamento, remunerações de capitais, etc) e estes sim, estão (deviam estar) indexados ao contexto.

    Você pode debitar uma cartilha inteira composta de frases de boas intenções académicas mas não é por isso que essas frases passam a ter qualquer adesão a uma triste realidade que está à vista de toda a gente e que não é o conto de fadas que prometem as suas polidas retóricas.

  12. Pipo

    …Ou o CR7 que é português e paga impostos em Portugal. Ou não paga? Querem ver que o CR/ é um traidor maior que o Pingo Doce?

  13. DERVICH : “eu não quero uma electricidade abaixo do preço de custo, eu quero uma electricidade EXACTAMENTE ao preço de custo”

    Portanto, reconhece que o preço da electricidade não poderia continuar a ser “1/5” do que é hoje.
    Os preços subiram desde então, ainda bem antes da privatização total da EDP, precisamente para se ajustarem ao custo efectivo.

    .
    DERVICH : “o custo final da prestação do serviço depende de outros factores que o Fernando S tão bem elencou (amortizações, encargos de financiamento, remunerações de capitais, etc) e estes sim, estão (deviam estar) indexados ao contexto.”

    Faltou referir os impostos que são uma componente importante do preço final e que são uma das principais razões para as tarifas portuguesas serem das mais elevadas a nivel europeu.

    Outra das outras razões decorre precisamente da menor eficiência do sistema eléctrico português.
    Esta ineficiência vem do passado, do tempo da monopólio publico.
    Muito embora tenha vindo a diminuir, em boa medida graças à progressiva liberalização e privatização do sector, ainda se faz sentir.
    Ou seja, o sector tem ainda um potencial de melhoria da respectiva eficiência, em particular através da introdução de mais concorrência e de uma maior afinação da regulação.

    Finalmente, uma das razões que também explica porque é que as tarifas portuguesas são relativamente mais elevadas tem a ver com o facto da produção de energia eléctrica em Portugal assentar sobretudo em fontes estruturalmente mais caras (hidroelectricas, heólicas, etc) do que as utilizadas noutros paises europeus (nuclear, térmicas, etc) e ser insuficiente face às necessidades internas obrigando à importação do exterior, com os custos inerentes.

    Não entendo o que quer dizer com custos “indexados ao contexto”.

    .
    O ultimo parágrafo do seu comentário, para além de ser “ad hominem” e gratuitamente agressivo, não é nenhum argumento nem acrescenta nada ao debate.

  14. A diferença é que ninguém é obrigado a ir ao Estádio do Dragão (que adoro por sinal) ver os jogos do FC Porto já todos precisam de recorrer a energia nas suas casas. É certo que a empresa é privada, mas é uma empresa oligopolista devido à especificação do mercado em causa dificilmente o deixaria de ser e quando esta empresa diz que o valor correspondente à Tarifa Social de Energia será repercutido na fatura dos restantes consumidores, o mesmo acontece com os salários da administração. Logo faz sentido esta tomada de posição, mas o maior culpado disto tudo foram os Governos do PS e PSD que privatizaram a empresa dominante num sector estratégico em Portugal e originaram este problema. Quanto ao Casillas é como o Mexia extremamente sobrevalorizado, um guarda-redes mais jovem teria o mesmo rendimento auferindo um salário mais baixo e podendo originar uma mais-valia no futuro. Aqui está-se a pagar a carreira e o passado em vez do potencial de evolução. Tipo de negócio que nos últimos anos se tem alastrando no FC Porto com as consequências que se estão a ver.

  15. Dervich

    ” a produção de energia eléctrica em Portugal assenta sobretudo em fontes estruturalmente mais caras (hidroelectricas, heólicas, etc)”

    Este tipo de discurso só pode dar mesmo para sorrir quando, neste artigo,

    http://observador.pt/2016/03/21/auditoria-confirma-subida-anormal-das-margens-centrais-da-edp-2012-2013/

    choca de frente com isto

    “as centrais, quase todas grandes barragens, beneficiam de um contrato que garante a sua remuneração, mesmo quando não vendem energia. Ganham sempre, mesmo paradas.”

    Será esta também uma “ineficiência (que) vem do passado, do tempo da monopólio publico”?!…

    Na realidade, não podia haver melhor gestor que o Mexia:

    O homem até consegue cobrar por energia que não é produzida! Eu cá, se fosse chinês ou accionista da empresa dele, também o cobria de ouro…a ele e a quem tivesse a ideia de que esmifrar um país para vender um bem essencial (não dispensável) seria o ideal para encher os meus bolsos e os dos meus sócios!

  16. Pingback: Tiago Barbosa Ribeiro merece uma comenda – O Insurgente

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