Feminista?

O meu texto desta semana no Observador.

‘A reconciliação veio com o mestrado. Nos meus estudos do trauma e das literaturas de trauma percebi como foram fulcrais as feministas, a partir dos anos 70 e 80 do século passado, na denúncia e na exposição dos abusos sexuais de menores (sobretudo ocorridos em contexto familiar). A repugnância com que hoje – e muito bem – encaramos os abusos sexuais de crianças veio da coragem das feministas que rasgaram famílias disfuncionais e véus de silêncio para escancarar a ignorância cúmplice com que a comunidade tratava estes casos. (A Igreja católica – que tem ataques de nervos quando ouve a palavra feminismo – devia ser humilde e reconhecer que neste campo tem muito a aprender com as feministas.)

E, claro, persistem as injustiças que cabem à parte feminina da humanidade. Mutilação genital, casamentos forçados e na infância, violações como arma de guerra, pobreza feminina, mortalidade materna e um demasiado grande etc. Mesmo no mais igualitário ocidente se mantêm as desigualdades salariais após descontar todos os efeitos da maternidade nas carreiras, a sub-representação política e no espaço mediático, a reserva das lideranças empresariais para o masculino, o silenciamento dos contributos femininos para a ciência e para as artes (porque os pares masculinos se recusam a reconhecer a existência ou a qualidade destas presumidas que insistem em sair da cozinha), a violência sexual, a violência doméstica e outro demasiado grande etc. Decidi, portanto, que já podia parar com o meu amuo com o feminismo.

Mas não tenho a vida fácil. Há quem se especialize no feminismo das ninharias e obscureça as guerras que importam.’

O texto inteiro está aqui.

4 pensamentos sobre “Feminista?

  1. Gonçalinho

    A mortalidade maternal é um problema a resolver pela luta feminista? Talvez umas manifes o resolvam, então.

  2. Ao menos a mutilação genital feminina é visto como um problema sério e existem inúmeras acções de campanha para o tentar resolver.
    Já a mutilação genital masculina…é visto como cultura, tradição. Feminismo moderno é lixo! Não querem igualdade, querem sim poder.

  3. Luís Lavoura

    a coragem das feministas que rasgaram famílias disfuncionais

    Pois. Mas para a ideologia conservadora tradicional, o divórcio é mau e as famílias, ainda que disfuncionais, são para manter.

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