O Porto já não mora aqui

Que as ratazanas se sufoquem em queijo putrefacto. Neste preciso momento, dadas as reacções aos lúcidos comentários de Carlos Abreu Amorim, vejo-me com mais diminuta consideração pelas mulas lobotomizadas que erguem vozes na defesa da oligarquia que se apoderou do Futebol Clube do Porto que pelos adeptos do Atlético de Carnide. E hão-de vir os Lopeteguis, os Fonsecas, os Xistras, os Peseiros, a Maçonaria e o Império Galáctico que continuarão a desviar o ónus da culpa para meras rodas dentadas substituíveis de uma máquina decrépita e enferrujada, meramente oleada pontualmente de forma a servir os interesses de uns quantos patrícios cuja única aptidão conhecida neste mundo é a cultura na arte do vígaro. Roma não paga a traidores. O Porto também não.

Sucedem-se as noites em pranto, o desespero colectivo, o escárnio alheio. Num estádio, num sofá, num relato atribulado, companheiro de viagem. E o que era um ritual prazeroso que ocupava a semana em supense do dia D transformou-se num frete, na espera passiva de nova tragédia anunciada. As borboletas no estômago, as adivinhas de quem espalharia a magia por entre os centrais do rival são hoje um medo frio que se vai acumulando até ao fatídico dia, valendo-lhe a sobra de esperança de que por engano ou distracção algum sujeito vestido de azul e branco a preceiro coloque a bola na baliza adversária.

É o acumular da estratégia sem tino, do comissionismo instalado, dos cargos hereditários, dos favores pagos a juros de Shylock, de uma firmeza na voz que se perdeu em madrugadas de bares de má fama. Tal é a falta de vergonha e o calculismo de encher a algibeira que não me admiraria que se movessem processos contra vozes descontentes apenas e só para dar de comer uns trocos ao advogado do clube.

A tal vergonha que não mora nas gargantas arranhadas dos assalariados, na guarda pretoriana, na lenga-lenga do “mas já nos deu muitas alegrias”. A vergonha que morre solteira pois não casa com escrúpulos de pilantra. É assim que estamos, cercados por dentro, agarrados a sebastianismos que não nos salvam e a palavras de ordem que caem em seco.

Sobra-nos a gradualmente mais distante memória de que já fomos felizes. E aquela crença de quem ama que talvez o voltemos a ser.

Talvez.

 

5 thoughts on “O Porto já não mora aqui

  1. FilipeBS

    O fcp aburguesou-se e o pinto já não pode. O ciclo mudou. Vai demorar anos senão décadas. Como adepto benfiquista sei-o bem. Habituem-se a este novo tempo futebolístico.

    P.S. Esse sr. amorim também não veste avental?

  2. As pessoas em Portugal não sabem sair a tempo. Aconteceu com Jardim Gonçalves no BCP, Azeredo Perdigão na Gulbenkian, Salazar na Presidência do Conselho, Mário Soares que se candidatou a PR após o ter sido 10 anos..
    O Papa Bento XVI abandonou o lugar porque era alemão, se fosse latino seria mais difícil.
    PS – Não percebo nada de futebol. Estou apenas a reflectir sob o aspecto sociológico/ antropológico da coisa.

  3. A direcção do FC Porto em vez de andar a atacar os seus adeptos (já é o segundo caso, que me lembre, depois do MST), deveria vir a público esclarecer determinados rumores que por aí surgem:
    – É, ou não, verdade que foram cedidos 5% do passe do Ruben Neves a troco de “favores” a José Caldeira, irmão de Adelino Caldeira?
    – É, ou nao, verdade que foram cedidos 10% do passe do André Silva a um grupo de empresários a troco de nada?
    – É, ou nao, verdade que a NOS apresentou uma proposta melhor ao FC Porto mas a mesma foi preterida em relação à da MEO/Altice por ter sido paga uma comissão a Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente do clube e da SAD?
    – Qual o papel de Alexandre Pinto da Costa junto da SAD do FC Porto?
    – Porque é que a empresa de Alexandre Pinto da Costa, a Energy Soccer, recebeu 430 mil euros em comissões, sendo esta representante apenas dum jogador das camadas jovens do FC Porto?
    – Qual o verdadeiro papel de Antero Henrique na SAD do FC Porto?
    – Porque é que Antero Henrique foi apresentado na lista para a administração da SAD quando há 20 dias não constava dela?
    – Porque é que o Suk deixou de treinar no V. Setúbal numa 6ª feira/sábado e só treinou pela primeira vez no FC Porto na 5ª feira seguinte? Terá havido alguém que amuasse com este negócio?
    – Qual o papel de Fernanda Pinto da Costa na SAD do FC Porto?
    – Porque é que os passes de Vitor Garcia e de Kayembé foram adquiridos por um preço bem superior àquele que tinha sido negociado no momento em que se juntaram ao FC Porto?
    Para já era o que gostaria de saber…

  4. P.S. Também seria importante o porquê da saída dos 2 últimos homens fortes das finanças da SAD: Fernando Gomes (agora presidente da FPF) e Angelino Ferreira. E o porquê de convidarem o ex-presidente da CMP para esse cargo.

  5. jc

    já vais tarde. Enquanto iam ganhando valia tudo ,a intimidação, coação, a violência, a corrupção etc. Agora que o jejum de títulos já vai em 3 anos é que estão a indignados.

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