Petróleo volta a subir para os 40.7 USD, sr. ministro

Em mais uma demonstração de que a lógica das previsões nos mercados é por vezes uma ciência do domínio do oculto, o petróleo (LCOc1) hoje fechou a 40.7 USD, o valor mais alto desde o início de Dezembro e ultrapassa pela primeira vez desde Julho de 2015 a média móvel dos últimos 100 dias. 

E porque o orçamento do Estado Português tem as médias móveis do petróleo como referências para o cálculo do ISP, é importante os srs. automobilistas-contribuintes estarem atentos às promessas do sr. ministro de descer, no futuro, este imposto. Acreditem se quiserem …

Uma andorinha não faz a primavera nos preços do petróleo, mas nesta questão tão sensível para o bolso de todos nós, há que cobrar e ir recordando as promessas deste Governo… porque da próxima vez que for abastecer na bomba é provável que seja mais caro o combustível face ao duplo efeito dos impostos e do mercado !

17 pensamentos sobre “Petróleo volta a subir para os 40.7 USD, sr. ministro

  1. JMS

    Com um governo de esquerda no “poder”, ninguém quer saber de nada.

    Os combustíveis podem chegar aos € 3,00 ou € 4,00 que ninguém liga.

    Desde que o governo seja de esquerda está tudo bem porque, foi para isso que o “povo” tem vindo a ser “educado”, desde há quase 42 anos.

    Quem nunca se deixou “educar” por esta gente é que tem que abrir os cordões à bolsa para pagar, não só os combustíveis, como todos desmandos da esquerda estúpida que temos.

    Quando TODOS tivermos que pagar a próxima bancarrota, aí é que vai ser, maldita direita a voltar a roubar o “povo”.

    País de masoquistas…

  2. Joaquim Amado Lopes

    Manuel Puerta da Costa,
    O aumento do preço do petróleo e consequente aumento do preço dos combustíveis só vai servir de argumento para aumentar mais o ISP.
    É que, com o aumento do preço dos combustíveis, os portugueses tenderão a seguir o “conselho” do “Primeiro-Ministro” e passar a andar menos de automóvel. Assim, para manter a receita, será necessário aumentar o ISP.

    Ou acredita que o desGoverno vai respeitar a palavra dada? Se sim, tenho uma ponte para lhe vender.

  3. André Miguel

    Eu comentei algures aqui que somos governados por lunáticos. Todos os outlooks, forecasts, previsões, estudos de mercado e o raio que os parta aponta para um preço entre os 50 a 60 usd até final do ano. Aquilo de que os portugueses vão ser alvo até lá é um roubo puro e duro! Se passados estes anos todos esta gente se passeia pela rua sem levar uma chapada nas trombas é porque temos os governantes que merecemos.

  4. Luís Lavoura

    Aquilo que o Manuel quer (e muitos portugueses querem) é regressar aos tempos do preço fixo do gasóleo, em que o preço era fixado administrativamente e o imposto subia ou descia por forma a mantê-lo fixo.

  5. Luis Lavoura,

    Aquilo que muitos portugueses querem é que o governo não aumente os impostos e portanto o preço de um bem que quase todas as familias utilizam no dia a dia e que representa um custo para quase todas as empresas … para poder aumentar rendimentos a certas categorias de pessoas que já teem rendimentos acima da média.

  6. Hugo Rego

    Como já havia comentado nos seus dois posts anteriores sobre a matéria, a questão da flutuação do preço não pode ser desinserida do preço de referência para o cálculo da medida fiscal. Nem se pode estar a argumentar que, de cada vez que o preço se movimenta acima de um mínimo, tal deva ser tido como uma “violação” de princípio da medida fiscal. Sabe bem que que deverá ter sido um intervalo de flutuação de referência, sob pena de se ter que ajustar constantemente a incidência do ISP, algo que não fará sentido a ninguém.
    De qualquer forma, o valor de referência constante no OGE continua o mesmo – 47,5€. E o brent está, neste momento, a 35,81€ ($39,40 com o euro a 1,10). Claro que se poderia analisar também o WTI (curioso porque dos 3 – brent, WTI e Dubai, o 1º é o que assume os preços mais elevados apesar de representar a quota de mercado mais baixa).

    O que também não será novidade é a questão da evolução do preço e do conhecimento que tem dos mercados. Deverá certamente saber o que é um short squeeze ou short covering, a não ser que esteja a defender que o preço reflecte a procura, ou seja, que a procura subiu os tais 40%…

    A referência que faz à MM100 é, também ela curiosa, porque apesar de ser um instrumento na análise técnica, não é, por si só, validação de coisa nenhuma. Na verdade, se eu quiser avaliar a média a 3, 6 ou 12 mêses, irei utilizar uma MM de 65, 130 ou 260 dias. Mesmo assim, do ponto de vista técnico, chamo a atenção que o preço da coisa está abaixo da MM200 (a média de longo prazo utilizada em AT e que está a $46,34).

    No caso do WTI, o cenário é mais curioso – cotação abaixo da MM100 (para já, falsa ruptura) – evolução do dia de hoje com aspecto técnico de possível inversão da tendência, tal como no caso do brent, para já não houve ruptura do anterior suporte (agora resistência).

    A China reduziu as suas importações de petróleo em 20% (Jan MoM), o que contrasta (demonstra ?) com o volume de vendas de carros novos.

    Apesar de ainda net short, as posições curtas diminuíram substancialmente (short covering chegou ao fim ?)

    A questão dos custos operacionais (ou marginais), de produção: os 2 maiores produtores estão em campos opostos em matéria geopolítica – Rússia e Arábia Saudita; esta está a “combater” a extracção por fracking (combater a perda de domínio da OPEC, será mais correcto) dos US (por sua vez em ambiente de Guerra Fria). Tendo em conta que o fracking já tem como turnover point os $40 e que os custos operacionais da Rússia e da AS estão nos $8 e $5 respectivamente…

    Mas cada um analisa da forma que quiser. Cumprimentos.

  7. Obrigado Hugo Rego pelo contributo para esta discussão sobre a evolução dos preços do petróleo. Estamos em campos opostos da evolução de longo prazo dos mesmos, mas aprecio muito a discussão informada. Apenas noto que a procura neste periodo não terá aumentado 40%, como ironiza, nem ela teria diminuído antes na altura da queda do preço uns 75%. Quanto às médias móveis os 200 dias podem ser o indicador usado para uma análise mais longa, mas os 100 dias permitem a muitos “traders” do petróleo mais reactivos (e podem trabalhar nas grandes casas de investimento ou de exploração de petróleo ) tomarem decisões curtas ou longas antes de ser tarde de mais (a diferença entre as duas está aproximadamente em 8usd, ou seja quase 20% do valor). A minha intenção continua a ser a mesma: chamar a atenção para um cálculo de um preço de um bem com uma elevada volatilidade de preço carregando na carga fiscal quando o preço atingiu um valor mínimo e prometendo descida dessa carga quando ( e se) ele subir. Existem opiniões diferentes sobre a sensatez de tal ideia/medida ,dada a dupla (imposto e variação preco) penalização sobre o rendimento dos consumidores mas aferi-la no curtíssimo prazo não terá grandes vantagens (nem disponho de dados para tal). Cumprimentos e mais uma vez obrigado pelo contributo esclarecido

  8. Quanto ao turnover point do fracking nos US ser $40, estou a ver esse valor pela primeira vez. Os outros dois valores da Rússia e da AS devem ter um modo de cálculo diferente do que eu conheço dos analistas que leio, pois , ainda que abaixo dos $20, estamos a falar de valores bem mais altos do que os referidos no seu post. As fontes de análise de cada um também podem condicionar as nossas próprias conclusões. Parecendo ser uma pessoas bem informada irei tentar obter dados adicionais sobre esta matéria. Cumprimentos

  9. Hugo Rego

    Caro Puerta da Costa, temos estado a analisar duas questões diferentes que gravitam à volta de um activo, ou bem de consumo – o petróleo.
    Quanto à questão fiscal, tem que se admitir que a medida teve o seu je ne sais quoi de inteligente – o agregar do aumento da incidência de imposto num activo com elevada volatilidade de preço e com perspectiva de manutenção do preço pressionado em baixa é, no mínimo, politicamente astuto. Para além de que, como os produtores/fornecedores de combustíveis em Portugal ganharam a conotação de serem lestos a subir preços e lentos a desce-los, o ónus sobre a questão acaba por recair nestes. De qualquer forma, e tal como já tinha afirmado, do ponto de vista económico, a medida tem o condão de captar receita de forma expressiva, com impacto económico de expressão muito reduzido. É um pouco como as taxas sobre operações que, lentamente, foram introduzidas pelos bancos portugueses…

    A outra questão – perspectivas de evolução dos preços do activo. A isto, apenas acrescentar os meus dois dedos de prosa:
    A Arábia Saudita/OPEC declarou guerra aos shale producers e, em grande medida, aos US, já que, mais significativo que o aumento do output foi a inédita permissão de exportação. Uma guerra com um objectivo claro: derrubar, não só a shale production, mas acima de tudo induzir uma diminuição dos níveis de produção dos concorrentes com custos marginais mais elevados.

    Aqui a porca torce o rabo, por duas razões: 1º porque, apesar de custos extremamente baixos de produção, o orçamento saudita depende em 90% das receitas do petróleo, num país com impostos e preços de energia irrisórios, e com um conjunto de frentes políticas muito onerosas e numa fase crucial de manutenção do seu estatuto enquanto potencia regional. O FMI estimava que para os sauditas manterem o orçamento equilibrado, em 2014, o crude precisaria estar a $106.
    Para se ter noção de que uma coisa são os custos marginais e outra a dependência político-económica dos Estados, apesar destes serem muito baixos para os sauditas e russos, as necessidades de financiamento implicariam o crude a preços dos tais $106 e $105 respectivamente, em contraste com a Noruega, cujo equilíbrio orçamental se obtem a partir dos $40, apesar dos custos marginais bem mais elevados. (Fontes: IMF, Db, Fitch)

    Ora, isto é uma repetição da História, mais concretamente, dos anos 80. Nessa altura, a OPEC fez o mesmo. E resultou. Estourou com a concorrência e induziu os US a uma política de reservas estratégicas e não-exportação.

    Entretanto, tudo está a mudar, o que não quer dizer que a OPEC não tente lutar para manter o seu estatuto. O problema é que para se por fim a esta guerra, os sauditas têm que entrar em acordo com os russos, com os US e com os iranianos (que para além de já poderem comercializar petróleo livremente, ao que parece, os custos de extracção podem descer até $1/barril – Fonte: declarações de Salbali Karimi em Dezembro). Politicamente isto é um pesadelo apesar dos rumores sobre conversas entre sauditas e russos o que, certamente, irá despoletar reacções de Teerão. Isto para não falar de um outro player na questão geo-política – a Turquia.

    Em relação à produção, do ponto de vista financeiro, apesar de assimetrias muito pronunciadas entre campos de extracção e empresas, o break even para a shale production nos States assistiu a melhorias de desempenho por causa desta guerra. Como exemplo, para Bakken (um dos 3 maiores campos de extracção/produção), em 2014, 80% das empresas tinham o break-even nos $42, com este ponto a atingir os $28 para as maiores empresas e menos de 3% nos $85 (Fonte: EIA, Global Energy Trends – Leonard Maugeri).

    A questão saudita também se aplica à Rússia: quanto mais o preço subir, mais receitas por barril obterá mas menos quota de mercado terá, mais competição irá sofrer e mais limitada irá estar politicamente. Estamos a falar dos 2 maiores produtores de crude, responsáveis por mais de 25% da oferta total, para os actuais níveis de produção.

    Referir que os dados referentes aos custos marginais mencionados anteriormente/posts anteriores têm como fontes o IMF e a Rystad Energy (saberá certamente qual é esta última). A compilação de valores entre uma fonte e outra resultou neste valor médio. A Rystad assume que a determinação dos valores varia em função das flutuações cambiais. Para a Rystad, os custos agregados de produção (custos marginais + custos de capital) são de $8,5, $10, $11 e $17 para o Kuwait, AS, Iraque e Rússia (custos marginais/operacionais de, respectivamente, $4,5, $5, $5,5 e $8 – dados de Dez/15).

    Cumprimentos.

  10. Hugo Rego

    Já agora, e só para ilustrar o que afirmei, já viu as declarações de ontem de Anas al-Saleh (Ministro do Petróleo do Kuwait) ? As variáveis em análise não são muitas mas são um autêntico bico-de-obra…

  11. Hugo Rego

    Já agora, agradecer o seu envolvimento num debate mais sério e esclarecido, em oposição ao que, infelizmente, tenho observado como norma.
    Tendo em conta uma crítica inicial por mim lhe dirigida, é com muito agrado que assumo a mesma como injusta.
    Mais uma vez, os meus cumprimentos.

  12. Apenas num ponto me permita discordar. Na questão da inteligência da medida fiscal , que não tem nada de comparável as comissões bancárias (se as houvesse sobre o uso de cartões estaria de acordo na comparação). Não me parece inteligente auz dis propósitos deste OGE de estimular o consumo, pois contas feitas os consumidores estão a ser penalizados duplamente após uma descida de preços do petróleo (de 40% em cerca de 3 meses, o que deve de concordar que é uma brutalidade): pela sua subida desde Janeiro e pelo aumento de ISP desde Fevereiro . Há menos dinheiro no bolso dos consumidores após este efeito combinado. E mais uma vez obrigado pela sua participação (muito) informada neste debate.

  13. As empresas de fracking norte-americanas dispuseram-se a retomar a actividade assim que o valor do barril atingisse USD 40,00. O valor aventado era USD 70,00 há cerca de um ano. Dá-me a impressão que a partir de USD 35,00 o fracking é já lucrativo, pois já se tem vindo a ver alguma retoma da actividade nos campos, e ainda não chegámos ao 40.

    Há cerca de um ano atrás, foram alugados sessenta super-petroleiros como armazém pela Arábia Saudita e parqueados em vários portos ocidentais. Diz-se à boca fechada que esse seria o seguro de vida ou pé de meia da classe dirigente caso o regime mudasse por uma primavera inesperada. Consta, ouve-se por aí, que doze desses superpetroleiros ainda não foram tocados e continuam com toda a carga.

    A verdadfe é que a China está a desfazer-se por dentro, e o consumo de energia e as milhas percorridas em carga verificam isso. A procura chinesa de petróleo já desceu em 20%, e diz-se que atingirá os 25% de quebra ainda neste ano. A Rússia não tem remédio senão produzir, já que a ameaça do fracking coloca os preços máximos nos EUR 40 pelo horizonte próximo. Só para comparação, hé três vezes mais carbono explorável em fracking só nos Estados Unidos que em todas as reservas conhecidade de petróleo combinadas no planeta. Os preços altos de petróleo foram combatidos pela evolução técnica: o mercado no seu mehor.

    Atente-se que Portugal tem reservas de xisto exploráveis na Zona Centro que poderiam torná-lo autossuficiente em termos energéticos. Os custos de exploração aqui são ligeiramente maiores que nos Estados Unidos por causa da orografia das zonas xistosas. Embora não se conheçam valores actuais de custo de operação do fracking, diz-se que andam pelos 30 a 35 por barril, já contando com os custos de infraestrutura e de transporte.

  14. Pingback: E agora já se pode descer o ISP? – O Insurgente

  15. Pingback: Sr. Ministro, mais outro máximo no petróleo – O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.