Não se recomenda

Não me incomoda nada que Maria Luís Albuquerque vá trabalhar para uma empresa cujos interesses possam ser diversos do governo português. Questões éticas e legais à parte, cada um no seu local de trabalho é pago precisamente para defender os interesses do seu empregador. Se não concorda com estes o melhor é procurar outro emprego. Convém também não tomar como adquirido que os interesses defendidos a cada momento pelos nossos representantes políticos são de facto o melhor para cada um de nós.

Até prova em contrário aceito que não existam impedimentos de ordem legal ou que tenham existindo favorecimentos. Contrariamente a vários “especialistas” que afirmam o contrário tenho pouco conhecimento sobre o tema. De resto, se a AR tem duvidas que investigue. Espero é que não fundamente as suas opiniões em mera retórica ou suposições.

Verdade seja dita, as novas funções de MLA não se posem comparar a contratações de outros ex-governantes a quem espantosamente foram descobertas competências surpreendentes e inesperadas.

Mas como dizia noutro local o Alexandre Homem Cristo, levanta imensas dúvidas ao nível ético e é politicamente muito pouco recomendável que tenha aceite representar os interesses de uma empresa que teve contactos (ainda que indirectos) com a área que tutelava no anterior governo.

10 thoughts on “Não se recomenda

  1. Gil

    O final do seu texto, diz tudo o que há para dizer. A falta de senso revelada por Maria Luís, está em relação directa com o sentimento de impunidade dominante no “centrão”. Pouco me interessa se, entre nós, é ou não ilegal. Interessa-me e preocupa-me que o país tenha sido governado por gentinha como ela.

  2. Baptista da Silva

    Eu acho que ela se suicidou politicamente, muitos já a apontavam como sucessora de Passos Coelho.

    Esquerdamente falando, eutanasiou-se.

  3. Miguel Noronha : “que tenha aceite representar os interesses de uma empresa que teve contactos (ainda que indirectos) com a área que tutelava no anterior governo.”

    Então, como financeira competente e experiente (de resto, mesmo já antes de ser Ministra) devia trabalhar em que área ?!…
    No fabrico de sabonetes ?…

    .
    Miguel Noronha : “Não me incomoda nada que Maria Luís Albuquerque vá trabalhar para uma empresa cujos interesses possam ser diversos do governo português.”

    A mim também não … e eu teria ficado por aqui !
    Até porque não sei o que é isso de “interesses do governo português”, em geral e em abstrato.
    Em última instância, qualquer profissional em qualquer área pode estar a fazer algo que seja interpretado como sendo “diverso” do que é o “interêsse” do governo português do momento.
    De resto, e já agora, por que carga de água é que uma empresa que compra divida pública portuguesa estaria a divergir dos interêsses do governo ?… Quantas mais o fizerem mais fácil é a colocação da divida e mais baixa pode ser a respectiva taxa de juro.

  4. JP-A

    Outro assunto:

    «Carlos César foi contratado no início do ano para as funções de conselheiro sénior para a Europa da Globestar Systems, Lda. A empresa tem sede em Ponta Delgada desde 2008, mas é integralmente detida pela Globestar Systems Inc., com sede no Canadá. Detida por David Tavares, um açoriano radicado em Toronto, a Globestar Systems é bem conhecida do Governo Regional por ter ganho vários contratos durante o último mandato do ex-líder do Executivo açoriano (2008-2012).» (Sol)

  5. jo

    Tanta cortina de fumo!

    Não estamos a falar de interesses diferentes do governo português em abstrato.

    Estamos a falar de alguém que tomou decisões políticas que tiveram custos e que agora é remunerada por uma empresa que foi parte interessada nessas decisões.

    Caso não saiba, este é o modo preferido que as empresas têm de pagar favores, legalmente, a ex-governantes.

    Não sei se é este o caso, mas é claramente um ponto em que se aplica o adágio da mulher de César.

  6. jo : “Estamos a falar de alguém que tomou decisões políticas que tiveram custos e que agora é remunerada por uma empresa que foi parte interessada nessas decisões.”

    Maria Luis Albuquerque não tomou nenhuma “decisão politica” de venda de divida pública a esta ou aquela empresa.
    De resto, como já referi em cima, a compra de divida pública por parte de empresas financeiras é do interesse publico na medida que permite colocar divida a taxas mais baixas.
    Não se percebe como é que a Ministra das Finanças da altura poderia ter favorecido (ou prejudicado) este ou aquele comprador em particular.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s