Sr. ministro, o barril do petróleo já está nos 37,25 Dólares

Desde o mínimo atingido há pouco mais um mês , o valor do barril do petróleo, medido pelo futuro do Brent (LCOc1) subiu 10 USD, ou 37,5%. Um valor de grandes dimensões e que não deverá deixar ficar ninguém indiferente, em especial o nosso ministro das finanças, que precisamente há cerca de um mês anunciava o aumento do ISP com base na peregrina ideia de que o preço do petróleo baixo fazia com que as receitas de imposto (que é fixo por litro) sobre os produtos petrolíferos descessem. E não esperando pela aprovação orçamental na AR , por portaria do dia 11 de Fevereiro , implementava um brutal aumento do ISP. 

Chegados a este momento, e recordando a promessa do sr ministro Mário Centeno aquando da introdução desta medida,  teremos um desagravamento do ISP nos próximos dias através de portaria?  E quando é que as empresas em geral vão saber como compensam este aumento de ISP nas suas contas de forma a que seja neutral conforme foi prometido ? 

Recordando as palavras do seu Sec. de Estado proferidas no dia 11 de Fevereiro, “da mesma maneira que será possível aliviar o ISP se o preço dos combustíveis aumentar, também se deve dizer que será até desejável ponderar um outro aumento se muito significativamente o preço dos combustíveis se reduzir”.

Palavra dada será palavra cumprida?

Talvez não o seja, em nome da tal inovação denominada “austeridade expansionista” apresentada neste OGE !

15 thoughts on “Sr. ministro, o barril do petróleo já está nos 37,25 Dólares

  1. JP-A

    Recomendo o maravilhoso discurso “Pescadinha de Rabo na Boca” de hoje do nosso PM perante a AHRESP, em que ele explica, tintim por tintim, como a confiança gera emprego, que gera riqueza, que gera mais emprego e mais confiança, recuperação, e por aí fora. O pormenor da água com gás (a mais usada para efeitos lúdicos) que fica de fora da baixa do IVA é delicioso.

  2. Fernand Personne

    Temos um porcalhão ignorante, bronco e incompetente que tomou o poder e, agora, acha-se no direito de gozar à grande com o povo e fazer de nós todos idiotas.

    E nós somos idiotas porque ouvimos e calamos. Por bem menos, tiraram a tosse a muitos…

  3. Baptista da Silva

    Baixa do Imposto? Espere sentado, isso nunca mais vai baixar, nem que os Marcianos desçam à terra.

  4. Hugo Rego

    Infelizmente fica demonstrado que formação e conhecimento específicos na área não são garantias de idoneidade moral no debate e, muito menos, de seriedade no mesmo. O sr. Puerta da Costa é um exemplo clamoroso de tal constatação.

    E para quem gosta de brincar com a relatividade percentual da coisa, artifício pueril de argumentação, relembrar-lhe que o brent (tal como o crude wti) estava a negociar a valores em linha com a cotação actual por altura do anúncio da medida. Mas não bastasse isso, certamente saberá que para efeitos de cálculo de referencial de preços se usam coisas como médias móveis e, também aí, recordar que no cenário do OGE o preço de referência está nos 47,5€.
    Mas mesmo assim, à data do 1º anúncio (posterior à data na análise e preparação da medida mas dou isso de barato), a média móvel a 3 mêses estava nos 40,5€ e a 12 mêses estava a 52,5€ e que o cenário, tanto fundamental como técnico, aponta claramente para uma consolidação de preços em baixa para os próximos tempos. Mas isso já você sabia, não é ?…

    As dimensões são sempre estatisticamente relativas excepto quando confrontadas com os seus absolutos…

  5. Dervich

    “E quando é que as empresas em geral vão saber como compensam este aumento de ISP nas suas contas?”

    E quando é que os utentes em geral vão saber do que foi feito dos milhões arrecadados pelas empresas de transportes, quando compravam gasóleo a menos de 1€/L mas cobravam tarifas iguais às de quando o gasóleo estava a mais de 1.4€/L (com o barril a 120 USD)?

    Dervich

  6. tina

    Seria agora, com um aumento no preço do petróleo, que os impostos deviam baixar para as mercadorias portugueses poderem competir em preço com a Espanha, por exemplo. Mas não há margem nenhuma, o orçamento está pelas costuras, e assim muito provavelmente as exportações abrandarão e mais longe ficará a meta de crescimento de 1,9%. É assim que os socialistas governam, estupidamente.

  7. Percebo toda a sua argumentação. Mas as datas são mais claras para si do que para mim. O preço do LCOc1 (futuro do Brent)teve um mínimo no dia 20 de Janeiro, tendo no dia 11 de Fevereiro atingido novo mínimo relativo (saberá o que isso é, admito). Desde então o preço nso parou de subir tendo fixado hoje um máximo, não sendo verdade o seu argumento de que os preços estão nos mesmos níveis a data de anúncio da medida, usando o indicador que usei no meu artigo. Aguardo serenamente pela evolução futura, com ou sem médias móveis e o cumprimento da palavra dada quando se justificar a luz dos parâmetros orçamentais. Obrigado pela correcção demonstrada na sua argumentação que teve logo que desvalorizar pejorativa mente o mensageiro para sentir mais robustez na argumentação .

  8. A cotação do futuro Brent mencionado no dia 20 de Janeiro (altura dos cálculos do orçamento ) estava a 29.5 USD com o eur/USD a 1.096. Logo convertido em Euros estamos a falar de um preço de 26.7 euros para o Brent. No dia 11 de Fevereiro, data do anúncio da portaria, o futuro cotava a 30 USD e convertido em Euros estamos a falar de 26.4 eur. A data de hoje com a nova taxa de câmbio e a nova cotação do preço do Brent estamos a falar de 34.33 euros, um aumento de 28,4% face ao valor mínimo . O valor mencionado no meu artigo foi retirado de uma notícia da Reuters de dia 1 de Março. Estas são as bases transparentes e claras do que escrevi. Aceitarei as suas desculpas , se as entender formular, acerca da minha idoneidade moral questionada, dado que os dados factuais não apoiam a sua tese de preços estáveis. Obrigado

  9. Hugo Rego

    Embora entenda a sua indignação perante a observação pessoal que fiz sobre a sua opinião, espero que entenda ser normal esperar um pouco mais de seriedade e profundidade ao abordar um tema destes, tendo em conta o seu currículo e área de actividade. Não teci tal comentário para conferir mais robustez mas sim por estar um pouco agastado ao observar como a ligeireza argumentativa pode surgir da parte de quem poderia (deveria?) contrariar o populismo reinante no debate.
    Também não teci tal comentário com o intuito da agressão verbal embora entenda que alguns termos tenham estado um pouco para além do que deveriam e, nesse sentido, caso o tenha melindrado, apresentar-lhe o meu pedido de desculpas.

    Ora, quanto à evolução dos preços em questão, não sei o porquê da referência a 20 de Janeiro já que, publicamente, a medida foi apresentada publicamente em sede de debate do OGE a 22 de Janeiro, altura em que o Brent fecha nos 29,80€ ($32,17 e o Euro nos 1,0792). Logo aqui, este pequeno pormenor altera substancialmente as referências para cálculo da evolução percentual do derivado.
    À data de hoje, o Brent fechou nos 34,07€ ($37,02 com o Euro a fechar nos 1,0864) o que representa um aumento de 14,33%, ou seja, metade do valor apresentado por si…
    Na verdade, até poderia ter ido mais longe e, de acordo com a sua lógica, a medida e respectiva quantificação do valor apenas foi fechada em sede de negociação em Bruxelas no dia 3 de Fevereiro, altura em que o Brent fechou nos 31,92€ ($35,44 com o Euro a fechar nos 1,1102) e que resulta numa modesta apreciação de pouco mais de 6%…

    Grave na sua argumentação é dar a ideia de que as bases de dados para os modelos de cálculo para estas medidas são gizadas “na hora” e isso sabe muito bem ser falso. Por essa razão referi o valor de referência constante no OGE para o Crude WTI (e não o Brent) – os tais 47,5€ – e que corresponde, grosso modo, ao valor ajustado em euros do valor médio anual de 2015. Por outras palavras, e para que o comum dos leitores compreenda, saberá que os cálculos de cenários de evolução e impacto económicos e financeiros incorporam as componentes macro-económicas agregadas o que, diga-se de passagem, é bem visível graficamente aos olhos de qualquer pessoa com um mínimo de conhecimentos. Apesar da “subida expressiva” recente face aos mínimos, o preço mantém-se dentro de um canal descendente bem definido e se é verdade que não se irá manter assim ad eternum, também não deixa de ser verdade que a procura agregada e o consumo mundial irá manter-se deprimido durante uns bem longos tempos e tal irá pressionar a manutenção dentro de um intervalo em baixa dos preços da matéria.

    Claro que tudo isto não deixa de ser estar a esgrimir dados com maior ou menor objectividade sobre uma matéria que, tendo em conta o seu impacto real (economicamente quase irrelevante apesar de populisticamente ser assunto que renda protagonismo fácil perante uma sociedade civil pouco conhecedora).
    Se quiséssemos mesmo ser sérios no debate, deveríamos estar a discutir união bancária, regulação ou o que é que estamos a correr o risco de enfrentar a curto prazo caso se tenha que segurar a banca europeia, num cenário mais que plausível de nirp.

    Cumprimentos

  10. Hugo Rego

    Apenas para referir que os valores apresentados foram retirados das plataformas de negociação dos respectivos activos em questão e que as datas referidas se reportam aos momentos chave da discussão aqui gerada.
    Penso não ser demais salientar que os aumentos relativos referidos se diluem ainda mais em termos de composição final de preços dos destilados, tendo em conta o peso relativo do custo da matéria na formação do referido preço.

    Reforçar o meu pedido de desculpas sobre as considerações pessoais iniciais por mim dirigidas à sua pessoa, obviamente não extensíveis ao cerne deste debate tendo em conta os dados e cálculos factuais por mim apresentados.

    Mais uma vez, com cumprimentos.

  11. Obrigado pelo contributo para o esclarecimento dos factos. Obviamente discordamos na questão de base que é a do argumento do Governo que os preços podem ficar baixos e como tal não haverá necessidade de reduzir o ISP . Esse é o meu ponto central dada a subida importante acumulada no último mês. Mas se o preço médio de referência do Brent estiver nos valores que refere ainda há caminho a percorrer. A verdade é que nas datas dis anúncios públicos tocavam os em mínimos de vários anos. Independentemente das variações percentuais mais ou menos elevadas. Um facto claro para mim é que a elevação do ISP num momento (não é relevante a data precisa) em que o petróleo sofreu uma correcção de preço em USD de mais de 75%, em que a oferta americana se contrai com o fecho de oil rigs e em que as principais potências produtoras começam a ter consequências orçamentais nefastas e em que a generalidade das opiniões públicas apontam para a descida, só poderá ser sinal de que teremos futuramente uma subida desta matéria prima. Quando o barril estava acima dos 120 USD a AIE

  12. …previa a continuação da subida e do aumento da procura. Há pouco tempo atrás esta agência já dizia que a descida será sustentada. Como economista vejo muita opinião fundamentada em fatores que mo longo prazo não são sustentáveis e a permanência de um preço de petróleo baixo é uma dessas situações. Cumprimentos

  13. Hugo Rego

    A questão central em debate foi a de qual o nível de cotação a partir do qual se deveria considerar uma alteração da política fiscal em matéria de ISP, bem como do aligeiramento da abordagem face a um movimento normal de evolução de cotação de um activo em trajectória descendente, bem como da relatividade estatística. Uma das linhas de debate/crítica política tem sido a da (in)exactidão das contas, cálculos e números e, por essa mesma razão, entendi fazer o reparo que fiz tendo em vista uma exactidão mais apurada.

    Ora, a evolução recente do preço do activo se, por um lado, não assumiu um valor que colocasse em questão os parâmetros de definição do âmbito da medida fiscal, também não pode servir de mote para considerações sobre evolução futura, independentemente do maior ou menor conhecimento sobre a matéria/área. Até porque a questão do “ser sustentável” ou não é relativa. Parafraseando Ulrich, não aguenta ? “Ai aguenta, aguenta!”. Até porque creio que se esqueceu de incorporar um facto – a cotação do crude/brent foi sustentada em alta, durante largos anos, através de operações extra-mercados em larga escala entre grandes bancos (é excusado citar o principal envolvido até porque esse já tem problemas de sobra nos seus balanços e a ver os cds a dispararem) denominadas comummente de vai-e-volta em plataformas específicas de elevada liquidez, sem qualquer tradução com as regras normais de procura de mercado, por isso, afirmar o que é “preço baixo” ou “preço normal” de um activo com estas características é, no mínimo, extremamente discutível.

    Não tenho qualquer satisfação pessoal em lhe afirmar que a sua opinião fundamentada não é corroborada por uma, passe-se a expressão, catrafiada de analistas financeiros nem das respectivas instituições financeiras que representam, tal como não é por acaso o esgotamento da capacidade de armazenamento de todas as plataformas logísticas nos US, tal como não é por acaso que vários bancos se estão a retirar do mercado de financiamento a empresas do sector, nomeadamente nos US, com as imparidades a avolumarem-se, sem previsão real das consequências reais, tendo em conta os factores que já referi – queda sustentada do consumo (a todos os níveis), da procura agregada, índices de produção industrial a manterem a inversão de tendência, retoma real do emprego nula/negativa (em ambos os lados do Atlântico), assustador a evolução do Baltic DI, assustador se pensarmos na duração deste ciclo de taxas directoras vs crescimento real (veja-se o crescimento do lado de lá medido pelo GDP vs o medido pelo GDI), esgotamento das políticas directoras centrais…

    Poderia continuar a apresentar dados a sustentar a manutenção em baixa dos níveis de consumo e até poderia acrescentar que em NIRP se poderá agravar o cenário mas isso é tema proibido na banca…

    Mais uma vez, a questão do aumento do ISP é irrelevante face ao que iremos enfrentar nos próximos tempos.

    Cumprimentos.

  14. Adicionaria a toda a argumentação apresentada por si, um facto de relevo em qualquer matéria prima e em especial nesta: o valor do custo marginal de extracção / produção. E as consequências de longo prazo na oferta que irão provocar em certas partes do mundo o abaixamento de preço , com o sub investimento de muitas companhias do sector. O passado já o conhecemos, mas a antecipação das tendências de futuro nem sempre assume a linearidade de um raciocínio clarividente. Sou sempre muito crítico daquilo que é a voz corrente da “catrafiada” de analistas. Mesmo que á custa de erros de curto prazo. No entanto entendo perfeitamente o seu ceptcismo. Espero que o ISP possa descer de facto se os referenciais o determinarem assim, pois ter quase 2/3 do preço de venda na bomba de gasolina determinado pelo valor do ISP, não está no que considero uma política fiscal “benigna” para o país. Cumprimentos

  15. Pingback: Sr. Ministro, mais outro máximo no petróleo – O Insurgente

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