Funcionários públicos também ficam na fila de espera?

No ano passado foi notícia de jornais e televisões (ex: SIC, com video) utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) serem “obrigados” a pernoitar à porta de uma instituição privada, para, na manhã seguinte, conseguirem obter umas das poucas senhas disponíveis para realizar colonoscopia comparticipada.

É claro que no SNS também se faz aquele exame. Mas não têm suficientes recursos para responder, a tempo, a todos os que necessitam. E assim os portugueses sem possibilidades financeiras para subscrever um seguro de saúde vão ficando em lista de espera. Como poderão confirmar abaixo, são cidadãos de segunda.

Esta semana, depois de ter lido o artigo do AAAlves “ADSE para todos”, fiquei com a seguinte dúvida: os funcionários públicos também ficam à espera para fazer colonoscopias ou têm a liberdade de optar pelo serviço de inúmeros privados com acordo ADSE?

adse_fila_espera

Via o artigo referenciado acima também descobri que Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, tem uma visão distorcida da ADSE  (meu destaque):

A abertura da ADSE a outras pessoas que não funcionários públicos (e respectivos familiares) “não faz sentido”, porque “estaria a alargar o acesso de utentes aos hospitais privados com prejuízo claro para o SNS“. Por isso, “a ADSE deve manter-se como um sistema fechado aos funcionários públicos e às suas famílias”.

Ora, se este é mesmo o pensamento político da deputada (e provavelmente do partido que representa!), ela não pode ficar por meias medidas. Se o objectivo é não haver “prejuízo claro para o SNS” então o Bloco de Esquerda – querendo ser consistente(!!!) – terá de defender o fim da ADSE. É que, através deste sistema, os funcionários públicos recorrem a serviços de saúde privados em detrimento do SNS…

Tentemos, por momentos, esquecer aquelas palavras pouco empáticas por quem está doente e fica numa lista de espera do SNS. Consideremos então o alargamento da ADSE a todos os portugueses (já há uma petição pública).

Abrir a ADSE ao resto da população aumenta ou diminui a carga fiscal dos contribuintes? O SNS terá de ser reduzido, privatizado e/ou reorganizado? As listas de espera serão drasticamente mitigadas? Seguros de saúde poderão melhor competir com e/ou substituir a ADSE? Existem, em outros países, sistemas similares que podem ser copiados ou assimilados? São todas perguntas válidas mas uma terá de ser respondida primeiro: porque não podemos nós usufruir da mesma liberdade de escolha que têm os funcionários públicos?

Leituras complementares:
“ADSE para todos”
“ADSE para todos – Assunção Cristas apoia”
Petição pelo alargamento do acesso à ADSE a todos os trabalhadores
“ADSE para todos – Moção de estratégia do CDS defende a ideia”
“A ADSE à luz do princípio da igualdade (2)”

7 thoughts on “Funcionários públicos também ficam na fila de espera?

  1. tina

    É óbvio que a Joana Mortágua não passa de mais uma fascista de esquerda, que arranja desculpas esfarrapadas para manter privado o clube de saúde dos funcionários públicos. Foi muito bom ter a geringonça de esquerda a governar por uns tempo, tem sido uma lição de vida aprender com a extrema esquerda realmente é. A começar pelos 1,5 euros de aumento das reformas dos pobres e a acabar, por enquanto, com a insistência na privatização de um seguro de saúde pelos membros do estado.

  2. tina

    E o argumento dela é que não faz sentido nenhum! Quando ela diz “estaria a alargar o acesso de utentes aos hospitais privados com prejuízo claro para o SNS“, isso quer dizer que a ADSE está a prejudicar o SNS, pois os utentes da ADSE usam hospitais privados!…Acabe-se com a ADSE então, isso sim é que seria uma atitude coerente da extrema-esquerda.

  3. Baptista da Silva

    O SNS devia limitar-se a cobrir zonas onde não haja privados e a manter um Hospital em cada Capital de Distrito, o resto é dispensável.

  4. FB

    Não sei se os funcionários públicos ficam na fila de espera para colonoscopias, mas posso falar de um caso que conheço, de uma amiga minha, que é auxiliar num hospital público – faz turnos rotativos de 24h, trabalha fins de semana e feriados (por exemplo, a ajudar a limpar e pegar em doentes – trabalho leve, portanto) e ganha mais uns trocos do que o salário mínimo, alguém quer o lugar dela? – e que tem um filho insuficiente renal, com dador vivo, à espera que lhe marquem a m**da da cirurgia há quase um ano. O dador, ao contrário do recetor, não é beneficiário da ADSE, será por isso que o hospital (o mesmo onde ela trabalha, por acaso) anda a “engonhar” há praticamente um ano?
    Sinceramente, já me enoja esta sanha contra “os” funcionários públicos…

  5. tina

    É por isso que o socialismo não funciona na prática. As pessoas põem-se em primeiro lugar elas próprias, como o BE acabou de demonstrar, enquanto o socialismo requer que se trabalhe para um bem comum.

  6. tina

    “O dador, ao contrário do recetor, não é beneficiário da ADSE, será por isso que o hospital (o mesmo onde ela trabalha, por acaso) anda a “engonhar” há praticamente um ano?”

    Muito provavelmente será. De toda a maneira, é fácil de imaginar que um serviço discriminatório como a ADSE terá também as suas próprias listas de prioridades.

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