Os fascistas da infância

A nossa comunicação social está sempre em cima das questões mais importantes. O Boston Globe contou a história do abuso sexual de crianças pelos padres católicos e o duradouro encobrimento da situação pela arquidiocese e pelo arcebispo de Boston. Já o DN dedica-se a algo ainda mais fulcral: a divisão de brinquedos para meninos e para meninas pelo McDonald’s nos Happy Meals. Como o bom povo diz, cada um é para o que nasce.

Mas pronto: irrita-me. Irrita-me à brava gente que nada tem a ver comigo a dar palpites sobre brinquedos para os meus filhos. Os meus filhos não têm culpa da existência dos alucinados que pretendem que as diferenças entre os géneros são exclusivamente construções culturais. (Em parte são e em parte não.) E que, à conta disso, agora dão em implicar com os brinquedos das crianças.

É que – a natureza pede desculpa por se fazer sentir – geralmente os rapazes e as raparigas gostam de brinquedos diferentes. Não há mal nenhum um rapaz gostar de bonecas e uma rapariga de carros. Mas há mal em contrariar a tendência da maioria para formatar as crianças a uma ideia estapafúrdia de igualitarização dos sexos.

Mas felizmente nem toda a gente é rústica como eu com estas opiniões. Uma jornalista de causas acha que tem de mandar palpites sobre a escolhas dos outros para os brinquedos dos seus filhos obtidos numa determinada empresa. E no nosso magnífico governo uma secretária de estado, no tempo de trabalho pago pelos nossos impostos, não vê nada mais importante do que monitorizar esta grave situação de atentados aos direitos das crianças junto do McDonald’s. Que, recorde-se, é um empresa privada e o serviço que entende prestar aos seus clientes a acompanhar a comida devia resultar apenas do sucesso obtido junto dos seus clientes. E se houvesse clientes incomodados com esta segregação de Happy Meals, há muito que a empresa teria ajustado a sua linguagem. Mas as pessoas fascistas gostam condicionar as escolhas de consumo dos outros. Não é novidade.

Eu, quando encomendar os Happy Meals para as minhas crianças, vou continuar a dizer que quero a versão de menino.

7 thoughts on “Os fascistas da infância

  1. Doublet

    É engraçado ver que a ciência apanha pelos dois lados. A direita religiosa, principalmente nos EUA, ignora a evolução e empurra-nos o criacionismo. A esquerda esganiçada ignora a biologia, hormonas e cromossomas para nos empurrar a ideologia de género.

  2. Fernand Personne

    É verdade que existem brinquedos “neutros”, ou seja, tanto servem para meninos como para meninas, ex. livros de colorir, lápis de cor, peluches, plasticina, legos, etc.

    Eu só gostava de saber qual é o problema dos rapazes brincarem com bolas e carrinhos, e as raparigas brincarem com bonecas e casinhas, como sempre.

    Agora querem à viva força que “as raparigas brinquem de polícias e os rapazes de princesas (discurso em Fev. 2015 da cantora Taylor Swift, numa gala de prémios de música)! E isso é IDEOLOGIA DO GÉNERO, mais uma invenção do marxismo cultural.

    Pesquisem e assustem-se!

  3. Baptista da Silva

    A extrema esquerda com tiques de comunismo absolutista prepara o terreno ideológico para dominar a sociedade.

  4. jo

    Leia lá a notícia com atenção.

    As crianças podem escolher os brinquedos que quiserem. Sem condicionamento exterior provavelmente as meninas escolhem bonecas e os rapazes carrinhos. Não vem daí mal ao mundo.

    Já ao colocar em cartazes que certos brinquedos são para meninos e outros para meninas está-se a condicionar a escolha.

    Claro que há pseudo-libertários que gostam de condicionar as escolhas das pessoas e depois afirmar: “Vêm que existem diferenças”. Para esses o procedimento do McDonald’s é o único que tem lógica.

    Não lei o Boston Globe, mas se só fala de padres pedófilos, deve ser um jornal um bocado repetitivo.

  5. srhamsun

    Como referi no postal Animal Farm (é ler se quiser, sff), isto não é fascismo, é bolchevismo. A mania de chamar fascismo a tudo já cansa. Isto é bolchevismo e a raiz profunda disto é o gnosticismo. Chamar fascismo a tudo o que assume tiques totalitários é fazer o jogo do esquerdalho.

  6. João

    Não se esqueça de mencionar que quer o brinquedo para meninos católicos brancos, que é o mais “normal” no nosso país, como uma pistola- metralhadora ou um terço de Fátima!
    Mais a sério, a questão aqui é a de respeitar uma minoria, não de reduzir a liberdade da maioria. Com certeza não gostaria de ter um filho violento ou criminoso, pelo que não gostaria que lhe dessem uma pistola. Também os pais de meninos gays não gostam que os seus filhos sejam “agredidos” com brinquedos que não são adequados para eles. Cumprimentos e obrigado por nos por a refletir.

  7. Simon Templar

    Já ao colocar em cartazes que certas casas de banho são para meninos e outros para meninas está-se a condicionar a escolha.

    Já ao colocar em cartazes que certas roupas são para meninos e outros para meninas está-se a condicionar a escolha.

    :O ???

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