Quem Protege Os Consumidores Dos Preços Baixos?

Além do Banco Central Europeu que tenta com que os preços subam 2% por ano (algo que orwellianamente designam por “estabilidade de preços”); do governo mais liberal de sempre ter impedido que os livros sejam vendidos com descontos superiores a 10%; temos também a ASAE de forma incansável a proteger os consumidores dessa grande calamidade pública que são os preços baixos. Continuem – bom trabalho!

ASAE_PrecosBaixos

11 pensamentos sobre “Quem Protege Os Consumidores Dos Preços Baixos?

  1. Gonçalo Dinis

    “Existe uma rivalidade total entre o vendedor e o comprador. Um deseja que os produtos à venda sejam raros, tenham pouca oferta no mercado e possuam preços elevados. O outro, que tais produtos sejam abundantes, existam em grande quantidade à sua disposição e a preço baixo.

    As leis, que pelo menos deveriam ser neutras, tomam o partido do vendedor contra o comprador, do produtor contra o consumidor, da carestia contra os preços baixos, da miséria contra a abundância.

    As leis agem, senão intencionalmente, pelo menos logicamente, a partir deste pressuposto: uma nação é rica quando lhe falta tudo.

    Pois elas dizem: é ao produtor que se deve favorecer, assegurando-lhe uma boa aplicação de seu produto. Para tanto, é preciso elevar os preços. Para elevar os preços, é preciso restringir a oferta. E restringir a oferta é favorecer a miséria.

    E vejam: suponho que no momento actual, quando essas leis têm toda a força, deve-se estar fazendo um inventário completo, não em valor, mas em peso, medida, volume, quantidade, de todos os objectos existentes na França, próprios para satisfazer às necessidades e aos gostos de seus habitantes: trigo, carne, tecidos, combustível, mercadorias vindas das colónias, etc.

    Suponho ainda que serão derrubadas amanhã todas as barreiras que se opõem à introdução, na França, de produtos estrangeiros!

    Enfim, para apreciar o resultado desta reforma, suponho que se faça, três meses após, um novo inventário.

    Não é verdade que haverá, na França, mais trigo, mais gado, mais tecido, mais ferro, mais carvão, mais açúcar etc., quando for feito o segundo inventário?

    Isto é tão verdadeiro que nossas tarifas proteccionistas só têm por objectivo impedir todas essas coisas de chegarem até nós, restringir a sua oferta, impedir o declínio dos preços desses produtos e a abundância.

    Agora, eu pergunto: o povo está melhor alimentado com essas nossas leis, pelo fato de haver menos pão, menos carne e menos açúcar no país? Está melhor vestido porque há menos tecido? Está melhor aquecido porque há menos carvão? Está mais assistido em seu trabalho porque há menos ferro, menos cobre, menos ferramentas e menos máquinas?

    Mas, dir-se-á, se os estrangeiros nos inundam com seus produtos, eles ganharão nosso dinheiro!

    E que importa? O homem não se alimenta de dinheiro, não se veste de ouro, não se esquenta com moedas. Que importa que haja mais ou menos dinheiro no país, se houver mais pão à mesa, mais carne nas cozinhas, mais roupas nos armários e mais fogo nas lareiras?

    As leis restritivas sempre nos apresentam o seguinte dilema: ou se admite que elas produzem miséria, ou não se admite. Se a resposta for afirmativa, há que se reconhecer que se faz muito mal ao povo. Em caso contrário, então se estará negando a restrição da oferta de bens, o aumento dos preços e, por conseguinte, o favorecimento do produtor.

    Tais leis são, em qualquer caso, funestas ou ineficazes. Não podem ser úteis.”

    Frédéric Bastiat no texto intitulado: Abundância, miséria

    Pelos vistos 166 anos depois do falecimento de Bastiat, as elites a que temos direito continuam a não perceber…

  2. Miguel Alves

    Se a empresa tem lucro, é porque tem lucro e deve pagar mais impostos, se a empresa vende com prejuizo, é porque tem prejuizo e não pode ser… para quando um governo que mete uma tabela de preços de todos os produtos? assim temos certamente um mundo “mais justo” e igual.

  3. Revoltado

    aqui nada a apontar à acção da ASAE, muito pelo contrário; se a lei existe (e como todos sabem, existe para estimular a concorrência e evitar a criação de monopólios por parte de empresas com maior potencial económico) então deve ser cumprida por todos.

  4. Ricardo

    Joao, percebo o ponto de vista que quer pessas (a meu ver, o excesso de intervenção no mercado). Concordo que os mercados (quaisquer que eles sejam) têm excesso de intervenção em PT. No entanto, neste ponto em concreto, considero que o dumping não traz consigo nada além de benefícios de longo prazo. Não conhecendo a lei aprofundademente, acho que vender abaixo de custo só deveria ser permitido em situações do género chapter 11 e pouco mais

  5. JP-A

    Na transposição das leis europeias originais as atividades como as comunicações estavam na alçada da inspeção económica, agora ASAE. Agora estas atividades estão sob a alçada dos “reguladores”. A ASAE entra armada até aos dentes, mas é nas feiras, onde provavelmente devem estar quase sempre crianças e outros menores. O resto é bla, bla, bla, bla…

  6. Olá Ricardo – eu compreendo o que queres dizer. No entanto, o que é que é o “dumping”? Que custos é que são usados: R&D, Cost of Sales, SGA? Se uma empresa produzir em diferentes regiões – qual é a região que deve ser usada para efeitos contabilísticos? É se a estratégia da empresa for perder num lado e ganhar noutro (como por exemplo os fabricantes de consolas de jogos)? E se existir inventário que a empresa se queira livrar?… E se o preço das matérias primas se tiver alterado entretanto (por ex.: petróleo)? O que é um preço justo? (os preços de venda que os clientes estão dispostos a pagar não têm nada a ver com os preços de custo).

  7. Jorge Libertário

    “Existe uma rivalidade total entre o vendedor e o comprador. Um deseja que os produtos à venda sejam raros, tenham pouca oferta no mercado e possuam preços elevados. O outro, que tais produtos sejam abundantes, existam em grande quantidade à sua disposição e a preço baixo.

    As leis, que pelo menos deveriam ser neutras, tomam o partido do vendedor contra o comprador, do produtor contra o consumidor, da carestia contra os preços baixos, da miséria contra a abundância.

    As leis agem, senão intencionalmente, pelo menos logicamente, a partir deste pressuposto: uma nação é rica quando lhe falta tudo.

    Pois elas dizem: é ao produtor que se deve favorecer, assegurando-lhe uma boa aplicação de seu produto. Para tanto, é preciso elevar os preços. Para elevar os preços, é preciso restringir a oferta. E restringir a oferta é favorecer a miséria.

    E vejam: suponho que no momento actual, quando essas leis têm toda a força, deve-se estar fazendo um inventário completo, não em valor, mas em peso, medida, volume, quantidade, de todos os objectos existentes na França, próprios para satisfazer às necessidades e aos gostos de seus habitantes: trigo, carne, tecidos, combustível, mercadorias vindas das colónias, etc.

    Suponho ainda que serão derrubadas amanhã todas as barreiras que se opõem à introdução, na França, de produtos estrangeiros!

    Enfim, para apreciar o resultado desta reforma, suponho que se faça, três meses após, um novo inventário.

    Não é verdade que haverá, na França, mais trigo, mais gado, mais tecido, mais ferro, mais carvão, mais açúcar etc., quando for feito o segundo inventário?

    Isto é tão verdadeiro que nossas tarifas proteccionistas só têm por objectivo impedir todas essas coisas de chegarem até nós, restringir a sua oferta, impedir o declínio dos preços desses produtos e a abundância.

    Agora, eu pergunto: o povo está melhor alimentado com essas nossas leis, pelo fato de haver menos pão, menos carne e menos açúcar no país? Está melhor vestido porque há menos tecido? Está melhor aquecido porque há menos carvão? Está mais assistido em seu trabalho porque há menos ferro, menos cobre, menos ferramentas e menos máquinas?

    Mas, dir-se-á, se os estrangeiros nos inundam com seus produtos, eles ganharão nosso dinheiro!

    E que importa? O homem não se alimenta de dinheiro, não se veste de ouro, não se esquenta com moedas. Que importa que haja mais ou menos dinheiro no país, se houver mais pão à mesa, mais carne nas cozinhas, mais roupas nos armários e mais fogo nas lareiras?

    As leis restritivas sempre nos apresentam o seguinte dilema: ou se admite que elas produzem miséria, ou não se admite. Se a resposta for afirmativa, há que se reconhecer que se faz muito mal ao povo. Em caso contrário, então se estará negando a restrição da oferta de bens, o aumento dos preços e, por conseguinte, o favorecimento do produtor.

    Tais leis são, em qualquer caso, funestas ou ineficazes. Não podem ser úteis.”

    Frédéric Bastiat no texto intitulado: Abundância, miséria

    Pelos vistos 166 anos depois do falecimento de Bastiat, as elites a que temos direito continuam a não perceber…

  8. Fernando S

    Para além dos monopólios “naturais”, casos especificos que exigem uma regulação por parte de uma entidade publica (não necessáriamente estatal), os monopólios apenas existem se e quando o Estado intervém abusivamente, com regras administrativas, restrições à entrada, protecções, privilégios, subsidios, controlo de preços e margens, etc.
    De outro modo, em mercados livres, uma posição dominante, resultante de vantagens competitivas conquistadas, é sempre limitada e temporária, pode ser alterada pela emergência de outros operadores mais eficientes e competitivos, existentes ou novos.
    Veja-se o caso da distribuição alimentar. Um numero limitado de operadores da grande distribuição, hipers e cadeias de supers, adquire posições dominantes através da escala de do marketing (que inclui a concepção e apresentação dos produtos e preços de compra e de venda). Os outros operadores, menos eficientes e/ou mais pequenos, são desvantajados, com menos vendas e falta de rentabilidade. Muitos reconvertem-se ou fecham. Mas ganha a massa dos consumidores, em poder de compra. E ganha a economia, a montante e a jusante. Mas a situação não se eterniza. Outros operadores aparecem e inovam. O mercado evolui e transforma-se. Muitos dos dominantes de ontém deixam de o ser e são substituidos por outros.
    Veja-se ainda o que passou ao longo de décadas em sectores tecnológicos, como os das comunicações e da informática. Apesar das posições dominantes adquiridas por alguns em certas fases, o mercado não parou e os principais protagonistas foram mudando. São dos sectores mais concorrenciais e inovadores, na qualidade dos produtos e na baixa dos preços.
    Organismos como a ASAE, a existirem, não deviam interferir na gestão dos operadores, incluindo naturalmente o que se refere ao preçário, e limitar a sua acção à fiscalização e repressão no que se refere às caracteristicas e qualidades dos produtos e serviços propostos aos consumidores : evitar que se compre gato por lebre !

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