A propósito dos bancos públicos

“Pr’a melhor está bem, está bem, Pr’a pior já basta assim” de Paulo Ferreira (Observador)

O Estado é dono da Caixa Geral de Depósitos, com fatias de mercado entre os 25% e os 30% (dependendo dos indicadores: crédito concedido, depósitos de clientes, activo). Com que vantagens? A Caixa desempenha um papel positivo e diferenciador em relação aos concorrentes no financiamento da economia? É um elemento regulador de boas práticas comerciais? Há projectos empresariais viáveis que só tiveram ali o parceiro financeiro que não encontraram noutro banco? É um oásis de solidez e tem o balanço enxuto num sector a precisar de capitais?

Estou disponível para ser convencido, com dados e casos concretos, de que tudo isto é verdade. Mas não é isso que os meus olhos veem. O que sei é que, durante muitos anos, a Caixa foi um instrumento político na concessão de crédito a práticas de mérito muito duvidoso. Do financiamento ao “assalto ao BCP” ao crédito a negócios ruinosos. E de que serviu o facto de a Caixa ter sido durante anos um dos maiores accionistas da PT, para além de contribuir para ajudar a travar uma operação de mercado como a OPA da Sonae?

Também sabemos que foi porto de abrigo para amigos que protagonizaram algumas dessas práticas. Armando Vara foi talvez o mais flagrante, lembram-se? Se estes são os nacionais então que venham os estrangeiros.

O balanço da Caixa está ainda cheio de “tralha” desses tempos, que pesa nos prejuízos, apesar do esforço desta administração.

Era importante que se fizesse uma análise independente e lúcida do papel do banco. E que se definisse uma estratégia clara que a diferenciasse, então, da banca comercial privada. Eu não a vejo.

5 thoughts on “A propósito dos bancos públicos

  1. O problema está sempre no porto de abrigo e nos barcos que lá podem atracar…
    EDP, REN, GALP, CTT, PT, CP, ena! tantos portos de abrigo! e não julguem os boys do PSDCDS que as vendas dessas empresas feitas por si lhes darão eternamente a exclusividade do abrigo de seus botes.
    Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas…
    Quem vier a seguir que feche a porta…

  2. Luís Lavoura

    que se definisse uma estratégia clara que a diferenciasse, então, da banca comercial privada

    A estratégia que a diferencia e tem diferenciado é, precisamente, aquilo de que o post se queixa mais acima: “financiamento ao “assalto ao BCP”, “contribuir para ajudar a travar uma operação de mercado como a OPA da Sonae”.

  3. Fernando S

    Luis FA : “Bancos privados é que é bom, porque depois o público paga.”

    Bancos publicos não é “depois”, é sempre !!

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