O estranho conceito de dar de António Costa

O meu texto de ontem no Observador.

‘Um preâmbulo antes de chegar ao assunto da crónica. Vejo toda a gente de direita à minha volta zangada com o orçamento para 2016. Confesso que não os entendo. Eu afirmo-me já encantada com o documento. E mais ainda pela aprovação em bloco por toda a esquerda de tal maravilha da contabilidade pública. Terá ela endoidecido de vez?, pergunta agora o leitor. Não, não endoideci. Ainda ontem fui atestar com gasóleo o depósito do meu carro, familiar com depósito avantajado, e lá paguei mais de cem euros, conta adorável que não me aparecia já há algum tempo. Mas, graças à boa ação do governo de Costa e do senhor-professor-de-Harvard-meu-deus-Centeno, fui espoliada, desta vez e das seguintes, de mais uns euros para o Estado. E garanto que usei palavras de bom vernáculo quando vi os cento e qualquer coisa euros. Ora como eu haverá outros felizes possuidores de carros que já terão reparado como a conta dos combustíveis aumentou. E que agradeceram a Costa com o mesmo vernáculo que eu.

Pelo que é isto: o OE 2016 é tão mau que é magnífico. E quando os consumidores começarem a ver os preços dos bens a aumentar, meus amigos, a ‘narrativa’ da geringonça bem pode alardear de que foi a UE, organismo mau e vil, que obrigou a tantos impostos, que o consumidor espoliado não quer saber. Desde logo porque Costa tinha prometido gritaria lá na Europa até aquela gente ganhar juízo e sucumbirem à vontade do magnífico líder. Os aumentos de impostos têm a assinatura da geringonça e os eleitores – muito mais saturados deste saque fiscal crescente do que há quatro anos – certamente recompensarão a esquerda devidamente em eleições. E o PS, em boa verdade, nem tem a atenuante que PSD-CDS tinham: a de estar a resolver um problema criado pelos governos socialistas. Agora será a austeridade pelos autores da austeridade. Nem a redução do IRS atenuará a traição. Porque, como dizia alguém no meu facebook, vamos ter mais dinheiro para gastar em impostos.’

O resto do texto está aqui.

2 thoughts on “O estranho conceito de dar de António Costa

  1. Troll

    Quando um povo confere ao seu governo o poder de tirar de uns e dar a outros, o processo não cessará até a última gota de sangue do último pagador de impostos ser sugada.

Deixar uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s