A TINA vai com todas

costume7Olha-se para este orçamento e conclui-se que mais corte, menos corte, mais imposto, menos imposto, poderia ter sido um orçamento de um governo PàF. O orçamento prevê cortes de despesa não salarial na saúde e na educação, cortes no investimento público, aumento de impostos sobre combustíveis semelhante à lançada pela PàF no ano passado. Os salários da função pública ainda assim ficarão abaixo do que estavam há 6 anos. Talvez para o ano faça 7. E só sobem de 3 em 3 meses que é uma forma do governo dizer que se a execução correr mal, param de subir. É difícil pensar, dados os antecedentes, que um governo PàF fizesse algo substancialmente diferente. Quando Passos afirmou ontem que o PSD não iria apresentar propostas de alteração, fiquei com a impressão que é precisamente por não ter grandes alterações a propor.
Chegamos portanto a uma situação em que em termos de política orçamental, dadas as restrições e a ausência de alternativas, os partidos de direita estão praticamente ao lado de um orçamento aprovado pelo PCP. Isto poderá fazer pensar o PCP e o BE, mas deve acima de tudo fazer pensar os partidos da direita. Que alternativa é que oferecem hoje aos portugueses? Estando o PCP um passito à sua esquerda no que toca a política orçamental, para que lado irão a seguir?

11 pensamentos sobre “A TINA vai com todas

  1. Paulo Pinto

    O PCP aprovou um orçamento com propinas, taxas moderadoras, recibos verdes, contratos a prazo, banca privada, privatizações, não retira 1 cêntimo nas PPP… Quem se deslocou para a direita foi o PCP e o BE. E são esses eleitores que têm de pensar na sua vida.

  2. Carlos Conde

    É uma prática comuna-socialista chamar partidos da direita ao PSD e CDS, mas isso é uma falsidade absoluta que, apesar de repetida diariamente, continua a ser uma mentira para enganar tolos.
    É tão verdade como os autores da piada serem honestos e terem paredes de vidro.

  3. JP-A

    Estamos a dar razão ao Passos Coelho – quando não há dinheiro não há direita nem esquerda. A grande diferença é que uns governam em negação e outros assumem-na, e isso tem profundos impacto no exterior quando o país é o tipicamente completamente corrupto do sul da Europa, como demonstram os casos graves que aparecem todos os dias. E ainda mandamos bocas ao protestantismo da senhora Merkel e do centro da Europa, sem conseguir ver o que eles viram há séculos. De resto p PCP foi muito claro ontem à noite num dos debates na TV – estão a fazer do PS uma casa de meninas com a qual eles não têm nada a ver. Eles não aprovam nada daquilo (até são contra), mas tem de ser só para contrariar a direita. A resposta ao aperto do jornalista é interessantíssima – eu percebo aquilo que me está a querer perguntar, só que como não lhe posso responder de caras, se me dá licença, vou usar o tempo de antena que me vai fazer o favor de conceder para eu contar uma história da carochinha aos portugueses que nos estão a ver, OK? Mal se pode esperar para ver o espetáculo da manobra do PS quando chegar a hora de se transfigurar de prostituta para freira, antes que os efeitos do desastre se façam sentir. Desconfio até que vão precisar da ajuda de outro banco.

  4. tina

    Concordo. Se fosse um orçamento de esquerda haveria muito mais transferência para as classes pobres e não para a classe média. Nem sequer têm a desculpa de terem de salvar o país da bancarrota, tinham muito mais liberdade de escolha!…

  5. Tina,

    «Se fosse um orçamento de esquerda haveria muito mais transferência para as classes pobres e não para a classe média.»

    Consegue dizer-me um país governado à esquerda onde os pobres deixaram de ser pobres?

    Próximo país a estoirar: Itália de Renzi.

  6. Fernando S

    Carlos Guimarães Pinto : “os partidos de direita estão praticamente ao lado de um orçamento aprovado pelo PCP”

    Não é verdade e nem sequer é esta a percepção da esmagadora maioria das pessoas, de direita como de esquerda !…

    Talvez valha a pena ler o que disse ontém Pedro Passos Coelho no encerramento do debate parlamentar sobre o Orçamento 2016, que passou com os votos a favor da esquerda parlamentar e os votos contra do PSD e do CDS-PP (parte final da intervenção):

    “O pais inteiro sabe qual é a estratégia orçamental que nós executariamos se estivéssemos no governo. Defenderiamos uma mais gradual mas permanente remoção da austeridade, para não tropeçar no excesso de voluntarismo e não obrigar os portugueses a terem que pagar no futuro, novamente com mais sacrificios, a imprudência do presente. Apostariamos numa fiscalidade mais favorável para as empesas e para o investimento, para promover melhor o crescimento sem divida e o emprego sustentável. Mais e melhores investimentos e empresas hoje representam mais e melhores empregos e rendimentos amanhã. Seriamos mais exigentes na disciplina das contas publicas e mais ambiciosos na redução da divida, nomeadamente antecipando mais reembolsos nos empréstimos do FMI e poupando mais nos juros. E sim, isso teria reflexos no curto prazo em matéria orçamental. Mas Portugal estaria em posição mais previdente e mais segura. Trocariamos bem uma parte do esforço fiscal que este governo pede aos portugueses para fingir que remove austeridade por uma reforma da segurança social que trouxesse por via fiscal sustentabilidade às pensões e reduzisse o déficit implicito e explicito no sistema previdencial gerando assim confiança e segurança dos contribuintes nas pensões em pagamento e nas pensões futuras. Estariamos a fazer a reavaliação da primeira vaga de reformas estruturais já realizadas e a preparar uma agenda ambiciosa de uma nova vaga de reformas estruturais, mais voltadas para o aumento da produtividade dos serviços públicos, para a atracção de mais investimento externo, para promover uma maior abertura da nossa economia e o crescimento das nossas exportações, para inverter a recessão demográfica, e para atacar as causas económicas e sociais das profundas desigualdades que persistem há décadas em Portugal. E não, não estariamos a falar de renegociação da divida, como um pirómano que se deleita com a destruição de reputação e de valor da economia como sucede com a actual maioria do governo. Também não estariamos a estimular mais o consumo interno, que felizmente tem vindo gradualmente a recuperar. Nem estariamos a impor uma politica de rendimentos desligada, como perigosamente aconteceu no passado, do crescimento da produtividade, o que só tem como efeito minar a competitividade das empresas e gerar mais desemprego no futuro próximo. Nem sequer defenderiamos um orçamento que, para sustentar a ilusão do fim da austeridade, penaliza a classe média e as empresas bem como as familias numerosas tirando disfarçadamente com uma mão o que dá ostensivamente com a outra como mais uma vez se provou com estas habilidades de última hora que o governo hoje de manhã anunciou. Votaremos pois contra. O orçamento é mau e é um presente envenenado para os portugueses. Deixa o pais mais vulnerável às crises externas e não faz o que é preciso para melhorar o potencial de crescimento no futuro. Promete menos emprego e menos investimento do que alcançámos já no ano passado. E não, não apresentaremos alterações a esse orçamento. Ele não tem arranjo possivel. Além de que é legitimo que quem governa o possa fazer com as suas escolhas e não com as escolhas da oposição. Este orçamento é portanto vosso. O que nos separa hoje é claro e importante. Mais do que as diferenças programáticas divide-nos a relevância que cada um de nós dá à reaidade e aos factos. E como dizia Churchil, “deve-se olhar para os factos porque eles olham para nós”. Por isso o PPD-PSD é reformista, gradualista e realista. E a maioria socialista, bloquista, comunista e verde que suporta o governo é populista, retrógrada e irrealista. Isso está bem reflectido neste orçamento provisório. Sendo um repositório de intenções veremos quanto tempo resistrá à realidade e se a própria maioria acredita nele. Esperamos que desta vez o custo da diferença seja mais acessivel para os portugueses.”

  7. tina

    “Consegue dizer-me um país governado à esquerda onde os pobres deixaram de ser pobres?”

    Nem sequer se está a pedir muito. Em vez de devolverem os salários todos à função pública de uma só vez, podiam redistribuir metade pelas pensões mais baixas. Seria isso esperado de pessoas que tanto dizem preocupar-se com as classes desfavorecidas. São os maiores falsos de sempre.

  8. JP-A

    “Consegue dizer-me um país governado à esquerda onde os pobres deixaram de ser pobres?”

    Há vários, mas deixaram de ser pobres para serem miseráveis 🙂

  9. Concordo com o post. Diz que, em termos orçamentais, a PàF está muito perto do PCP (afirmação que me parece razoável, à luz da realidade actual). Mas então conclui-se que a deriva direitista radical, de que muitos acusaram o PSD e CDS, não existe. Com o que também concordo. Portugal é um País demasiado dependente do Estado, e isso é assumido por todos os partidos.

  10. Pingback: Moody’s elogia “inversão” do rumo do governo | O Insurgente

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