totalitarismo XXI (2)

“A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua defendeu esta segunda-feira que a reforma do IRS não deve servir apenas para aumentar o número de escalões neste imposto, mas também para acabar com isenções e incluir no cálculo deste imposto os vários tipos de rendimentos. Na lei actual, os rendimentos de depósitos, obrigações, títulos de dívida e acções ficam fora do cálculo do IRS, sendo tributados à parte, com uma taxa de 28%. Se estes rendimentos forem englobados, podem vir a pagar a taxa máxima de IRS, actualmente de 48%.” (via Negócios online)

Se o BE avançar com a proposta de englobamento no IRS dos rendimentos de capitais (e porventura também os rendimentos prediais), e se esta proposta fosse seguida, na prática, aumentar-se-ia a taxa média de IRS a aplicar à generalidade dos portugueses. O confisco seria generalizado e aumentar-se-ia também a já excessiva progressividade do imposto em Portugal. Fosse esta ideia aprovada, e então sim, cairia de vez a máscara do “virar a página da austeridade” do Governo. Por isso, não sendo de excluir a adopção mitigada da intenção legislativa agora sugerida (nota: sem esquecer o imposto sucessório prometido pelo próprio PS para 2017, com taxas que possivelmente poderão ir até próximo dos 30%…), a sua adopção na íntegra parece-me altamente improvável. Assim, a proposta valerá sobretudo pelo que ideologicamente representa: num país sem acumulação de capital e com um Estado falido, onde a dívida externa líquida (gerada essencialmente pelo endividamento público) supera o PIB, os principais aliados políticos deste governo, a pretexto de querem acabar com a pobreza, parecem apostados em acabar com qualquer vestígio de riqueza. Enfim, revolucionários de outros tempos não fariam melhor. Gabo-lhes apenas uma qualidade: não escondem ao que vêm.

8 thoughts on “totalitarismo XXI (2)

  1. Troll

    Do nosso enviado especial em Lisboa, Notícia de última hora.

    Primeiro ministro sanciona lei que regulamenta a profissão de bandido

    A lei que prevê a regulamentação da profissão de bandido foi sancionada hoje pelo tovarich Costa após meses de acalorada deliberação no politburo de S. Bento. O texto final afirma:

    “Reconhece-se a profissão de bandido como legítima e relevante para a manutenção da ordem e do bem-estar da sociedade, devendo sua prática ser efetuada livremente, sem quaisquer impedimentos ou obstáculos legais que firam a sua dignidade, e a ocupação deve estar regulamentada em acordo com as Leis do Trabalho. Ademais, fica estabelecido que é terminantemente proibido, sob o risco de pena de lei, quaisquer manifestações discriminadoras, baseadas em discursos de ódio, contra os bandidos”.

    Deputada pelo BE a tovarich mutante (mutante; ser de inteligência e raciocinio superior, por norma tem um canal que liga o cérebro ao intestino grosso) Mariana Mortagua, que é autora da lei, declara que a sanção da mesma foi uma grande vitória para a classe dos bandidos e para o povo português. O efeito esperado é que a lei reduza a violência da população e da polícia contra os bandidos. A tovarich mutante acredita que o bandido tem sofrido grande discriminação e que os índices de violência contra a classe são inadmissíveis em portugal. “O bandido é a maior vítima da sociedade atualmente. Ninguém reconhece o seu trabalho e o seu valor. Nós precisamos reverter este quadro […]. Acredito que esta lei será um progresso nesse sentido”.

    Outros parlamentares tovarich envolvidos no projeto da lei como os deputados João Oliveira, Manuel Tiago e Paula Santos, todos do PC, também comemoraram a sanção. Em entrevista a este escriba, o mutante João Oliveira disse: “Tu pensas que a vida de bandido é fácil porque tu nunca tiveste que segurar uma arma e correr da polícia, esconderes-te em becos, pular muros e ter que fazer isso todos os dias para colocar comida em casa. Esta nova lei certamente irá proteger o bandido de barbaridades”. O mutante Oliveira lembrou, no entanto, que só esta lei não é o suficiente para resolver os problemas que afligem a classe dos bandidos. Ele afirma que o próximo passo é investir em facções criminosas estatais, estatizar outras que estejam monopolizando a criminalidade e desenvolver agências reguladoras para regular as facções privadas já existentes. Tais medidas visariam combater os interesses do capital financeiro imperialista dentro do universo criminoso.

    A deputada tovarich mutante Catarina Martins do BE, também se pronunciou sobre a sanção da nova lei, elogiando a postura do PS em ter levado o projeto para frente e em especial a da deputada Mariana Mortagua. “A igualdade social começa quando damos condições às classes mais oprimidas a lutarem de igual para igual. A iniciativa do BE e da mutante Mariana Mortagua na formulação desta lei é louvável”, afirma a mutante tovarich Catarina.

    Com a nova lei, os bandidos estão mais animados para trabalhar. É o que conta o assaltante e traficante de drogas, Luiz Navalhas, morador da Zona Sul: “Mesmo antes da lei sair, já estávamos fazendo alguns testes. O gangue para qual eu trabalho implantou a pouco tempo um sistema de cartão de crédito e débito. Isso facilitou muito as coisas. Agora, se o cliente não tiver dinheiro na hora, pode passar o cartão. É prático e o cliente pode saber para onde foi o dinheiro através da fatura. Também é deduzível em sede de IRS’’.

    Luís fala ainda sobre as inovações que o seu gangue criminoso pretende fazer agora que a lei foi sancionada. “Vamos uniformizar toda a organização, pra ficar padrão. Vai ter o logotipo do gangue na camisa, crachá com o nome do funcionário e tudo mais. Também já estamos dando treinamentos para que nossos assaltantes ajam com a maior educação possível. O padrão é chegar ao cliente, se identificar, falar um pouco sobre o gangue, sua história, nossos projetos e só então mandar passar o dinheiro ou o cartão. Palavrões, gestos bruscos e gritaria também estão sendo cortados da nova postura. Queremos causar uma boa impressão no cliente”.

    Em entrevista coletiva, concedida agora há duas horas, o tovarich mutante Carlos Cesar, ressaltou o importância da carteira de trabalho para o bandido: “No que se refere a… No que se refere a carteira de trabalho, é importante dizer que o bandido, antes ele, antes não tinha antes carteira de trabalho antes, no que se refere a carteira de trabalho, antes não, antes…antes. Agora, ele tem carteira e isso é muito importante. Ele vai poder ter segurança social, ganhar o décimo terceiro, férias remuneradas, folga, fundo de desemprego serviço de saúde e outros direitos que vinham sendo sempre negados. É um avanço rumo a abril e aos cravos!”.

    O tovarich mutante Jerónimo de Sousa do PC, mostrou-se otimista com o novo cenário. Para ele, esta nova lei é uma conquista do povo, que abre portas para outros projetos e garante que o PC Marxista-Leninista-Stalinista-Maoista-Polpotista vai continuar lutando por uma sociedade mais justa e igualitária. “Este projeto aprovado nos dá certeza de que poderemos colocar para frente outros projetos. No passado, nós apoiamos o recrutamentode de médicos cubanos para suprir a demanda por médicos em Portugal como sabe os fascistas queriam matar o povo sem cuidados médicos. Queremos fazer o mesmo com relação aos bandidos. Portugal precisa de bandidos com maior especialização. Por isso estamos discutindo o programa “Mais Narcotraficantes”, onde vamos recrutar narcotraficantes colombianos, que já vem de uma longa experiência no ramo e irão transmitir o know-how aos portugueses”.

    A oposição, liderada pelo PSD, não se mostrou contente com a lei. Passos Coelho, foi taxativo em suas afirmaçóes: “É possível que esta medida não dê certo. Talvez. Não por maldade do PS. Mas vamos torcer para que dê tudo certo, nós queremos o melhor para Portugal”.

    José Sócrates, também se pronunciou sobre a nova lei. Ele resumiu o seu sentimento em relação a nova lei com as seguintes palavras: “Até hoje havia uma terrível desigualdade entre o bandido de origem pobre e o bandido político. Agora, o bandido pobre passa a ter a mesma importância que o bandido político. Mas ainda não é o suficiente. Tanto bandidos ricos como bandidos pobres ainda são julgados pelo seu trabalho. Nós só ficaremos satisfeitos quando a profissão de bandido for inteiramente aceita e respeitada pela sociedade, pela polícia e pelos setores reacionários, conservadores e religiosos da sociedade. Aí tudo estará bem”.

  2. tina

    O cerebrozinho deles está sintonizado para tirar, tirar, tirar… Toda a vida sofreram de inveja dos outros e agora têm de subir à força, dê por onde der. Todo este dinheiro que pensam tirar será mais uma vez encaminhado para os funcionários públicos e os pobres continuarão a ganhar as suas pensões de miséria.

  3. André Miguel

    Isto é patológico. Ou esta gente fuma cenas bué maradas. Gostava de perceber, a sério que gostava, donde é que esta gente julga que vem o dinheiro, de onde vem a comida que ingerem, a roupa que vestem, etc. Se julgam que é da caridade alheia são deficientes mentais, só pode.

  4. Rodolfo

    “num país sem acumulação de capital”

    Eu acho melhor usar o termo ‘formação de capital’, porque acho que a esquerda pensa que acumulação de capital é uns terem o capital todo e os outros nenhum.

  5. tina

    “A igualdade social começa quando damos condições às classes mais oprimidas a lutarem de igual para igual. A iniciativa do BE e da mutante Mariana Mortagua na formulação desta lei é louvável”, afirma a mutante tovarich Catarina.

    Justiça social para o BE é aumentar entre 1 e 3 euros cêntimos a reforma dos velhotes e dar umas dezenas de euros de poupança de IRS às famílias pobres.

  6. Alberto Silva

    Digam-me uma coisa de 10 euros de rendimento do trabalho, de capitais, prediais não têm o mesmo valor, não servem para comprar as mesmas coisas. Servem, então qual a lógica de beneficiar uns em detrimento de outros. Não há lógica económica disto, um imposto global era mais justo, permititia que quem ganhasse menos pagasse menos e quem ganhasse mais pagasse mais. Evitaria situações em que quem não paga IRS paga 28% de rendimentos de capitais e em que quem paga a taxa máxima de IRS paga apenas os mesmos 28% de rendimentos de capitais. Não lhe compensa trabalhar mais é-lhe mais benéfico acumular capital
    Parabéns à Mariana Mortágua pela ideia mas isto deve morrer por aqui. Os lobbies não permitirão esta mudança.

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