Frank Capra, j’accuse

É oficial: eu culpo o Frank Capra, com o Mr Smith Goes to Washington, pela candidatura e o sucesso de Trump, pelo allure que deu à ideia do outsider que vai para Washington e enfrenta a corrupção instalada. O Rui já ali em baixo linkou o Alberto Gonçalves, mas trago também para aqui algumas palavras da incredulidade dele com esta possibilidade presidencial de Trump. Não tenho tão grande experiência dos Estados Unidos. Estive umas tantas vezes em Nova Iorque, estive uma vez em Miami e outra em New Orleans e passei um dia em Los Angeles, entre voos do Perú para o Pacífico Sul (e boa parte desse dia foi usado nos estúdios da Universal, o que é uma experiência muito americana e onde, muito adequadamente a este post, havia uma James Stewart Avenue). Mas não deixa de haver paralelismo de abismos entre o Trump político e o GOP e entre Trump e Nova Iorque, que tem as Trump Towers como paradigma da falta de gosto ostensiva dos anos 80. Isto numa cidade onde (ao contrário da ideia feita do americano rico) os milionários e endinheirados novaiorquinos transportam pelas ruas sinais de considerável riqueza da forma mais discreta e understated possível. É a senhora do Upper East Side que anda pelas ruas às compras num sobretudo de caxemira Oscar de La Renta apenas identificado pelo corte impecável e pelo toque, ou uma carteira Bottega Veneta (nada com logotipos, cruz credo), ou faz jogging com uns discretos ténis Chanel. A anos luz do espalhafatoso Trump, que nem enjeita ir pavonear-se para reality shows.

Já do outro lado, Hillary lá ganhou no Nevada ao Mr. Magoo. Que é uma personagem curiosa. Desde logo porque se recusa a aceitar as derrotas (parece Costa) – e quando ganhou no New Hampshire não conseguiu qualquer graciosidade para a candidata derrotada. É um caso muito evidente de um homem de idade já avançada com as dificuldades do costume nestes casos: reconhecer que perdeu para uma mulher – que estas, como se sabe, são sempre derrotas mais amargas para os espíritos pequenos (socialistas e progressistas ou não).

E agora deixo-vos as palavras de Alberto Gonçalves. E o vídeo do momento do philibuster de James Stewart no filme da culpa. Para verem que afinal até o Mr Smith é melhor que Trump. Há oito anos eu gozava com o enlevo mundial com os discursos de Obama dizendo que pareciam escritos por Aaron Sorkin, o argumentista de West Wing. Já os discursos de Trump parecem uma confrangedora redação caceteira de um miúdo de 12 anos.

Os candidatos “tradicionais” de ambos os partidos, fossem Rubio ou Cruz, fosse Hillary, eram deprimentes quanto baste. Os candidatos “surpresa” são outra coisa completamente diferente. Enquanto sociedade, o grande mérito da América tem sido a capacidade de enfraquecer os diversos radicalismos em prol de uma alternativa civilizacional eficaz. É um lugar de equilíbrios, que sempre reagiu às rupturas sociais com decência e rapidez. A orientação para o “centro”, com os inúmeros defeitos deste, poupou a América a arrebatamentos totalitários. Hoje, por razões que não cabem aqui, os senhores Trump e Sanders elegeram o “centro” como o inimigo. Se os americanos elegerem um deles, a América que conhecemos está em risco. E o mundo, pelo menos o meu, também.’

6 thoughts on “Frank Capra, j’accuse

  1. Carlos Conde

    Felizmente, apesar da preocupação revelada com a casa alheia, nem a Maria João Marques nem o Alberto Gonçalves votam nos EUA.
    Dores de parto no nascimento da filha da vizinha…
    O Trump para suas Exas, é foleiro e não devia sair de casa.
    E dizem que são liberais sem rirem?

  2. jc

    ” A América que conhecemos está em risco “…não está nada. Reparem que com a eleição e Barry Soetero ( nome inicial com que tirou a licenciatura universitária,depois alterado para Barack Obama), agravaram-se as tensões raciais, o défice aumentou brutalmente, os aliados ( em especial europeus de leste ) ficaram a perceber que estavam sozinhos face a Putin e ao regresso da Rússia ao palco mundial, o PM de Israel passou a entrar na casa Branca pela porta dos fundos, o proselitismo islâmico instalou-se na Administração Obama, ficámos a saber que o futuro não pertence a quem critica o Islão ( pela boca do presidente), a socialização da saúde foi introduzida à força contra a vontade da maioria dos americanos, as ordens executivas transformaram.se numa prática corrente ( ao melhor estilo bolivariano), o médio oriente está a ferro e fogo, o terrorismo islâmico espalhou-se pelo globo tendo regressado ao solo americano, a invasão islâmica da europa está em curso….e no entanto a América continua a América que sempre conhecemos. É um pouco como o Tiririca, pior que tá não fica.

  3. JS

    Obrigado JC. Mas há quem esteja pior.
    ” … TS: Maybe in some age group, but not in overall terms of course. Some 92% of those unaccompanied migrants were male last year…

    ET: … Wait a minute, 92% of them are male?

    TS: Yes, there is definitely something strange going on. More than half of the world’s refugees are women. In World War II, when Sweden took refugees from Finland, they were children and 90% were below the age of 10. But now almost all of them are late teenagers – supposedly; we know many are older for a fact. …”. (in Zerohedge)

    Algo está podre, no Reino da Suecia.

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