Rumo a um segundo desastre anunciado (2)

Algumas breves notas adicionais na sequência de comentários ao meu artigo desta semana no Observador (Não aprenderam nada):

1 – O Luís Aguiar-Conraria comentou (no Facebook): “Não concordando com acusações de traição à pátria, e lembrando o André que as sondagens consistentemente mostram que a maioria dos eleitores quer estas políticas, nao consigo deixar de concordar com a mensagem principal: não aprenderam, e não aprendemos, nada.”

Sobre a traição à pátria, também não é o tipo de argumentação que prefiro mas neste caso, face aos insistentes apelos a um suposto patriotismo anti-Bruxelas e anti-alemão por parte de quem se prepara para, mais uma vez, levar Portugal à bancarrota e a um novo pedido de ajuda externa (com a óbvia perda de soberania que tal implica) pareceu-me que se justificava abrir uma excepção.

Sobre as sondagens, não disputo que a maioria do eleitorado português tem inclinações estatistas, mas seria uma longa discussão já que muito depende da forma como é feita a análise. Por exemplo: se a maioria dos eleitores simultaneamente afirma querer mais despesa pública e manter-se no euro isso tanto pode ser interpretado como recusando ou apoiando políticas de “austeridade”. O enviesamento estatista de académicos e jornalistas (muito mais acentuado do que o do eleitor comum) muitas vezes explica mais do que essas sondagens em si mesmas.

Sobre a mensagem principal (que é o mais importante), ainda bem que estamos de acordo.

2 – Vários comentadores (no Observador, no Insurgente e no Facebook) criticaram a brandura das minhas críticas e os pressupostos demasiado bondosos relativamente aos protagonistas e ideólogos da “geringonça”. Relativamente a essas críticas, admito que é possível que eu esteja de facto a ser demasiado bondoso mas prefiro errar por excesso de benevolência nas minhas análises do que por falta da mesma. Prefiro também evitar o mais possível personalizar mesmo que por vezes isso possa conduzir a deixar passar em claro atitudes e posturas que justificariam crítica personalizada mais agressiva.

3 – A minha sugestão de que o país poderia, apesar de tudo, estar melhor se a pasta das Finanças tivesse sido entregue a Trigo Pereira em vez de a Centeno mereceu também várias críticas. Aqui também tenho naturalmente de admitir a possibilidade de estar errado e de que Trigo Pereira, caso fosse ministro, pudesse estar a desempenhar o mesmo papel lamentável a que Centeno se está a prestar com graves prejuízos para o país. Ainda assim, avaliando pelas declarações públicas de ambos, parece-me, pelas razões que expus no artigo de que talvez tivesse sido de facto uma lehor ou menos má) opção.

7 thoughts on “Rumo a um segundo desastre anunciado (2)

  1. Joaquim Amado Lopes

    André Azevedo Alves,
    Tendo presente a incoerência de Paulo Trigo Pereira (já apontada no Insurgente mais do que uma vez), é seguro dizer que ele se prestaria alegremente a desempenhar o mesmo papel lamentável a que Centeno se está a prestar, embora com um estilo diferente. Enquanto Mário Centeno é tímido (envergonhado?), Paulo Trigo Pereira é arrogante.

    Também me parece que Mário Centeno tem noção da figura patética que faz mas não tem brio nem coragem para abdicar do título de “Ministro”. Por outro lado, Paulo Trigo Pereira parece ser alguém que se convence facilmente daquilo que lhe der mais jeito a cada momento e defenderia entusiástica e “convictamente” o que noutras circunstâncias (leia-se “com outro Governo”) diria ser ruinoso para Portugal e para os portugueses.
    E sim, estou a personalizar. Quando se fala de pessoas, é difícil (e errado) evitá-lo.

  2. Muito obrigado, André. Relativamente às sondagens, não é para mim claro se apanhaste o que eu queria dizer ou não. Não era tanto a questão dos portugueses serem socialistas ou não. O que pretendia era dizer que não faz sentido acusar um governo de traição à pátria quando (para minha grande surpresa) as sondagens indicam que quem votou neles ainda não se arrependeu. Claro que agora podemos discutir o que é a pátria e discutir se fazer o que os portugueses querem é ou não trair a pátria. Mas quer-me parecer que nem tu nem eu estamos com grande vontade de discutir isso.
    Para mim, e era essa a principal mensagem do meu comentário, é que o problema não é “não terem aprendido nada”. O problema é os portugueses não terem entendido nada. Daí eu ter acrescentado que “não aprendemos nada”.

  3. LA-C,

    «as sondagens indicam que quem votou neles ainda não se arrependeu.»

    E acredita nas sondagens? Não lhe posso recordar os movimentos de correcção das diversas sondagens, iniciando-se sempre no último fim de semana antes do escrutínio?

    Pode ter de barato que, se nas sondagens o PSD está 1 ponto atrás do PS, este se encontra no mínimo 5 pontos à frente.

  4. Joaquim Amado Lopes,

    «Também me parece que Mário Centeno tem noção da figura patética que faz»

    Pois eu acho que o homem ainda não sabe o símio que sembla e o calhau que é.

    O país, a dor própria, lá vai descobrindo.

  5. MP

    E entretanto, o PM da Irlanda, não quer ser como Portugal:”http://economico.sapo.pt/noticias/nao-queremos-ser-como-portugal-diz-o-primeiroministro-irlandes_242528.html”, até a nossa imagem internacional foi-se…Puff.. O PS deve explicações ao País incluindo os seus “sócios” malabaristas, trotskistas e extremistas. O Passos vai ter muita trabalheira para limpar isto tudo outra vez… Só espero que não seja tarde demais.

  6. Francisco Miguel Colaço,
    Pela análise que faço das sondagens, e, como sabe se seguiu o popstar, eu levo essa análise a sério, não tenho motivos para desconfiar das sondagens feitas em Portugal.
    Há uma excepção apenas, mas não a vou revelar publicamente dado que não tenho provas irrefutáveis de manipulação. Ou seja, se o dissesse arriscava-me a levar (e muito bem) m processo de difamação em cima.

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